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Pelotão de Sepultamento – A Difícil Missão de Enterrar um Combatente


Não foram poucos os casos que os mortos nos ataques a Monte Castello e nas patrulhas subsequentes dos meses de dezembro e janeiro de 44 e 45 respectivamente, foram deixados no local onde caíram, sendo resgatados depois dos ataques de fevereiro de 45, alguns só puderam ser sepultados depois da guerra. Infelizmente essa tarefa árdua era uma atividade do Pelotão de Sepultamento, comandado pelo 1º Tenente Lafayette Vargas Moreira Brasiliano, estando ligado ao Serviço de Intendência da Divisão Brasileira. Esses soldados tiveram que enfrentar além da discriminação dentro da própria tropa, a dura missão de identificar e sepultar brasileiros com o respeito devido. Segue uma pequena explicação da obra do Joaquim Xavier da Silveira, A FEB por um Soldado.

 “O serviço de intendência tinha ainda entre as suas obrigações uma bem dura: sepultar os soldados mortos, serviço feito pelo Pelotão de Sepultamento. No começo a atividade foi difícil, mas aos pouco essa unidade foi conquistando respeito e admiração pela dedicação com que realizava a tarefa. Os primeiros mortos foram sepultados nos cemitérios de Tarquinia, Follorica e Vada. Quando a FEB foi lutar no Vale do Reno, instalou-se um cemitério em Pistóia, para onde  foram removidos os corpos enterrados em outros cemitérios, lá permanecendo até seu translado definitivo para o Monumento aos Mortos da II Guerra Mundial, no Rio de Janeiro.

Assim que caía morto, o soldado brasileiro era transportado pelos companheiros para os postos de coleta. O pessoal do Pelotão de Sepultamento fazia a identificação, anotava os dados necessários e levava o corpo até a cova no cemitério militar. Cada soldado tinha pendurado em seu pescoço duas chapas metálicas de identificação. O pessoal do Pelotão destacava essas placas, colocando uma entre os dentes do combatente morto e a outra na cruz de madeira que marcava a cova.

O serviço de sepultamento era realizado muitas vezes em condições penosas e perigosas. Com a vitória em Monte Castello, o Pelotão de Sepultamento foi remover os cadáveres dos que tinham caído nos ataques anteriores. Isso foi feito ainda sob fogo do inimigo, que jogava granadas na região. Havia minas ainda não desativadas e, sobretudo as boody-traps armadas embaixo de corpos. Essa armadilha exigia de cada um prévio e cuidadoso exame. Os corpos, já em estado de decomposição, eram carregados em padiolas até o ponto em que pudessem ser transportados de jeep. Foi sem dúvida uma tarefa dura que o pessoal do Pelotão de Sepultamento executou com correção e, sobretudo, dignidade, pois a cada morto eram prestadas honrarias fúnebres.”

Fonte: Siveira, Joaquim Xavier da. A FEB por um soldado – Rio de Janeiro: Biblioteca do Exército Ed.; Rio de Janeiro Editora Expressão e Cultura – Exped Ltda, 2001

“Conspira contra a sua própria grandeza, o povo que não cultiva seus feitos heróicos”

Monumento aos Mortos da Segunda Guerra Mundial no Aterro do Flamengo

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