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Arquivo para a categoria ‘Recife’

GRAF ZEPPELIN – Da Propaganda Nazista ao Esquecimento Histórico!

O Graf Zeppelin tinha 213 m de comprimento, 5 motores, transportava 20 passageiros e cerca de 45 tripulantes e um volume de 105.000 m³, sendo o maior dirigível da história até a data de sua construção em 1.928.

Sua estrutura era baseada numa carcaça de alumínio, revestida por uma tela recoberta por lona de algodão, pintada com tinta prata, para refletir o calor.

 Dentro, existiam 60 pequenos balões com gás hidrogênio, juntamente com os 5 motores Maybach, de 12 cilindros, desenvolvendo até 550 HP (máximo) cada, alimentados com um combustível leve, o Blau Gas (gás azul = H²) e gasolina, que o mantinham no ar, a uma velocidade de até 128 km por hora. Tinha capacidade de carga para até 62 toneladas.

O primeiro vôo aconteceu em 1.928, ligando Frankfurt a Nova York, e durou 112 horas.

Em 29 de agosto de 1.929, comandado por Hugo Eckener, completou o primeiro voo em redor do mundo ao aterrar em Lakehurst, Nova Jersey, nos Estados Unidos da América.

Essa famosa epopeia ao redor do mundo durou 21 dias, iniciada em 8 de Agosto, durante os quais percorreu 34.600 km.

Saindo da Estação Aeronaval de Lakehurst , estado de Nova Jersey, nos EUA, atravessou o Oceano Atlântico e fez a sua primeira escala em Friedrichshafen, na Alemanha, depois pela Europa, sobrevoou os Montes Urais e atravessou a Sibéria até alcançar Tokio, onde fez escala. Posteriormente pelo Oceano Pacífico rumo ao Estados Unidos e, em 26 de Agosto, depois de 79 horas e 22 minutos de navegação, aterrou em Los Angeles, Califórnia.

Finalmente, em 29 de Agosto, regressou à Estação Aeronaval de Lakehurst, seu ponto de partida.

O Graf Zeppelin oferecia grande conforto.

Apenas 35 lugares eram disponíveis, e normalmente a lotação não ultrapassava 20 passageiros.  A aeronave era bastante estável,  devido ao seu tamanho. Os passageiros dispunham de cabines duplas, com beliches, sala de estar e de jantar, e até um salão para fumar, cuidadosamente isolado para não incendiar o perigoso e inflamável gás de sustentação da aeronave, o hidrogênio.  Exceto no salão de fumar, era proibido o uso de cigarros, charutos e cachimbos em qualquer lugar do dirigível. Os passageiros eram revistados no embarque, e o porte de isqueiros e fósforos era rigorosamente proibido. Os isqueiros do salão de fumar eram presos por correntes à mesa.

Infelizmente, apenas 14 meses depois da novidade ter chegado ao Brasil (1.936), o Hindenburg acidentou-se em Lakehurst, New Jersey, nos Estados Unidos. Pouco antes de pousar, a aeronave incendiou-se, por motivos até hoje não esclarecidos, no dia 6 de maio de 1.937. não fica descartada a hipótese de uma manobra criminosa…

61 tripulantes e 36 passageiros estavam a bordo. Desses, 13 passageiros e 22 tripulantes faleceram, além de uma pessoa no solo. Essas 36 vítimas encerraram definitivamente a carreira dos dirigíveis Zeppelin. Foi o fim de uma era.  Apenas um mês depois, o Graf Zeppelin foi retirado de serviço.

O dirigível-irmão do Hindenburg, o LZ-130 Graf Zeppelin II, já concluído, nunca chegou a entrar em serviço ativo.

Depois de passar alguns anos em um museu, ambos foram desmontados em 1.940, para aproveitamento do seu alumínio em aviões militares, por ordem do Marechal do Reich Hermann Goering.

Ferdinand Adolf Heinrich August Graf von Zeppelin (1.838 – 1.917) Ferdinand Graf von Zeppelin, Graf Zeppelin ou Barão Zeppelin nasceu em Konstanz, Grão Ducaco de Baden (hoje parte de Baden-Württemberg, Alemanha). General alemão e construtor de aeronaves; fundou a Zeppelin Airship company, construtora dos famosos dirigíveis Zeppelin.

 Dr. Hugo Eckener (1868 – 1954)  era o chefe do Luftschiffbau Zeppelin nos anos da inter-guerra, sendo comandante do famoso Graf Zeppelin em muitos de seus voos, incluindo o primeiro voo tripulado ao redor do mundo, fazendo-o o comandante mais bem sucedido da história da aeronáutica.

Viajar no Zeppelin era um luxo permitido para poucas pessoas. A passagem para a Alemanha era muito cara, algo equivalente a 10 mil Euros atuais (2.011). O trecho doméstico entre o Rio e Recife também era caro, e poucos lugares eram disponíveis. A viagem entre o Rio e a Alemanha durava 5 dias. 2 dias eram necessários para a travessia do Atlântico. A velocidade máxima era de 128 Km/h, muito mais rápida que a velocidade dos navios de passageiros da época, que variava entre 25 e 40 Km/h.

 A temporada de 1.936 dos dirigíveis alemães foi marcada pelo primeiro voo comercial do D-LZ129 Hindenburg, sucessor do Graf Zeppelin. Esse voo inaugural, comandado por Lehmann, foi feito para o Brasil, e decolou para o Rio de Janeiro em 31 março de 1.936.

 A grande maioria dos voos do Graf Zeppelin para o Brasil foi comandada por Hugo Eckener. Este, que além de pilotar, também foi um dos construtores dos dirigíveis alemães, acabou excluído dos últimos voos dos Zeppelins, como vimos, especialmente os do Hindenburg, sucessor do Graf Zeppelin, por sua insistente oposição ao uso das aeronaves como propaganda para o regime nazista. Foi substituído por Ernst Lehmann, um aviador pró-nazista que acabou falecendo no desastre do Hindenburg, em maio de 1.937.

O Graf Zeppelin completou, no total, 147 vôos ao Brasil (sendo 64 transatlânticos) entre os 590 vôos da sua longa carreira de 17.177, 48 horas de vôo, em nove anos de operação (1.928-1.937), o que tornou-o o mais bem sucedido dirigível da história da aviação. Foi uma fantástica e impecável carreira para uma aeronave que foi projetada e construída como protótipo, mas que, de tão perfeita, acabou sendo colocada em serviço.

Transportou um total de 34 mil passageiros,  30 ton de carga, incluindo 2 aeronaves de pequeno porte e um carro, e 39.219 malas postais, com total segurança e sem acidentes.

Passados 75 anos, pouca coisa resta da história dos Zeppelins no Brasil. A maior e mais notável é o hangar de Santa Cruz, ainda intacto e em uso pela Força Aérea Brasileira. Não é o último hangar de Zeppelins ainda existente, como reza a lenda, pois o hangar de Lakehurst ainda permanece igualmente intacto.

Em Recife, ainda resta, relativamente intacta, a torre de atracação de Jiquiá. 

O Museu Aeroespacial, do Rio de Janeiro, tem em seu acervo uma das hélices de madeira do Graf Zeppelin e alguns pedaços de tela rasgada, resultado de trabalhos de manutenção, e nada mais.

Nesta fantástica foto de Ferreira Júnior, de propriedade de seu afilhado Sidney Paredes vemos o momento de desembarque dos passageiros do dirigível Graf Zeppelin na base aérea de Santa Cruz.

 

Passagem por Recife

 

Enviada por email segundo os Crétidos abaixo:

FORMATAÇÃO: MENSAGEIRO DA PAZ

TEXTO: NET + comentários

IMAGENS: NET + Arquivo

DATA: 09 – 02 – 2.012

Chico Miranda: Só Agradece!!

Quando concebi esse BLOG tinha como objetivo a consolidação de um sonho: expressar minha visão desse evento que contribuiu para formar a sociedade como conhecemos hoje. E uma dos agentes motivadores era exatamente a quantidade de aberrações e deturpações que existem desse evento na internet, bem como as influências ideológicas que cercam as interpretações tendenciosas da Segunda Guerra.

Mas uma grata surpresa surgiu com a evolução desse trabalho. AMIGOS! Que compartilham da mesma visão de disseminação do conhecimento. Consegui angariar, através do blog, amigos que, mesmo não conhecendo pessoalmente, possuem atributos que são raros em um país que nem sempre tem uma olhar satisfatório para a sua própria História. E não foram poucos!

Hoje, recebi uma grata homenagem do meu amigo do Pará, Márcio Pinho, que além outras qualificações é um exímio pesquisador e, para minha surpresa ARTISTA. Que faço questão de publicar.

Meus agradecimentos ao pessoal da WebKits que é uma fonte inesgotável de conhecimento sobre plastimodelismo e Segunda Guerra.

Abraços a TODOS!

Márcio Pinho: ....E nosso historiador virtual-mor, meu bom amigo Chico Miranda, uma das gratas surpresas que tive na net...

Citações de Combate da Força Expedicionária Brasileira – Parte I

Citações de Combate são relatórios sobre o desempenho individual de algum militar envolvido em ações de combate. Para comemorar o aniversário da Tomada de Monte Castelo, vamos publicar algumas citações elogiosas que foram registrados na Revista Cruzeiro do Sul para louvar o desempenho de militares envolvidos nas operações vitoriosas sobre Monte Castelo e nas operações de contenção dos contra-ataques alemães.

Fonte: Cruzeiro do Sul, gentilmente cedidas pelo pesquisa Rigoberto Souza Júnior.

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Soldado AFONSO DE MELO, do I Regimento de Infantaria – IG – 267.486 – Estado Rio de Janeiro.

Em 23-2-1945

                A citação do Soldado AFONSO DE MELO tem dupla significação uma vez que exalta não só o valor combativo da gente brasileira como o profundo amor as tradições de sua terra.

                A subunidade atacara e se apossara do ponto cotado 958. Manter o terreno conquistado em condições básica para o prosseguimento das operações do Regimento, mesmo que lhe custasse os maiores sacrifícios. Dessa verdade bem sabia o Soldado Melo, tanto que lutou muito, lutou denodadamente para que todos os contra-ataques lançados pelo inimigo com o intuito de reapossar-se das posições perdidas, fossem rechaçadas. Foram quatro dias de tenaz esforço coroados de completo sucesso, assim, sem mácula, a pureza das ações dos homens de sua tempera. E tanto isso é verdade, que uma feita, quando o seu Comandante de Pelotão se deslocara com um Grupo de Combate para uma ação nas profundidades, o Soldado Melo, como observador avançado de seu Grupo, pressentira que cerca de 60 alemães se avizinhavam da posição. Sem perda de tempo, comandou o fogo do pelotão, solicitou ao Comandante de Companhia apoio de fogo de artilharia enquanto simultaneamente fiscalizava o consumo de munição, só permitindo tiros à curta distância. Numa legítima explosão de sentimento de responsabilidade, na fase mais critica do combate gritou, com toda a força de seus pulmões: “quem recuar eu fuzilo”. Ele mesmo abateu, a tiros de fuzil, um inimigo armado de metralhadora.

                Era um brasileiro que ali estava, defendendo o nome da tropa brasileira e honrando as belas tradições de sua gente.

                Mais tarde foi ferido com estilhaço de granada e evacuado para o Hospital.

                A ação excepcional do Soldado AFONSO MELO traduz, na sua grandiosidade, as mais perfeitas virtudes do Soldado do Brasil.

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3º Sargento OTTON ARRUDA, do 11º Regimento de Infantaria – IG – 199.186. Estado de Minas Gerais.

Em 17-2-45

                Fazia parte de uma patrulha que nesse dia saiu em missão de reconhecimento da reigão do VALE. Quando examinava uma das casas de ABETAIA é ferido por explosão de mina. Grandes sofrimentos físicos lhe produziram os ferimentos recebidos. O Tenente comandante da Patrulha, entretanto, faz-lhe um apelo para que suporte as dores em silêncio, de modo a não atrair o fogo do inimigo sobre os demais companheiros. Daí por diante o Sargento OTTON estoicamente cala o seu sofrimento, até o regresso da patrulha às linhas amigas.

                A fortaleza de ânimo, o espírito de sacrifício, a abnegação do Sargento OTTON merecem destaque especial, para reconhecimento da FEB na Itália.

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Cabo MANUEL CHAGAS, do I Regimento de Infantaria – IG – 305272 – Estado do Rio de Janeiro.

Em 23-2-45:

Já no curso do ataque do seu Pelotão à posição de LA SERRA, se distinguira, pelo ardor combativo, o Cabo Chagas. Todo o esforço empregara, a seu ânimo inflexível de brasileiro pureza em jogo para que a posição fosse conquistada e mantida. Suportara contra-ataques e trabalhara para rechaçá-los. E não parou aí a sua atividade.

                Certa vez alcançada uma posição inimiga passou a observar os arredores atentamente. Notou que dois alemães se aproximavam, deixou que ambos chegassem à porta do abrigo. Neste instante, apontou-lhes a arma, fê-los prisioneiros. Um terceiro adversário, incontinenti atirou-lhe uma granada de mão, que infelizmente não o atingiu. E neste ritmo prosseguiu a sua ação, em benefício do cumprimento integral da missão do Pelotão.

                A ação serena, inteligente, a capacidade profissional, o desassombro, a noção perfeita do cumprimento do dever, tornaram-no um exemplo bem digno da tropa brasileira.

Associação Uma Vez PE, SEMPRE PE!

Caros,

 Hoje, 11 de fevereiro de 2012 é uma data especial! Reuniram-se em assembleia um grupo de Militares da Reserva, da Ativa e Reservistas da Polícia do Exército para fundar oficialmente a Associação da Polícia do Exército – UMA VEZ PE, SEMPRE PE! Nosso objetivo é congregar todos aqueles que servem ou serviram em qualquer Unidade de Polícia do Exército em qualquer tempo do nosso Brasil. E nossa Associação nasce exatamente onde a própria Polícia do Exército nasceu, dentro da Força Expedicionária Brasileira, pois foi para compor a FEB que se concebeu a primeira tropa com essa designação. A Associação dos Veteranos da Força Expedicionária Brasileira, gentilmente cedeu suas instalações para que a Associação SEMPRE PE possa iniciar suas atividades.

Mais uma vez agradeço o esforço de todos os amigos e companheiros de caserna que se dedicaram e essa ambiciosa, mas nobre missão.

Exposição com material da FEB

Cem Mil Acessos Diretos – Obrigado a Vocês!

Caros Amigos!

 Chegamos a uma marcar que pessoalmente acredito que seja algo a se celebrar. Estamos alcançando 100 mil acessos diretos. No meu entender, para um BLOG que tem apenas 08 meses é uma excelente marca!

 Nesse período conseguimos ter um público ávido, interessado e principalmente esclarecido. Vocês que acompanham o BLOG Chico Miranda não são um público qualquer, por isso a responsabilidade das publicações é altíssima, pois qualquer deslize a correção chega na mesma velocidade da postagem.

Sinto-me honrado em poder compartilhar com vocês essa marca e dizer que vamos alcançar UM MILHÃO MUITO BREVE!

Nosso BLOG, que não é apenas meu, tem como objetivo ser um local para vislumbrar a História e democraticamente debatê-la.

Muitos me perguntam o motivo de não ter propaganda, inclusive já rejeitei várias propostas para colocá-las, mas esse não é o objetivo. O BLOG Chico Miranda não tem fins lucrativos, pois quando criei esse espaço foi com o intuito de divulgar a História, e é para ela que continuamos nosso trabalho.

A TODOS! MEUS SINCEROS AGRADECIMENTOS!

Chico Miranda

 Para comemorar escolhi 20 publicações são as minhas preferidas e coloco a LINK abaixo para vocês apreciarem novamente, e podem mandar a de vocês também:

Vivendo e Morrendo como um Soldado!

- Gostei dessa publicação por saber a importância histórica de ser soldado.

Fotos e Seus Detalhes Históricos – Parte VIII

- Essa foi a mais gostosa de construir dessa série. A pesquisa foi excelente com detalhes impressionantes

Memórias de um Soldado de Hitler – Parte I

Memórias de um Soldado de Hitler – Parte II

Memórias de um Soldado de Hitler – Parte Final

 - O senhor Meltemenn abriu meus olhos para o lado humano do soldado nazista, aquele que lutou pelo que ele pensou ser a melhor coisa para seu país. Nós também poderíamos estar lutando pelos nossos ideais do lado da Alemanha o de qualquer outro país.

Por que a 148ª Divisão Alemã se entregou somente aos brasileiros na Itália?

- Um texto especial, pois retrata a bravura de uma Divisão Brasileira que desmente muitos críticos idiotas que não conhecem história e acham que podem deflagrar injustiças ao passado da FEB

O Dia D – Visto por um ângulo Diferente

- Primeira visão diferente do Dia D que observei

Ataque e Afundamento na Costa Brasileira do U-Boot – U-848

 - Essa pesquisa foi especial devido ao Fato do marinheiro Hans Schade ter sido encontrado ainda com vida e morrido em solo brasileiro, em solo pernambucano e seu corpo ter sido enterrado com honras militares pelos americanos no cemitério mais conhecido de Pernambuco. Foi incrível essa pesquisa.

Batalha Aérea Sobre a Inglaterra – A Resistência

Para mim a Inglaterra foi o principal bastião de resistência contra a Alemanha. E dessa pesquisa achei a foto que mais me impressionou de toda a Guerra!

Tentei de todas as formas encontrar o nome dessa senhora, infelizmente ainda não consegue, mas minha busca vai continuar…

FEB – Origem da Polícia do Exército

 - Tive muito orgulho em pesquisar sobre a origem da Polícia do Exército, pois tenho orgulho de ter sido um PE, aliás, UMA VEZ PE, SEMPRE PE! Portanto tenho orgulho de SER PE. E essa publicação para mim foi especial.

Segunda Guerra – As Fotos e Seus Detalhes Históricos.

Kamikazes – A História dos Ataques Suicidas

- Resolvi pesquisa sobre os Kamikazes, pois não encontrei muita coisa publicada a respeito.

Recife – Um Olhar Provinciano do Século XIX

- Minha Cidade! O que posso dizer? O homem que não conhece o passado de sua própria terra pode ser considerado sábio?

Humor, Charges e as Fotos Mais Estranhas da Segunda Guerra

- Nem passava pela minha cabeça que a guerra poderia ser tão engraçada

A Propaganda Vermelha – Cartazes Russos 1941

- Em ter de propaganda a URSS é imbatível!

Charges da Guerra – Parte I e II – Agora Tamanho Original

- As charges mais fantásticas!

O Brasileiro é Acima de Tudo Um Forte – O Legado da FEB

- Um Artigo que foi publicado nos jornais pernambucanos, e modesta à parte deu o recado!

Crônica de um Pernambucano

 - Minha Reclamação com Pernambuco: temos dezenas de placas e estátuas espalhadas pela cidade, mas não há uma placa em homenagem aos pernambucanos que perderam a vida na Itália.

Soldados Brasileiros de Hitler

- Entre 1945 a 1948 12 mil alemães ou de origem alemã entraram no Brasil. Quantos lutaram pela Alemanha?

Piloto Russo abatido em 1942

- A História Triste de um Guerreiro

“O Quebra Quebra” – A Segunda Guerra Chega ao Recife

A 15 agosto de 1942 cinco navios brasileiros eram afundados, quase simultaneamente, entre a Bahia e Sergipe: o Baependi, o Araraquara, o Anibal Benévolo, o Itagiba e o Araras. Chegavam às nossas praias alguns botes salva-vidas com náufragos do Baependi1. Era grande a comoção popular, todos revoltados com aqueles atos de agressão e com as inúmeras mortes, mais de oitocentos, deles resultantes. Grupos exaltados saíam às ruas e começaram a depredar os estabelecimentos comerciais cujos donos fossem alemães, japoneses ou italianos.

Antes de eminência de sérios conflitos, algumas casas comerciais fechavam suas portas e nós, estudantes, éramos dispensados pelos diretores dos colégios, com recomendações expressas para nos dirigirmos as resistências e não ficarmos nas ruas. O que quase ninguém fazia, tal a nossa curiosidade em testemunhar aqueles atos de represália e que tanto aguçaram nosso patriotismo ferido já em tantos ocasiões..

Esse episódio ficou conhecido no Recife como “o quebra-quebra”, sendo inúmeras as casas depredadas, algumas por puro vandalismo, sacudindo-se, pelas suas portas e janelas, sofisticadas máquinas de escrever, dispendiosas máquinas fotográficas e outros utensílios que se quebravam nas calçadas, onde eram, ainda, pisoteadas pela multidão enfurecida; noutras, havia a evidente finalidade do saque, pessoas carregando consigo pares de sapatos, canetas Parker e armações de óculos, principalmente daquelas que estavam tão em moda, a dos belos e vistosos óculos Ray-Ban.

Alguns, os que participaram daquele movimento por motivos apenas patrióticos, visando pura e simplesmente a indenização dos nossos navios, lançavam material obtido nos postos de recolhimento, aumentando cada vez mais as “pirâmides” que iriam contribuir para o soerguimento da nossa Marinha.

Vi pessoalmente – quando, após as aulas do Liceu Pernambucano, eu me dirigia para a Soledade2, para pegar o bondinho da Tramways – uma turba incontrolável a invadir o prédio da Fretelli Vita, na Soledade, a depredá-lo, a lançar pedras (uma delas quebrando seu velho e bonito relógio, o nosso Big Bem, que diariamente nos advertia quanto ao horário de chegada no colégio), e lembro-me até que, numa de suas janelas, um provável funcionário balançava uma enorme bandeira brasileira, como a dizer que aquela era uma empresa, apesar de sua origem italiana, de pessoas que nada tinham a ver com a guerra e que contribuíam, talvez mais do que muitos brasileiros, para o progresso de nossa cidade e que, como tal, deveria ser preservada.

Na Sorveteria Gemba, na Praça Joaquina Nabuco, soubéramos depois, lançaram-se gás sulfúrico e depredaram-se suas instalações, o que obrigou a permanecer fechada por um longo período. Depredações semelhantes sofreram a Casa Vanthuil, a Herman Stoltz (na Marquês de Olinda quase em frente a associação comercial), o Regulador da Marinha, a Gino Luchesi, a Joalharia Louvre, a Sloper, a Casa Lohner e tantas outras, saindo os invasores, segundo testemunhas oculares com caixas e mais caixas de sapatos e com uma quantidade tal de canetas, relógios e armações de óculos que daria para abastecer várias lojas por anos a fio…

Os populares, exaltados, se dirigiam para a Praça de República, onde, da sacada do Palácio, o interventor Agamenon Magalhães dizia palavras (“prefiro erra com o povo a acertar sem ele”) que eram interpretadas como de apoio ao movimento popular e eram acolhidas com aplausos, ensurdecedores. Na pracinha do Diário usariam da palavra, entre outros, o professor Luiz de Goes, Edgar Fernandes, Potiguar Matos, do curso pré-jurídico, o professor Barreto Campelo, da Faculdade de Direito, e Thomas Édison, Faculdade de Medicina. Cantando o Hino Nacional e o Hino de Pernambuco, exibindo bandeiras brasileiras e carregando objetos recolhidos nas lojas depredadas, os populares se dirigiam, pela (rua) Princesa Izabel, para a Faculdade de Direito, onde ainda falaria outros oradores.

1. Não foi encontrado por esse BLOG qualquer outra fonte que afirme que chegaram a Recife botes com sobreviventes do Baependi. Os sobreviventes chegaram à região do Mosqueiro e Areia Branca no Estado de Sergipe, conforme depoimento do Capitão Lauro Moutinho dos Reis, um dos militares sobreviventes do naufrágio.
2. Rua da Soledade – No bairro da Boa Vista – Recife. Uma das mais tradicionais da cidade

Extraído do Livro: Recife e Segunda Guerra Mundial – Rostand Paraíso – Comunicarte, 1995 – Recife-PE.

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Fotos & Detalhes Históricos – Especial FEB – Parte II

Continuamos a segunda parte da série Fotos e detalhes históricos – Especial FEB. Publicaremos outra rodada posteriormente. Tudo com o objetivo de manter viva a chama febiana!

As Imagens aqui postadas são de Reprodução Proibida! Fazem parte de um acervo pessoal. Qualquer cópia sem a autorização dos seus proprietários estará sujeito às sanções previstas em lei

A Cobra Segue Fumando!!

Os Veteranos da FEB e os Combatentes pela FEB de HOJE

Vários artigos e livros já foram publicados sobre o esquecimento dos nossos soldados após a Segunda Guerra Mundial. Embora ainda haja muito para se falar sobre a falta de identidade histórica dos brasileiros, gostaríamos hoje de dissertar sobre o outro lado da moeda. Sim ela existe!

Enquanto pensamos que nosso passado está jogado ao poço profundo do esquecimento, há de forma quase velada, verdadeiros guerreiros que lutam uma batalha injusta contra esse inimigo voraz: o esquecimento. Nesta batalha muitas vezes perdem terreno, outras vezes avançam sobre o inimigo, mas nunca deixam de guerrear.

Nos últimos meses tivemos o prazer de compartilhar e acompanhar as batalhas de alguns desses bravos soldados, e por uma questão de justiça, quero nominar alguns deles.

O melhor soldado no campo de batalha é aquele que luta pelo que acredita, e o senhor Rigoberto Júnior é um desses soldados. Não luta pelo o que não conhece, luta pelo o que tem conhecimento de causa. É um ávido leitor da FEB, e se não é um historiador acadêmico, o é na prática. Secretário da ANVFEB-PE Rigoberto, como já afirmamos em outro artigo, é o Braço Operacional da associação. Mas ele é muito mais que isso! Também é zeloso e cuidadoso com os próprios veteranos; preocupado com a saúde de cada veterano, com deslocamentos, alimentação, acomodação e/ou qualquer coisa que esteja relacionado ao bem estar dos nossos guerreiros. Leva sobre seus ombros a responsabilidade de cuidar de tão honrosa tropa!

Sargento Alessandro dos Santos é a cara do Exército Brasileiro moderno. O Santos é Mestre em História e sua tese: “A Reintegração social dos Ex-Combatentes da Força Expedicionária Brasileira (1946-1988)”, não é apenas uma dissertação de mestrado, mas um “grito” para os que ainda insistem em ignorar a história de vida dos membros da FEB antes, durante e depois do conflito. E Santos o fez com a maestria acadêmica que em nada deixa a desejar para uma publicação literária de primeira linha.

Sargento Bruno Ribeiro é um entusiasta e estudioso da FEB. Trocando algumas palavras percebemos imediatamente a vibração de um soldado que vestiu a farda, colocou a faca nos dentes e encara o inimigo de frente, mesmo sendo de artilharia, luta como um infante. Licenciando em História, tem objetivos claros para a FEB e, a partir deles, teremos uma produção acadêmica de qualidade. Melhor que isso, teremos um professor comprometido com a divulgação das ações da Força Expedicionária Brasileira nos campos da Itália e um especialista nas operações de u-boots no atlântico sul, quer mais?

Obviamente ainda há alguns nomes que irei citar, como a do Coronel Lima Gil comandante do 7º GAC e a do Major Adler Comandante da 14ª Bateria de Artilharia Antiaérea, esses oficiais têm um compromisso histórico no comando de suas unidades que, diga-se de passagem, unidades com um rico passado, reforçando para a tropa o sentido da importância de se reverenciar os sacrifícios de homens para com a sua pátria.

E para encerrar, vou citar o Tenente-Coronel Monteiro, mesmo com pouco contato, já é fácil perceber a enorme contribuição desse oficial nas atividades da associação. Com isso presta um grande serviço, não aos integrantes da FEB, mas a memória do povo pernambucano, e se torna um oásis de reconhecimento no enorme deserto de esquecimento. Deserto esse que é nosso maior inimigo.

A todos os meus sinceros agradecimentos!

Rigoberto Júnior do lado esquerda e o Coronel Lima Gil do lado direito

Sargento Alessandro dos Santos

Tenente-Coronel Monteiro

Sargento Bruno Ribeiro dando uma palestra do a FEB na cidade de Lajedo-PE

Fotos & Detalhes Históricos – Especial FEB

 Com muito prazer o blog foi autorizado pela ANVFEB - Seccional Pernambuco, a publicar um material exclusivo do acervo pessoal do Secretário Rigoberto Júnior, que tem de forma muito peculiar, contribuído para preservação histórica da Força Expedicionária Brasileira.  Aproveitamos para ratificar o compromisso que temos com a luta pelo reconhecimento histórico dos mais de 20 mil brasileiros deslocados para os campos de batalhas italianos. Dos que tombaram em combate: lutamos ferozmente pela sua memória; dos que morreram esquecidos pelo seu povo anos depois da guerra: lutamos pelo seu reconhecimento; e os que ainda estão vivos: nos orgulhamos e reverenciamos.

 Nesse 07 de Setembro possamos refletir não apenas sobre nossa independência, mas principalmente sobre a ignorância latente que insiste em cercar muitos brasileiros.

As Imagens aqui postadas são de Reprodução Proibida! Fazem parte de um acervo pessoal. Qualquer cópia sem a autorização dos seus proprietários estará sujeito às sanções previstas em lei

Crônicas de Amor Durante a Segunda Guerra

Quando os pesquisadores estudam a história da Segunda Guerra, muitas vezes realizam uma dissertação profunda sobre os aspectos políticos, econômicos e sociais dos países envolvidos no conflito, mas outras vezes ignoram o mais básico elemento de interpretação histórica, o homem!

É muito comum ver e ouvir jovens menosprezando ou ignorando os feitos dos mais de 20 mil homens que integraram a Força Expedicionária Brasileira e que lutaram nos campos de batalhas italianos. Cada integrante dessa tropa, ainda vivo nos dias atuais, é um poço inesgotável de história oral. Esse elemento tão importante na concepção da chamada Nova História tem, em cada pracinha espalhado pelas associações de ex-combatentes da FEB, uma enciclopédia viva dos acontecimentos da Segunda Guerra.

 Uma dessas histórias é de um tal  João, nome tão comum entre os brasileiros quanto os da Silva. Esse ex-combatente paraibano que tem por nome de batismo João Batista da Silva, foi para Itália como voluntário combater um inimigo que ele não conhecia, sem imaginava o que lhe esperava.

 Depois de algum tempo na Itália, João certa vez encontrou uma jovem italiana que cruzava o acampamento brasileiro, e perguntou se ela conhecia alguém que costurasse. A jovem então o levou até sua casa e apresentou-lhe a mãe viúva. João logo fez amizade e conheceu a família e dentre as filhas da senhora costureira estava Rita Cei,  a jovem que conquistou o coração do soldado brasileiro.

Algum tempo depois João pediu a Rita em casamento, ali mesmo na Itália, com as tropas prestes a retornarem ao Brasil. A família italiana inicialmente mostrou resistência, pois João não tinha família e eles não conheciam o Brasil. Com alguma resistência resolvem aceitar a união, contudo ao se dirigir ao padre o mesmo não autorizou o casamento, tendo em vista o pouco tempo para tramitar a papelada. João decidido a não desistir, viajou até Livorno para buscar o aceite do Bispo, que vendo o empenho do brasileiro autorizou o casório.

Após uma cerimônia simples, João e Rita tiveram pouco tempo para desfrutar as bodas, pois uma semana depois o jovem soldado retornou com o contingente brasileiro para o Rio de Janeiro, mas não antes de planejar o encontro com sua esposa italiana, a fim de consolidarem a vida em comum. Rita ainda tinha um árduo caminho a fazer, pois juntamente com outras italianas casadas com soldados brasileiros, portanto a história do soldado João e da italiana Rita não foi isolada, pedalou 8 horas de bicicleta até a cidade de Livorno para a embaixada brasileira solicitar um visto de permanência.

No final os dois se encontram no Rio de Janeiro. João licenciado do exército e com dificuldades para encontrar emprego se desloca para o Recife, na expectativa de sustentar sua família. Com o passar dos anos João e Rita se firmam e já com um filho vivem um vida tranquila e cheio de história para contar aos seus netos.

Essa é uma história real de pessoas que viram a guerra e as dificuldades provenientes dela.

Valorizemos as pessoas que viveram algo tão surreal para a juventude atual.

Carro Movido a Gasogênio – Uma Saída para o racionamento da Guerra

No Rio, por conta do racionamento de gasolina, estimava-se, só naquele Estado, a paralização de cerca de 10.000 automóveis. E à meia-noite do dia 15 de julho de 1942 entrava em vigor, em todo o território nacional, uma importante portaria suspendendo drasticamente o tráfego de todos os carros particulares e da grande maioria da frota oficial do Recife.  Um colunista famoso pedia que essa proibição fosse encarada esportivamente pela população, já que o importante era, custasse o que custasse, vencer o nazismo.

A Standard Oil divulgava uma série de conselhos sobre o que fazer com os carros parados na garagem, como o desligamento dos cabos da bateria, e retirada da água do radiador para evitar ferrugem etc, etc. Era solicitada, por alguns interessados, permissão para a circulação de cabriolés e nós já começávamos a vislumbrar a volta, à nossas ruas, dos cavalos e das românticas carruagens…Como grande atração, nossas ruas se enchiam de bicicletas, outras alternativas para a crise de combustível, e nos divertíamos vendo pessoas ilustres se dirigindo ao trabalho montadas em suas bicicletas…

Em São Paulo eram instalados várias usinas para construção de aparelhos de gasogênio que poderiam ser usados também em carros particulares. E, no Recife, motivo de grande curiosidade para todos nós, começavam a aparecer, numa fumaceira danada, os primeiros carros movidos a gasogênio, os de Ubaldo Gomes de Matos, Torquato de Castro, Ernesto Odenheimer, e outros poucos mais….

Eram, o racionamento da gasolina e a entrada em cena dos movidos a gasogênio, duas novas modificações importantes nos hábitos de vida do recifense, induzidas pelo conflito europeu…

 Texto Extraído do Livro: Recife e Segunda Guerra Mundial – Rostand Paraíso, editora COMUNICARTE, 1995  – pg. 119

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Crônica de um Pernambucano

Povo pernambucano de memória curta…Quando tempo mais nós temos que suportar a mediocridade histórica e a falta de reconhecimento de teus heróis? Quantos de nós pernambucanos conhecemos a História do Nosso Brasil? É verdade que importamos a cultura das grandes potências e deixamos ao relento aquelas homens que forjaram nossa sociedade; é verdade que enaltecemos heróis estrangeiros ao ponto de ridicularizarmos aqueles que derramaram sangue pelo país que chamamos de nosso. Afinal de contas, quem é Frei Joaquim do Amor Divino Rabelo em comparação ao Magnífico Stálin? Quantos brasileiros, nordestinos, pernambucanos idolatram o ditador georgiano e ignoram completamente o sangue derramado pela causa desse…Frei Caneca? Quantos mais outros ídolos teremos que importar?

Pernambuco da Revolução de 1817, Pernambuco da Confederação do Equador, Pernambuco da FEB e Pernambuco de povo guerreiro, a qual declara em seu Hino “Pernambuco Imortal”, mas a sua História é tratada como efêmera e sem graça em relação as Grandes Nações do Mundo Civilizado. Como assim? Diria Gilberto Freyre se ainda vivo! Como nossa geração poderia explicar a tantos que morreram e deram seu sangue por sua terra, na esperança que nós (as futuras gerações do passado), tivéssemos um mundo melhor?

…Povo Pernambucano!

Quantos jovens choram e entram em êxtase quando se referem a ídolos enlatados em programas chamados de “reality show”, que nem mesmo o título foi possível constituir em nossa língua-mãe, e ignoram o fato de centenas de brasileiros terem deixando sua juventude e sua vida nos campos de batalha da Itália, dentre esses brasileiros doze pernambucanos pereceram, e tantos outros ainda vivos, observam a ignorância dos seus conterrâneos. Eles lutaram por nós! Esses que hoje, sendo velhos, ainda são testemunhas da ingratidão de um povo de memória curta.

Isso me assombra…Por ser Pernambucano!

Homenagem aos Pernambucanos Mortos no Teatro de Operações do Mediterrâneo entre os anos de 1944 e 1945:

Manoel Barbosa da Silva

Severino Barbosa de Farias

Epitácio de Souza Lucena

Eutrópio Wilhelm de Freitas

Gonçalo de Paiva Gomes

Hermínio Antônio da Silva

Honório Corrêa de Oliveira Filho

José de Souza

José Graciliano Carneiro da Silva

Otávio Sinésio Aragão

Walmir Ernesto Holder

Joaquim Xavier de Lira

José Gomes de Barros

 Heróis e pernambucanos que deixaram sua vida em uma terra distante, honrando seus antepassados que lutaram e também deram sua vida em holocausto para as futuras gerações. Nós!

Chico Miranda.

A Agressão Alemã Contra o Brasil

Figurou por muitos anos a tola menção de que os navios torpedeados na costa brasileira era fruto inevitável de submarinos aliados com o objetivo de incriminar deliberadamente a Alemanha, e forçar a entrada no Brasil na Segunda Guerra Mundial. Evidentemente essa teoria nunca se sustentou, muito embora ainda haja pessoas que acreditam em tão fraco argumento.

A convite do então Ministério da Marinha, o Almirante Jorgen Horhwer esteve no Brasil e, no dia 28 de março de 1982, na Escola de Guerra Naval, pronunciou uma conferência intitulada “Operações navais da Alemanha”. O Almirante, que combateu na marinha alemã durante a Segunda Guerra Mundial, relatou de forma precisa como os submarinos de seu país torpedearam navios brasileiros. O depoimento histórico abrange todas as operações navais realizadas nesta parte do oceano atlântico, do início ao fim das hostilidades, e foi publicado na íntegra, no número 18 da revista Navegator.

 

Vamos verificar abaixo um resumo de algumas atividades das operações submarinas da marinha alemã na costa brasileira a partir de 1942.

Semanas antes do afundamento do Lacônia, precisamente no dia 7 de agosto de 1942, Doenitz tomou uma decisão que mudaria a História Contemporânea do Brasil: o U-507 recebeu por rádio a mensagem para usar “manobras livres” na costa brasileira. De modo que o submarino comandado pelo capitão-de-fragata Harro Schacht então com 35 anos, afundou cinco navios brasileiros de cabotagem nos litorais da Bahia e Sergipe, acarretando a morte de mais de 600 pessoas, inclusive de mulheres e crianças. Diga-se agora e a bem da verdade que a grande mortandade ocorrida nos afundamentos do Baependi, Araraquara, Anibal Benevolo foi devido ao tipo de ataque devastador desfechado pelo comandante Schacht, ou seja, sem prévio aviso e lançando dois torpedos um após outro, levou aqueles navios ao fundo em questões de minutos e isso debaixo de uma noite escura e de um mar revolto. Em outras palavras, a maioria dos tripulantes e passageiros não tiveram a oportunidade de abandonar os navios devido ao rápido afundamento. Tudo indica que as ordens dadas a Schacht era o de causar o maior número de vítimas fatais. Para se ter uma idéia da dimensão da tragédia cometida pelo U-507, somente uma baleeira do Baependi, com apenas 28 sobreviventes atingiu a costa no dia seguinte. E apenas oito náufragos, agarrados em destroços de madeira, lograram alcançar a terra dois dias após o ataque. Portanto, das 305 pessoas que estavam a bordo do famoso navio do Lloyd Brasileiro, pereceram 269. Já entre os 142 ocupantes do Araraquara, 131 morreram. Tanto pior ocorreu com o Anibal Benevolo, pois morreram todos os seus 83 passageiros e apenas quatro dos 71 tripulantes, sobreviveram. Foi uma matança sem igual, porquanto até fins de julho de 1942, a Marinha Mercante brasileira de longo curso tinha perdido onze navios com 135 vítimas fatais.
Esse massacre ocorrido em águas territoriais brasileiras, provocou grande consternação entre o povo brasileiro. A indignação foi geral. Em várias cidades houve violentas manifestações populares contra súditos do Eixo e suas propriedades. Tanto o governo autoritário do Estado Novo quanto a opinião pública que vivia manietada pelo DIP, consideraram indispensável uma reação. O Brasil seria lançado definitivamente na infernal Segunda Guerra Mundial. No Rio de Janeiro, a notícia, divulgada no dia 18, desencadeou uma série de passeatas e comícios populares, onde os cariocas exigiam retaliação. No fim da tarde, uma massa popular se dirigiu para o Palácio do Itamaraty – sede do Ministério das Relações Exteriores – clamando pelo chancelar Oswaldo Aranha, que apareceu na sacada do edifício para exclamar: “A situação criada pela Alemanha, praticando atos de beligerância, bárbaros e desumanos contra a nossa navegação pacífica e costeira, impõe uma reação à altura dos processos e métodos por eles empregados contra oficiais, soldados, mulheres, crianças e navios do Brasil. Posso assegurar aos brasileiros que me ouvem, como a todos os brasileiros, que, compelidos pela brutalidade da agressão, oporemos uma reação que há de servir de exemplo para os povos agressores e bárbaros, que violentam a civilização e a vida dos povos pacíficos.”
Mas em verdade o Brasil naquele momento estava longe de ser um país pacífico. Vide o que a FAB estava fazendo em maio de 1942, ao atacar os submarinos italianos que estavam posicionados ao longo da costa nordeste brasileira.

As memórias equivocadas de Doenitz

É bem verdade que em agosto de 1942, o Brasil já estava em beligerância não declarada com o Eixo, mas sobre o nefasto acontecimento que chocou o Brasil, Doenitz, em suas memórias veio escrever: “Finalmente, havia a possibilidade de operações ao largo da costa do Brasil. Nossas relações políticas com aquele País vinham há já algum tempo cada vez mais se deteriorando e as ordens emitidas pelo Alto Comando Naval referentes à nossa atitude para com a navegação brasileira se agravaram em correspondência(…)Depois que o Brasil rompeu relações diplomáticas, seus navios continuaram a ser tratados da mesma maneira que os de todos os outros Estados neutros, desde que fossem reconhecidos e agissem como neutros, de acordo com a Convenção Internacional. No entanto, entre fevereiro e abril de 1942, os U-boats torpedearam e afundaram sete navios brasileiros, com todo direto de fazê-lo de acordo com o estabelecido na Convenção de Praças de Guerra( Prize Ordenance), desde que os capitães dos U-boats não puderam reconhecer suas identidades de neutros. Estavam navegando sem luzes em curso de zigue-zague, alguns deles armados e alguns pintados de cinza e nenhum deles ostentava uma bandeira ou signo de sua identidade de neutro. Depois disso mais e mais navios brasileiros montaram canhões até que toda sua Marinha Mercante estava armada.(…)No fim de maio, o Ministro da Aeronáutica brasileiro anunciou que um avião brasileiro tinha atacado submarinos do Eixo e que continuaria a fazê-lo. Sem nenhuma declaração formal, achamo-nos assim num estado de guerra com o Brasil, e a 4 de julho os U-boats receberam permissão dos nossos líderes políticos de atacarem todo os navios brasileiros. Na primeira semana de julho, quando estávamos planejando as primeiras operações dilatadas de U-boats, perguntei ao Ministro do Exterior se haveria alguma objeção às planejadas operações ao largo do estuário do Rio da Prata, área de reunião para os navios-frigoríficos que eram tão importantes no suprimento de carne da Inglaterra. Sem considerar a opinião da Argentina, o Ministro do Exterior negou permissão para qualquer operação ao largo das costas daquele País, mas não fez objeção à continuação de nossas atividades ao largo do Brasil, que haviam sido permitidas em maio e que estavam em progresso desde então. Decidi portanto mandar, em associação com as operações planejadas contra o tráfego de navios Norte-Sul ao largo de Freetow, mais um barco para a costa brasileira. Do outro lado do estreito entre a África e a América do Sul, o U-507(Tenente-Comandante Schacht) estava operando. Ali fora das águas territoriais, ele afundou cinco navios brasileiros. Nisto ele agia de acordo com as instruções expedidas, com a cooperação do Ministro do Exterior, pelo Quartel-General das Forças Armadas. O Governo brasileiro tomou o afundamento destes navios como ocasião para declarar guerra à Alemanha. Embora isto não tivesse em nada alterado nossas relações existentes como o Brasil, que já havia tomado parte em atos hostis contra nós, foi sem dúvida um erro levar o Brasil a uma declaração oficial; politicamente deveríamos ter sido melhor aconselhados para evitar tal fato. O U-boat Command, porém, e o capitão do U-boat envolvido, como membros das Forças Armadas, não tinham senão que obedecer as ordens que lhe haviam sido dadas; não competia a eles pesar e calcular as conseqüências políticas…”

CONTUDO

Primeiro é preciso que se diga que certas informações fornecidas acima por Doenitz não correspondem com a verdade. Os três primeiros navios comprovadamente afundados pelos nazi-fascistas(Buarque, Olinda e Cabedelo, 14, 16 e 25 de fevereiro de 1942, respectivamente), navegavam com as luzes de bordo e de navegação acesas, assim como estavam iluminadas as bandeiras do costado e da popa, bem como a chaminé que identificava a nacionalidade e a companhia proprietária. Foi depois dessas iniciativas da parte da ressentida Alemanha contra os interesses brasileiros, que o governo do Estado Novo junto com autoridades navais norte-americanas, tomaram medidas para tentar evitar que os barcos fossem afundados tão facilmente. Assim, o terceiro a ser atacado, o Arabutan, estava pintado de cinza, navegava às escuras e sem bandeira. E foi após a perda do Cairu ao largo da costa leste dos EUA, o qual veio gerar a morte de 53 pessoas, que os navios mercantes brasileiros começaram a ser dotados de um sistema de defesa, dispondo tão-somente de uma peça de artilharia( O Parnaíba, o quinto navio torpedeado em 1-5-42, trazia na popa um canhão de 120mm) Entrava-se numa dialética de ação e reação de atos de beligerância. O Comando da Marinha alemã solicitou a Hitler que fossem levantadas as restrições para o ataquue a navios brasileiros(vistoria e ordem de abandono), no que foi atendido. Daí por diante, os navios brasileiros seriam considerados beligerantes e torpedeados sem aviso. Mas bem antes disso, o governo de Getúlio Vargas havia protestado perante a Alemanha através do embaixador português em Berlim, que transmite em 27 de fevereiro o seguinte: “devem cessar os atos da Marinha de Guerra alemã contra os navios mercantes sem defesa, e que pertencem a um país que não está em guerra.” Mas a Alemanha hitlerista não levou em conta esses protestos.

 

O Lobo Cinzento U-199 e o Tenente Torres

No próximo domingo, 31 de julho, iremos comemorar o 68º aniversário do afundamento do submarino U-199 pelo Aspirante-a-Oficial-Aviador da Reserva ALBERTO MARTINS TORRES, da Força Aérea
O Autor do Artigo abaixo é o Tenente Sérgio Pinto Monteiro que realizou um trabalho brilhante de pesquisa histórica, e a publicação tem por objetivo contemplar o esforço na preservação da História do nosso país.

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No final de 1942, a Alemanha começou a lançar novos submersíveis para a sua frota oceânica. O tipo IXD2 tinha como principal missão bloquear, ainda mais, o fluxo de matérias primas necessário ao esforço de guerra de seus inimigos. Os submarinos do tipo IXD2 (very long-range) da 12º flotilha – Bordeaux – começaram a operar em novembro de 1942. Considerados, na época, como de última geração, eram capazes de executar patrulhas de ataque em regiões afastadas do Atlântico Sul. Em suas longas jornadas, eram abastecidos em alto mar por unidades submarinas de apoio, chamadas “vacas leiteiras”, estendendo assim, ainda mais, sua grande autonomia de 44.000 Km. Deslocava 1.600 ton. Sua velocidade na superfície atingia 20,8 nós e submerso chegava a 6.9 nós. Como armamento de convés tinha um canhão naval de 105mm, dois canhões antiaéreos – de 37 e 20 mm – e duas metralhadoras pesadas. Podia operar com 24 torpedos e 44 minas. Sua tripulação era de 61 homens. O U-199 era comandado pelo Kapitänleutnant (capitão-tenente) Hans-Werner Kraus, de 28 anos.

     O“Lobo Cinzento” U-199 (o submarino era pintado no estilo camuflado nas cores cinza-claro, marrom e azul cobalto, e tinha na sua torre o desenho de uma embarcação viking), partiu de Kiel em 13 de maio de 1943,  chegando à sua área de patrulhamento, ao sul do Rio de Janeiro, em 18 de junho. Durante a investida na costa brasileira, o U-199 fez as seguintes vítimas:

  – 27 de junho: disparou três torpedos contra o cargueiro artilhado norte-americano Charles Willson Peale, da Classe Liberty, a 50 milhas ao sul do Rio de Janeiro, errando dois torpedos e danificando o navio com o terceiro.  A embarcação respondeu com seu armamento, provocando a fuga do submarino. O navio conseguiu chegar ao porto do Rio de Janeiro.

       – 03 de julho: foi atacado, sem danos, por um avião A-28A Hudson, operando da Base Aérea de Santa Cruz,

       – 03 de julho: durante a noite foi atacado e abateu um hidroavião PBM 3 martin mariner do VP-74, esquadrão americano parcialmente baseado no Galeão, comandado pelo Tenente Harold Carey. Toda a tripulação pereceu.

       - 22 de julho: atacou e afundou a tiros de canhão o pequeno barco de pesca brasileiro Shangri-lá, matando seus 10 tripulantes.

       – 24 de julho: atacou e afundou o cargueiro inglês Henzada, de 4.000 ton.

O Afundamento do U-199

    31 de julho de 1943, pela manhã. O U-199, navegando na superfície, avistou um avião ainda distante e o comandante Kraus, na torre, comandou força total à frente e mudança de rota. A tripulação teria entendido mal a ordem e iniciou uma frustrada submersão, que retardou a fuga do submarino. A antiaérea foi acionada. O avião americano, um PBM 3 martin mariner comandado pelo Tenente Walter F. Smith, lançou seis bombas de profundidade MK47 que danificaram o submarino impedindo-o de submergir. Dado o alerta pelo rádio, foi acionada a Força Aérea Brasileira através de um avião Hudson A-28A pilotado pelo Aspirante da Reserva Sérgio Cândido Schnoor, que lançou duas bombas MK17 que explodiram próximas ao alvo, sem, entretanto, provocarem maiores danos. Numa segunda passada, a nossa aeronave metralhou o convés do submarino, atingindo alguns artilheiros das peças antiaéreas. Finalmente, também alertado pelo rádio, surgiu um hidroavião “CatalinaPBY-5 da FAB, pilotado pelo Aspirante Torres que, especialista naquele avião, pode demonstrar toda a sua perícia. Na primeira passagem, com todas as suas metralhadoras .50 disparando, lançou três bombas MK44 . Ele próprio, em seu livro “Overnight Tapachula” (1985, Ed. Revista de Aeronáutica) descreve o ataque:

      “Já a uns 300 metros de altitude e a menos de um quilômetro do submarino podíamos ver nitidamente as suas peças de artilharia e o traçado poligônico de sua camuflagem que variava do cinza claro ao azul cobalto. Quando acentuamos um pouco o mergulho para o início efetivo do ataque, o U-199 guinou fortemente para boreste completando uma curva de 90 graus e se alinhou exatamente com o eixo da nossa trajetória, com a proa voltada para nós. Percebi uma única chama alaranjada da peça do convés de vante, e, por isso, efetuei alguma ação evasiva até atingir uns cem metros de altitude, quando o avião foi estabilizado para permitir o perfeito lançamento das bombas. Com todas as metralhadoras atirando nos últimos duzentos metros, frente a frente com o objetivo, soltamos a fieira de cargas de profundidade pouco à proa do submarino. Elas detonaram no momento exato em que o U-199 passava sobre as três, uma na proa, uma a meia-nau e outra na popa. A proa do submersível foi lançada fora d’água e, ali mesmo ele parou, dentro dos três círculos de espuma branca deixadas pelas explosões. A descrição completa sobre a forma por que as cargas de profundidade atingiram o submarino me foi fornecida em conversa que tive com o piloto do PBM, tenente Smith, que a tudo assistiu, de camarote, e que inclusive me presenteou com uma fotografia do U-199. Em seguida, nós abaixáramos para pouco menos de 50 metros e, colados n’água para menor risco da eventual reação da antiaérea, iniciamos a curva de retorno para a última carga que foi lançada perto da popa do submarino que já então afundava lentamente, parado. Nesta passagem já começavam a saltar de bordo alguns tripulantes. Ao completarmos esta segunda passagem é que vimos o PBM americano mergulhando em direção ao objetivo. Depois saberíamos de onde viera. Transmitimos com emoção o tradicional SSSS – SIGHTED SUB SANK SAME – em inglês, usado pelos Aliados para dizer: submarino avistado e afundado – e ficamos aguardando ordens, sobre o local. Em poucos segundos o submarino afundou, permanecendo alguns dos seus tripulantes nadando no mar agitado. Atiramos um barco inflável e o PBM lançou dois. Assistimos aos sobreviventes embarcarem nos três botes de borracha, presos entre si, em comboio. Eram doze. Saberíamos depois que eram o comandante, três oficiais e oito marinheiros”.

Era o fim do “lobo cinzento”, primeiro submarino do tipo IXD2 a ser afundado na II GM. Sobreviveram 12 tripulantes, resgatados pelo navio-tender americano USS Barnegat, (o mesmo que socorreu os náufragos do U-513, recentemente localizado no litoral de Santa Catarina), tendo sido encaminhados a uma unidade prisional em Recife e posteriormente enviados aos Estados Unidos. Alguns destes relatos foram obtidos do interrogatório dos tripulantes por autoridades americanas. O comandante Kraus negou o ataque do dia 3 de julho ao PBM3 martin mariner, afirmando que a aeronave explodiu antes de ser atingida pela antiaérea, o que parece improvável.

     O Tenente R/2 Torres foi o único piloto brasileiro que, comprovadamente, afundou um submarino alemão. Pelo feito, recebeu do governo americano a DFC – Distinguished Flying Cross (Cruz de Bravura).

     O Tenente Torres, pilotando o P-47 Thunderbolt A-4, integrou a esquadrilha vermelha e realizou 99 missões de guerra ofensivas (a primeira em 6 de novembro de 1944 e a última em 1º de maio de 1945) e uma defensiva – cobertura de um jogo amistoso de futebol entre combatentes da FEB e do VIII Exército inglês, realizado em Florença – completando um total de 100 missões, tendo sido o recordista brasileiro em missões de combate. Em uma delas, foi condecorado com outra DFC – Distinguished Flying Cross. Recebeu ainda dos EUA, a Air Medal com cinco estrelas, valendo cada estrela como mais uma medalha. Da França, recebeu a La Croix de Guerre Avec Palme e finalmente no Brasil foi agraciado com a Cruz de Aviação Fita A, Cruz de Aviação Fita B, Campanha da Itália, Campanha do Atlântico Sul e a Ordem do Mérito Aeronáutico. O Tenente-Aviador R/2 Alberto Martins Torres foi o grande patrulheiro e caçador da FAB na II guerra mundial.

     Após retornar da Itália pilotando um P-47 Thunderbolt, Torres foi licenciado do serviço ativo e promovido ao posto de Capitão.

Ataque ao U-199

Os sobreviventes

U-199 foi construído no AG Wesser em Bremen, e comissionado em 28 de novembro de 1942. Tradicionalmente, o comandante do U-boat daria um breve discurso seguido do hasteamento da bandeira.

Ficha da Operação com o U-199

Tenente Torres

Memórias de um Soldado da FEB – Parte I

Apresentaremos a partir de hoje, uma série especial contendo o relato do 3º Sargento Virgílio Daniel de Almeida que combateu pelo Regimento Sampaio durante a campanha na Itália. Nordestino valente, Sgt. Virgílio fez um relato abrangente que compreende desde o patrulhamento da costa paraibana, passando pelo seu voluntariado para compor a Força Expedicionária Brasileira até a atuação individual dos combatentes da FEB.

É com satisfação que publicamos um material tão rico em detalhes e temos a convicção de que estamos contribuindo para que as histórias aqui narradas possam ser utilizadas como reflexão pelos milhares de brasileiros que não conhecem a história da participação brasileira na Segunda Guerra Mundial e, portanto, não valorizam o sacrifício de jovens brasileiros em um período tão importante para o mundo.

Iremos realizar a publicação em cinco Partes, sendo uma por dia.

Todos os comentários enviados nos POSTS serão entregues ao próprio Major R-1 Virgílio Daniel de Almeida. Portanto fiquem à vontade!!

PRIMEIRA PARTE – O VOLUNTARIADO

Desde a declaração de guerra contra o eixo, as forças armadas aumentaram seus efetivos. Os regimentos de infantaria passaram a contar com efetivos de guerra. No nordeste foi criado o Campo de Instrução Engenho Aldeia (atualmente Centro de Instrução Marechal Newton Cavalcanti), todos os quartéis ficaram vazios, já que o efetivo da 7ª Região Militar foram acampar por tempo indeterminado em Aldeia, com exceção de duas companhias de fuzileiros por regimento, as quais, ficaram guarnecendo as praias contra eventual desembarque de tropas ou náufragos.

No 15º Regimento de Infantaria ficaram a 4ª e 5ª Companhias, fazíamos parte da 4ª Companhia, a qual coube manter a vigilância das praias do litoral sul da Paraíba, sua sede foi transferida, a princípio, do quartel para a praia de Tambaú, na época como 3º Sargento de Infantaria , comandava um grupo de combate. Recebi a missão com meu grupo, de manter a vigilância da praia de Jacumã, meu regimento naquela época era hipomóvel, contudo fomos deslocados por viaturas motorizadas de um grupo de artilharia, sediado em João Pessoa. Em nosso deslocamento para Jacumã, o subtenente da companhia nos acompanhou, conduzindo os gêneros para nossa alimentação nos próximos 15 dias, e estava ainda, autorizado a requisitar uma casas a beira mar para alojar o grupo e conseguir crédito na pequena padaria local para compra dos pães, a casa requisitada tinha fogão, mas faltava os utensílios de cozinha e lenha. Para a função de cozinheiro resolvemos com a seguinte pergunta: quem deseja ser dispensado da guarda noturna da praia e assumir a função de cozinheiro? Não difícil, apareceu logo candidato. Com criatividade resolvemos o impasse dos utensílios de cozinha e a lenha, a água para uso diária, era recolhida de uma cacimba, que ficava a uns dois quilômetros de distância da casa. O nosso banho, era uma pequena lagoa, formada por um córrego que saia de uma mata e desaguava na praia. Contudo algo lamentável aconteceu, contraí malária!  Quando decorreu 15 dias que estávamos na praia, o capitão Ari, comandante da companhia, veio nos inspecionar. Me encontrou deitando em uma rede, com febre, tremores, frio e dor de cabeça. Ele então mandou o cabo assumir o comando do grupo e levou-me para a sede da companhia e, depois, para a enfermaria do regimento. Fui medicado com comprimidos de quinino, o medicamente não surtiu o efeito desejado e agravou ainda mais meu estado de saúde. O capitão Ari, então, me levou para o Serviço Geográfico do Exército, sediado em João Pessoa, e naquela organização o médico administrou ateblina. Foi quando me recuperei da malária e permaneci na sede da companhia.

Da praia de Tambaú, a companhia se deslocou para a cidade de Goiana em Pernambuco, onde fui designado para manter a vigilância da praia de Pitimbú, distante pouco mais de 40km daquela cidade. Em Pintimbú as missões eram as mesmas de Jacumã, a única novidade era um estação de rádio, chefiada por um sargento rádio telegrafista, que em caso de necessidade, eu me comunicaria com o comando da companhia em Goiana.

Em 1943 começaram os preparativos para a organização da FEB, sendo escolhido para o comando da Divisão de Infantaria Expedicionária 1ª DIE, o General  de Divisão João Batista Mascarenhas de Morais, para comandar a Infantaria Divisionária, o General  Euclides Zenóbio da Costa, para Artilharia Divisionária o General Osvaldo Cordeiro de Farias.

Em junho de 1944, o Ministério da Guerra determinou às Regiões Militares que organizassem contingentes para seguir destino ao primeiro escalão da FEB no Rio de Janeiro. A prioridade adotada foi o voluntariado e caso não atingisse o número exigido, as faltas seriam preenchidas por militares escalados, então me apresentei como voluntário, como explicado abaixo:

                Estava com a companhia em instrução, quando recebemos a ordem para suspender os exercícios e regressar ao quartel. Lá mandaram os oficiais e praças antigas para o alojamento, onde ficaram aguardando a ordem para falar com o comandante da companhia. Quando chegou minha vez, o comandante olhou para mim e disse -   sargento Virgílio recebi ordens para selecionar voluntários para a Força Expedicionária Brasileira, vou olhe fazer uma pergunta, você responde sim ou não: você deseja se inscrever como voluntário para a FEB? Respondi  – sim. Após a minha resposta, ele me mandou que saísse e não mais voltasse ao alojamento. No dia seguinte, na leitura do boletim da Unidade, foi publicado a minha inclusão como voluntário no contingente destinado a FEB, ficando adido para atender os vários procedimentos, tais como inspeção de saúde, receber proventos, aguardar ordem de embarque e outros. A 20 de junho fui excluído do estado efetivo da Unidade e embarquei para Recife, ficando adido ao 7º Grupo de Artilharia de Dorso, em Olinda-PE, aguardando envio para seguir destino para o Rio de Janeiro.

 CONTINUA…

Recife e a Segunda Guerra Mundial

Em 1939 Recife sediava o III Congresso Eucarístico Nacional, que seria inaugurado no local o Parque 13 de maio. Neste local foram levantadas apressadamente arquibancadas e todo local foi preparado para o evento. Peregrinos de todo o país e do mundo chegavam para um dos maiores eventos religiosos da Igreja Católica do mundo.

Os rumores de guerra já batiam às portas da cidade e isso ficou mais evidente quando a embarcação britânica Amanzora, que trouxe à cidade os participantes do congresso, foi chamada as pressas para retornar à Inglaterra. E de fato, durante a própria abertura do congresso os alto-falantes comunicavam aos pernambucanos e a todos os peregrinos, a invasão da Polônia pela Alemanha.  Recife ainda não sabia, mas ela seria uma das cidades mais impactadas com o alvorecer dessa nova ordem mundial.

Ainda em 1941, os EUA iniciou a política de envio de observadores navais para vários portos brasileiros. O primeiro a chegar foi o capitão aposentado da USNavy WA Hodgman. Ele chegou ao Recife em 26 de fevereiro, sob as ordens do Escritório de Inteligência Naval. O observador foi instalado inicialmente em um escritório no consulado americano e posteriormente no terceiro andar do prédio do Banco de Londres, na Rua do Bom Jesus, próximo ao Porto do Recife, com isso ele poderia acompanhar as atividades portuárias.

Recife era a terceira cidade do Brasil, com uma população estimada à época de 400 mil pessoas.  O porto, apesar do quebra-mar, era pequeno e estreito e necessitava de atracadores e rebocadores para atracar e desatracar. Armazéns estavam disponíveis com todo o tipo de loja. Instalações de abastecimento eram excelentes.

Com a declaração de guerra contra as potências do Eixo, e a cessão de bases no litoral brasileiro combinada com as operações de defesa do atlântico sul, Recife passa a ser uma cidade estratégica para as pretensões americanas, e com o apoio do então interventor do Estado Agamenon Magalhães, Recife terá a Sede da Quarta Frota Naval e será a base das operações marítimas com raio de atuação do Canal do Panamá até o extremo sul das Américas, além de um campo de pouso construído pelos americanos e chamado de Ibura Field, que atualmente é o Aeroporto Internacional dos Guararapes. O governo do Estado fez enormes esforços para disponibilizar toda a infraestrutura para a acomodação da Quarta Frota. Foi disponibilizado um prédio inteiro para o Quartel-General além de outros prédios auxiliares no centro do Recife e alguns quilômetros de distância do Porto. Além disso, em conjunto com os Estado Unidos, foram construídos Hospitais de Campanha para serem utilizados como apoio de feridos no front africano, centros de treinamento de tropas, estruturação de defesas antiaéreas em toda a costa, alocação de unidades militares para atender a possível defesa em caso de invasão, também foi criado um centro de comunicação Aliada que tinha como principal objetivo estabelecer uma comunicação direta com a África, chamada Rádio Pina, que foi mantida em atividade pela Marinha Brasileira até 1992.

Contudo as mudanças não foram meramente militares, houve um impacto profundo na sociedade pernambucana e, em especial em Recife. Primeiramente o impacto foi econômico, já que no auge de suas atividades a Quarta Frota mantinha cerca de 4000 homens no Estado, todos recebendo integralmente seus soldos e gastando, principalmente com os atrativos da vida nos trópicos. Passou a circular no mercado local dólares americanos, e isso impulsionou consideravelmente a comércio local e as atividades de apoio.

Outros aspectos interferiram na vida do recifense, que teve que passar por um racionamento de combustível e apresentou inflação de bens e serviços locais.

Segue abaixo alguns exemplos:

  • Atualmente o edifício que serviu de base para a Quarta Frota ainda está em funcionamento e é utilizado por alguns órgãos do governo do Estado, mas observa-se até os dias de hoje um grupo organizado de engraxates nas calçadas da av. Guararapes, e a origem do ofício nesse local remota na implantação do Quartel General da Quarta Frota, já que havia uma concentração de militares transitando nessa região com seus sapatos e coturnos, ou seja, uma demanda em potencial. Vários engraxates tinham ali sua fonte de renda. Passados décadas o local ainda é o melhor lugar da cidade para se lustrar os sapatos.
  • O Restaurante Leite é considerado o mais antigo do Recife e um dos mais requintados também. Já na década de 40 recebeu vários marinheiros e militares que, com seu soldo faziam a alegria dos garçons, já que as gorjetas eram em dólares.
  • O governo de Agamenon Magalhães cedeu outro edifício para a implantação do Grêmio Recreativo, onde aconteciam bailes dançantes, contudo esses bailes eram privados para os americanos e mulheres pernambucanas tinha acesso livre. Como não poderia, isso causava revolta entre os homens pernambucanos. Não foram os poucos os casos de brigas entre militares e os naturais da cidade.
  • Durante a guerra, o Porto do Recife foi um dos mais movimentados do país, e não por acaso, o bairro do Recife (uma ilha portuária),  tinha uma vida noturna agitada, oferecendo aos marinheiros todos os atrativos festivos das mulheres da noite. Com o fim da guerra a região entrou em declínio e passou por um período de abandono, sendo considerado por muitas décadas o baixo meretrício, o local era evitado pela maioria das pessoas. Há alguns anos, houve um esforço para recuperação do bairro do Recife e, atualmente, o bairro abriga um polo tecnológico e é uma das principais atrações turísticas do Estado.
  • Com o receio de bombardeios a cidade, foi instituída pelo governo um apagão em toda a região metropolitana do Recife; viaturas do exército realizavam rondas noturnas pela cidade para identificar moradores que desrespeitavam o apagão. Várias baterias antiaéreas foram estrategicamente posicionadas por toda a cidade na eminência de um ataque aéreo.
  • Helena Roosevelt, no período em que o presidente americano visitou Natal, participou em Recife da inauguração do Cassino Americano que permaneceu em funcionamento até a década de 90 do século passado.
  • O Encouraçado São Paulo ficou permanentemente estacionado no litoral pernambucano a fim de realizar a proteção marítima do Estado.
  • O 200º Hospital Estação foi construído e depois transformado no Hospital da Aeronáutica
  • O Ibura Field recebeu vários bombardeios B-52, B-29 e outras aeronaves de passagem para a Europa e a Itália, suas pistas ocupavam uma área maior do que atualmente ocupa o Aeroporto Internacional dos Guararapes, uma dessas pistas é atualmente a Rua Barão de Souza Leão, uma das principais vias de acesso entre Boa Viagem e o atual aeroporto.

O estilo de vida americano foi se enraizando na vida do povo do Recife, que passou a adotar o “OK” e a usar camisetas de manga curta no lugar dos ternos que eram tão tradicionais até os anos 30.

Observando tudo isso, o que mais impressiona é que apesar das evidências o povo de Pernambuco sabe muito pouco sobre esse choque de cultura causado por uma guerra que, aparentemente, parecia tão distante, e que proporcionou um intercâmbio que deixou marcas visíveis até hoje.

Algumas informações retiradas do Site: http://sixtant.net

Ataque e Afundamento na Costa Brasileira do U-Boot – U-848

Fotografias tiradas durante os ataques pelo Tenente Charles A. Baldwin, USNR, 107-B-12

Primeiro ataque – 6 Mk-47 da DB 60 FT espaçadas a 25 pés, 215 nós, ângulo do alvo 270 0 – explosões atingiram a torre de comando, os dois primeiros na entrada e quatro a estibordo, o terceiro foi um fracasso – nenhum fogo antiaéreo.

NARRATIVA PILOTOS

Decolou em patrulha da Ilha da Ascensão das 0623. Depois de estar fora cinco horas e resolvemos retornar, decidi pela transferência de combustível dos tanques das asas da popa. Isto requer que o rádio e o radar fossem desligados. Em 1110 durante a transferência de combustível e passando por uma pequena frente, eu estava voando a 3.500 pés no curso 068 0 T, a posição S 10-09 e 18-00 W, quando o relógio de arco relatou a presença de um navio através de uma abertura nas nuvens, momento em que o co-piloto me avisou que o mesmo objeto estava a cerca de cinco quilômetros, dois pontos fora da curva da porta. Eu disse, “Heck acredito que seja um submarino nazista”, colocando a tripulação a suas estações de batalha. O rádio estava ligado e por esse tempo nós estávamos entrando nas claras, ainda a 3000 pés. Avistei o submarino a minha bombordo, a distância de uma milha e meia. O submarino estava em curso 090 0 T, a velocidade de 15 kts ou maior. Fazendo uma curva de mergulho para a porta e vindo a bombordo, velocidade do ar 250 MPH altitude, 75 pés, eu deixei cair seis bombas, uma a frente para atingir a torre de comando. Puxado para cima e em um banco de porta íngreme. O submarino foi virando-se para o seu estibordo e eu fiquei incapaz de direcionar o avião a tempo quando ele passou a cerca de 60 pés. Voltou à minha frente quando iniciei a terceira tentativa de confrontamento. Em um ângulo alvo de cerca de 60 graus, altitude 25 pés, eu larguei as três bombas restantes que explodiram bem próximo. Em seguida, puxando para fora e para longe, olhei para trás e viu submarino ainda em seu curso perdendo uma grande quantidade de óleo. Eu também observei três sinais de fumaça que eu acredito que foram os tiros disparados durante os ataques. Não havia pessoal do lado superior do submarino, mas acredito que havia focos de incêndio pelo excelente tiro dos meus artilheiros e do elemento surpresa. Depois de afastar mais, fizemos contato com 107-B-4 por rádio e disse-lhes do ataque, então começou a enviar MO, de forma que ele pudesse contatar a base. Nesse meio tempo o submarino ainda estava perdendo óleo e parecia está na direção errática em direção ao sul a cerca de  4 ou 5 nós.

Em 1245 B-4 chegou e eu fiz mais um sobrevoo ao seu lado do submarino. O B-4 lançou bombas em curta distância.Depois do ataque do B-4, o U-boat continuou em um curso errático progredindo em direção ao sul e voltou para a posição onde eu originalmente o ataquei em 1330. Neste momento a U-boot foi capaz em manter-se em uma linha de cruzeiro reta para o oeste.

107-B-8 homing chegou a 1340 Z e fez mais um ataque de popa ao U-Boot. Começou a sair fumaça que alcançava 1000 metros, creio que tenha sido do moto2.

  Em 1515 o U-boat parado ainda perdia óleo e, posteriormente, navegava a 10 a 12 nós por um curtos períodos de tempo.

O ÚNICO SOBREVIVENTE

Hans Schade foi resgatada pelo USS Marblehead em 03 de dezembro de 1943 – 28 dias após o U-848 ter sido afundando. Ele foi encontrado em uma balsa salva-vidas jogada pelo Avião PBY-USArmy, imediatamente após o naufrágio. Seu estado era muito crítico. Ele foi resgatado e desembarcado em Recife, em 04 de dezembro sendo imediatamente levado para o Hospital da Marinha. Mas morreu no dia seguinte e foi enterrado com honras militares em 06 de dezembro de 1943 no Cemitério de Recife – Santo Amaro –

Guarda de Honra saúda como o corneteiro tocando silêncio

Descrição do Ataque realizado pelos Pilotos

Fonte: http://www.uboatarchive.net/

Recife – Um Olhar Provinciano do Século XIX

 Recife sempre foi uma cidade que se destacou no cenário brasileiro,  seja pela sua cultura, seja pela sua economia. Por diversas épocas sempre estivemos na vanguarda das revoluções, das agitações políticas, dos avanços e também dos atrasos do nosso país. E apesar das intepéries da história, sempre tivemos um ar de cidade provinciana que mantivemos até o século passado, e que, infelizmente, os nossos governantes lutaram para caracterizar a cidade com o manto utópico da modernidade, e hoje, só podemos contemplar a vida das gerações passadas. Então, com esse objetivo, vamos mostrar abaixo fotos da cidade do Recife na segunda metade do século XIX, e refletirmos sobre as transformações de nossas cidades, já que Recife é apenas um exemplo, entre outras cidades brasileiras, da corrida por uma modernidade travestida de miséria e de desorganização social.

 Antigo Farol do Recife

Antigo Farol do Recife

 Farol da Barra do Recife, inaugurado a primeiro de fevereiro de 1822, demolido com as obras de prolongamento do porto.

A Mais Antiga Foto do Recife

A Mais Antiga Foto do Recife

A mais antiga foto conhecida do Recife.Tirada do alto do farol, vemos em primeiro plano parte do forte do Picão, à esquerda os veleiros fundeados e, à direita, a cidade.
 
Augusto Stahl c.1858

Augusto Stahl c.1858

 
Os arrecifes formam uma proteção natural ao porto da cidade do Recife.Na foto, tirada do alto do forte do Picão, vê-se navios fundeados no estuário,o cais da Lingueta, o prédio da Associação Comercial e, mais à direita, o arsenal da Marinha e a torre Malakoff.
Marc Ferrez 1875
Marc Ferrez 1875

Vista dos arrecifes e porto do Recife tirada do alto do farol da Barra. Em primeiro plano o forte do Picão, construído em 1614, chamado pelos holandeses de Castelo do Mar.Também denominado Farol da Lage e forte de S. Francisco da Barra. Demolido em 1910. Ao fundo veleiros fundeados no Mosqueiro, a torre de Malakoff, no arsenal da Marinha e a Lingueta.

Vista de uma parte da cidade do Pernambuco tirada do Recife.O cais do Trapiche,
a Lingueta e o prédio da Associação Comercial.

 Magnífica vista do casario do bairro do Recife. Vê-se o Hotel d’Europe, e o Grande Hotel de l’Univers, no cais do arsenal da Marinha.
 

Destaque para o estaleiro onde há um navio em construção e, ao fundo, a torre de Malakoff que servia de observatório e que é o único remanescente, hoje, do antigo arsenal.

Casario do bairro do Recife visto da torre Malakoff. Vemos as ruas da Guia e do Observatório, que desemboca no cais do Apolo. Em primeiro plano o largo dos Voluntários da Pátria, atual praça Artur Oscar. Ao longe a ponte Provisória onde hoje está a ponte Buarque de Macedo que leva  ao campo das Princesas, atual praça da República, e mais além, o cais da rua da Aurora e a Assembléia.

Antiga Ponte Sete de Setembro, atual Maurício de Nassau, o arco da Conceição, a Alfândega e a Igreja da Madre de Deus.

A rua da Cruz, uma das mais típicas do velho Recife, em 1870, rebatizada para rua do Bom Jesus. Ao fundo o chafariz da ‘Água da Encanação’, solenemente inaugurado em 1846.

Cais do Ramos ou do Colégio então rebatizado cais 22 de Novembro, vendo-se à esquerda o prédio e torre da igreja do Espírito Santo. Próximo a Ponte Velha do Recife.

GILBERTO FERREZ, foi viabilizada através da lei n° 7505, com
A edição, VELHAS FOTOGRAFIAS PERNAMBUCANAS, de

Recife, segundo um olhar no passado!

 Sempre me perguntam pelas minhas fontes, sejam relatos, sejam fotos, sempre recebo emails de visitantes do blog que gostariam de saber minhas fontes. Pois bem, recebo fotos de várias pessoas e de pesquisadores, contudo hoje vou agradecer uma dessas fontes: Laudeci Maria de Oliveira que em São Paulo, encontrou as fotos postadas abaixo do seu falecido sogro, e que, revelam o olhar do centro do Recife segundo um acervo pessoal, sem a preocupação com estética fotográfica ou o embelezamento dos recursos de photoshop tão famosos atualmente. Elas representam simplesmente um olhar no passado!

 Nesta fotografia em primeiro plano encontramos a Assembléia Legislativa e, logo mais a diante, o Ginásio Pernambucano, sempre uma referência em educação. Observação importante: a margem do Rio Capibaribe foi aterrada e o rio perdeu mais espaço, atualmente o chamado Cais da Aurora (a rua da foto), cresceu bastante e a construção de outros prédios, tornam as duas edificações mostradas, a única referência inalterada entre esta fotografia e a imagem atual.

Nesta imagem, tirada a partir da atual Pracinha do Diário, do lado direito a futura Av. Guararapes, observem, ao fundo,  ainda não existe o famoso prédio dos correios. Em primeiro plano o edifício Sulacap, que durante as décadas e 50 e 60, foi considerado e prédio mais luxuoso do Recife. A Av. Dantas Barreto ainda não existia, e a transformação dessa área se deu a partir de 1973 quando o então Prefeito, Augusto Lucena, realiza a chamada reurbanização do centro da cidade, abrindo a Dantas Barreto, mas sob a custo da destruição de centenas de casas, dezenas de ruas e a destruição da Igreja do Corpo Santo, do século XVII. Hoje a Av. Dantas Barreto é largamente utilizada pelo comércio ambulante e pelo comelódromo.

A Ponte Maurício de Nassau, foi a primeira e maior ponte da America do Sul, construída pelo Conde holandês Maurício de Nassau, quando Pernambuco era um província de uma nação européia. Essa ponte atualmente é um das principais vias de tráfego do Recife, e na imagem a tranquilidade ficou no passado.

   Teatro Santa Isabel. O Teatro possui uma das melhores acústicas do Brasil e foi construído no século XIX.

 Palácio do Campo das Princesas -  Sede do Governo de Pernambuco.

Antiga Estação Rodoviária – Atualmente o edifício é utilizado pela EMTU e por um Batalhão de Polícia Militar, a então estação foi desastivada na década de 80 com a construção do Terminal Integrado de Passageiros (TIP).

 Rua do Sol (“Rua do Sól”) é uma das principais ruas do centro do Recife (meu caminho para o trabalho), para quem ver essa rua nos dias e nos horários de pico, sabe que essa foto é de um surrealismo que beira o absurdo!

 Obrigado.

Recife – Sua História Contada em Fotos

Arco da Conceição

Arco da Conceição

 No local onde o Recife nasceu, justamente na cabeceira da Ponte construída pelo conde flamengo, e que recebera seu nome, Ponte Maurício de Nassau, existia o Arco da Conceição que era o Portão de Entrada da cidade, foi demolida 1913, por exigências do trânsito

Arco da Conceição

 O Arco da Conceição foi considerada por muitos anos o Portão de Entrada da cidade, já que ficava na Ilha do Recife e o acesso ao continente se daria pela Ponte Maurício de Nassau, uma outra alternativa até o final do século XIX de chegar, por exemplo, a Olinda era pegar um pequeno barco que transportava as pessoas da pequena faixa de terra que ligava a praia próxima ao Forte Brum com a vilarejo chamado de Santo Amaro das Salinas, atualmente essa região está os depósitos do Porto do Recife.

Arco da Conceição

Arco da Conceição

 Na cabeceira da ponte encontramos o seguinte texto: Na entrada desta ponte, a primeira feita no Brasil e levantada neste local por Maurício de Nassau, o fundador da cidade, existiu o arco da Conceição, com uma das portas que se fechava, edificada em 1645 e demolida em 1913, por exigência do trânsito.

 Leia novamente: “Exigência do Trânsito em 1913“, que coisa…

Arco de Santo Antônio

Arco de Santo Antônio

 Arco de Santo Antônio ficava na cabeceira oposta da Ponte Maurício de Nassau, ou seja, o viajante que chegasse ao Porto do Recife, passava primeiramente pelo Arco da Conceição e, do outro lado, pelo Arco de Santo Antônio, que diga-se de passagem, deu nome ao bairro de Santo Antônio, que também é uma ilha.

Porto do Recife

Porto do Recife

  A foto data de 1875 e é uma das primeiras fotografias do Recife. O porto do recife era onde a saúde econômica da província se sustentava, e muitas das revoltas e guerras iniciaram e terminaram aqui. Contudo onde a localização do porto como é conhecida hoje não é total, o porto se estendia até a margem oposta do Capibaribe, onde foi edificada no início do século XX uma ponte giratória, e os navios veleiros e embarcações à vela entravam até a embocadura do Rio Capibaribe, até e lá desembarcavam passageiros e cargas, onde hoje é as proximidades do Grande Hotel, atual Fórum Judiciário.

Extenção do Porto do Recife no Rio Capibaribe

Extenção do Porto do Recife no Rio Capibaribe

 Nessa foto é possível ver ao fundo o Grande Hotel, foi considerado no início do século o mais luxuoso hotel da cidade, o mesmo dispunha de cassinos e jogatinas, e era frenquentado pela Elite pernambucana. Entre as personalidades se hospedou está o então presidente francês Charlles De Gaulle, o presidente americano Eisenhower.

Capibaribe

Capibaribe

Vista do Porto no Rio Capibaribe

Torre Malakoff

Torre Malakoff

 A Torre de Malakoff foi batizada com o nome de uma das torres da fortaleza de Sebastopol, durante a guerra da Criméia (1853-1855), a torre construída pela província de Pernambuco para ser observatório astronômico, e assim foi inaugurado o primeiro da América latina. Observa-se nesse foto ao fundo os Arcos da Ponte Maurício de Nassau (Conceição e Santo Antônio).

Vista Aérea

Vista Aérea

 Vista Aérea da Ilha do Recife (Recife Antigo), e ao lado a Ilha de Santo Antônio.

Ponte Giratória

Ponte Giratória

 A ponte Giratória foi construída como parte de um plano de modernização da Ilha do Recife para se transformar em um polo de desenvolvimento regional. O projeto iniciou em 1918, e chegou a demolir 65% das construções do bairro  sob o governo de Dantas Barreto. A ponte foi inaugurada em 1922 e atualmente só há os pilares originais e serve de sustentação para a atual passagem.

Paço da Alfandêga

O Shopping Paço da Alfândega não era um shopping nem mesmo uma alfandêga quando foi construído, ele foi inaugurado em 1732 como um Convento Camerlita e no século XIX passou a ser alfândega.

Ponte Maxambomba

Ponte Maxambomba

 A ponte Maxambomba era uma ponte ferroviária que era usado por três de transporte de passageiros, esses passageiros pegavam o trem (chamada de Maxambomba), na rua do Sol, em frente ao atual prédio do MPPE com destino para a várzea. A ponte deu lugar a Ponte Duarte Coelho, do lado esquerdo da foto observa-se a igrejinha dos ingleses, onde atualmente encontra-se o cinema São Luiz, nessa época (início do século XX), ainda não existia a Av. Conde da Boa Vista, que era apenas a rua Conde da Boa Vista e sua extensão só chegava até onde atualmente é a faculdade Fafire.

Vamos postar outras história…

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