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Histórias e Estórias do Recife


Quando eu estava no ensino fundamental, fiz uma prova que tínhamos que escrever uma frase sobre o Recife, como dias antes li em uma placa: “Recife, minha cidade, minha vida…”, imediatamente escrevi esta frase, tirei dez com direito a comentário da professora. Na verdade, eu não sabia o significado dessa frase, apenas escrevi. E ainda hoje talvez não saiba, de certa forma Recife passar longe da minha vida e na de muitas pessoas, pois a sensação que tenho é que as mazelas da cidade ficam expostas aos nossos olhos, muito mais do que suas virtudes, e conseqüentemente adotamos referencias ruins quando temos que falar da cidade. Atualmente, moro em Olinda, mas sou filho do Recife, nascido e educado, como muitos pernambucanos, que moram em Olinda, e passam o dia inteiro em Recife, seja trabalhando, seja estudando, portanto é mais fácil você falar de Olinda, claro, apesar de sofrer das mazelas igualmente depreciativas a uma cidade.  Também trabalho em Recife, trabalho no bairro do Recife, e comecei a deslumbrar a cidade por outra visão, observando o Recife pela perspectiva cultural, histórica, arquitetônica e suas belezas naturais, coloquei algumas observações e gostaria de compartilhar com vocês.

O Recife Antigo abriga o pólo tecnológico, eu não esqueço que a ilha do bairro do Recife, com seu fabuloso monumento idealizado pelo xará Francisco Brennand, e com o marco zero revitalizado, é cenário para uma das mais belas paisagens que já vi, o fim da tarde pernambucana! Tenho o prazer de apreciar todos os dias o despertar da noite, a imagem serena do mar, que é apenas mais um elemento que enaltece o capricho que Deus teve na criação dessa ilha. Na mesma idéia de beleza, aconselho a todos, observarem a cidade à noite, não suas ruas sujas ou perigosas, mas observarem a imensa beleza de suas pontes centenárias, graciosamente iluminadas, dando um ar veneziano ao nordeste brasileiro. De preferência, subam em um de seus muitos edifícios, para apreciar do alto. Tenho certeza que vocês ficarão impressionados com a vertigem de deslumbre que encherá vossos corações de orgulho de serem filhos dessa terra.

Tirei minhas horas de almoço, não para ir a shoppings ou andar pelas lojas da cidade, mas para observar os prédios centenários, e suas histórias que estão impressas em desenhos arquitetônicos. Passando pela Rua do Imperador D. Pedro II, encontro o antigo senado da província que data sua construção de 1730 e abrigou entre outros, o revolucionário e pernambucano Frei Caneca, morto por ordem de D. Pedro I, no forte das cinco pontas, e foi para história como um martírie da liberdade, esse mesmo forte também testemunhou em 23 de janeiro de 1654 a redenção dos holandeses, frente ao exército luso-brasileiro, mostrando o primeiro sentimento pátrio a permear o coração de uma nação que dava seus primeiros passos, não por acaso, aqui o Exército Brasileiro reconhecendo tal importância comemora o DIA DO EXÉRCITO, sabendo que sua origem é pernambucana. Passando pelo Palácio do Campo das Princesas, construção imponente que data da primeira metade do século XIX, trás esse nome em referência as princesas imperiais que adoravam os jardins do palácio, quando aqui se hospedavam. Lembrei também, que esse mesmo palácio foi palco dos grandes momentos da história pernambucana, das batalhas e tentativas de tomadas de poder.

Ruas impressionantemente cheias de histórias, mesmo que com a sensação de abandono, ainda há, em seus sobrados centenários os gritos da história que vislumbra aos olhos mais atentos. Como não se impressionar pelo testemunho da rua nova, onde, morto João Pessoa caiu, hoje é nome da capital paraibana, e  como resultado do seu infortúnio destino, deu espaço para implantação do Estado Novo, do  senhor então presidente Getúlio Dornelas Vargas, tudo isso é um passado que clama em silêncio, a um povo que tem  a fama de ter memória curta!

Muitos não sabem, porém a rua da aurora, que abriga construções como Ginásio Pernambucano (em homenagem ao imperador Pedro II, tem sua construção, o número dois em algarismo romano), Assembléia Legislativa, Museu de Arte Moderna, antiga câmara municipal e muitos prédios datados do século XVII e XVIII, no tempo em que os nobres e ricos não compravam casas em Boa Viagem, que por sinal nada mais era do que uma praia remota, a alta sociedade morava às margens do rio capibaribe, ser chique, era morar no centro do Recife.

Por fim, temos a primeira Sinagoga das Américas, hoje Rua do BOMFIM, antiga dos judeus e que aqui chegaram com os holandeses para fugir da perseguição no Antigo Continente, mas com a derrota dos flamengos, tiveram que fugir para outra terra promissora, chamada New York, e lá fundaram uma comunidade forte e que ajudou no desenvolvimento daquele país. O primeiro observatório Astronômico das Américas, chamada de Torre Malakoff, Forte do Brum,Casa da Cultura (antes cadeia pública até a primeira metade do século XX), Biblioteca Portuguesa; Teatro Santa Isabel; Palácio da Justiça. Toda essa história clama um encontro entre o recifense e o Recife, na verdade clama por um REENCONTRO, pois o Recife chama pela sua atenção a cada esquina, a cada entardecer.

É impressionante como pagamos fortunas para conhecer outros estados e países, e não sabemos a riqueza que representa nossa cidade, sua riqueza histórica, a riqueza do seu povo, dos seus mártires, da sua vida…

Todo pernambucano tem um pouco de Recife em suas veias.

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Categorias:História, Recife
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