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O Grande Irmão – BIG BROTHER


Somos talentosos, ninguém pode negar. Sempre encontramos formas de extravasar os instintos animalescos de muitos. Mesmos tendo consciência do que é certo e errado, levamos nossos expectadores a vivenciar formas temporais da satisfação pessoal, oscilando entre a linha tênue do bem e do mal, e, como tal, entrelaçamos conceitos infinitamente discutíveis do que é certo ou errado. Conjecturamos nossa visão da maldade de tal forma, que até a mais das dignas almas passa a ver a maldade como, simplesmente, um ponto de vista diferente. Somos mestres em relativizar virtudes, na verdade, vendemos a imagem de que tudo é relativo. Acreditamos que dessa forma podemos ter um portfólio de produtos mais incrementado. Sim, isso mesmo, vendemos a imagem de pessoas vazias e dizemos que ela – a pessoa – é um estereótipo a ser seguido, mesmo que essa pessoa seja ironicamente resprezível. Descartá-lo-emos assim que não servir mais aos nossos propósitos capitalistas.

Queremos veicular nossa marca enquanto for rentável e através da nababesca futilidade das pessoas para que possamos expor a naturaza humana na sua versão mais egoísta e, assim, atender a uma alienação de uma nação fútil de valores e identidade social questionável, viciada por produtos ligados a pessoas vazias. Para tanto, sempre chamaremos de heróis, mesmo que esse adjetivo tenha sido usado para designar outra coisa no passado. Homens e mulheres fantoches, com intelecto e cultura desvirtuada e abaixo da média de qualquer padrão de um país subdesenvolvido, mas com corpos esculturais e com alta promiscuidade. Quanto aos doutores, cientistas e intelectuais temos a plena convicção que não podemos dar méritos a essas pessoas, esses servem apenas para serem consultados mediante uma situação extrema, só assim podemos usá-los como mais um produto.

Essa utopia para adjetivar pessoas ajuda a criar a nossa imagem e semelhança, pois devemos cuidar dos nossos “produtos”.

Com relação a padronização de procedimentos, é importante salientar que nossas indicações são as melhores possíveis, elevamos o grau de violência exibido na nossa programação, por temos a convicção que a violência é um produto rentável,  lucro garantido! Se tivermos noticiários que não sejam sensacionalistas sob qualquer aspecto, qual a paixão? Qual o incentivo que nossa “presa telespectiva” irá continuar sendo “presa”? Essa estupidez de jornalismo sério, independente é apenas uma filosofia ultrapassada. Temos que noticiar produtos sanquinários, mortes, chacinas, assaltos, tudo isso é retorno garantindo em cifras estratosféricas, não podemos decepcionar nosso público alvo. Podemos dar-lhes horas sem fim desse entretenimento macabro, preenchendo suas tardes e noites com sofrimentos alheios sem fim.  Temos impactos avassaladores na vida de nossa “presa”, que passa a ter medo de sair de casa, vivendo uma vida assombrada, e por consequencia mais próximas de nós, mais submissas as nossas opiniões, sem questionar, sua mente jamais pensará em fazer algo que não esteja direta ou indiretamente ligado a nós. Se ainda que a violência no nosso país não seja suficiente, podemos sempre importá-la, claro, sempre há no mundo suicidas que querem levar à cabo suas vidas juntamente com a de outras pessoas, isso sim, é produto de primeira! Quando damos total cobertura a episódios de matanças em escolas e outros locais públicos, definimos um procedimento, e esse será seguido por outro desafortunado, que na semana seguinte irá gerar outro “produto” que podemos veicular com grande destaque e aterrorizar mais e mais.

Quanto a recomendação acerca da família, como instituição é um risco eminente a nossa existência. Quem já se viu jantar na mesa? Conversar sobre os problemas? Exigimos total atenção, temos sempre que colocar em nossas estórias novelescas sub-produtos que ataquem essa instituição, tramas que tenham novas ordens, traição, desrespeito familiar, maldade de filhos, destruição familiar, pais ausentes tudo de forma bem relativista, sob os argumentos já descritos, com isso nossas vítimas sempre estarão se comportando dentro de uma padrão que nós estabelecemos e moldaremos a família para deliberar a nosso favor, absorvendo nossas ideias e disseminando a nossa imagem.

Crianças e adolescentes, atenção especial a esses pequenos “clientes”. Não podemos e não seremos negligentes com nossos pequenos consumidores capitalistas, sempre dispostos a bater o pé exigindo dos pais o que lhes oferecemos, somos o agente controlador, por isso, temos que doutriná-los de maneira que possam sempre demonstrar autoridade sem respeito. Vamos criar “roborzinhos” consumidores, e assim, teremos uma vida toda a nossa disposição.

Finalmente, nós somos fortes e presentes. Criamos o elo contemporâneo que se baseia a sociedade atual. Quando Freud citou que a religião é o ópio do povo, ele ainda não nos conhecia, não presenciou os poderes quase sobrenaturais da mídia televisiva, influenciando e formando a Opinião de Massa, ditando padrões comportamentais de qualquer faixa-etária.  SOMOS por definição o QUARTO PODER nas sociedades democráticas; SOMOS a representação ortodoxa das sociedades teocráticas; SOMOS instrumento de manipulação de massa, SOMOS A TELEVISÃO.

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Categorias:Mundo
  1. mario
    05/04/2011 às 4:23 PM

    Concordo com com quase tudo que foi explicitado nesse texto, porém, esta posição me parece neoludita,pois, o aparelho televisão que certamente é “recheado” de imundices, baixarias, vulgaridades também pode oferecer ótimos programas, que infelizmente não são brasileiros( History channel, Discovery, National Geografic,Animal Planet entre outros).
    Pelo contrário, aquí com um nacionalismo bocó, alguns esquerdistas do governo de plantão queriam até baní-los, como Franklin Martins.

  2. 21/07/2012 às 3:44 PM

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