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Ressurreição de Jesus, Posso Provar? III Parte – Final


Nos textos anteriores o principal objetivo era responder, de forma mais satisfatória possível, duas perguntas simples: Existe fundamentação histórica para dizer que Jesus de Nazaré viveu no primeiro século? Alguns podem questionar a abordagem, contudo o resultado final da resposta é inegável; SIM, o homem existiu. A segunda pergunta: há alguma dúvida histórica contundente que negue sua prisão e julgamento ou que permitam incoerências históricas que podem anular o relato? Não podemos negar que os detalhes bíblicos dos relatos acerca do Julgamento de Jesus são coerentes como a atuação do judiciário judaico do I século e a condução do processo como um todo.

Portanto, vamos ao principal fato: posso afirmar ou negar que Jesus ressuscitou? Vamos analisar os acontecimentos.

Jesus afirmava ser o Filho de Deus e pregou com essa ênfase aproximadamente três anos. Com sua mensagem, revolucionária para época, atraia multidões pela sua sabedoria, inteligência e, principalmente, demonstrações públicas de virtudes não encontradas em outros “messias” que nasceram e morreram naquele período, e não foram poucos. Não sejamos tolos! Como já citado anteriormente, havia na palestina do primeiro século dezenas de pessoas se declarando o “messias”, “salvador”, isso é um fato canônico e secular (Nos Pergaminhos do Mar Morto lemos sobre um Messias que teria existido antes do primeiro século chamado Menahem, o essênio; Com a destruição do Segundo Templo de Jerusalém em 70 d.C., temos uma pausa na aparição de “messias”. Foi uma época em que os judeus começaram a peregrinação por muitos outros países em busca de um lugar para viver. Ainda no I século, um movimento político-messiânico de grandes proporções teve lugar, com Shimeon Bar Kochba (também Bar Kosiba) como líder. Este líder da revolta contra Roma foi saudado como o Rei-Messias pelo Rabi Aquiva, que se referiu a ele, como: “Uma quarta estrela de Jacob virá e o cetro irá erguer-se fora de Israel, e irá golpear pelos cantos do Reino de Moab,”, e Hag. ii. 21, 22;) , então, o que distingue Jesus desses outros tanto “profetas”?

Temos que compreender que Jesus não era um ignorante ou um inculto, ele não teve formação rabínica, mas foi instruindo dentro de um nível bastante elevado para os padrões de outras regiões do mundo. O sistema judeu de ensino permitia que o jovem aprendesse sobre sua cultura através de estudos dos livros antigos judaicos, e ele mostrou-se em diversos relatos tendo  profundo conhecimento em filosofia, leis, tradições judaicas, posição social e econômica de seu povo, portanto Jesus foi um homem instruído, vivendo em uma mundo helenizado. Contudo, nenhum outro “pregador” teve um discurso tão libertador. Enquanto há relatos de “Messias Guerreiros”, sua mensagem era de AMAR AO PRÓXIMO, e o impacto dessa mensagem era de proporções inimagináveis. Estamos nos referindo ao Mundo Antigo, isso quer dizer que a expansão era através das guerras, e só através dela o “status quo” era mantido. As palavras desse homem caíram como uma bomba devastadora em um mundo que até então, era regido pela espada.  Não estamos nos limitado a uma visão histórica, mas lógica.

A questão é: Se os indícios sobre Cristo fossem uma mentira deslavada, isso não teria encerrado com sua morte não? É inconcebível entender que uma mensagem de Revolução a partir da crença de uma ressurreição fosse aceita por um grupo e mantida pelos seus inimigos sem qualquer retaliação. Hoje, podemos ter exemplos disso: políticos, artistas, personalidades e tantos outros que ao longo dos anos são pegos por indiscrições e imperfeições que revelam o manto das incorreções humanas. É só sair uma biografia que vemos o quanto as pessoas são tão falhas e incorretas, quanto qualquer outra pessoa perdida no meio da multidão. Sobre Jesus Adam Schaff filósofo marxista polonês e ateu comentou:

“Este Jesus de Nazaré, sem dinheiro nem armas, venceu milhões a mais do que Alexandre, César, Maomé e Napoleão; sem ciência nem erudição formal, derramou mais luz sobre questões humanas e divinas do que todos os filósofos e sábios juntos; sem a eloqüência das escolas, falou tais palavras de vida como nunca se falou antes nem depois e que produziram efeitos que estão além do alcance de um orador ou de um poeta; sem escrever uma únic alinha, fez moverem-se mais penas, e forneceu temas para mais sermões, discursos, discussões, volumes eruditos, obras de arte e hinos de louvor do que todo o exército de grandes homens dos tempos antigos e modernos”. (Ramm, 1953, p. 177)

Acredito que já deve ter ficado claro que a personalidade de Jesus era irrepreensível, e por isso os inimigos declarados do cristianismo desde o nascimento dela como seita podem atacar a religião, mas nunca o seu fundador. Isso é importante para esclarecer um fato curioso ainda sobre a personalidade de Jesus, já que todos os relatos passam a idéia de um homem calmo e sereno, mesmo quando foi sobre ameaça de uma morte brutal. Não podemos negar nem afirmar que os relatos dos evangelhos são uma visão histórica, claro não há como afirmar, já que não existe provas materiais dos acontecimentos, contudo o relato é inquietante pelos detalhes relacionados ao procedimento jurídico, nomes dos lugares, pessoas envolvidas e todas evidências que apontam se não para a confirmação dos acontecimento, mas proíbem uma negação. Por isso, a relação com o que um relato canônico e um relato secular de outras fontes é uma linha tênue que pode ser confiada para a verificação dos fatos ocorridos com a pessoa de Jesus. Vamos analisar do ponto de vista do homem Jesus mais uma vez, vejamos:

Vamos levar em consideração que Jesus era mentiroso, isso mesmo, o maior mentiroso da história, fazendo com que centenas de pessoas acreditassem que ele era um mestre e passaram a segui-lo.

Essa ideia não é nova, contudo é absurda, como já repassamos anteriormente, os próprios inimigos de Jesus ao longo dos séculos exaltavam sua conduta. Uma outra observação é que Jesus cultivou discípulos por anos, ninguém poderia passar tanto tempo sem ter seus desvios de caráter externados em algum momento. E por último, por melhor que fosse a mentira não valeria a pena morrer por ela, correto? Quem morreria? A primeira atitude de qualquer pessoa seria negar ou fugir. Jesus conscientemente permaneceu e aceitou sua condenação;

Ele não era mentiroso e sim louco, achava que era o próprio Filho de Deus encarnado, por isso aceitou completamente sua condenação, pois estava fora de si, um lunático.

Essa também não é uma acusação nova, e inaceitável, pois o comportamento expressado por Jesus vão de encontro a essa opinião. Jesus ficou conhecido em sua região em seu tempo por sua tranquilidade.  A respeito escreve o historiador cristão C. S. Lewis:

“Nunca foi superada satisfatoriamente a discrepância entre a profundidade e a sensatez do Seu ensino moral por um lado e, por outro, a enorme megalomania que teria de estar por trás de Seu ensino Teológico a menos que Ele fosse realmente quem se declarou ser.” (Lewis, 1958, p.32)

Jesus foi uma lenda?

  • Já conversamos anteriormente sobre isso, mas vamos colocar alguns pontos, a saber: segundo descobertas arqueológicas recentes (Quoram – Mar Morto) é claro que os três evangelhos sinóticos, mais o livro de João, tem sua origem ainda no primeiro século, portanto ratifica a idéia de que eles foram escritos por testemunhas dos acontecimentos ou transcrito por pessoas que estiveram ligados as testemunhas (Não há nenhuma razão para acreditarmos que qualquer um dos evangelhos tenham sido produzidos depois do ano 70. d.C. – Dr. William F. Albright – Um dos maiores autoridades em Arqueologia do mundo moderno).

Então, supomos que é possível que as afirmações sobre Jesus tenham uma boa probabilidade de se apresentarem como fatos históricos; podemos enfim discutir sobre sua ressurreição sob uma perspectiva da investigação histórica.

Levando em consideração que as teorias científicas que podem perscrutar uma grande descoberta são baseadas em cogitações, é assim que os cientistas teóricos trabalham, montando cenários possíveis e impossíveis, projetam situações para chegarem a uma conclusão, se possível, dentro de uma lógica aceitável para corroborar com suas afirmações. A ressurreição não é algo factível cientificamente, claro, embora todas as coisas que o homem não compreende se encaixe no termo “não factível”, exemplo seria “a Teoria das Cordas”, A Física Quântica quanto apresentada por Niels Bohr no início do século XX foi dada como absurda e destemperada pela comunidade científica da época e atualmente faz parte da doutrina de qualquer físico teórico. Então como podemos afirmar ou provar algo que não é compreensível ou esteja dentro do entendimento humano? Assim como os cientistas teóricos pelas evidências, pela lógica para chegar mais próximo de uma verdade! Se chegamos a conclusão que o relato da prisão e julgamento de Jesus é algo aceitável historicamente e a existência do próprio Jesus é uma fato, então podemos dizer que Pedro e outros seguidores, estavam com medo de serem presos, conforme o relato bíblico, mas que pouco tempo depois, se jogaram a um cruzada para levar uma mensagem de que Jesus não morreu, mas estava vivo. Como explicar essa mudança de comportamento dos seguidores de Cristo?

Evidências apontam que algo aconteceu, algo tão radical que mudou a forma deles enxergarem a morte. Algo parecido como viria a acontecer com Paulo de Tarso, ou Saulo, não há dúvidas que possam levantar sobre esse homem, que nasceu de uma linha rabínica farisaica, discípulo de Gamaliel, um dos grande mestres judeus de seu tempo. Paulo surge na narrativa bíblica  como perseguidor da recém formada seita sobre um tal de Jesus de Nazaré. Sua convicção é tamanha que ele solicita cartas ao Sinédrio para as sinagogas de outras regiões, dando-lhe poderes para prender qualquer um que pregassem sobre esse tal de Jesus. Sua viagem foi em outra direção (segundo um relato bíblico um encontro com o próprio Jesus) que o faz mudar de comportamento, mudar de postura; o perseguidor passa a ser o perseguido e os próximos 50 anos serão de peregrinação para levar a mensagem de ressurreição de Jesus que agora é chamado de Cristo (O Salvador). Provas? Claro, a própria expansão do cristianismo é a prova cabal e inegável do trabalho efetivo desse homem, considerado por muitos o instrumento maior de promoção da Fé Cristã.

Estudos recentes da Universidade de Princeton apontam para a “causa mortis” de Jesus, segundo o estudo, o relato da lança transpassando sua lateral e a liberação de um fluxo que é identificada como “água” misturada com sangue é algo comum em vítimas de mortes violentas causada pelo colapso dos órgãos vitais, popularmente é conhecida por “morte por agonia”. O relato também informa que o próprio Pilatos, a pedido dos sacerdotes, deu ordens específicas para que soldados pretorianos montassem guarda (indicava que o número de soldados poderia variar de quatro a dezesseis soldados)  no local do sepultamento até o final do terceiro dia. Falando especificamente sobre os soldados pretorianos, a elite do exército romano, soldados treinados sob todos os aspectos e agindo sempre sob um rígido código de disciplina tornava-os integrantes de um dos maiores e mais vitoriosos exércitos do mundo antigo. Para um soldado do exército romano, dormir do posto significava a morte certa, portanto, é inconcebível e muito pouco provável pela disciplina imposta a esses homens que eles ficaram desatendo ao ponto de permitir qualquer intruso ou até mesmo um grupo de seguidores retirassem o corpo de Jesus para simular uma ressurreição.  Outro ponto a considerar é o túmulo lacrado. Uma invasão deliberada seria totalmente rechaçada quando o boato da ressurreição começasse a percorrer, havendo provas materiais, poderiam ser apresentadas e tudo seria explicado e o cristianismo jamais sairia dos arredores dos vilarejos da Galileia.

O cristianismo não nasceu como uma febre que alienou completamente seus adeptos, muito pelo contrário, ele foi visto com ceticismo por dezenas de anos, levando em consideração que a religião estava mais equacionada para uma seita ligada ao judaísmo e a ênfase da pregação dos primeiros cristãos foi a mesma que é hoje: ressurreição de Jesus Cristo. Se houvessem provas inquestionáveis sobre uma farsa elaborada para criar um culto a um homem morto e enterrado, será que os mesmos homens que condenaram a morte esse profeta não usariam para intimidar seus seguidores? Há relatos claros que expressa a preocupação do corpo eclesiástico judeu para acabar com qualquer suspeita de revolta ou divisão dentro das camadas sociais e religiosas, então como foi possível permitir que os seguidores de Jesus continuassem a pregar não apenas suas palavras mais também que Ele ressuscitou ao terceiro dia? Seria incoerente e ilógico não atentar para os fatos posteriores ao sepultamento de Cristo. Se levarmos as narrativas históricas que afirmam que Jesus apareceu a várias pessoas após sua morte, inclusive a um grupo de mais de 50 pessoas ao mesmo tempo, não seria possível desmentir tal boato; se esse aparecimento não fosse verdade não haveria testemunhas para relatar os acontecimentos? Dizer que as aparições são frutos de uma visão coletiva é tão ou mais absurda quanto negar o Jesus histórico. Espiritualistas também alegam o aparecimento do “espírito” de Jesus. Bem, se isso for realmente um argumento, poderíamos usar o exemplo de Tomé que era completamente descrente e teve um encontro pessoal com Jesus para expressar o seguinte: “Senhor meu, Deus meu!”, logicamente é um encontro que estaria ligado a um contra-argumento as experiências com o “espírito” de Jesus.

Finalmente, podemos argumentar que o resultado final da expansão do cristianismo credencia a lógica da ressurreição, já que com base nessa retórica, a religião passou de um mero movimento liderado por um pobre carpinteiro, de uma pobre e dominada região para nortear todo o rumo da história da humanidade nos últimos dois milênios. Se pararmos para entender as fases do cristianismo veremos que houve uma série de acontecimentos interligados que a simples lógica não resultaria em um resultado convincente para os incrédulos, embora não precise de mais para entender o rumos de seita que se transformou em religião de massa, onde os impérios foram destruídos e outros se levantaram, onde homens morreram e outros reviveram para uma nova vida, perceber isso é mais profundo do qualquer tipo de raciocínio lógico, mas teorizar é possível, por isso mesmo Jesus Cristo de Nazaré é um fenômeno, um paradigma que pode e deve ser entendido como um acontecimento único na história da humanidade. A explicação científica para os fatos que circundam a vida, morte e ressurreição de Jesus Cristo são mais lógicos do que ilógicos, são um paradoxo que podemos ser explicados à luz dos acontecimentos, embora nossa compreensão esteja intrinsecamente ligada as nossas crenças e a nossa formação moral e religiosa. Negar o que Ele fez é impossível, isso nos levar diretamente a questão fundamental: “Ele estava falando a verdade?”. Se alguém entender que a resposta é SIM, então para essa afirmação podemos acreditar que ele realmente RESSUSCITOU. Se alguém responder negativamente então pode viver como se Ele não existisse. Contudo a meia afirmação é inconcebível, ou Ele é quem disse ser ou Ele não é. Não há meio termo. Não há meia verdade, isso é a convergência entre Jesus e a ciência: ou a afirmação é verdadeira ou é falsa, uma operação booleana que não deixa margem para indagações sem uma afirmação afirmativa ou negativa. Contudo a resposta chega sempre em seu tempo…

…“SE JESUS NÃO RESSUSCITOU COMAMOS E BEBAMOS POIS AMANHÃ MORREREMOS!”

…MAS O TÚMULO ESTÁ VAZIO!”.

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