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Archive for 24/07/2010

Recife Era Assim…

Recife era assim…

José Armando nasceu em Recife em 1889…

Nasceu a república….

O Brasil não possui mais escravidão…Nem é mais uma nação imperial.

Armando passou sua infância na Rua Imperial casa 75, e só depois do ensino médio entendeu a relação do nome de sua rua com o regime que definiu o Brasil durante grande parte do século XIX. As coisas são assim mesmo, o ensino público no país é igual aos bondes que transitavam pela cidade no início do século XX, lento e sem pressa. Por falar nisso, Recife era recortada por Bondes de tração animal, que tinham destinos diversos; dos quais a baia do Pina e Olinda dos quatro cantos….

Gostava de ouvir o apito dos navios quando era moleque, corria para ver a Ponte Giratória se mover e os grandes vapores entrarem no porto do Recife, e foi em uma dessas pontes, que já rapazote, pulava nos dias de maré alta para tomar banho no Rio Beberibe, se jogando da ponte Maurício de Nassau. Ficar olhando para Os Portais do Recife, estruturas imponentes que eram o cartão de visita da cidade. Não entendeu quando em 1917 foi demolido, sendo justificada a população que isso era exigência do trânsito! Ele não entendia de onde era o tal trânsito.

No final das contas ele andava por toda cidade, como todo jovem; viu vários carnavais e cada marchinha da Rua da Concórdia. Viu sua cidade se transformar e perder a luz provincial de outrora. Em 1966 lutou contra a construção do que ele chamou de destruição da memória de Pernambuco: a construção da Av. Dantas Barreto. Em nome do avanço urbanístico o senhor prefeito Augusto Lucena conseguiu destruir em 1973 a Igreja dos Martírios construída em 1775. Com e igreja sucumbiu centenas de casas e dezenas de ruas. Mutilou a cidade para abrir espaço para uma rua que liga coisa nenhum a lugar algum.

Armando morreu sem ver a barbárie destruição das lembranças de sua velha Recife…As imagens da bela cidade foi levada com suas memórias e nunca mais habitará nos olhos das próximas gerações.

…Recife Não é Mais Assim!

Ponte da Boa Vista

Restaurante - OFlutuante - Rio Capibaribe

Praça Maciel Pinheiros

Arsenal da Marinha início século XX

Diário de Pernambuco em 1930

Torre Malakoff

Castelo Forte – Martinho Lutero

Castelo Forte é o Nosso Deus.

Do alemão Ein feste Burg ist unser Gott, um hino muito conhecido entre o povo cristão, composto por Martinho Lutero em 1529. O texto é baseado no Salmo 46, “Deus é o nosso refúgio e fortaleza…”.

Castelo Forte é uma dos principais hino dos protestantes e das religiões cristãs tradicionais e oriundas da Reforma. Considerado o HINO DA BATALHA DA REFORMA PROTESTANTE, devido ao efeito produzido no apoio à causa dos reformistas.

O mais antigo hinário existente, em que este hino aparece, é o de Andrew Rauscher (1531), mas é provável que ele figurasse no hinário de Wittenberg, de Joseph Klug, de 1529, do qual não existe cópia. Seu título era Der xxxxvi. Psalm. Deus noster refugium et virtus. Antes disso é provável que tenha figurado no Hinário de Wittenberg, de Hans Weiss de 1528, também extraviado. Esta evidência reforça a idéia de que fora escrito entre 1527 e 1529, já que os hinos de Lutero eram impressos imediatamente após serem escritos. A tradição diz que o Rei Gustavus Adolphus da Suécia fez executar esse hino, enquanto suas tropas marchavam para a Guerra dos Trinta Anos. O Salmo já tinha sido traduzido para a língua sueca, em 1536. Muitos séculos depois, a canção se tornaria o hino nacional do antigo movimento socialista sueco. Existem várias versões portuguesas desse hino; vide ligações externas abaixo. Talvez ironicamente, dado ao seu pedigree de Reformador, é atualmente um hino sugerido nas missas católicas, figurando na segunda edição de “O Livro Católico do Louvor”, publicado pela Conferência Canadense dos Bispos Católicos.

Em Alemão (original)

1. Ein’ feste Burg ist unser Gott,
Ein’ gute Wehr und Waffen;
Er hilft uns frei aus aller Not,
Die uns jetzt hat betroffen.
Der alt’ böse Feind,
Mit Ernst er’s jetzt meint,
Groß’ Macht und viel List
Sein’ grausam’ Rüstung ist,
Auf Erd’ ist nicht seins Gleichen.
3. Und wenn die Welt voll Teufel wär’
Und wollt’ uns gar verschlingen,
So fürchten wir uns nicht so sehr,
Es soll uns doch gelingen.
Der Fürst dieser Welt,
Wie sau’r er sich stellt,
Tut er uns doch nicht,
Das macht, er ist gericht’t,
Ein Wörtlein kann ihn fällen.

2. Mit unsrer Macht ist nichts getan,
Wir sind gar bald verloren;
Es streit’t für uns der rechte Mann,
Den Gott hat selbst erkoren.
Fragst du, wer der ist?
Er heißt Jesus Christ,
Der Herr Zebaoth,
Und ist kein andrer Gott,
Das Feld muss er behalten.

4. Das Wort sie sollen lassen stahn
Und kein’n Dank dazu haben;
Er ist bei uns wohl auf dem Plan
Mit seinem Geist und Gaben.
Nehmen sie den Leib,
Gut, Ehr’, Kind und Weib:
Lass fahren dahin,
Sie haben’s kein’n Gewinn,
Das Reich muss uns doch bleiben.

Traduções

J. Eduardo Von Hafe (em Português)

1. Castelo forte é nosso Deus.
Espada e bom escudo;
Com seu poder defende os seus
Em todo transe agudo.
Com fúria pertinaz
Persegue Satanás,
Com artimanhas tais
E astúcias tão cruéis,
Que iguais não há na terra.
3. Se nos quisessem devorar
Demônios não contados,
Não nos podiam assustar,
Nem somos derrotados.
O grande acusador
Dos servos do Senhor
Já condenado está;
Vencido cairá
Por uma só palavra.

2. A nossa força nada faz,
Estamos, sim, perdidos;
Mas nosso Deus socorro traz
E somos protegidos.
Defende-nos Jesus,
O que venceu na cruz,
Senhor dos altos céus;
E, sendo o próprio Deus,
Triunfa na batalha.

4. Sim, que a palavra ficará,
Sabemos com certeza,
E nada nos assustará
Com Cristo por defesa.
Se temos de perder
Filhos, bens, mulher;
Embora a vida vá,
Por nós Jesus está
E dar-nos-á seu reino.

A MÚSICA ORIGINAL EM GERMÂNICO:

Texto Original

Considerando que é uma canção belíssima e secular se torna gratificante a História envolta dessa obra de arte musical.

PS. PARA O MEU AMIGO, PROFESSOR, FILOSOFO E ESTUDANTE DE ALEMÃO…”POUCA FÉ”.

A Bíblia é um MITO

O título assusta a muitas pessoas que acreditam na bíblia como a Palavra de Deus. Claro que podemos analisar sistematicamente as origens históricas e espirituais da bíblia, passando uma eternidade discutindo e não chegaríamos a um consenso sobre a autoridade dos relatos descritos na bíblia, por isso essa retórica é sempre um fantasma presente quando analisamos evidências da fé humana.

Segundo o pensamento grego, MITO é uma narrativa sobre a origem de alguma coisa (origem dos astros, da Terra, do homem, das plantas, dos animais, do fogo, da água, do vento, do bem e do mal, etc.). A palavra mito vem do grego, mythos, e deriva de dois verbos: do verbo mytheyo (contar, narrar, falar alguma coisa para outros) e do verbo mytheo (conversar, contar, anunciar, nomear, designar).

Para os gregos, mito é um discurso pronunciado ou proferido para ouvintes que recebem como verdadeira a narrativa, porque confiam naquele que narra; é uma narrativa feita em público, baseada, portanto, na autoridade e confiabilidade da pessoa do narrador. E essa autoridade vem do fato de que ele ou testemunhou diretamente o que está narrando ou recebeu a narrativa de quem testemunhou os acontecimentos narrados.

Quem narra o mito? O poeta-rapsodo. Quem é ele? Por que tem autoridade? Acredita-se que o poeta é um escolhido dos deuses, que lhe mostram os acontecimentos passados e permitem que ele veja a origem de todos os seres e de todas as coisas para que possa transmiti-la aos ouvintes. Sua palavra – o mito – é sagrada porque vem de uma revelação divina. O mito é, pois, incontestável e inquestionável.

Segundo essa exposição grega, podemos afirmar categoricamente que a bíblia cristã se enquadra no conceito de mito. Contundo as comparações podem parar por ai. Primeiro que mitologia grega, como mencionado anteriormente, se refere à criação explícita de todas as coisas, com isso, segue abaixo a seguinte narrativa sobre a criação do males que assolam a humanidade:

Prometeu - Visão Grega

“Um titã, Prometeu, mais amigo dos homens do que dos deuses, roubou uma centelha de fogo e a trouxe de presente para os humanos. Prometeu foi castigado (amarrado num rochedo para que as aves de rapina, eternamente, devorassem seu fígado) e os homens também. Qual foi o castigo dos homens? Os deuses fizeram uma mulher

encantadora, Pandora, a quem foi entregue uma caixa que conteria coisas maravilhosas, mas nunca deveria ser aberta. Pandora foi enviada aos humanos e, cheia de curiosidade e querendo dar a eles as maravilhas, abriu a caixa. Dela saíram todas as desgraças, doenças, pestes, guerras e, sobretudo, a morte. Explica-se, assim, a origem dos males no mundo.”

Como a ciência explica, a verdade é alterada ao longo dos anos, século e milênios, embora ela possa parecer algo abstrata e completamente interligada as convicções dos seus narradores, existem conceitos e preconceitos que se estabelecem culturalmente e transforma-se em legado cultural que é passada de geração a geração.

Então, a bíblia como um mito enquadrado e conceituado na visão grega, descrita anteriormente, estaria complemente equilibrada no contexto de inverdade repetida ao ponto de se transformar em verdade? Absolutamente. A verdade se sustenta por meio das evoluções filosóficas do homem, colocada na berlinda da racionalidade. Podemos dizer, sem margem de erro que um MITO é verdadeiro até que se prove que ele é um mito – segundo o conceito contemporâneo do termo mito (abstração). A Bíblia passou os últimos dois milênios sendo sistematicamente dessecada e, ainda assim, não há provas sérias que a desqualifique do seu objetivo principal, de Sua Verdade.

Por fim, mitologia é um termo que perdeu seu sentido original e não se enquadra mais na etimologia grega, mas isso não impede de resgatarmos o termo, segundo seu princípio histórico e formalizar a perspectiva bíblica-mitológica.

O dia em que o nazismo matou um craque*

Matthias Sindelar. Um nome simples para aqueles nomes confusos austríacos, mas no futebol, não era simples. Longe disso. Era um monstro.

Poucos sabem, mas a seleção austríaca era a grande potência do mundo todo nos anos 1930; era chamada de Wonderteam. Havia alguns grandes jogadores, como o artilheiro Bican, a muralha Raftl, e o zagueiro Schmaus, mas nenhum chegava aos pés do cerebral meia-atacante Sindelar.

Rápido, habilidoso, chutava bem com as duas pernas, e era disputado já por alguns clubes europeus, mas não. Preferiu ficar no seu clube de coração, o Austria Viena, por qual defendeu 13 anos de sua vida, de 1926 a 1939.

O “homem de papel”, como era conhecido devido à sua elasticidade, ganhou duas Copas Mitropa, a precursora da Liga dos Campeões, e também um campeonato austríaco. Mas foi na seleção austríaca que ganhou renome internacional. De 1930 a 1933, a seleção austríaca disputou 16 partidas, e atingiu a bagatela de 13 vitórias, 2 empates e 1 derrota, para Inglaterra, saindo aplaudida por quase ter vencido o jogo. Além disso, marcara 52 gols, uma média de mais de 3 gols por partida.

Na Copa de 1934, Sindelar jogou a primeira partida contra a França, e logo anotou o seu. Depois, nas quartas de finais, fez de tudo, dando diversos passes que poderiam ser gol. Não anotou o seu, mas foi o melhor em campo contra a Hungria. Mas a Áustria acabou eliminada quando enfrentou a anfitriã Itália (isso mesmo, a que jogava, e se perdesse, morreria). Isso, aliado à marcação desleal de Monti sobre Sindelar, eliminou as chances austríacas no mundial. Tanto que Sindelar nem jogou na disputa de terceiro lugar, pois saiu lesionado

Então, Sindelar continuou jogando seu futebol alegre e vistoso, pelo seu time Austria Viena. Até que chegaram as eliminatórias para o mundial de 1938, a ser disputado na França. Sindelar participou das eliminatórias pelo Wonderteam, e como era de se esperar, logo a Áustria esteve classificada.

Mas é aí que começa tudo. Se alguns sabem de história, já devem saber o que aconteceu no dia 13 de março de 1938; para os que não sabem, um breve resumo: a Alemanha, vizinha da Áustria, vivia sob um regime ditatorial de Adolf Hitler. O führer convidou o líder do partido nazista austríaco, Arthur Seyss-Inquart, para um jantar na casa dele. Então os dois trocaram algumas ideias, se tornaram amigos, até que no dia 13 de março de 1938, Seyss-Inquart anunciou a unificação da Áustria com a Alemanha. Então, a economia alemã melhorou, a vida melhorou, e um país a menos no mundo…

No entanto, isso também trouxe mudanças no futebol. Se tudo fosse simples, os craques austríacos jogariam sem problemas na seleção alemã. E isso até que aconteceu em parte, porque Raftl, Pesser, Mock, Hahnemann e Mock, antigos integrantes do Wonderteam, foram para a seleção alemã, a Nationaelf. Mas e Matthias Sindelar?

Sindelar era um homem de ouro. Não aceitava o regime ridículo, o preconceito obrigatório contra os negros, homossexuais, e, principalmente, judeus – até porque Sindelar era um. Como se não bastasse ser judeu, ainda era social-democrata. Oh, os nazistas ouviram isso. Matar? Estraçalhar? Trabalhos forçados? Depende. Se ele aceitasse defender a sua nova pátria, isso logo se esqueceria, e ele se tornaria um alemão legítimo. Mas Sindelar não era nazista! Odiava isso, e se recusou a defender essa seleção ridícula.

Hitler ficou louco; como pode, um jogador de futebol, profissão tão ridícula, não aceitar seu poder? Irado, acionou a Gestapo. Começaram a investigá-lo, e descobriram, também, uma partida entre Alemanha x Áustria, para comemorar a unificação, em abril de 1938, na qual Sindelar jogou por todos, foi o melhor em campo, e ao fazer um gol se dirigiu às tribunas onde estavam Adolf Hitler e seus comparsas. Começou a dançar, desrespeitando o ditador no meio dos alemães.

E também não aceitava as convocações, como foi dito antes. Com isso, a Gestapo, depois de muita investigação, decidiu dar um fim nele, com a justificativa de mau-exemplo para o povo austríaco – afinal, ele era um ídolo. Para ninguém desconfiar, esperariam 6 meses depois do fim da Copa do Mundo.

E então, Sindelar e sua namorada, coitada, foram mortos a pedido de Hitler. Intoxicados por monóxido de carbono, em seu próprio apartamento. E o homem que desafiou o nazismo estava morto. Perdera uma batalha, como se tivesse perdido para um adversário mais forte que ele. Como jogador, não bastava só um para lhe marcar. Eram preciso vários para tentar ter alguma chance com ele. O nazismo era exatamente o que podia vencê-lo. Vários jogadores, fortes, que usavam armas desleais dentro de jogo. E, abatido em seu quarto, enquanto estava dormindo, não teve tempo de usar sua agilidade, e sair correndo. Ou mesmo driblar os generais nazistas – nada disso foi possível.

E o maior jogador dos anos 30 acabara de morrer. Mas a memória dele, suas jogadas, quem o viu, nunca irá esquecê-lo. O maior austríaco de todos os tempos. Matthias Sindelar.

“Nesta casa, morreu no dia de 23 de janeiro de 1939, em circunstâncias pouco claras, o Rei do futebol de Viena, Matthias Sindelar, apelidado de “O homem de papel”. Sindelar, nascido em 10 de fevereiro de 1903, em Kozlau (hoje Kozlov, na República Checa), foi durante anos o coração e a cabeça do Áustria Viena e do legendário Wonderteam austríaco.

* Conteúdo retirado do blog: Fichas de futebol – http://fichasfutebol.blogspot.com

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