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Dia D – Relatos de Omaha – Parte III – Quem fez a diferença


O sargento John Ellery do 16º Regimento foi um líder. Quando ele chegou a zona de seixos, “tive de perscrutar através de uma névoa de suor, fumaça, poeira e cerração”. Ao sei lado havia uma um homem morto, outro atrás dele. Os sobreviventes se reuniram ao seu redor. “Eu lhe disse que tínhamos de sair da praia e que eu iria à frente”. Dito e feito. Quando ele chegou à base do penhasco, começou a subir, seguido de quatro ou cinco homens. Mas ou menos, no meio do caminho, uma metralhadora à direita abriu fogo sobre eles.

“Saí correndo e fui me esquivando até que cheguei a dez metros da posição da metralhadora. Em seguida lancei minhas quatro granadas de fragmentação. Quando a última explodiu, fiz uma investida para o cimo. Os outros garotos estavam bem atrás de mim e juntos conseguimos o intento. Não sei se pus fora de combate a guarnição daquela metralhadora mas ela parou de atirar. Aquelas granadas foram todo o fogo que retornei. Não disparei um único tiro do meu fuzil ou da minha pistola”.

Fazendo o relato, Ellery falou de liderança. “Depois da guerra”, disse ele, “li sobre um certo número de generais e coronéis que, segundo diz, andaram ora aqui ora ali exortando as tropas a avançar. Isto deve ter sido muito inspirador. Suspeito, todavia, que os homens ficaram mais interessados e mais impressionados pelos oficiais subalternos e suboficiais que estavam dispostos a liderá-los do que pelo fato de algum general indicar a direção que eles deviam seguir”

Dando maior calor ao assunto, Ellery prosseguiu: “Não vi nenhum general na minha área da praia, mas vi um capitão e dois tenentes que demonstraram uma coragem incrível quando lutavam para pôr ordem no caos em torno deles.” Aqueles oficiais conseguiram organizar alguns homens e fazê-los subir o penhasco. Um dos tenentes quebrara um braço que pendia molemente ao seu lado, mas conseguiu levar um grupo de sete até o cimo, mesmo tendo sido atingido de novo no percurso. Outro tenente conduziu um de seus homens ferido trinta metros antes de ser ele próprio atingido.

“Quando você fala de liderança em combate, sob fogo, na praia da Normandia”, concluiu Ellery, “não vejo como o crédito possa ir para qualquer outro que não os oficiais de nível companhia e sargentos antigos que tomaram a iniciativa. É bom lembrar que existem tais homens,  e sempre existirão. À vezes esquecemos, creio eu, que você pode fabricar armas, e pode comprar munição, mas não pode comprar bravura e não pode tirar heróis de uma linha de montagem”

Depoimento de John Ellery – Eisenhower Center

 

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  1. João Marcelo Pinto
    02/04/2011 às 6:27 PM

    Olá!! Mais uma vez venho dar parabéns pelo excelente artigo, pelas excelentes fotos, fico imaginando como você consegue excelentes fotos? Nunca vi algo igual, é muito rico, o que eu tenho a dizer é meus parabéns, você enriquece muito todos que são apaixonados pela história da Segunda Grande Guerra. Obrigado João Marcelo

    • 02/04/2011 às 7:02 PM

      João,

      Fico muito agradecido com seu comentário. O que é um agente motivador na busca de fornecer os melhores artigos e materiais. Grato mesmo

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