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Prisioneiros de Guerra – Os Alemães de Pernambuco


Após a declaração de guerra com as potências do Eixo, o Brasil foi obrigado a alinha a política de campo de concentração adotado pelos Aliados, portanto em várias cidades do país e em alguns presídios foram transformados em área de exclusão social dos alemães, italianos e japoneses, passando a serem observados de perto pelo poder público. Nesses locais eram proibidos se comunicarem ou lerem livros em seu idioma materno. No Estado de Pernambuco houve uma situação peculiar, tendo em vista que a Companhia de Tecidos Paulista, tecelagem da família Lundgren que, expandindo suas organizações, deu origem às Casa Pernambucanas, tinha em seu quadro vários funcionários de origem alemã e, muitos deles, declaradamente nazistas. Esses funcionários, trazidos, geralmente para ocuparem cargos especializados e de direção da fábrica, foram objeto de investigação policial, que identificaram a necessidade de intervir diretamente na fábrica em 1942 com um processo de sindicância sob o comando da 7ª Região Militar. Portanto, ficou decidido manter “severa vigilância” por parte da Delegacia de Ordem Política e Social sobre todos os “estrangeiros do eixo” da cidade do Paulista no Estado de Pernambuco. Inclusive os próprios Lundgren foram vistos como sendo suspeitos de serem da Quinta-Coluna; os industriais Alberto Lundgren e Frederico Lundgren, de origem  sueca, e identificados como de origem alemã foram hostilizados, mas eles possuíam grande prestígio junto as autoridades estaduais, municipais e policias no Estado.

Com a entrada em definitivo do Brasil na guerra, em agosto, foram realizadas uma severa repressão aos alemães em Paulista. Através da Delegacia de Ordem Política e Social (DOPS) passou instruções quanto ao comportamento que deveriam seguir, todos os funcionários e seus familiares. Entre as restrições estavam a de não poderem residir em outra cidade, exceto Paulista e não poderem se ausentar da cidade sem licença da Secretaria de Segurança Pública, exceto para viagens a Recife para compras e tratamento médico. Não poderiam fazer reuniões e de permanecerem próximos ao litoral e não poderiam realizar excursões a cavalo e deveriam entregar a DOPS todas as máquinas fotográficas para serem fechadas em uma caixa e lacradas.

Em 22 de novembro de 1942, nos arredores da cidade do Paulista, foi criado o Campo de Concentração Chã de Estevão, recebendo alemães que foram trazidos do Presídio Especial do Recife e depois passou a comportar vários funcionários de origem germânica da Cia de Tecidos Paulista. O campo vigorou até 30 de agosto de 1945, controlado pelo sargento Oscar Casado de Albuquerque, acompanhado de dois soldados e uma investigador encarregado de serviço.

Ficaram internados 23 dos 47 funcionários alemães da Companhia. Todos eles chegaram ao Brasil entre os anos de 20 e 30. A maioria eram solteiros, e os casados, normalmente com esposa alemã, tinham filhos nascidos no Brasil.

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  1. Ernesto Pastl Junior
    29/03/2017 às 7:44 PM

    Gostaria de saber se o Alois Pastl estava incluso nesta lista de alemães preso em 1942.

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