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Admiral Graf Spee – A Batalha do Rio Prata


Foi identificado pela primeira o Admiral Graf Spee, estava navegando rumo ao sul ao longo da costa uruguaia quando avistou o vapor francês Formose escoltado pelo cruzador britânico Exeter, de 10 000 toneladas. O comandante alemão, capitão Langsdorff, imediatamente ofereceu batalha. Mas as probabilidades a seu favor ficaram reduzidas quando os dois cruzadores leves , Ajax e Achilles, responderam rapidamente ao chamado do Exeter para tomar parte do combate.

Mesmo assim, o capitão alemão deve ter tido razões para achar que o seu navio era superior à força combinada adversária. Seus armamentos eram mais pesados do que os seis canhões de 205mm do Exeter. Os dois cruzadores leves dispunha apenas de canhões de 105mm. O Graf Spee tinha duas torres cada uma das quais com três  canhões de 279mm., cujo alcance era de três mil metros maio que o de qualquer canhão do Exeter e cinco mil metro maior que o dos canhões do Ajax e do Achilles. Seus projéteis eram de 300kg., comparados com as de 124kg. Que eram os projéteis mais pesados do Exeter. Tanto em alcance quanto em capacidade ofensiva, o navio alemão era definitivamente superior.

Do que ele carecia era velocidade. Seus 25 nós eram suficientes para um navio tão pesadamente armado; ,as os cruzadores britânicos tinham uma velocidade de 35 nós, que usaram com brilhante vantagem. A batalha iniciou-se às seis horas “num bem manhã com mar amplo”(como descreveu mais tarde o comandante do Ajax); e quando os navios britânicos com a sua velocidade superior clocaram-se entre o Graf Spee e o alto mar, o comandante alemão não teve oportunidade de evitar a batalha mesmo que assim o quisesse.

Nas primeiras fases do encontro foi o Exeter que levou a pior. Os cruzadores mais leves levaram algum tempo para chegar ao alcance de tiro, e isto permitiu ao Graf Spee concentrar-se contra o seu adversário mais formidável. Nas quatro horas seguintes, suas granadas pesadas fizeram entre 40 a 50 impactos no Exeter, danificando sua roda de leme e pondo fora apenas um de seus canhões de 203mm., disparando,  esta peça à mão, o Exeter estava praticamente forçado a ficar fora de qualquer intervenção efetiva na batalha.

A esse tempo, entretanto, tanto o Ajax como o Achilles movia-se entre o navio alemão e a costa, ficando o Achilles ao outro lado, e o canhões de 150mm. dos cruzadores martelavam com ferocidade do decorrer de uma batalha móvel rumo ao sul. Os cruzadores britânicos fizeram uso efetivo de cortinadas de fumaça para cobrir seus movimentos e de sua velocidade para manobrar sobre o Graf Spee e forçá-lo a dividir seu fogo. Pelo meio da tarde o Graf Sppe encontrava-se em uma situação séria, com a popa danificada e a torre de controle destruída, e com tantos feridos entre a sua tripulação que a capacidade de luta estava seriamente diminuída. Mas, embora tentasse escapar, o Exeter avariado ainda o perseguia, cortando-lhe a retirada ao norte, e os cruzadores leves utilizavam-se agora das cortinas de fumaça para mais se aproximar do Graf Spee e martela-lhe com furor em uma distância incrivelmente curta. Os impactos que eles colocaram na proa justamente acima da linha d’água fizeram enormes estragos e asseguraram a vitória britânica. Um impacto no Ajax, que lhe deixou em ação apenas duas das quatro torres, deu ao Graf Spee uma trégua muito necessária e a chegada da escuridão permitiu-lhe escapar para procurar, a toda velocidade, segurança neutra em Montevidéu. Quando à meia-noite ele avistou pela primeira vez os contornos do porto, estava reduzido a um navio completamente derrotado.

A fase seguinte foi uma batalha diplomática em torno do tempo que ele tinha o direito de permanecer naqueles porto. A Alemanha clamou para que lhe fosse dado tempo de refazer-se. A Grã-Bretanha insistiu em que não lhe fosse permitido fazer reparos. Depois de proceder a uma investigação, as autoridades uruguaias ordenaram ao capitão Langsdorff, a despeito dos seus protestos, partisse às 08h00 da noite do domingo de 17 de dezembro 1939. É claro que isso não permitiria ao Graf Spee recobrar sua capacidade combativa; e havia informes de que seus recentes adversários, que o aguardavam vigilantes na embocadura do Rio Prata, tinha sido grandemente reforçados por unidades ainda mais poderosas. Parecia uma alternativa enfrentar a derrota em face de forças superiores ou submeter-se ao internamento pelo resto da guerra. Cumprindo ordens diretas do governo alemão, o capitão Langsdorff optou por uma terceira solução. Às 6h30 da noite do dia 17 levou o navio para fora do porto, desembarcou a tripulação, e meteu-o a pique há três milhas da costa. Três dias depois, o capitão Langsdoff suicidou-se em Buenos Aires, onde ele e a maioria de sua tripulação tinham encontrado refúgio.

Este fim ignominioso de uma belonave antes tão altiva acentuou ainda mais a importância vital de todo o episódio. Foi mais tarde sublinhado pela revelação de que o único reforço à esquadra britânica tinha sido o cruzador Cumberland, que substituiu o Exeter avariado. O Graf Spee não teria a enfrentar uma força alguma superior que a que antes se encontrara. O fato era, contudo, que essa mesma força lhe tinha demasiada. Antes da batalha do Rio Prata era crença geral que apenas os mais novos cruzadores de batalha poderiam enfrentar os couraçados de bolso. Agora ficou demonstrado que os navios bem menores, mas de maior velocidade, lidando com perícia e ousadia acima de todos os louvores, tinha podido enfrentar decididamente o orgulho da frota alemã. O mito do couraçado tinha sido destruído logo na primeira prova.

Fonte: Edgar MCInnes – História da Segunda Guerra Mundial – 1952

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  1. washington jadum de campos
    18/07/2011 às 8:47 PM

    Belas e terriveis imagens, como uma batalha pode causar impacto, as fotos não entem, estou te acomanhando.

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