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Archive for 01/08/2011

Um Verdadeiro Soldado Brasileiro – Rigoberto de Souza

Esse post é mais do que uma mera descrição da história! Por várias vezes publicamos material baseado na pesquisa, na indicação ou em algum material que é enviado para este blog. Mas este POST é diferente! Recai sobre meus ombros a descrição da experiência de um verdadeiro Soldado Brasileiro. Materializar através dessas linhas um paraibano bravo que combateu na Itália e que, apesar dos seus 88 anos, possui na firmeza de seus pensamentos e na eloquência de sua voz, um relato de um integrante atuante da Força Expedicionária Brasileira.

Rigoberto de Souza Vice-Presidente da Associação Nacional dos Veteranos da FEB – Seção Pernambuco, não possui nem de longe o perfil do soldado brasileiro que os historiadores gostam de exemplificar: “o pracinha incauto com pouca educação”, muito pelo contrário, Doutor Rigorberto é um erudito, com uma biblioteca farta ele manuseia seus livros com a firmeza de conhecer e dominar cada publicação, indicando livros e fazendo menções de relatos e autores. Tivemos o prazer de passar uma tarde na presença desse homem que, entre outras coisas, possui um acervo que surpreende pela qualidade. Tudo isso tornou a visita uma verdadeira aula de história prática, que deixaria qualquer professor universitário completamente renovado da profissão. Foi uma especialização em FEB!

O Sargento Rigoberto serviu no 11º Regimento de Infantaria, Companhia de Canhões Anticarros (C.C.A.C), depois convertida para Subunidade de Fuzileiros, onde comandou um grupo de combate. Participou dos ataques a Monte Castello e a Montese, sendo condecorado com as seguintes medalhas: Cruz de Combate de 2ª Classe; Medalha de Campanha; e Medalha de Guerra. Ao retornar ao Brasil ingressou na Universidade Federal de Pernambuco, se formando posteriormente em Odontologia. Foi um dos fundadores da ANVFEB-PE, tendo atuado fortemente em 1988 pelo reconhecimento pela Constituição da situação dos Ex-Combatentes da FEB.

Mas seria injusto se não fizesse menção ao braço operacional da ANVFEB-PE, Rigoberto de Souza Júnior nosso contato, e uma  pessoa apaixonada pelo legado do pai e que, gentilmente proporcionou, não apenas esse encontro, mas também as fotos do seu acervo pessoal, e se demonstrou um grande soldado que batalha pela herança histórica da FEB no Brasil. Graças a seu exemplo, podemos ratificar nossas esperanças de continuar o trabalho em busca do reconhecimento de todos que fizeram a Força Expedicionária Brasileira um exemplo de dedicação ao Brasil.

 Uma Citação:

“A Cobra segue Fumando!”

Patrulha Brasileira - Ao Fundo a Cidade de Montese

Cidade de Montese

Sabre - Baioneta do Fuzil M1Garand

Pistola Semi-automática wz.35 Vis

 O Sargento Rigoberto em uma patrulha com o seu grupo de combate encontraram um alemão morto e sob seu corpo estava essa pistola wz.35 Vis – Arma de fabricação polonesa e que foi adotada pelo Exército polonês a partir de 1935 como armamento padrão. Posteriormente foi utilizado pela Wehrmacht com a anexação da Polônia pela Alemanha.

Informações sobre a Pistola: http://it.wikipedia.org/wiki/Radom_Pistolet_wz.35_Vis

Dog Tag - Original

Insígnia de Assalto de Tropa AlemãNegociado com um Prisioneiro de Guerra Alemão

Símbolo da FEB

Medalhas Recebidas

Desfile Sete de Setembro

Satisfação em Fechar esse Post na Presenção do Ilustre Ex-Combatente

Informações Adicionais:

http://www.anvfeb.com.br/Rigoberto_Souza.htm

Memórias de um Soldado de Hitler – Parte Final

Em vez de ficar decepcionado com a guerra, Metelmann se tornou ainda mais selvagem. Hitler dera ordens para que os combatentes destruíssem tudo que encontrassem pelo caminho, e ele estava pronto para cumprir seu papel. “No início, eu era apenas um robô obedecendo a ordens. Mas me transformei em um soldado diferente. Coberto até o pescoço de terra, neve e sangue, lutava como um demônio. Estava tomado por uma fúria imensa. Como podíamos estava sendo vencidos por aqueles Untermensch. Era hora de mostrar de mostrar a eles do que erámos capazes”. O número de baixas em ambos os lados era assustador. Metelmann atingira o fundo do poço.

Poucos meses depois, ele foi ferido, mas teve a sorte de conseguir embarcar em uma trem de volta à Alemanha pra receber cuidados médicos. Metelmann se recuperou, mas parecia tarde demais. Estávamos em 1945 e a Alemanha estava sendo derrotada. Ele foi capturado pelos norte-americanos e forçado a marchar através da França, juntamente com outras centenas de alemães que seriam enviados aos Estados Unidos.

Henry Metelmann virou prisioneiro de guerra no Arizona. “Pouco antes de chegarmos aos campos, os nazistas que já estavam lá há mais tempo tinham acabado de enforcar um alemão que ousara renegar a Hitler. Me mostraram a execução, o que me fez tomar cuidado com as palavras”. Daquele momento em diante, porém, a confusão política que se instalara em sua mente já se transformou em desencanto, que era reforçado ainda pelas aulas de reeducação semanais oferecidas pelos americanos. O selvagem nascido há pouco, começava a morrer.

Em 1946, Metelmann foi enviado à Inglaterra e libertado dois anos depois. Após uma breve temporada na Alemanha – que, segundo ele, foi uma época de “desilusão e raiva” – voltou à Inglaterra, onde reconstruiu a vida. Depois de meio século longe de casa, ele contou que poucas vezes foi hostilizado. “a maior cobrança veio sempre de minha própria consciência”, afirma. Depois de anos de questionamentos, Henry Metelmann acha que sobreviveu à guerra “graças a uma mistura de sorte e covardia”, confessa que “acreditou apenas naquilo que queria acreditar” e que, principalmente, “acostumou-se fácil demais com o sofrimento humano”. E, para ele, nada pode ser mais pavoroso do que isso.

Precisávamos conquistar primeiro a Europa para, depois, conquistar o mundo. Eu apoiava inteiramente essa idéia! Pensava que ela era certa. Nossa missão, portanto, era impor nossa vontade às outras nações. Se as outras nações não acreditassem nessa idéia, teríamos de forçá-las. Era este o motivo de nossa brutalidade na guerra

Conheci bem um prisioneiro, porque fui encerregado de vigiar,à noite, a área em que ele estava. Chamava-se Bóris. Eu sabia que todos seriam executados. Estava de guarda naquela que seria a última madrugada da vida de Bóris. Eram cerca de quatro da manhã. Pouco depois, às seis, ele seria fuzilado. Enquanto eu me afastava, ele apontou para o meu rifle: “Você pode fazer qualquer coisa! Pode matar muitos de nós, russos. Pode destruir! Pode causar mal! Mas não pode matar idéias!” .  Ainda respondi: “Não consigo entender!”. Eu estava impregnado de minhas idéias nazistas. Fui embora. Mas ele repetiu: “Você pode fazer mal com este rifle! Mas não pode atingir as idéias. E essas idéias vencerão, não importa quanto demore!”. Participei da execução de Bóris e de outros prisioneiros – que foram fuzilados. Ouvi os tiros. De fato, fiquei triste por ele. Porque achei que ali estava um ser humano decente.  Eu estava sentindo pena de Bóris. Mas devo dizer que também não achava que as execuções fossem exatamente erradas. Eu pensava na superioridade dos alemães.  Nossa obrigação era limpar o lixo do mundo. Era este o motivo de estarmos fazendo aquelas coisas

”Vi uma mulher que, para mim, parecia velha: devia ter uns sessenta anos. As mãos da mulher tinham sido amarradas a uma árvore. Perguntei a um soldado que estava por perto: “O que foi que aconteceu?”. E ele: “Nós a capturamos na noite passada, quando ela se preparava para enterrar minas”. Ou seja: quando um tanque de nossa Divisão Panzer, um caminhão ou um carro alemão passassem, explodiriam. Eu disse a ela algo como: “Ah,bom, pegamos você! Como é que você se chama ?”. Ela respondeu: “Celina”. E eu: “Celina de quê ? “. E ela: “Não vou dizer nada!”. Nossos soldados, então, pegaram uma corda para que ela pudesse ser executada. Disse: “Porcos alemães! Vocês vieram aqui ocupar nosso país. Longa vida à revolução! Longa vida a Lênin! Vocês são porcos! Espero que percam a guerra!”.

Celina morreu. Nosso comandante disse: “Livrem-se do corpo. Enterrem-no”.

Fiquei pensando: “Celina era uma mulher muito corajosa. Sozinha, diante de nós, soldados fortes, disse: “Vocês são uns porcos nazistas!”. Pensei comigo: “Isso foi um gesto de coragem, Celina. Não importa de que lado as idéias estejam. Não importa. Você teve coragem”.

 

 

Participei do combate contra os russos. A única maneira de sair daquele inferno era manter a coesão do nosso exército. Ou seja: nós, alemães, nos unirmos para tentar sair. Creio que essa foi uma das razões por que lutamos como demônios na Rússia: não queríamos ser capturados. Tínhamos ocupado um país! Além de tudo, matamos gente, matamos soldados. Éramos duros, difíceis. Pensávamos que tínhamos esse direito. Hoje, lamento

 

Fonte: http://g1.globo.com/platb/geneton/tag/soldado/

 

 

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