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Memórias de um Soldado de Hitler – Parte Final


Em vez de ficar decepcionado com a guerra, Metelmann se tornou ainda mais selvagem. Hitler dera ordens para que os combatentes destruíssem tudo que encontrassem pelo caminho, e ele estava pronto para cumprir seu papel. “No início, eu era apenas um robô obedecendo a ordens. Mas me transformei em um soldado diferente. Coberto até o pescoço de terra, neve e sangue, lutava como um demônio. Estava tomado por uma fúria imensa. Como podíamos estava sendo vencidos por aqueles Untermensch. Era hora de mostrar de mostrar a eles do que erámos capazes”. O número de baixas em ambos os lados era assustador. Metelmann atingira o fundo do poço.

Poucos meses depois, ele foi ferido, mas teve a sorte de conseguir embarcar em uma trem de volta à Alemanha pra receber cuidados médicos. Metelmann se recuperou, mas parecia tarde demais. Estávamos em 1945 e a Alemanha estava sendo derrotada. Ele foi capturado pelos norte-americanos e forçado a marchar através da França, juntamente com outras centenas de alemães que seriam enviados aos Estados Unidos.

Henry Metelmann virou prisioneiro de guerra no Arizona. “Pouco antes de chegarmos aos campos, os nazistas que já estavam lá há mais tempo tinham acabado de enforcar um alemão que ousara renegar a Hitler. Me mostraram a execução, o que me fez tomar cuidado com as palavras”. Daquele momento em diante, porém, a confusão política que se instalara em sua mente já se transformou em desencanto, que era reforçado ainda pelas aulas de reeducação semanais oferecidas pelos americanos. O selvagem nascido há pouco, começava a morrer.

Em 1946, Metelmann foi enviado à Inglaterra e libertado dois anos depois. Após uma breve temporada na Alemanha – que, segundo ele, foi uma época de “desilusão e raiva” – voltou à Inglaterra, onde reconstruiu a vida. Depois de meio século longe de casa, ele contou que poucas vezes foi hostilizado. “a maior cobrança veio sempre de minha própria consciência”, afirma. Depois de anos de questionamentos, Henry Metelmann acha que sobreviveu à guerra “graças a uma mistura de sorte e covardia”, confessa que “acreditou apenas naquilo que queria acreditar” e que, principalmente, “acostumou-se fácil demais com o sofrimento humano”. E, para ele, nada pode ser mais pavoroso do que isso.

Precisávamos conquistar primeiro a Europa para, depois, conquistar o mundo. Eu apoiava inteiramente essa idéia! Pensava que ela era certa. Nossa missão, portanto, era impor nossa vontade às outras nações. Se as outras nações não acreditassem nessa idéia, teríamos de forçá-las. Era este o motivo de nossa brutalidade na guerra

Conheci bem um prisioneiro, porque fui encerregado de vigiar,à noite, a área em que ele estava. Chamava-se Bóris. Eu sabia que todos seriam executados. Estava de guarda naquela que seria a última madrugada da vida de Bóris. Eram cerca de quatro da manhã. Pouco depois, às seis, ele seria fuzilado. Enquanto eu me afastava, ele apontou para o meu rifle: “Você pode fazer qualquer coisa! Pode matar muitos de nós, russos. Pode destruir! Pode causar mal! Mas não pode matar idéias!” .  Ainda respondi: “Não consigo entender!”. Eu estava impregnado de minhas idéias nazistas. Fui embora. Mas ele repetiu: “Você pode fazer mal com este rifle! Mas não pode atingir as idéias. E essas idéias vencerão, não importa quanto demore!”. Participei da execução de Bóris e de outros prisioneiros – que foram fuzilados. Ouvi os tiros. De fato, fiquei triste por ele. Porque achei que ali estava um ser humano decente.  Eu estava sentindo pena de Bóris. Mas devo dizer que também não achava que as execuções fossem exatamente erradas. Eu pensava na superioridade dos alemães.  Nossa obrigação era limpar o lixo do mundo. Era este o motivo de estarmos fazendo aquelas coisas

”Vi uma mulher que, para mim, parecia velha: devia ter uns sessenta anos. As mãos da mulher tinham sido amarradas a uma árvore. Perguntei a um soldado que estava por perto: “O que foi que aconteceu?”. E ele: “Nós a capturamos na noite passada, quando ela se preparava para enterrar minas”. Ou seja: quando um tanque de nossa Divisão Panzer, um caminhão ou um carro alemão passassem, explodiriam. Eu disse a ela algo como: “Ah,bom, pegamos você! Como é que você se chama ?”. Ela respondeu: “Celina”. E eu: “Celina de quê ? “. E ela: “Não vou dizer nada!”. Nossos soldados, então, pegaram uma corda para que ela pudesse ser executada. Disse: “Porcos alemães! Vocês vieram aqui ocupar nosso país. Longa vida à revolução! Longa vida a Lênin! Vocês são porcos! Espero que percam a guerra!”.

Celina morreu. Nosso comandante disse: “Livrem-se do corpo. Enterrem-no”.

Fiquei pensando: “Celina era uma mulher muito corajosa. Sozinha, diante de nós, soldados fortes, disse: “Vocês são uns porcos nazistas!”. Pensei comigo: “Isso foi um gesto de coragem, Celina. Não importa de que lado as idéias estejam. Não importa. Você teve coragem”.

 

 

Participei do combate contra os russos. A única maneira de sair daquele inferno era manter a coesão do nosso exército. Ou seja: nós, alemães, nos unirmos para tentar sair. Creio que essa foi uma das razões por que lutamos como demônios na Rússia: não queríamos ser capturados. Tínhamos ocupado um país! Além de tudo, matamos gente, matamos soldados. Éramos duros, difíceis. Pensávamos que tínhamos esse direito. Hoje, lamento

 

Fonte: http://g1.globo.com/platb/geneton/tag/soldado/

 

 

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  1. caio
    20/01/2012 às 12:30 PM

    reeducação semanais oferecidas pelos americanos.

    sei exatamente o tipo reeducação que temos até hoje,

    lavagem cerebrall

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