Início > História, Mais Assuntos > Revisionismo – É preciso ter cuidado!

Revisionismo – É preciso ter cuidado!


O britânico Edward Hallett Carr foi um dos maiores historiadores do século XX, em sua obra que é história? (What is History?) de 1961, estabelece princípios historiográficos radicais que rejeitavam as práticas e os métodos históricos tradicionais. “O fato histórico deve ser analisado segundo a ótica dos documentos, relatos e outros elementos que confirmem a historiografia dos acontecimentos”, dizia Carr. Ele rejeitava as interpretações históricas baseadas no empirismo da velha escola clássica, tão comum na primeira metade do século XX.

Infelizmente passamos por uma nova fase de interpretações históricas. Dado a velocidade com que a informação percorre o mundo virtual, encontramos uma quantidade enorme de pessoas que fazem o papel de um historiador moderno, dominando assuntos que, em outros tempos, só estariam disponíveis em centros acadêmicos e bibliotecas de grande porte, mas isso também abriu margem para um fenômeno de interpretação parcial da História.

 Falando especificamente sobre a Segunda Guerra Mundial, a partir da década de 70 houve um movimento de alguns estudiosos para redesenhar a historiografia dos acontecimentos relativos a todo o período compreendido da Segunda Grande Guerra, isso incluía uma nova visão sobre os motivos de sua deflagração, os anos do conflito e suas consequências sobre a humanidade em diversos aspectos. É importante salientar que esse movimento abrange todo o contexto do conflito, muito embora, há trabalhos de pesquisadores especificamente sobre o Revisionismo do Holocausto, que tem lançado uma série de questionamentos em relação a abrangência, métodos e logística em relação ao extermínio sistemático de judeus. Mas também existe um movimento que luta pela “desmistificação da Alemanha nazista”, que tem como objetivo mudar a visão histórica do nazismo que fora construído no pós-guerra.

Os Movimentos Revisionistas são ruins para História? Evidente que não! Pelo contrário são salutares, mas devemos ter em mente que a historiografia moderna, defendida por figuras como Carr, são por si só REVISIONISTAS, e a História como ciência tem seus conceitos perpetrados na Revisão dos Fatos Históricos e, como qualquer outra ciência não há conceitos eternizados. Infelizmente, o que está acontecimento é uma visão parcial da interpretação histórica baseada nas tendências ideológicas de quem a interpreta.

Uma pessoa que realiza uma pesquisa sobre um autor que defende um Revisionismo radical do Holocausto. Essa pessoa poderá defender a tese desse autor como uma verdade absoluta, mesmo que o autor do estudo não tenha apresentado documentos ou qualquer tipo de prova substancial que sustente sua teoria. A mera argumentação deve ser colocada em check, pois sempre caberá uma contra-argumentação, e para formar uma perspectiva histórica sólida é necessário ter a visão do todo e não apenas lidar com argumentos parciais. Evidente que isso também vale para uma visão simplista da Segunda Guerra, quando na afirmação de que “A Segunda Guerra foi uma Luta do Bem contra o Mal…”. Claro que não há mais espaço para essa visão na História.

De alguma forma os fóruns, comunidades sociais e outras formas de comunicação pela internet têm seus membros divididos em grupos que são declaradamente Revisionistas e Não-Revisionistas. Mas isso é necessário? A polarização histórica é um erro recorrente da humanidade, e nesse mundo de visões mil, devemos agir com parcimônia em qualquer radicalização de opinião. O que temos que fazer é entender a interpretação histórica de forma a ter a visão do geral e não do parcial.

Teorias conspiratórias e teses sionistas de domínio do mundo podem até chamar a atenção e serem interessantes, mas de forma alguma possuem embasamento histórico, assim como aqueles que acreditam que a Alemanha é um povo vil, como caricaturado pela mídia ocidental, não possui nenhum juízo de valor sobre a Ciência chamada História.

Nossa tendência não é defender uma ou outra corrente, mas defender o Fato Histórico, entender seus desdobramentos e suas consequencias.

* Francisco Miranda – Reprodução proíbida sem autorização.
Anúncios
  1. Nenhum comentário ainda.
  1. No trackbacks yet.

Deixe um comentário

Preencha os seus dados abaixo ou clique em um ícone para log in:

Logotipo do WordPress.com

Você está comentando utilizando sua conta WordPress.com. Sair / Alterar )

Imagem do Twitter

Você está comentando utilizando sua conta Twitter. Sair / Alterar )

Foto do Facebook

Você está comentando utilizando sua conta Facebook. Sair / Alterar )

Foto do Google+

Você está comentando utilizando sua conta Google+. Sair / Alterar )

Conectando a %s

%d blogueiros gostam disto: