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Zinaida e Seu Passado de Interrogatórios na URSS


Entrevista realizada por Laurence Rees diretor de criação da área de História da BBC. Documentarista e escritor premiado, Rees é especialista em nazismo e Segunda Guerra Mundial

A Oficial de uma Unidade antiterrorismo soviética, Zinaida Pytkina recebeu do seu chefe a incumbência de atirar em um jovem major alemão prisioneiro

Sentada encolhidinha em sua casas caindo aos pedaços em Volgograd, Zinaida Pytkina, à primeira vista, parece-me uma típica vovó russa. Quando a conheci, ela já estava quase com oitenta anos, no entanto, seu olhar ferino não combinava com a idade. Ali estava uma mulher que avaliava as pessoas que conhecia sem qualquer emoção – e que parecia considerar todos a sua volta inferiores ao seu padrão.

Durante a Segunda Guerra, Zinaida foi oficial da SMERSH [Smert Shpionam, palavras russas que significava “morte aos espiões”], uma das mais formosas unidades secretas da inteligência soviética. Sua especialidade era coletar informações junto a prisioneiros alemães.

Esses nazistas capturados, ela explicou, não eram “prisioneiros de guerra comuns” , pois tinham sido presos por esquadrões soviéticos antissequestro. Em resumo, esta condição conferia aos integrantes da SMERSH o direito de tratar aqueles prisioneiros da forma que quisessem, sem qualquer limite.

Assim, os soldados alemães eram obrigados a revelar unidades, suas missões, seus plano de batalha e os nomes de seus comandantes. Se cooperassem, contou Zinaida, eram tratados “com gentileza”.

“Com gentileza” foi a forma escolhida para a ex-oficial soviética para se referir à tortura a que os prisioneiros eram submetidos caso não colaborassem. Quando os alemães falavam, um especialista era trazido para “lhes dar uma lavada” e, finalmente, fazê-los “cantar”. Geralmente, eles, falavam, afinal de contas, “ninguém queria morrer”, lembra a ex-oficial.

Ao falar das ações da SMERSH, Zinaida demonstrou orgulho. Ela defende que era correto tratar os prisioneiros alemães daquela maneira, porque eles lhes dispensavam semelhante tratamento: “O que deveríamos fazer? Idolatrá-los? Eles matavam nossos soldados. O que eu deveria fazer?”.

E sua rotina não se restringia a observar interrogatórios e tortura de soldados alemães: ela participou pessoalmente de assassinatos. Um dia, seu superior lhe disse para “dar um jeito” em um jovem major alemão. Assim que recebeu a ordem, ela sabia exatamente o que aquilo significava: a ordem era para que ela matasse. “Quando os prisioneiros eram trazidos depois de interrogatórios, aquilo já era esperado (…). Se tivessem trazidos uma dúzia deles, minha mão não tremeria para atirar em cada um. Eles tinha de ser destruídos, da mesma forma com que estavam nos destruindo. Hoje, eu não participaria daquilo tudo, não mataria, fosse inimigo ou não. Para mim, hoje este assunto está superado. Mas, naquela época, se tivessem enfileirado todos aqueles alemães, eu teria matado um a um. Tanto soldados russos já tinha perdido a vida com dezoito, dezenove ou vinte anos…Tinham sido simplesmente obrigados a lutar contra os alemães porque aqueles homens queriam ganhar terreno. Como você se sentiria?”.

Zinaida descreveu seus sentimentos, ao levantar sua pistola para atirar no jovem major alemão: “eu senti alegria (…). A minha mão não tremeu quando eu atirei nele(…). Os alemães não nos pediam para poupá-los. Eles sabiam que eram culpados e eu estava com raiva. Eu enxergava ali um inimigo: meus pais, tios e irmãos morreram por causa deles”.

Quando o corpo sem vida do militar nazista caiu na vala, ela sequer olhou:  “fiquei satisfeita. Tinha cumprido meu dever. Fui para o escritório e tomei um bebida”.

“Compreendo o interesse em saber como um mulher é capaz de matar um homem”, disse Zinaida, já no fim da entrevista. “Eu não faria isso agora. Bom, só faria se houvesse uma guerra e eu voltasse a ver o que vi naquela época. Daí, provavelmente, faria de novo(…). Uma pessoa a menos, foi o que pensei. Pergunte a ele quantas pessoas ele matou – será que não pensou nisso? Eu também poderia ter sido morta(…)e, hoje, se um inimigo atacar, eu faria a mesma coisa”.

Naquela noite, sonhei com a história que tinha acabado de ouvir. Vi o corpo do major apodrecendo na vala e Zinaida e seus amigos comemorando ali nas redondezas.

Talvez o pesadelo tenha sido inspirado pelas palavras que a velha russa proferiu antes de se despedir: “Ele já tinha matado tantos soldados russos…por acaso eu deveria beijá-lo por isso?”

Zinaida - Ex-Oficial da URSS

 

 

Nota do BLOG:

 

A História deve ser vista sob a ótica da imparcialidade, portanto não estamos questionando ou fundamentando de algum forma os motivos ou o merecimento dos soldados alemães ou o direito de torturar que a entrevistada tenta usar como justificativa. Como estudiosos do período apresentamos FATOS HISTÓRICOS e cabe a cada pessoa que acompanha o BLOG realizar julgamentos de valores e pessoais sobre o assunto.

 

 

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