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Operação Market Garden – Um Fracasso? Parte I


Depois que os pára-quedistas atingiram os seus objetivos na Normandia na costa francesa, altos comandantes aliados planejavam utilizar tropas aerotransportadas novamente. No entanto, cada vez que o plano era formulado, as tropas terrestres avançavam rapidamente antes das operações aéreas ocorrerem. As tropas americanas do I Exército comandadas pelo General Courtney Hodges e do III Exército do General Patton, estavam avançando muito mais rápido do que o esperado nos primeiros meses na França.

As tropas aerotransportadas foram finalmente escolhidas para serem utilizadas por Dwight Eisenhower, tal como recomendado pelo Bernard Montgomery. A Operação Market Garden era o plano de Montgomery para obter um avanço com o Segundo Exército Britânico e a Divisão Blindada britânica na região inferior do rio Reno, na Holanda. Uma vez que esta região estivesse sob controle, as planícies do norte da Alemanha estariam vulneráveis ​​para as unidades aliadas móveis se dirigirem ao coração da Alemanha. Para lançar as bases no avanço britânico a Primeira Divisão Britânica Airborne, Primeira Brigada Pára-quedistas polaca, 82ª Divisão Aerotransportada, e a 101ª Divisão Aerotransportada americanas seriam deixados em áreas designadas ao longo de uma linha marcada de Eindhoven no sul ao Arnhem no norte, ambas as cidades na Holanda. As tropas aerotransportadas seriam encarregadas de fazer um salto a luz do dia, surpreender o inimigo e tomar o controle de pontes-chave para os tanques britânicos cruzarem. Para tornar possível esta operação, Eisenhower interrompeu o avanço de Patton, de modo que o combustível poderia ser disponibilizado para a ofensiva terrestre compostas por forças britânicas. Tropas e suprimentos também foram realocados para um potencial assalto na importante cidade portuária de Antuérpia para a Operação Market Garden. Antuérpia era um porto-chave belga que os Aliados poderiam fazer uso  (a despeito do controle alemão continuou do Estuário do rio Escalda), possivelmente trazendo maior quantidade de suprimentos mais próximas da linha de frente. Assim, o custo da Operação Market foi bastante elevado. A pressão política dos Estados Unidos para usar os pára-quedistas de elite e a insistência de Montgomery para mudar a estratégia para uma ampla frente avançada, ambos foram grandes razões externas para Eisenhower seguir com a operação.

Uma parcela da Operação Market Garden era composta pelos ataques aéreos. Os Aliados foram capazes de alcançar um alto grau de surpresa. Foram estabelecidas poucas defesas antiaéreas por parte dos alemães que ficaram alarmados como com a extensão da operação na Holanda; algum fogo antiaéreo sacudiu os aviões, mas não eram eficazes. A história oficial da 101ª Divisão Aerotransportada registrada que esse foi o salto de maior sucesso em sua história, mesmo missões de treinamento foram consideradas. Após as tropas aerotransportadas saltarem, equipamentos adicionais também foram enviados por pára-quedas. Os americanos da 101ª Divisão Aerotransportada capturaram a ponte em Veghel com pouca resistência, apesar de um ataque de artilharia ter sido desferida pelos alemães e atrasou o avanço Aliado tempo suficiente para que a ponte em Son fosse explodida. No norte, a 82ª Divisão Aerotransportada tomou a ponte em Grave rapidamente, mas encontrou forte resistência perto de Nijmegen, e a ponte acabaria sendo abandonada. Primeira Divisão Airborne britânica, encarregado de capturar a ponte em Arnhem, encontrou forte resistência das unidades de formação de um batalhão alemão. Em Nijmegen e Arnhem eram importantes devido à largura e a evasão de água, por isso as pontes deveriam ser capturadas para os tanques britânicos atravessarem.

Parte da Operação Market Garden consistia no avanço de uma coluna de tanques britânicos vindos do norte ao longo da estrada 69 (apelidado de “estrada do inferno” por pára-quedistas americanos), sob o comando do General Brian Horrocks. A estrada, como muitas estradas na região, foi construída um metro acima do solo. Isso significa que qualquer coisa que se mova pela estava é um alvo em potencial de franco-atiradores e tropas de contra-ataque.

Do lado alemão, enquanto as tropas foram pegos de surpresa no início da operação, divisões blindadas rapidamente reuniram-se para contra-atacar. Os pára-quedistas aliados eram conhecidos por não serem equipados com armas anti-tanque. Os alemães também tiveram alguma sorte – o comando da região, ordenou que 9.000 tropas de elite pesadas do II Corpo SS Divisão Panzer para descansar e reagrupar em Arnhem, que desempenharia um papel importante mais tarde, como os desdobramentos da Operação Market Garden.

 

fontes Consultadas: History Learning, 101 Division Center, Historiador Peter Chein

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  1. washington jadum de campos
    26/09/2011 às 6:24 PM

    Apesar de muitas precipitações, por pouco as coisas dariam errado, mas a contra-ofensiva apesar de violenta e feito muitos prisioneiros canadenses ,ingleses e americanos não foi suficiente, pois os aliados estavam com farto material tanto humano como em equipamentos.

  2. Moriarty
    15/10/2011 às 12:38 AM

    – A operação Market Garden, (Ou melhor, as operações, pois Market foi à parte aerotransportada da operação enquanto a Garden a terrestre, foi praticamente um fiasco previsível, não contou com o apoio da maioria das personalidades militares que participaram dela e quem o apoiou não o fez como deveria, ou seja, do ponto de vista militar e sim politico.

    – Baseado nas deduções sobre minhas fontes, eu apresento como idealizador e principal articulador da malograda operação não o homem que no meu entender teve que arcar em silencio com o fracasso da mesma (Embora isso não signifique de maneira alguma que não tenha sua responsabilidade nela) o Marechal Montgomery, não foi a meu ver o seu idealizador dado as suas características pessoais muito conservadoras, o planejamento heterodoxo lhe era estranho, mas sim Churchill, mesmo porque este já apresentara antes ideias semelhantes, que autorizam deduções por analogias de suas intenções, a operação desde o inicio recebeu muito mais apreciação politica do que militar quando foi colocada como uma oportunidade de concluir a guerra ainda em 1944, à falta de cuidado pelos aspectos técnicos da operação e a disposição de tudo arriscar, denota a meu ver, um desejo maior de Churchill de chegar a Berlim antes dos Russos do que propriamente uma preocupação em poupar as vidas dos soldados envolvidos na duvidosa operação, procuro corroborar meu ponto de vista apresentando a participação de Churchill em três empreendimentos igualmente arriscados, heterodoxos e de fundo muito mais politico do que militar, Gallipoli e Dieppe, além do malogrado desembarque na Grecia.

    – Churchill foi um dos articuladores e defensores de um dos mais sangrentos episódios da I Guerra mundial Gallipoli, que consistia em atacar a Turquia pelos estreitos dos Dardanelos tomar Constantinopla e usa-la como base de operações contra a Austria e Alemanha, a operação a exemplo de Market Garden foi planejada mais com expectativas politicas do que militar e inclusive com expectativas de ganho de prestigio pessoal em relação a própria carreira, Gallipoli foi um grande fracasso sangrento, vejamos a opinião de um historiador renomado : A.J.P. Taylor “A expedição a Gallipoli foi um terrível exemplo de ingênua estratégia, levada avante com inadequada preparação e conduta errada”. Vamos observar também o que tem a dizer um dos mais importantes Jornais da época, o Morning Post, sob o Titulo de “O Almirante Amador”, escreveu: “Churchill ainda se vê como o único numero perfeito da soma das coisas, os outros são meras cifras sem valor, cuja função é a de segui-lo e multiplicar diversas vezes seu valor pessoal”… Nunca deixou de ser o protagonista de um espetáculo com um único ator. E ainda consegue dirigi-lo porque, ajudado por uma guerra de dimensões mundiais, seu talento para o melodrama abriu-se para a megalomania. O resultado de sua participação na condução de Gallipoli foi perder seu posto no Almirantado, embora isso fosse um preço bem menor do que pagaram aqueles que perderam suas vidas ele ainda ficou indignado.

    – Foi também de Churchill à ideia de privar o exercito Inglês de uma vitória decisiva sobre as tropas italianas na África, enviando as únicas forças consideráveis que a Inglaterra possuía num desembarque na Grécia, a despeito do parecer contrário de seus comandantes militares, poucos dos 50 mil homens desembarcados conseguiu retornar, perderam todo o seu equipamento pesado e a marinha real sofreu perdas devastadoras pela Luftwaffen, na intenção de Churchill de provocar uma rebelião balcânica, o caso foi chamado segunda Dunquerquer.

    – Churchill ainda proporia uma nova Gallipoli nos Balcãs com a ajuda norte Americana vamos ver o que os americanos responderam a ele: A ação proposta nos Balcãs por Churchill, convenceu os americanos de que ele defendia essa ideia somente por motivos políticos e para vingar-se de seu fracasso em Gallipoli, na I Guerra Mundial (Eisenhower, Cruzada na Europa, Mondadori,1949).

    – Temos como analogia ainda mais contundente a operação realizada em Dieppe, segundo a necessidade que se apresentava segundo Churchill de acalmar a irritação de Stalin com a inatividade dos aliados e com a recusa Norte-Americana de tentar alguma aventura para o qual não se sentissem devidamente preparados. Na pratica a operação Jubilee (Nome código de Dieppe) e a Market Garden foram tão parecidas que fica mais resumido falar aonde não se pareciam, ou seja, foi uma operação anfíbia e aonde não se contava conquistar posições para mantê-las, em todo o resto foram parecidas, vamos conhecer as forças que deveriam participar da operação inicialmente: Duas Brigadas de Infantaria Canadiana, um Batalhão de blindados, uma unidade de engenharia. Os paraquedistas e as tropas largadas em planadores pertenceriam a 1ª Divisão aerotransportada Britânica. Modificações foram feitas as tropas aerotransportadas e os paraquedistas foram suprimidos (foram consideradas demasiado dependentes das condições atmosféricas, (mas parece que em Market esqueceram isto). Vamos ver a opinião dos executantes, O general J.H. Roberts, que comandava a Segunda divisão Canadiana só levou em consideração o desejo dos seus homens em lutar, e a opinião publica do seu país que desejava ver isso acontecer, aprovou até a decisão de Churchill de suprimir o bombardeio das áreas de operações, um erro grosseiro, que ele identificou como o melhor para os blindados. Agora veremos o que pensava Montgomery, uma operação como esta é uma questão de confiança, é preciso que os oficiais façam transbordar a sua confiança, de contrário como querem que os soldados tenham bom apetite? (Esse é o velho e bom pensamento aristocrático Inglês eu posso encontrar mil razões racionais para não fazer uma coisa, mas não importa, eu não farei pessoalmente, eu só preciso de uma, para que os infelizes que são obrigados a fazer a façam, a Fé irracional em si mesmo como elemento decisivo para a vitória final, ela certamente deterá o efeito das armas Alemãs sobre seus homens). A operação ira caracterizar-se pela perda do elemento surpresa, falta de comunicação por rádios ineficazes e chefes experientes que pudessem limitar os estragos, a única coisa que restará aos soldados será a coragem e isto eles terão. Além disso, houve dispersão das unidades e o pessoal encarregado de estudar as fotografias aéreas não viu o arame farpado, como não viu em cada uma das casas, um ninho de armas automáticas, o resultado disso é que dos 5000 Canadianos envolvidos 3350 perderam-se, dos quais 2717 mortos ou prisioneiros.

    – Quando Churchill teve que se explicar perante a Câmara dos Comuns Inglesa usou o termo “reconhecimento em forças” e também “Não tenho a menor intenção de fornecer a mínima informação a respeito dessas operações”. Alegando o caráter secreto das mesmas. E depois seus apoiadores o desculpariam alegando que o fiasco serviria de lições para o dia “D”, dificilmente aceitável, pois o dia “D” foi muito mais fruto das experiências americanas nas operações anfíbias do Pacifico que dos erros Ingleses em Dieppe, a única oportunidade de mostrar aprendizagem foi em Market Garden e sabemos o que aconteceu, a repetição dos mesmos erros só que em escala muito maior.
    – Quanto a Market Garden ela representa um marco na maneira de como os aliados conduziam a guerra, houve falha total no planejamento de uma operação que nunca deveria ter sido realizada. Suas principais deficiências foram: sua inteligência falhou em coletar e interpretar as informações disponíveis, relativas à operação (coincidentemente o mesmo erro de Dieppe), os comandantes aliados erraram dividindo os lançamentos (em Dieppe dividiram os desembarques), as áreas de salto estavam a 13 quilômetros de distância dos objetivos, isto porque a inteligência superestimou o poder da Flak Alemã contra seus aviões, após o lançamento em terra o erro foi o oposto o de subestimar a capacidade de recuperação e reorganização do melhor exercito da época, que contragolpeou assim que detectou o ataque, as forças aliadas sofreram com a falta de informação e coordenação entre suas forças, parece que lhes ofereceram os mesmos rádios usados em Dieppe, eles não funcionaram, também desconsideraram os alertas sobre as condições atmosféricas oferecidos pelos oficiais participantes, quando as primeiras levas desceram as outras ficaram impossibilitadas pela piora das condições e assim ficaram privadas de apoiarem-se mutuamente, além do tempo a falta de aviões para a operação não foi considerada, o resultado um fracasso devastador que até melhorou o moral alemão no front oeste, a estimativa de que a wermacht estava acabada foi algo que os aliados confiaram cegamente e os levou a perderem-se na Market Garden, mas eles pareciam nunca aprender nada, três meses depois a segundo eles liquidada Wermacht atacou nas Ardennas e eles ainda alegaram surpresa por estarem completamente despreparados para isso, parecia que eles acreditavam que os Russos haviam derrotado a Wermacht e eles iriam comportar-se apenas como tropas de ocupação na Alemanha, mas não foi assim.

    – Sobre Market Garden houve as habituais desculpas esfarrapadas, entre as piores a de que a culpa da derrota foi dos alemães por estarem preparados quando não deveriam, o comandante Polonês Stanislaw Sosabowski, após a batalha de Arnhem, foi afastado do seu comando por criticar a forma como Montgomery conduzia as operações militares, contudo quando Eisenhorwer convocou todos os comandantes ao seu quartel general afim de assumirem uma estratégia mais convencional contra a Alemanha Montgomery (Segundo alguns envergonhado) foi o único a não aparecer enviando apenas seus adjuntos, dos 9 mil paraquedistas que desceram sobre Arnhem, menos de 2,5 mil conseguiram regressar as linhas aliadas. Churchill foi salvo no meu entender pelo silencio de Montgomery em aceitar a responsabilidade por algo que não idealizou, mas essa aceitação não o isenta, pois se a operação fosse bem sucedida o reconhecimento seria todo dele, e Churchill se calaria, uma barganha, cujo preço foi pago pelos infelizes que participaram da aventura.

    – Minhas opiniões expressas aqui têm por base deduções feitas entre relações de causa e efeito dos eventos históricos, feitos a partir de minhas fontes, embora não as enumere aqui na totalidade, disponibilizo as informações a respeito dessas fontes sempre que solicitado, e a quem manifeste qualquer duvida a respeito da procedência e confiabilidade das mesmas.

  3. Alessandro Faria
    21/11/2011 às 6:52 AM

    Creio que a 82nd não é polaca, e sim USA, da mesma forma a 101st e a Missão contou também com páraquedistas Ingleses (Commandos) “The Red Devils” para a tomada dos canais e vingança por Arheim.

  4. Geraldo Nunes Filho
    31/12/2013 às 3:19 PM

    Este Montgomery, pernóstico e arrogante. Não chegava aos pés de Rommel, que teve que bater em retirada por falta de suprimentos no Norte da África. Patton também era dez vezes melhor que ele. Li a biografia dele pela Bibliex. Os dois DVD’S com o Filme “Uma Ponte Longe Demais”-1977, retratam fielmente o ocorrido, inclusive com depoimentos dos sobreviventes. Se Rommel tivesse tido o apoio necessário, o Afrika Corps teria dado uma surra inesquecível neste Mal. vestido de Escoteiro. Patton e ele também se detestavam. A diferença é que Patton foi um Herói. Turrão, teimoso mas muito mais inteligente.
    Parabéns pelo seu trabalho.
    Selva.
    Feliz 2014.
    Geraldo

  5. Luiz Claudio
    11/12/2016 às 9:47 PM

    Boa noite, Chico!

    Vc sabe qual foi (ou melhor, quais foram) o fotógrafo responsável pela foto da tropa paraquedista (adicionada ao seu post) sendo lançada sobre a Holanda durante a Operação Market Garden?

    Parabéns pelas postagens!

    Um abraço!

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