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Archive for outubro \31\America/Recife 2011

A Guerra do Deserto – Morte e Agonia

Convenhamos, Hitler nunca teve aliados que dividissem o fardo da guerra com ele. Isso é apontado como sendo uma dos erros que levaram a derrota alemã. Mussoline abriu um novo front para a Alemanha, em uma guerra que ela não queria participar, mas que foi arrastada depois que o Dulce estava quase sendo expulso. O Japão era a esperança de Hitler no apoio para abrir um front contra a URSS, o que de fato nunca aconteceu.

Enfim, vamos publicar os detalhes de um front, que é considerado como o mais difícil para as tropas alemãs, até aquele momento (o frio russo ainda não tinha batido as portas…). O front africano! Para ele foi enviado o mais popular dos generais Erwin Rommel, que consagrou a imagem de Raposa do Deserto e entrou para História Militar Mundial

Os alemães e o Brasil – A Imigração Alemã – Parte II

Continuando uma série aprofundada de estudos sobre a Força Expedicionária Brasileira produzida pelo Mestre em História Alessandro dos Santos Rosa.

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O isolamento alemão

Os imigrantes alemães que povoaram as regiões do Rio Grande do Sul e Santa Catarina, no século XIX, efetivaram sua ocupação em terras que ficavam compreendidas entre as áreas litorâneas e as áreas de planalto, as terras de matas e terras dobradas, ficando distante das terras luso-brasileiras e das grandes fazendas cafeicultoras.

Os alemães foram designados a ocupar as regiões indicadas por uma opção estratégica, pois o café era nesse momento um dos produtos mais importantes para a economia brasileira, e pequenas propriedades em meio a esses campos acabariam prejudicando a produção. Outro ponto importante era que havia necessidade de se criar uma via de comunicação entre o litoral e as regiões que compreendiam o planalto, como abordado por Giralda Seyferth[1]:

     As primeiras colônias foram estabelecidas em pontos estratégicos entre o planalto e o litoral do Rio Grande do Sul e Santa Catarina, a fim de garantir de alguma forma as vias de penetração. Em Santa Catarina, principalmente, não havia comunicação entre a capital Desterro e o Planalto e foi com esta finalidade que se deu estímulo à colonização alemã no Vale do Itajaí. (p.31)

Devido às suas características culturais européias, mais especificamente da própria Alemanha, os imigrantes conseguem, mesmo com um número pequeno de componentes, contribuir consideravelmente com a economia brasileira, possibilitando que pequenas propriedades tenham um alto índice de produtividade na produção agrícola e agropecuária.

Tiveram também grande êxito ao procurar uma inserção no setor de comércio, realizando investimentos em diversos setores da economia comercial e extrativa, como explicado por Dennison[2]:

     Embora possuíssem menos de 0,5% da superfície cultivável do país, as comunidades de origem alemã geravam 8% da produção agrícola. Além da agropecuária, alemães e seus descendentes mantinham também empreendimentos nos setores comercial, extrativo e industrial. Fábricas de cerveja, charutos, mineradoras, têxteis e calçados eram suas atividades de investimento preferenciais, fazendo com que possuíssem 10% da indústria e 12% do comércio do Brasil. (p.13-14).

Portanto, é perceptível através dos estudos dos pesquisadores Dennison, Giralda e René, que os imigrantes alemães apresentavam um espírito empreendedor e sofisticado, conseqüência das experiências vivenciadas e perspectivas que conseguiam também realizar.

Juntamente a isso soma-se o desprendimento e força de vontade para trabalhar suas pequenas propriedades e torná-las significativamente produtivas. Essas características apresentaram-se também na participação do comércio e indústria como observado pelo general da reserva e ex-combatente da Força Expedicionária Brasileira Italo Conti, de origem italiana, natural de Mallet, interior do estado do Paraná[3]:

     Por que todos nós sabemos da contribuição dos colonizadores alemães em beneficio ao desenvolvimento da economia brasileira e do progresso do Brasil, principalmente na indústria. Na lavoura também, mas o grande destaque foi na área industrial. Aqui em Curitiba, tinham três sociedades alemãs, que era muito freqüentada pela alta sociedade, havia uma confraternização muito grande, realmente eles eram um pouco mais fechados, porem eram respeitados de uma forma geral.

O depoimento acima deixa mais transparente a realidade vivida pelos imigrantes alemães e sua importância dentro das localidades onde se alocavam. Tanto pesquisadores como demais membros da sociedade que vivenciaram aquele momento, vem nos trazer a confirmação desses fatos.

A imigração alemã, que fora tão incentivada pelo governo brasileiro, acabou tendo restrições quanto às propagandas feitas dentro da Alemanha. Isso ocorreu por parte do governo alemão, no momento em que soube da utilização dos imigrantes nos campos e fazendas do interior de São Paulo. Essa atividade caracterizava, de certa forma, uma forma de exploração inaceitável. A proibição foi generalizada em 1871, voltando a normalização a partir do ano de 1896, já no final do século XIX.

Além da importante contribuição econômica, os alemães também colaboraram na parte demográfica, já que era de costume das famílias dessa época, principalmente àquelas que possuíam uma pequena gleba de terra, terem grande número de filhos, cruciais para que se tivesse mais mão-de-obra para trabalhar a terra e desenvolver as atividades que se faziam necessárias. Esse fato fez com que, nos estados sulinos, essa população tivesse expressividade, como explicado por Dennison de Oliveira[4]:

     …se caracterizavam por um expressivo índice de fertilidade, na média de oito a nove filhos por mulher, para aquelas que se casaram até os 19 anos, e sete filhos, para as que casaram após essa idade. Como resultado, a Colônia alemã tinha antes da Segunda Guerra Mundial uma participação significativa no conjunto da população dos Estados da região sul, onde residiam seus maiores efetivos: 6,9% da população do Paraná, 19,62% do Rio Grande do Sul e 22,34% de Santa Catarina. (p. 14).

A parcela mais expressiva de imigrantes alemães teve sua entrada entre 1850 e o final do século, tendo como característica o surgimento de um grande número de povoados espalhados pelos estados do Sul. Até meados de 1830, o governo oferecia incentivos financeiros para que os alemães se estabelecessem em terras brasileiras e adquirissem as pequenas propriedades. Contudo, a partir desta data houve uma mudança na política Imperial passando essas responsabilidades aos governos das províncias onde os imigrantes se estabeleceriam, sendo que, a partir de 1850, empresas privadas passam a assumir essas atividades.

A grande maioria desses grupos imigrantes ou pequenas comunidades que se formaram, constituiu-se de forma isolada, sem interferência de outras etnias ou grupos, até mesmo porque o Estado não ofereceu nenhum tipo de estrutura básica. Dessa forma, mantiveram seus costumes e sua cultura inalterados. Por estarem localizados nos pontos estratégicos determinados pelos governos, até mesmo a comunicação entre eles acabava ocorrendo na língua materna, ou seja, somente em casos extremos utilizam o pobre vocabulário que tinham em português.

Esse cenário de isolamento dos imigrantes alemães com o passar dos tempos vai acarretar em problema, pois as comunidades germânicas admitidas no Brasil não estavam conseguindo o entrosamento com os brasileiros, portanto, não estavam constituindo um único grupo, como explicado por René Gertz[5]: “Acusação repetida contra alemães e descendentes, desde o início da imigração em 1824, é o de não-integração, do que resultaria uma verdadeira anticidadania brasileira, mesmo para os descendentes que são brasileiros de fato e de direito”. (p. 13)

Por outro lado, os portugueses que se fixaram nas terras brasileiras, já na sua segunda geração possuíam hábitos e costumes brasileiros, procurando integrar-se rapidamente a nova cultura, como analisa Gertz[6]:

     O filho do português entre nós já é brasileiro e pugna pelo Brasil como sua única pátria. Podemos dizer o mesmo dos míseros alemães? Me parece que não. Em geral não há filho e mesmo neto de colono alemão que pugne pelo Brasil como se pugnasse pela sua pátria; pelos exemplos dos pais que olham esta terra mais como madrasta do que como mãe…  (p.13)

A não-integração dos alemães com a sociedade brasileira criou naturalmente uma preocupação para aqueles que conduziam o Brasil, pois estava surgindo um problema social que colocaria em risco a própria formação geográfica do país, como explicado por Dennison de Oliveira [7]:

     Contudo, a relativa não-integração das comunidades de origem germânica levou a uma reversão dessas expectativas iniciais. Termos como “quistos inassimiláveis” de estrangeiros que estariam vivendo no Brasil, alertas para o “perigo alemão” e os temores com relação à criação de uma “Alemanha Antártida” no sul do Brasil passariam, a partir daí, a circular entre as elites dirigentes brasileiras com diferentes graus de aceitação e intensidade. No decorrer das duas guerras mundiais, tais receios seriam amplificados ao máximo, num contexto em que os projetos de uma possível separação da região sul e a criação de uma nova entidade nacional sob controle dos alemães eram tidos não só como altamente prováveis de virem a ser realizados, como também iminentes.  (p.15)

Para deixar a situação ainda mais grave, havia por parte do governo alemão incentivo para aqueles que se encontravam morando no exterior e que se mantivessem autênticos nas suas origens, como explicado por Frank D. McCann[8]: “O governo alemão os incentivava a se considerarem não como imigrantes, mas como alemães vivendo no exterior, como parte da Grande Alemanha”. (p.70)

Toda essa situação foi gerada pela própria estratégia de ocupação criada inicialmente pelos políticos que estavam a frente do Brasil, sendo posteriormente seguido o mesmo procedimento pelos governos provinciais. A idéia de deixar os imigrantes alemães em terras que tinham seus limites com as grandes fazendas, em lugares isolados dos grandes centros, sem muitos meios de comunicação, devido às grandes dificuldades impostas pelas distâncias, não representava, na visão das elites políticas e burguesia, nenhum tipo de perigo ou ameaça.

A própria falta de infra-estrutura, no caso de escolas e outros serviços que suprissem as necessidades básicas sociais, forneceram ferramentas para que esse cenário de não-integração tivesse se desenvolvido e ficasse ainda mais arraigado no peito dos imigrantes, como analisa Ricardo Seitenfus[9]: “Apesar de estabelecida há mais de um século, a colonização alemã é escassamente assimilada. Trata-se de um aparente paradoxo, pois poder-se-ia imaginar que o tempo fosse o importante elemento imigratório. Todavia é o espaço, ou seja, a localização do imigrado que determina sua assimilação”. (p.12)

A preocupação das elites brasileiras não fora somente que o imigrante efetivasse uma ocupação territorial, mas havia outras intenções, como a de melhorar a sociedade, estrategicamente pensada para que a população como um todo evoluísse, acreditava que seria possível desenvolver com melhor qualidade a economia e a cultura, como explicado por Dennison[10]:

     Inicialmente, a imigração alemã para o Brasil era considerada não apenas oportuna, mas extremamente necessária. Afinal, entendia-se que a vinda dos alemães ajudaria a “branquear” nossa população, erradicando-se, com o passar do tempo, a herança cultural e biológica de origem africana, indígena e lusitana, a qual era associada ao atraso cultural e ao subdesenvolvimento econômico. (p. 15)

A falta desse apoio básico propiciou um terreno, onde se desenvolveram instituições que incentivavam a prática da língua alemã e de costumes trazidos da própria Alemanha, como abordado pode Dennison[11]:

     Dessa forma, os colonos foram forçados a prover, com seus próprios recursos ou, em alguns casos, com auxílio financeiro de instituições alemãs, a oferta desses serviços. Assim, as instituições que se dedicavam a essas atividades reforçavam a tendência à endogenia da comunidade, na medida em que, tendo sido criadas por alemães para atender alemães, convertiam-se elas próprias em fatores de comunidade e reforço da germanidade (Deutschtum). (p. 17)

Todo esse conjunto de acontecimentos deflagrou um crescimento de estabelecimentos criados por alemães e para alemães, fazendo mais presente ainda a cultura e costumes germânicos, atingindo todas as idades e gerações que se faziam presentes no território brasileiro. De acordo com Dennison[12]: “No Rio Grande do Sul, por exemplo, elas passaram de 24 para 937 estabelecimentos de ensino. Em Santa Catarina não foi diferente. O caso de Blumenau é típico dessa tendência. Em 1928, das 200 escolas daquele município, nada menos de 132 eram alemãs”. (p.17-18). Não deixando de se mencionar aqui as outras instituições que serviam de meios de comunicação e de recreação.

Dessa forma, as comunidades utilizavam a língua alemã como língua principal, em jornais, nos cultos religiosos, dentro dos lares, fazendo uso do alemão para efetivar a comunicação deles dentro das comunidades. Todos, imigrados ou nascidos, já de segunda geração, se mantinham totalmente atrelados aos costumes e língua germânicos.

Como já analisado anteriormente, o principal fator que propicia esse desencadeamento, foi o abandono dessas famílias em lugares isolados pelas pessoas responsáveis pelos movimentos imigratórios, onde os alemães criaram mecanismos para educar suas gerações.

No ano de 1871 surge um novo fato que vai reforçar a idéia de isolamento das comunidades alemãs que se encontrassem morando em outras regiões fora da Alemanha, seja no Brasil ou qualquer outro lugar que existissem imigrantes germânicos, a criação do Império Alemão, como explica René[13]: “A idéia de não-integração, de segregação, de antipatriotismo e de anticidadania ganhou nova dimensão com a criação do império alemão em 1871 e do quadro internacional daí resultante”. (p. 15)

Essa nova situação trouxe consigo um novo fôlego aos imigrantes alemães, pois reascendeu o que nem havia se apagado, o sentimento de patriotismo pela terra que estava distante. A idéia de germanismo era passada de pai para filho, por isso atingiu todas as gerações.

A imagem criada de conservação da identidade alemã, mesmo em território estrangeiro, aguça ainda mais a idéia de isolamento e de uma “superioridade racial”, pois a imagem e características da sociedade alemã eram pontos positivos e a avaliação das demais etnias era o mais negativo possível, como abordado por Dennison[14]:

     …manutenção dos traços de origem ancestral alemã uma série de características positivas, como a eficiência, limpeza, produtividade, inteligência etc. Inversamente, imputavam aos habitantes de origem luso-brasileira características francamente negativas, as quais seriam racialmente determinadas, como preguiça, a sujeira, a doença etc. Sua principal referência negativa eram os caboclos, habitantes do litoral, que constituíam, aos seus olhos, uma raça que reputavam como portadora de características inatas que seriam antagônicas a tudo que se associavam ao modo de vida alemão, como o atraso, a ignorância, a pobreza etc. (p. 18)

Até mesmo nas uniões matrimoniais havia uma constante preocupação para que não houvesse uma mistura racial, uma miscigenação, para que se mantivesse a identidade alemã. Dessa forma, as características germânicas estariam preservadas, não havendo o risco de serem abandonadas ou desviadas, fortalecendo cada vez mais as ideologias partidas da Europa, mais propriamente dito da Alemanha. Situação essa que acabava sendo mais usual nas sociedades que moravam no interior, em áreas rurais, onde prevalecia o isolamento e a comunidade era composta somente por descendentes de alemães.

Essas práticas e formas de agir das sociedades alemãs que se encontravam morando no exterior fortaleciam a idéia de se manter isolada e inalteradamente sólida a germanidade. A Alemanha se utiliza dessas pessoas que moravam fora, para que elas divulguem a idéia da germanidade, na tentativa de manter essas sociedades interligadas com a pátria mãe, como analisado por René[15]: “A Alemanha não tinha colônias e ideólogos e estrategistas alemães pensaram no aproveitamento os “alemães no exterior” em beneficio da “pátria mãe”. (p.15)

Referencia Bibliográfica

 

*McCANN, Frank D. Aliança Brasil – Estados Unidos (1937-1945). Rio de Janeiro: Biblioteca do Exército Editora, 1995

*GERTZ, René. O perigo alemão. Porto Alegre: Editora da Universidade Federal do Rio Grande do Sul, 1991

* OLIVEIRA, Dennison de. Os soldados alemães de Vargas. Curitiba: Juruá, 2008

* SEYFERTH, Giralda. A colonização alemã no vale do Itajaí – Mirim. Porto Alegre: Movimento, 1985

* Italo Conti. Ex-combatente da Força Expedicionária Brasileira. Entrevista realizada no dia 12 de novembro de 2009 na cidade de Curitiba – PR.


[1]SEYFERTH, Giralda. A colonização alemã no vale do Itajaí – Mirim. Porto Alegre: Movimento, 1985. p.31

[2] OLIVEIRA, Dennison de. Os soldados alemães de Vargas. Curitiba: Juruá, 2008. p.13-14

[3]Italo Conti. Ex-combatente da Força Expedicionária Brasileira. Entrevista realizada no dia 12 de novembro de 2009 na cidade de Curitiba – PR. Natural da cidade de Mallet – PR, de origem italiana, participou como voluntário. Após a declaração de guerra do Brasil contra as nações do eixo, todos os oficiais receberam do ministro um telegrama, solicitando que compusessem o efetivo da FEB, o qual ele fez prontamente. Fez parte do efetivo do 1o Grupo de Artilharia em apoio ao 11o RI. Tinha a função de oficial de ligação, era capitão naquela oportunidade, tendo como seu superior o coronel Valdemar Levi Cardoso, comandante do 1o Grupo de Artilharia. Após passar para a Reserva, desempenhou funções como chefe de segurança do Estado do Paraná e foi também por algumas vezes foi deputado estadual. Conta atualmente com 94 anos.

[4]OLIVEIRA, Dennison de. Os soldados alemães de Vargas. Curitiba: Juruá, 2008. p. 14

[5] GERTZ, René. O perigo alemão. Porto Alegre: Editora da Universidade Federal do Rio Grande do Sul, 1991. p.13

[6] Idem, Ibidem.

[7]OLIVEIRA, Dennison de. Os soldados alemães de Vargas. Curitiba: Juruá, 2008. p.15

[8]McCANN, Frank D. Aliança Brasil – Estados Unidos (1937-1945). Rio de Janeiro: Biblioteca do Exército Editora, 1995. p.70

[9]SEITENFUS, Ricardo. O Brasil vai a Guerra: o processo do envolvimento brasileiro na Segunda Guerra Mundial. 3ª  ed. Barueri, SP: Mamole, 2003. p.12

[10]OLIVEIRA, Dennison de. Os soldados alemães de Vargas. Curitiba: Juruá, 2008. p.15

[11]Idem. p.17

[12] Idem. p.17-18

[13] GERTZ, René. O perigo alemão. Porto Alegre: Editora da Universidade Federal do Rio Grande do Sul, 1991. p.15

[14] OLIVEIRA, Dennison de. Os soldados alemães de Vargas. Curitiba: Juruá, 2008. p.18

[15] GERTZ, René. O perigo alemão. Porto Alegre: Editora da Universidade Federal do Rio Grande do Sul, 1991. p.15

A Vida dos Soviéticos nos Territórios Ocupados

Nenhuma pessoa sensata poderá negar que o século XX foi um século de provações para o povo soviético. Suas repúblicas satélites estiveram no centro dos grandes confrontos mundiais nos últimos cem anos e, além das condições normais de vida, já se apresentarem deveras duras, eles tinham que conviver com revoluções, revoltas, invasões e expulsões ano após ano. Ao final da Segunda Guerra se estabeleceu como o maior sacrifício já realizado por um povo em todos os tempos.

Por isso mesmo, resolvemos realizar uma publicação em homenagem a esse povo, sem retratar soldados como principal foco, mas expor o povo soviético durante a invasão alemã, para que o sacrifício de uma população sofrida tenha um rosto, e que possamos entender um pouco mais como as pessoas sobreviviam com um rigoroso inverno e, ao mesmo tempo, conseguiam conviver, ora com uma nação estrangeira ocupando seus campo ou com um regime totalitário ditando suas vidas.

 Uma pequena homenagem as nações soviéticas.

Aviso do Comando Alemão a uma Vila Ocupada

Tradução:

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Para restaurar a ordem e a segurança no território ocupado por autoridades militares alemãs,  ordenamos:
1) A população das aldeias é proibido ir para fora das áreas residenciais, sem a escolta de um soldado alemão.
2) A população está proibida de sair de suas residências do escuro até o amanhecer.
3) Cada cidadão de ambos os sexos devem se registrar nas listas no Comando local, a partir da idade de 12 anos de idade.
4) Cada cidadão registrado é obrigado a usar em seu peito uma prancha de madeira com seu número de inscrição e nome.
5) Armas de qualquer tipo, munições e explosivos devem ser entregues ao Comando local imediatamente.
6) Quem desobedecer essa ordem será preso e punido por um tribunal militar.

Comandante do exército alemão.

NAZISTAS NA AMAZÔNIA

A Amazônia esteve nos planos de Hitler como um território a ser conquistado pelo III Reich. 

Uma enorme cruz de madeira ostenta uma suástica nazista no cemitério de uma ilhota sem nome do Rio Jari, entre os estados do Amapá e Pará. É o que resta da expedição nazista que chegou a Belém em 1935 e durante dois anos explorou a geologia, fauna e flora da Amazônia.

Preparando a invasão

Um livro de 1938 achado recentemente num sebo em Berlim traz anotações precisas da expedição. Intitulado “Mistérios do Inferno da Mata Virgem”, o diário do geologista e piloto Otto Schulz-Kampfhenker revela que os quatro oficiais alemães teriam outros interesses que os científicos – buscavam os acessos e caminhos do Amapá até a Guiana Francesa, região estratégica a ser ocupada na guerra que se aproximava.

Os exploradores levaram 11 toneladas de suprimentos e munição para 5 mil tiros. Enviaram para a Alemanha as peles de 500 mamíferos diferentes, centenas de répteis e anfíbios e 1.500 objetos arqueológicos. Produziram 2.500 fotografias e 2.700 metros de filme 35mm que mostram índios, caboclos, animais, peles, cobras e outros espécimes exóticos do mundo tropical.

Eles também aproveitaram para testar um hidroavião com flutuadores de compensado de madeira, técnica inédita na época, e algumas armas e equipamentos não detalhados no livro.

“Papai grande”

A missão foi repleta de incidentes. O piloto errou duas vezes a rota de Arumanduba, de onde partiriam. Somente ao chegarem ao rio descobriram que era raso, encachoeirado e pedregoso, inviabilizando o uso da aeronave. O jeito foi seguir a pé e de barcos, com a contratação de caboclos para fazer o trabalho braçal.

Os alemães apreciaram o tipo indígena dos aparaís: “construído como um atleta olímpico (…) parecendo uma estátua de bronze modelada por um artista”. Fizeram amizade com eles apresentando-se como “filhos do Papai Grande da Ciência” e moraram na aldeia durante quase um ano, período em que Schulz teve uma filha com uma das nativas.

A uruca da sucuri

A expedição, porém, continuava azarada. Um dos alemães, Joseph Greiner, contraiu malária e morreu poucos dias depois. Foi enterrado ali mesmo, numa ilha do Rio Jari, onde está a cruz com a suástica. A expedição prosseguiu por mais um ano, até fevereiro de 1937, com ajuda de caboclos e índios. Malária, repetidos acidentes e apendicite atacaram os alemães. Otto quase perdeu a vida ao tentar subir as violentas corredeiras do rio.

Para os índios, os alemães estavam sendo castigados por terem matado uma sucuri de sete metros, animal sagrado cuja morte traz azar. A expedição terminou e os sobreviventes retornaram à Alemanha. Em seu diário, Otto anotou que concluíram a maioria das experiências técnicas “em prol de missões maiores no futuro”.

A Amazônia resiste

Os alemães sempre tiveram um interesse especial pela terra brasileira; Euclides da Cunha, em “Os Sertões”, mostrou como eles cartografaram detalhadamente a geologia e geografia nacionais havia muito tempo. Também é germânica a descoberta de que Goiás tem o solo mais antigo do planeta.

Além dos nazistas, os capitalistas tentaram a sorte na Amazônia e foram derrotados: em 1927, Henry Ford comprou cerca de um milhão de hectares na selva, junto ao rio Tapajós, e iniciou uma gigantesca plantação de borracha, a Fordlândia. O projeto durou 18 anos até ser tragado pela selva.

Em 1967, o homem mais rico dos EUA, Daniel K. Ludwig, também fracassou com sua fábrica de celulose flutuante denominada Projeto Jari. Mas estas histórias ficam para outro dia.

“”coletar espécies da fauna e da flora”, expediu um relatório dirigido a Himmler, o líder da SS em Berlim, o qual tacitamente afirmava: – “Aqui é oferecido um espaço suficiente para imigração e o estabelecimento dos povos nórdicos. Para a mais avançada raça, oferece infinitas possibilidades de exploração”.”
 
Fonte: http://www.serqueira.com.br/

Fotos do Bunker de Hitler

Os últimos momentos de Hitler:

Aspirante Mega – A Morte de um Herói Brasileiro

          Segue abaixo, texto enviado pelo Pesquisador Rigoberto Souza Júnior sobre a atuação e morte de umas das figuras lendárias do Exército Brasileiro e um Heróir Brasileiro de primeira grandeza.

           Passados alguns anos da Campanha da FEB na Europa, em suas considerações o Coronel Raul da Costa Mattos, se questionava da real necessidade de se levar Aspirantes para o Teatro de Operações da Itália, pois se por um lado há afoiteza e impetuosidade do jovem, falta-lhe bom senso dos homens maduros.  Quando o navio aportou em Nápoles, onde a crueza da guerra se mostrava com todas as suas cores, causando impacto no mais calejado militar, nos trazia a preocupação de pelo fato de não ter ido um contato mais próximo com os soldados, pois só na teoria estávamos preparados a comandar. O Aspirante, na carreira militar, vive a fase de transição, em que diante de casos práticos, só lhe vem à mente a teoria da difícil arte de comandar, e dentro desta ordem de ideias, o que dizer a um futuro Aspirante, para que lhe sirva numa contingência igual à vivida na 2ª Guerra Mundial.

  A cidade de Montese, que no consenso do IV Corpo, foi a posição mais duramente atingida e bombardeada pelos alemães desde Monte Casino,  foi o palco trágico da perda de uma vida preciosa: a o Aspirante Mega, carioca do Regimento Sampaio, sendo o único Aspirante a oficial tombado em combate, egresso da Escola Militar do Realengo, de onde havia saída há apenas três meses.

 O alemão se alojou numa posição, num último esforço de barrar a arrancada da 10ª Divisão de Montanha – linha de frente do IV Corpo, e que a FEB deveria cobrir, atacando aquela pequena cidade que se postava ao lado da Divisão Americana. Esta ação coube ao regimento Tiradentes, que por sua vez, era coberto ao Norte pelo Batalhão Syzeno do Regimento Sampaio, que participou daquela sanguinolenta batalha, por três longas jornadas, e devido ao pesado número de baixas, ficou conhecida pelos que lá combateram como a “cidade da torre sinistra”.

            O principal Herói desta Batalha foi o Aspirante Mega, que já fizera três lances vitoriosos por entre a fuzilaria, as minas e granadas, além do inferno imposto pela pesada artilharia do Exército Alemão. O ápice da luta se deu por volta das três da tarde de 14 de Abril de 1944, quando a cidade de Montese fumegava diante da artilharia da Força Expedicionária Brasileira, enquanto nossos infantes progrediam pelas encostas, repletas de casamatas, destruindo-as uma a uma.

            Impulsionados pelo vigor do Aspirante Mega, o seu Pelotão rompia os campos minados rumo à cota 778, seguido pelo Pelotão Amorim(que ainda não havia sido ferido), que os apoiava com seus fogos, por ordem do Capitão Vargas , comandante da Companhia. Em sua empreitada, o Aspirante Mega se defronta com uma casamata alemã, detém-se por alguns momentos, preparando sua bazuca e dispõe sue Pelotão para o assalto final. Neste momento um estilhaço de granada o acerta em cheio. Tomba, tenta erguer-se e tomba novamente. Seus homens vacilam diante do Chefe ferido,
e ele percebendo, antes que o assalto não se iniciasse e seus homens fossem trucidados pelos alemães, ele chama seu o Sargento Agenor, que se aproxima com os olhos marejados, encarando-o serenamente,  e ordena que assuma o comando, dizendo:

            “Por que estão parados diante de mim? A guerra é lá adiante, estou aqui por que quis, se vocês estão sentidos com o que aconteceu, se vinguem, acertando o Comandante deles. De nada valerá o meu sacrifício, se não conquistarem o objetivo. A minha vida nada vale. A minha morte nada significa diante do que vocês ainda tem por fazer. Prossigam na luta…”

            E apontando para o inimigo, o Aspirante Mega lançou seus bravos para frente, pedindo apenas um soldado para acompanhá-lo em suas orações. Ele morreu contemplando, heroico o último ataque que o Pelotão fazia sob seu comando.

 A  Associação Nacional dos Veteranos da FEB – Regional Pernambuco, tem orgulho de ter a efígie do Aspirante Mega, estampada em uma de suas medalhas, pois citando o Estadista e General Grego Péricles, do século V A.C. E grande artífice do apogeu da Grécia Antiga, berço da Arte Militar Ocidental.

 

            “Os que morrem por seu País o servem mais num só dia, do que os demais em todas as suas vidas”. 

Este post é dedicado a todos os amigos da  Associação dos Oficiais da Reserva do Recife –AORE e a todos que compõem o corpo do Centro de Preparação dos Oficiais da      Reserva –Recife.

 

Medalha Aspirante Mega - Associação Nacional dos Veteranos da Força Expedicionária Brasileira - Seccional Pernambuco

Fonte: Livro “Do terço Velho ao Sampaio da FEB”  –  Ten Cel Nelson Rodrigues de Carvalho – Bibliex – 1953

Livro: “A presença do Brasil na 2ª guerra Mundial” – Cel Raul Mattos Simões

Como Pilotar um Bombardeiro JU88 Alemão

ORIENTAÇÕES GERAIS A.

1. Geral

Ju 88 é “avião de um só homem” quando se fala sobre o voo, com um homem, o piloto, é capaz de usar e controlar o motor e os controles do voo durante os voos normais.

Somente durante voos de longa distância para o acionamento da bomba manual que tem que ser usado na transferência de bombeamento do lubrificante e, em casos especiais uma operação manual das válvulas de combustível e da bomba de transferência de bombeamento de combustível, tem a necessidade de outros dois homens (operador remoto ou metralhador).

Abaixo veremos valores de desempenho para o plano em questão que pode ser encontrada na respectiva ranhura na parte central superior do painel de instrumentos.

Máximo de valores admissíveis para os motores estão marcados nos indicadores e instrumentos com linha vermelha ou auto marcas.

Controles diferentes têm sinais e uma explicação visível.

2. Características de voo

O avião é estável em todos os eixos, e plenamente capaz de utilizar voo por instrumentos.

A força do leme e a sua eficácia são equilibradas e adequadas para (também monomotor) os estados do voo.

Quando o avião é puxado para um ângulo excessivo de ataque (ou com flaps de aterragem fechados ou totalmente abertos), o avião só vai mudar lateralmente o nariz para baixo. Se a velocidade é reduzida para o valor V de pouso, a mudança de altitude aproximada se manifestará com a vibração no elevador de pouso.

Taxa de aterrissagem com flaps de pouso abertos é

Aprox. 20 m/seg (Ju 88 A-1, A-5, em vez de 15 m/seg)

Taxa de descer com flaps de aterragem fechada, é

Aprox. 15 m/seg (Ju 88 A-1, A-5: 10-12 m/seg)

Eficácia do leme quando em ângulo excessivo de ataque, a uma velocidade de 180 km/h, é adequada. Voltas com flaps estendidos são totalmente possível.

Em voo girando apenas pequena deflexão de leme é necessária. Quantidade de bancos é determinada pelo uso do turno e instrumentos.

Ao ajustar o plano do elevador aparar um pouco a cauda pesada.

Diferença na atitude de voo, por outro lado, quando flaps de aterragem estão fechados e, quando as abas são para pouso acidentado, o elevador é colocada na posição correspondente (posições de pouso e de cruzeiro). Portanto, quando deslizar atenção especial dado no indicador de velocidade.

Acrobacias são proibidas (ver “Voos em plano inclinado”)

3. Sistema hidráulico

Configuração do sistema hidráulico é de tal forma que quando se usa vários dispositivos ao mesmo tempo, apenas um de cada vez poderá ser visualizado, ou seja, ligue um dispositivo que deverá ser consultado.

Usando o “trocar prioridade”, torna possível sempre dar prioridade à operação de material a ser monitorado.

Após cada operação de dispositivos hidráulicos o interruptor de operação tem que ser devolvido a 0 – a posição, ou seja, posição intermediária, não incluída no interruptor, só tem as posições “fechadas” (“Ein”) e “aberto” (“Aus”). Neste caso posição “fechado” (“Ein”) é igual a zero.

4. Carregando o plano

Antes de embarcar no avião é da responsabilidade do piloto assegurar que o carregamento do avião foi feito corretamente e de acordo com as instruções de carregamento.

Documento de descarga e descarga do avião de diferentes opções, estão localizados em um compartimento atrás do assento do operador remoto.

ATENÇÃO: Se os regulamentos não forem seguidas na íntegra, haverá grande probabilidade de quebra estrutural, devido à existência de alternância de cargas excessivas longe do centro de gravidade.

5. Tripulação

Tripulação é constituída por quatro homens:

1. Piloto do avião (Comandante do avião), na sede pilotos.

2. Bombardeiro (Co-piloto), em “A posição” (“A Stand-“).

3. Operador de comunicações, em “B-position”.

4. Operador de Metralhadora, em “C-position”

Tripulação do avião 88 Ju C-6 é composto por três homens:

1. Piloto do avião (Comandante do avião), na sede pilotos.

2. Bombardeiro (Co-piloto), em “posição de A-” ou “C-position”

3. Operador de comunicações, em “B-position”.

ROUPAS

Toda a tripulação estará vestindo macacões de verão leve com capuzes de voo de verão, com microfones para falar (EIV) do aparelho.

Paraquedas

Piloto e operador de comunicações: paraquedas para sentado. Bombardeiro: paraquedas nas costas.

6. Relatório de disponibilidade de voo

Chefe de equipe deve dar ao piloto do avião, um relatório de acordo com a “tabela de prontidão de Voo”, do avião em questão, com motores parados, estando pronto para as operações de voo, (ver parte I “relatório de prontidão de Voo”). Piloto usa controles “in loco” para verificar se o relatório está correto. Se não houver um mecânico treinado responsável ​​presente, o piloto pode realizar a disponibilidade de voo.

PREPARATIVOS PARA VOO B.

1. Entrada

Tripulação entra no avião quando os motores não estão funcionando.

Parte do terminal teleférico é aberto (posição C) com uma chave de entrada, usando a escada. Ao entrar no avião usando apenas as alças e pontos de apoio para o efeito são permitidos.

A atenção para não alterar nenhum dos interruptores, alavancas ou alças de ajuste que são empurrados ou deslocados pelo uniforme quando entrar. E, assim, mudar para posições indesejadas.

A gôndola da arma é fortemente fixada para cima e reforçada com cordas: a alavanca de bloqueio no interior é virada à direita até a marca vermelha.

2. Reverificação da posição dos controles de voo e do avião

O piloto do avião verifica os fusíveis automáticos na posição do momento do embarque.

Há 11 interruptores de fusível (não contando o “circuito externo” (“Aussenbord”) e também dois switches “VS automático do motor esquerdo” (“VS Automatik  – ligações Antrieb”) e “VS automática do motor direito” (“VS Automatik rechts Antrieb” ) estão ligados e se ele vai realizar um voo de altitude de 4 válvulas da garrafa  de oxigênio na parede lateral esquerda com as gôndolas abertas.

Todos os outros e switches podem ser ligados se necessário, a caixa de fusíveis no lado esquerdo do piloto ou do equipamento de rádio.

Interruptor auxiliar hidráulico para uso de emergência do trem de pouso, portas do compartimento de material rodante, quebras de mergulho e flaps de aterragem devem estar nas posições 3 e 5.

Piloto aperta o cinto de segurança.

A alavanca que aciona a Bowden-line para ajustar o cinturão de volta está localizado a frente dos assentos.

O assento é ajustada de acordo com o tamanho do corpo para a melhor posição possível, ou seja, para uma posição com a melhor visibilidade e melhor funcionamento possível do leme e todas as alavancas (alavanca no lado esquerdo inferior do assento é pressionado fora ao ajustar a longitude distância do assento, e alavanca do lado direito do assento é pressionado de fora quando ajustar a altura do assento.

ATENÇÃO:. Quando ajustar o banco não se deve ter cuidado para não empurrar a bomba acidentalmente na alavanca jettison)

Pedais do leme lateral, direito e esquerdo, são definidos como altura igual (switch em frente à bomba de pé é levantado). Girando o corpo, deve ser possível chegar a colina de deflexão do leme e também deve ser possível para frear ao mesmo tempo, também é preciso, quando o leme centrado, ser possível chegar a deflexão da direção adequada com o jugo de direção.

Todos os movimentos de controle devem acontecer sem obstáculos e deflexão do leme deve coincidir com o movimento do pedal.

Precisão do altímetro é definido para indicar zero no campo (QFE).

Indicadores compensador de posição (no painel esquerdo) são na marcação do meio (será definido como marcas vermelhas apenas antes de mergulhar).

3. Taxiando para decolar

Flaps radiador estão completamente abertas.

ATENÇÃO: o tempo normal que leva a partir da posição “fechado” (“Zu”) para a posição “aberto” (“Auf”) e no sentido inverso é de aprox. 8 seg. O maior tempo de operação permitida para o motor 15 seg. Operador de metralhadora fica sentado no banco removível da frente para a direção de voo. Deitar na gôndola é proibido. Escotilha de entrada tem de ser fechada durante todo o taxiamento (caso contrário gôndola poderá ficar emperrada com a areia). O deslocamento é realizada, se possível, usando os motores e o leme. Durante o deslocamento é verificada que as rodas podem girar livremente e os freios funcionam de forma independente.

Freios têm de ser poupado: travagem tem de ser interrompida de vez em quando (excessivo superaquecimento).

Quando elevador de taxiamento é mantido na posição central (não refrigerado) para reduzir a reação da cauda. Se avião foi iniciado com o método começar a co Id, a temperatura do óleo do motor, quando taxiando ou com maior duração em marcha lenta não deve exceder mais de 30Y Em casos excepcionais, pode atingir a 70KC (no inverno) ou 851 C (no verão tempo – meia diluído lubrificante). Se a temperatura ultrapassar 701C ou 851C, o taxiamento tem que ser, se possível, abortado, até que a temperatura diminui.

C. VOO

1. Decolagem

ATENÇÃO: A hélice VS-11 que é instalado no avião tem um gerenciado de passo, que irá manter o RPM constante.

ATENÇÃO: A pressão do coletor vai subir muito rapidamente quando a velocidade da borboleta aumentar.

Roda de cauda é auto-centrada. Nenhum bloqueio.

Pivô de aquecimento do tubo é ligado, se o ar estiver muito úmido e a temperatura estiver abaixo de 01C (alternar para a esquerda do piloto).

Bomba de combustível seletor (FBH) alavancas estão em posição “PI + P2”. A válvula de interruptor da bateria está na posição II.

Ambas as bombas de alimentação “Tanque esquerdo” (“Kraftstoff links”) e “direito” (“Kraftstoff rechts”) estão envolvidos.

Flaps de pouso estão na posição de decolagem (251) (alavanca na posição central, com o indicador de utilização e lâmpadas amarelas por diante, com nove lâmpadas indicadoras).

Elevador e leme deve ter movimento irrestrito.

Direção de direção automática não é ligado.

RPM chave seletora está no limitador “RPM aumenta” (“Drehzahl mais grosseiros”).

Enricher switch “Normal”. Acelerador é empurrado para a frente até que o limitador “Inicie”

Um poder min

nmax = 26 00 20 / 0,50 RPM

pmax = 1,40 + /. 0,03 ATA

RPM excessiva é nivelar girando a chave seletora para RPM direção “diminui RPM” (“Drehzahl kleiner”). Tal evento tem de ser comunicada ao chefe de equipe imediatamente após o desembarque.

O avião é empurrado de forma suave e lentamente para atitude nível e, em seguida, até que o indicador de velocidade seja mais lenta e mostre a velocidade necessária para a carga atual.

Só depois é lentamente levanta voo.

A distância de rolamentos necessários para a decolagem, quando o efeito do vento cruzado não é levado em consideração, é para diferentes pesos de decolagem

Durante o dia com o avião sobrecarregado só é permitido a partir de aeródromo tona concreto, até 13,75 tons de um aeródromo preparados ou difícil, mesmo aeródromo com superfícies de grama.

Take-off durante a noite só é permitido com 13 toneladas de peso.

“Eu Vi Morrer o Sargento Wolf ” – Relato de Joel Silveira

 Vamos publicar uma série de informações sobre a atuação do Sargento Max Wolf Júnior na Itália, com uma análise sobre o ícone em que se transformou o Sargento herói, que tem sido colocado na galeria dos grandes soldados brasileiros.

Relato de Joel Siveira:

Vi perfeitamente quando a rajada de metralhadora rasgou o peito do Sargento Max Wolf Júnior. Instintivamente ele juntou as mãos sobre o ventre e caiu de bruços. Não se mexeu mais. O tenente que estava do meu lado no posto de observação apertou os dentes com força, mas não disse uma palavra. Quando lhe perguntei se o homem que havia tombado era o Sargento Wolf, ele balançou a cabeça afirmativamente.

Menos de uma hora antes eu estivera conversando com o sargento. Creio que foi a mim que ele fez suas últimas confidências. Falou-me de sua filha, uma menina de 10 anos de idade. Disse-me que era viúvo e deu-me notícias de que a promoção a segundo-tenente, por ato de bravura, não tardaria a chegar. E como eu estava colhendo mensagens de homens do seu “Pelotão de Choque”, já formados para a patrulha de minutos depois, o Sargento Max Wolf pediu-me que também enviasse sua carta. Estão comigo as poucas linhas que sua letra delicada e carta escreveu no meu caderno de notas:

“Aos parentes e amigos. Estou bem. À minha querida filhinha – Papai vai bem e voltará em breve.”

Tenho ainda nos ouvidos, muito vivas, as últimas palavras que escutei do sargento. Um dos soldados pedira uma faca, e ele respondeu, sorrindo:

 – Voi non bisogna faca – Tedesco não é frango.

O sargento saiu com seus homens pela sebes e ravinas da direita e nós seguimos para as montanhas ao Norte, defronte ao ponto que a patrulha deveria atingir. Vimos quando os homes apontaram na “terra de ninguém” e seguiram cautelosos pela estrada deserta. O sargento havia transformado seus pentes de munição num colar que o sol incendiava. Levava o capacete de aço debaixo do braço e a pequena Thompson apontada para a frente. Nossa Artilharia, à esquerda, cessara de atirar e agora o silêncio era total. O tenente me disse:

 – Não é possível que os alemães estejam ali.

O primeiro objetivo da patrulha eram as três casas, a menos de um quilômetro de nós, e que os homens do Sargento Wolf atingiram às duas horas da tarde. O grupo cercou os três edifícios em ruínas e o sargento empurrou com o pé a porta de um deles. Vimos quando ele empurrou com o pé a porta de um deles. Vimos quando ele entrou e fez um sinal para seus homens: novamente as duas fileiras espaçadas voltaram a caminhar pelos campos proibidos. Fazia um sol muito claro e alguma coisa – uma vidraça partida ou um esqueleto de munição – cintilava forte no casario de Montese.

Às duas horas e meia da tarde, a patrulha estava a menos de cem metros do último objetivo a ser atingido: um novo grupo de casas sobre uma lombada macia. O Sargento Wolf deu os últimos passos à frente. Então uma gargalhada curta e nervosa rasgou o silêncio do vale e o sargento caiu de bruços sobre a grama. Os outros homens se agacharam, rápidos, e o alemães começaram a atirar, bloqueando nossos homens com uma chuva de granadas de mãe e rajadas de metralhadoras. Sacudiram depois para o ar foguetes luminosos, pedindo fogo de suas baterias, e minutos depois os projetos de artilharia nazista assoviavam sobre nós e iam explodir no caminho percorrido pela patrulha. O tenente indicou posições aos nossos morteiros e durante mais de uma hora o duelo continuou, um diálogo de fogo. Nossos morteiros rebentaram dois quilômetros e meio além, onde possivelmente estariam localizadas as baterias nazistas, e os obuses alemães explodiam perto, no chão onde nossos homens continuavam agachados ou nas fraldas do morro onde estávamos com o posto de observação. De vez em quando, uma rajada de metralhadora cortava o ar, como um vento mau, e ia inquietar os galhos das árvores próximas. Foi um desses “Leques” que raspou nossas cabeças e nos jogou para dentro do buraco, onde ficamos por uma hora. Levantamos de vez em quando até o parapeito da trincheira, mas os morteiros só nos davam folgas de segundos: escutávamos seu assovio a distância e voltávamos a nos espremer no foxhole antes de a explosão sacudisse a terra.

Quando a noite caiu, conseguimos, rastejando, deixar as posições batidas e alcançar as trincheiras de retaguarda. Chegamos ao PC do Batalhão perto das dezenove horas. Minutos depois, voltaram também os homens da patrulha do Sargento Max Wolf Júnior. Mas ele ficara lá. Quando nossos padioleiros foram à “terra de ninguém” recolher os corpos e os feridos, os nazistas os recebiam com rajadas impiedosas.

Muitos dos que voltaram tinham os olhos rasos de água. Uma deles era o Segundo-Sargento Nilton José Facion, de São José Del-rei, em Minas, que me contou a história:

 – Eu estava a trinta metros de Wolf quando ele foi atingido. O soldado Alfredo Estevão da Silva, que ia na frente, virou-se para mim e disse: “Parece que Wolf está morto. Vou puxar o corpo para cá”. Respondi que ia atrás dele. Mas uma rajada matou também o pracinha Estavão antes que ele pudesse fazer qualquer coisa. Chegou a minha vez e consegui arrastar o corpo do sargento uns trinta metros. Depois veio a chuva de morteiros e não pude fazer mais nada.

O Sargento Alfeu de Paula Oliveira (ele também enxugava os olhos úmidos com a manga da blusa) me levou depois ao estreito compartimento onde Wolf tinhas suas coisas: ali estava a condecoração que o General Truscott colocara no peito, poucos dias antes; a citação elogiosa do General Mascarenhas; o retrato da filhinha, de olhos vivos e brilhantes como os do seu pai. Tudo agora muito desgarrado. “Este foi um dia triste para nosso Batalhão”, me disse o Major Manuel Rodrigues Carvalho Lisboa. “Nós Perdemos um BRAVO!!”

Fonte: Fatos e Homens da Segunda Guerra – Caio de Freitas, Joel Siveira, Mário Martins, R Magalhães Júnior e Zevi Ghivelder – editora Bloch

Sargento Wolf na sua última patrulha.

Dossiê Generais da Segunda Guerra – Erwin Rommel – Final

Entre julho e outubro 1944, Rommel em grande parte permaneceu inativo, se recuperando de ferimentos na cabeça sofridos quando seu carro foi atacado por aviões aliados em 17 de julho de 1944. Escreveu vários trabalhos durante esse tempo, um dos que discutiram sua visão para o modelo oficial do Exército alemão moderno:

O líder tático do futuro é quem vai decidir a batalha – para a ênfase principal de batalhas futuras serão sobre a destruição tática do poder do inimigo na luta – vai precisar não apenas ter uma ordem mental elevada, mas também grande força de caráter. Devido à grande variedade de possibilidades táticas que oferece motorização que será, no futuro, ser impossível fazer mais do que uma previsão aproximada do curso de uma batalha. Assim sendo, a questão será decidida pela flexibilidade de espírito, a aceitação de responsabilidades, misturada de cautela e audácia, e maior controle sobre as tropas de combate.

Em outubro 1944, enquanto em casa, Rommel recebeu um telefonema do marechal Wilhelm Keitel em Berlim, pedindo-lhe para informar pessoalmente a respeito de sua próxima missão. Rommel não tinha certeza se ele iria de fato a receber um novo comando, possivelmente, na frente oriental, ou se ele estava destinado a ser entregue à Gestapo, mesmo se Keitel não tivesse nenhuma agenda secreta, viajando para Berlim podendo ser uma viagem só de ida, entregando-se a agentes nazistas que podem suspeitar que ele esteja envolvido no complô. Recusando-se a ir a Berlim, usando sua condição de saúde como uma desculpa, Keitel concordou que ele iria enviar generais Wilhelm Burgdorf e Maisel Ernst para a casa de Rommel no sul da Alemanha, com detalhes de sua próxima missão. Rommel sabia-los como funcionários do departamento de pessoal, e pensou que talvez eles realmente traziam notícias de uma nova posição ao invés de questões relativas à tentativa de assassinato.

Burgdorf e Maisel chegaram à casa de Rommel em 14 de outubro de 1944, e Rommel convido-os para seu escritório. Neste dia, Rommel decidiu usar seu uniforme da Afrika Corps. Burgdorf, que fez mais do que falar como Maisel atuou principalmente como uma unicamente como testemunha, revelou o que Rommel tinha temido: Rommel tinha sido implicado na conspiração de julho, e foi dada uma escolha para enfrentar o Tribunal do Povo ou cometer suicídio. Burgdorf prometeu que, se ele escolher o último, ele receberia um funeral de estado as condecorações de um herói, enquanto sua esposa Lucy e o filho Manfred seriam protegidos. Sabendo que tinha pouca chance de sucesso com o Tribunal Popular, e sabendo que os familiares também iriam ser condenados pelo Tribunal Popular, ele realmente só tinha uma escolha. Maisel, Burgdorf secretamente portavam uma cápsula de cianeto para Rommel, prometendo que iria matá-lo dentro de segundos, poupando-o de sofrimento desnecessário.

Já ciente de sua decisão, Rommel saiu do escritório e subiu para ver a sua mulher, dizendo-lhe sua decisão de tirar sua própria vida. Poucos minutos depois, Rommel revelou o plano para seu filho Manfred, que inicialmente sugeriu que eles poderiam atirar em Burgdorf, Maisel, e seu motorista Heinrich Doose e depois fugirem, mas Rommel não queria nada disso, citando que a casa estava cercada e que a morte desses homens só pioram as coisas. Com seu bastão de marechal de campo debaixo do braço e seu filho Manfred ao lado dele, ele saiu para o jardim e cooperativamente entrou no banco de trás do carro. Manfred Rommel lembrou que seu pai nunca olhou para trás quando o carro partiu. Rommel foi conduzido a alguns quilômetros em uma estrada lateral. Quando o carro parou, Burgdorf e Maisel mandaram o motorista Doose sair, e Rommel sabia que era hora de morder a cápsula de cianeto. Burgdorf acenou Maisel e Doose para voltar cerca de cinco minutos depois. Doose reparou que boné Rommel tinha caído; chorando, ele o pegou e colocou na cabeça do marechal de campo. Lucy foi informado da morte cerca de dez minutos depois.

O corpo de Rommel foi levado a um hospital próximo para um médico testificar a hora da morte. O médico imediatamente soube que a causa da morte foi natural, e recomendou uma autópsia, uma sugestão que foi rejeitada pelo Burgdorf. O governo alemão anunciou a morte de Rommel como causada por aneurisma no cérebro. A correspondência pessoal de Keitel a sua esposa datada de 24 de outubro de 1944 observou que “Rommel morreu depois de todas as lesões do crânio múltiplas que recebeu em uma viagem de carro, através de um coágulo de sangue.” Só mais tarde em suas memórias Keitel escrito em 1945 admitiu em conhecer a verdade sobre a morte de Rommel. Keitel explicou que foram dadas ordens para evitar que Rommel atirasse em si mesmo, em vez disso, o veneno foi usado para que a causa da morte pudesse ser atribuída a ferimentos sofridos em um acidente. Rommel foi enterrado como um herói nacional, recebendo um funeral de Estado com honras militares. Lucy recebeu pensão integral de um marechal de campo.

Autor do Artigo: C. Peter Chen

Batalha Naval – O momento do Ataque

 Potências lutaram pelo domínio dos mares durante a Segunda Guerra e diferentemente dos combates em terra, no caso, muitos vencedores dos combates socorriam os derrotados, ou em outros casos, deixava-os a sorte de uma morte certa em alto mar. Segue alguns exemplos desses últimos momentos

Galeria “AAA” – Aviões Alemães e Americanos

Uma galeria para apreciar as aeronaves que lutaram em todos os fronts da Segunda Guerra:

 

Detalhes Históricos – Rendição da 148ª Divisão Alemã a FEB

 Com os créditos para o Pesquisador Rigoberto Souza Júnior.

            No final do mês de Abril de 1945 o mundo já antevia a derrota das forças do Eixo, muitas de suas tropas já não combatiam, embora vários de seus comandantes se recusassem a se render aos aliados. A 1ª Divisão de Infantaria Expedicionária em face desta situação, estendeu suas tropas ao longos de 70 km, vigiando todos os pontos por onde os alemães tentassem passar rumo ao Norte da Itália, não com o intuito de barrar esta fuga, já que esta barreira não oferecia muita resistência devido ao seu comprimento, mas serviria como rede de alarme, pois qualquer ponto que fosse atacado seria prontamente socorrido pelas tropas que estavam prontas para se locomover rapidamente.

            Informações passadas pelo IV Corpo do Exército Americano, informavam a presença de cerca de 2 mil homens e 40 blindados na região de Fornovo e era imprescindível evitar que eles atravessassem esta linha. O Coronel Nelson de Melo então, dispôs duas baterias de Artilharia , uma Companhia de Engenharia e uma Companhia de Tanques nesta posição atuando sobre Fornovo, nas direções de Montecchio-Gaiano(I/6º RI), San Michelle-Respiccio(II/6ºRI), Bosconcello-Felegara(III/6ºRI), e tendo o lado oeste protegido pelo Esquadrão de Reconhecimento, enviou mensagem ao inimigo que se rendesse, mesmo após terem tentado por 2 vezes romper a barreira, procurando alcançar o vale do Rio Taro.

            Sabendo da precária condição do inimigo e não querendo derramar sangue inutilmente, seguindo a nossa tradição  militar, o Comandante Brasileiro enviou através do Vigário italiano Dom Alessandro Cavalli, a seguinte intimação, a qual transcrevo:

            “Ao comando da tropa sediada na região de Fornovo-Respiccio: Para poupar sacrifícios inúteis de vida, intimo-vos a render-vos incondicionalmente ao comando das tropas regulares do Exército Brasileiro, que estão prontas para vos atacar. Estais completamente cercado e impossibilitado de qualquer retirada. Quem vos intima é o comando da vanguarda da Divisão Brasileira,  que vos cerca. Aguardo dentro do prazo de duas horas a resposta do presente ultimatum  – Nelson de Mello, Coronel.”

            Cerca de duas horas depois, o solícito Vigário de Neviano di Rossi retornou com a seguinte reposta:

            “Sr. Coronel Nelson de Mello.

            Depois de receber instrução do comando Superior competente, seguirá resposta”.

                                                                                                          Major Kuhn.

            Por volta das 13 horas a FEB iniciou o ataque, tendo em vista que não obtiveram resposta por parte dos alemães, os quais renderam um saldo de 5 mortos e 50 feridos em nossa tropa, e que perdurou por todo a tarde e início da noite, quando por volta das 21 horas a tropa alemã tentou uma última investida, rechaçada por completo. Mais ou menos às 22 horas o Major Kuhn – Chefe do Estado-maior da 148ª Divisão Alemã, acompanhado por dois oficiais alemães cruzou as linhas brasileiras para falar com nossos chefes.

            O Major Kuhn, segundo a descrição de oficiais que estavam presentes no local, era um homem magro de estatura mediana, com olhos azuis e face encovada pelo longo tempo de batalha, que pertencia ao Exército regular alemão, e mostrou-se satisfeito ao saber que os brasileiros também pertenciam ao Exército regular brasileiro. Ele comunicou que havia sido autorizado pelo General Otto Fretter Pico a negociar a rendição da Divisão Alemã e remanescentes da Divisão Bersaglieri Itália e da 90ª Panzer Granadier, e informou  possuir 800 feridos e aproximadamente 16 mil homens( e entre estes haviam inúmeros membros do famoso “Afrika Korp”), 4 mil animais e 2,5 mil viaturas, as quais 1 mil motorizadas e sem combustível. Admirado com o tamanho da tropa que ora se entregava, o Coronel Nelson de Mello foi ao Quartel General em Montecchio informar ao General Mascarenhas de Morais este fato e solicitou-o que retornasse a Colecchio com mais 2 oficiais, e que a rendição deveria ser incondicional, o que foi aceito. Então, os parlamentares alemães retornaram por volta das seis da manhã, sem antes informar que foi solicitado idêntico tratamento para os Generais Fretter Pico e Mário Carloni( tropas as quais desertaram quase totalmente, permanecendo apenas aqueles cujo sentimento de dever militar era a toda prova, ou aqueles que temiam uma sanguinária vingança por parte dos seus patrícios).

            Os Generais Fretter Pico e Mário Carloni foram escoltados até Florença pelos Generais Falconiére e Zenóbio, respectivamente, e as manobras da Rendição foram conduzidas pelo Coronel Floriano de Lima Brayner, Chefe do Estado-maior da FEB na noite do dia 28 para 29 de Abril de 1945, por determinação do General Mascarenhas de Morais. O Coronel Lima Brayner comandou toda a área da rendição recebendo os 14.479 prisioneiros alemães, enquanto o General Olympio Falconiére, que comandava os órgãos da retaguarda com  PC na cidade de Montecatini, foi designado para acompanhar o General Fretter Pico à cidade de  Florença e o General Zenóbio foi designado para escoltar o General Mário Carloni, que foi o primeiro a se render sendo seguido pelo general alemão, esclarecendo que a rendição foi assinada na cidade de Gaiano, e não na cidade de Fornovo.

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Dossiê Generais da Segunda Guerra – George Smith Patton Jr. – Parte I

George Smith Patton Jr. nasceu em San Gabriel, Califórnia, Estados Unidos, para os ricos George Smith Patton e Ruth Wilson, embora ele era o terceiro George Smith Patton, ele recebeu o sufixo de juniores como se ele fosse o segundo. De sua linhagem paterna, seu avô era brigadeiro-general George Smith Patton dos Estados Confederados da América, seu pai era um advogado e político que se formou a partir do Virginia Military Institute, na Virgínia, Estados Unidos, em 1877, e três de seus tios também foram policiais militares; do lado de sua mãe, ele descende de vários empresários com diferentes graus de sucesso. Patton, que se preocupava muito com negócios, escolheu seguir os passos dos comandantes militares. Parte da influência também veio de John Singleton Mosby, um ex-oficial da cavalaria confederada, que era um amigo da família. Embora ele comumente acreditasse sofrer de dislexia não diagnosticada, ele amava a leitura, particularmente história militar. Seu amor pela leitura foi algo cultivado por seus pais. Ele participou Instituto Militar da Virgínia por um ano, e depois através de conexões de seu pai conseguiu uma transferência para o United States Military Academy em West Point, New York. Ele era um atleta talentoso e praticava esportes e se saia bem em esgrima e hipismo. Academicamente, ele teve um bom desempenho em todas as disciplinas, exceto para a matemática. Na verdade, ele teve que repetir o primeiro ano em West Point, pois seu grau de matemática foi insatisfatório; um homem orgulhoso, completou a na sua segunda tentativa do seu primeiro ano com honras. Ele se formou em West Point em 1909. Inicialmente, ele debateu se ele se uniria a infantaria ou a cavalaria na promoção ao oficialato, o primeiro era o núcleo do Exército dos Estados Unidos, enquanto o segundo tendia a ser considerado um ramo de elite. Ele escolheu a segunda opção.

 Patton se casou Beatrice Ayer Banning em 26 de maio de 1910, ela era filha de um comerciante muito rico da do ramo têxtil; o casal viria a ter três filhos, Beatrice, Ruth Ellen, e George III.

 Patton competiu nos Jogos Olímpicos de Verão de 1912 em Estocolmo, Suécia, competindo no pentatlo moderno, terminando em quinto lugar geral (7º de 37 nos 300 metros nado livre, 4º de 29 em esgrima, hipismo, em 6º de cross-country, 3º de 15 em 4 km correndo cross crountry, e 20º dos 32 no tiro de pistola), ele acreditava que deveria ter recebido uma posição melhor no evento de disparo de pistola, havia afirmado que pelo menos um dos seus tiros passaram pelo mesmo buraco de um concorrente anterior, mas não apresentou qualquer queixa com as decisões dos juízes. Também fez da equipe americana de Pentatlo Moderno dos Jogos Olímpicos de 1916, mas os jogos foram cancelados devido a 1ª Guerra Mundial.

 Para o restante de 1912, Patton estudou esgrima com especialistas em Dresden, Berlim e Nuremberg, na Alemanha, e então ele estudou com Adjunto M. Clery, que foi considerado o melhor espadachim na Europa, em Saumur, na França, na Escola de Cavalaria do Exército francês. Seu relatório dessa experiência foi publicado em 1913 na edição do Jornal de Cavalaria, uma publicação militar americana. No verão de 1913, ele retornou à Saumur para uma segunda sessão com Clery, e ao retornar foi nomeado como o mais jovem mestre do Exército dos EUA da Espada, sendo o instrutor de esgrima em Fort Riley, Kansas, Estados Unidos. No mesmo ano, o Departamento de Material Bélico do Exército dos EUA começou a produzir o modelo Sabre Cavalaria 1913 projetado por Patton, que foi apelidado de Sabre Patton, o projeto foi feito para empurrar, diferente do sabre padrão anterior que foi utilizado para cortar. Em 1914, ele publicou o manual de Exercício com Sabre.

Durante a Expedição do México de 1916 a 1917, as forças americanas cruzaram a fronteira com o México depois que as forças paramilitares do México do insurgente Francisco “Pancho” Villa invadiram cidades nos Estados Unidos. Temendo que sua unidade não seria enviada ao México, portanto, e temendo a possibilidade de não participar da campanha que se aproximava, Patton procurou John Pershing, que fez dele seu assessor. Durante a expedição, enquanto servia como ajudante de ordens atacou um pequeno grupo de rebeldes mexicanos, matando vários líderes, incluindo Julio Cardenas. Depois de amarrar alguns dos mortos no capô dos carros como se fossem troféus, ele comandou uma pequena coluna de veículos e combateu os insurgentes mesmo com um número reduzido de blindados. Esta ação foi considerada como o primeiro ataque de veículos blindados americanos. O público soube da Patton pela primeira vez depois desse ataque, sendo destaque em vários jornais de grande circulação do país.

 Durante este tempo, a irmã Anne Patton se envolveu com Pershing, o que agradou Patton. Em uma carta de Patton para sua esposa, ele observou que Anne pode em breve superá-lo. Para sua decepção, no entanto, nunca se materializou um casamento. A relação de trabalho e amizade entre Pershing e Patton, no entanto, manteve-se próximo.

 No início da entrada americana na 1ª Guerra Mundial, Patton promovido ao posto de capitão. Quando Patton pediu um comando liderando as tropas na frente, Pershing o designou para o recém-formado corpo de tanques. Neste papel, ele inicialmente observado ações das unidades de tanques franceses para aprender sobre estas novas armas. Em 23 de março de 1918, ele recebeu seus primeiros dez tanques na Escola Central de Tanques Langres, França. Em agosto 1918, ele se tornou o comandante da 1ª Brigada Provisória de Tanques dos EUA (re-designado a Brigada de Tanques 304 em 06 de novembro). Com essa unidade, participou na batalha de Saint-Mihiel e na Ofensiva Meuse-Argonne. Em 26 de setembro de 1918, ele foi ferido na perna esquerda, enquanto levando seis soldados em um tanque contra posições inimigas, perto Cheppy, França, a guerra terminaria enquanto ele se recuperava dessa lesão. Ele foi condecorado com a Cruz de Serviços Distintos, a Medalha de Serviços Distintos, e a medalha Purple Heart por seu serviço WW1.

Autor do Artigo: C. Peter Chen

Os alemães e o Brasil – A Imigração Alemã

A partir de hoje estaremos publicando uma série de artigos do Mestre em História Alessandro dos Santos Rosa.

 O Mestre Alessandro Santos é natural da cidade de Carazinho no Rio Grande do Sul. Graduado em História em 2002 pela Universidade Católica Dom Bosco, UCDB, Campo Grande-MS, realizou especialização na Universidade Paranaense, UNIPAR, Umuarama-PR. Na Universidade Federal do Paraná realizou Mestrado, defendendo a seguinte tese: A REINTEGRAÇÃO SOCIAL DOS EX-COMBATENTES DA FORÇA EXPEDICIONÁRIA BRASILEIRA (1946-1988). Com uma brilhante abordagem acadêmica sobre um tema tão pouco explorado dentro de nossas universidades, Alessandro conseguiu produzir um retrato fidedigno das dificuldades que todos os pracinhas enfrentaram ao se depararem com a pouca receptividade do país até a promulgação da Constituição de 1988.

Alessandro também é um palestrante e colaborador da Associação Nacional dos Veteranos da Força Expedicionária Brasileira – Seccional Pernambuco – (ANVFEB-PE).

São exemplos como o do Mestre Alessandro Santos que projetam luz sobre a escura ignorância histórica, para que as próximas gerações possam conceber os aprendizados do passado, e honrar os sacrifícios realizados por pessoas que não perderam a vida nos campos de batalha, mas quase perderam a dignidade pelo esquecimento governamental.

Os alemães e o Brasil

A Imigração Alemã

No início do século XIX, a sociedade européia passava por evoluções no campo econômico, havendo um grande impulso na industrialização, fato esse que exigiu mão-de-obra especializada. Como reflexo, ocasionou a ruína de muitos artesãos e trabalhadores que desenvolviam atividades em pequenas indústrias domésticas dentro da Alemanha.

Impossibilitados de desenvolverem suas atividades, esses trabalhadores livres começaram a formar um grande contingente de mão-de-obra (barata) assalariada para a indústria que hora vinha surgindo dentro no país germânico.

Como conseqüência do surgimento dos novos maquinários, da mecanização no campo, houve um aumento na produção, mas, em contrapartida, houve a diminuição da necessidade de mão-de-obra, causando o desemprego de inúmeras das pessoas que viviam da agricultura.

A Alemanha passava por um momento de desintegração dos resquícios da estrutura feudal, ocasionando desemprego no campo e migração para os grandes centros, aumentando as estatísticas de proletariados.

Grande parte destes agricultores expulsos do campo na Alemanha veio para o Brasil, em um movimento imigratório ocorrido entre os séculos XIX e XX. Os mesmos dirigiram-se principalmente para o sul do país, devido as condições climáticas assemelharem-se às da terra natal, qual seja, a Alemanha. As causas deste processo podem ser encontradas nos freqüentes problemas sociais que ocorriam na Europa, como analisado anteriormente, e a fartura de terras no Brasil, aguardando uma ocupação.

Aqueles que saíram da Alemanha e imigravam para o Brasil, de uma forma geral eram os que haviam sido prejudicados pelas evoluções industriais que ocorreram na Europa. Eram trabalhadores que haviam perdido suas terras, mas também indivíduos insatisfeitos com o cenário alemão, ex-artesãos e empreendedores. Eram pessoas que perderam tudo e estavam passando por grandes dificuldades.

O governo germânico criava incentivos para que os alemães se estabelecessem em outras terras, em algumas situações até contratava administradores e profissionais liberais para formação de colônias. Com o surgimento da máquina a vapor e a evolução dos meios de transportes marítimos, houve também uma maior procura pela imigração, pois a travessia do além-mar estava com suas dificuldades parcialmente resolvidas.

Os primeiros imigrantes alemães foram trazidos ao Brasil a mando do Rei Dom João VI, em 1818. O governo assentou famílias suíças nas serras fluminenses e estas fundam o município de Nova Friburgo. No mesmo ano, colonos alemães são mandados para a Bahia, porém tratava-se de algumas poucas famílias, em número pouco representativo ante a imensidão de terras de que era composto o território brasileiro.

Em 1820, chegam as primeiras famílias de alemães a Nova Friburgo, no estado do Rio de Janeiro. Dom João VI tentava atrair mais imigrantes alemães. Em 1823, após a independência, foram criados grandes grupos de estrangeiros para povoar as terras ainda não ocupadas. Essa inserção dos imigrantes alemães tinha como objetivo central a garantia da soberania nacional.

Os primeiros alemães que chegam ao Sul do Brasil, no ano de 1824, são assentados à margem sul do Rio dos Sinos, onde a antiga Real Feitoria do Linho Cânhamo fora adaptada para servir como sede temporária dos recém-chegados, na atual cidade de São Leopoldo, como analisado por Dennison de Oliveira: “O início da imigração alemã para o Brasil remonta à conjuntura imediatamente posterior à Proclamação da República (1889), entraram no Brasil pouco mais de setenta e oito mil alemães”. (p. 14).

Então, a busca oficial por colonos (nesta fase, alemães) passou a ser uma política imperial, pois havia necessidade de ocupar os territórios por hora demarcados e pertencentes ao Brasil.

Relacionando o número de etnias que imigraram para o Brasil, os alemães não representaram a maior soma, conforme abordado por Dennison:

No período republicano, auge do movimento de imigração para o Brasil, a maior parcela de imigrantes correspondeu aos portugueses, com 31% do total (ou 1.604.080 indivíduos), seguidos de perto pelos italianos com, 30% (1.576.220”), e espanhóis, com 14% (711.177). Aos alemães coube contribuir com apenas 4% do total de imigrantes (208.142), parcela menor até que a dos japoneses com 5% (247.312). (p.13).

 

A ocupação alemã no Rio Grande do Sul com a fundação da colônia de São Leopoldo sofreu uma interrupção com um movimento que eclodiu neste Estado, a Revolução Farroupilha, vindo a ser normalizada novamente na década de 1850. Em Santa Catarina, a chegada dos alemães ocorreu em um período posterior. Em 1828 instalam-se na colônia de São Pedro de Alcântara, aumentando o fluxo duas décadas mais tarde.

Segue abaixo um quadro demonstrativo do fluxo da imigração alemã:

Fonte: Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) (1984)

Na tabela acima pode ser verifica as flutuações da imigração alemã dentro dos períodos que correspondem a décadas, tendo o maior fluxo de imigrantes na década de 20 do século XIX.

  Referencia Bibliográfica

 

* Fonte: Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE)

* GERTZ, René. O perigo alemão. Porto Alegre: Editora da Universidade Federal do Rio Grande do Sul, 1991

* OLIVEIRA, Dennison de. Os soldados alemães de Vargas. Curitiba: Juruá, 2008

* SEYFERTH, Giralda. A colonização alemã no vale do Itajaí – Mirim. Porto Alegre: Movimento, 1985


SEYFERTH, Giralda. A colonização alemã no vale do Itajaí – Mirim. Porto Alegre: Movimento, 1985. p. 21

GERTZ, René. O perigo alemão. Porto Alegre: Editora da Universidade Federal do Rio Grande do Sul, 1991. p. 11

OLIVEIRA, Dennison de. Os soldados alemães de Vargas. Curitiba: Juruá, 2008. p. 14

Idem. p.13

Fonte: Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE).

Dossiê Generais da Segunda Guerra – Erwin Rommel – Parte III

Os Métodos de Rommel sempre foram questionados. Por exemplo, a 32ª Divisão alemã, que estava no flanco esquerdo de Rommel na França, se queixou de que Rommel teria utilizado não só seu equipamento, mas também usou a própria divisão na construção da ponte durante o avanço, o que atrasou o calendário da 32ª. Ser um comandante predileto dos políticos nazistas deu-lhe a imunidade a muitas críticas. Alguns de seus colegas também se queixaram que Rommel ignorou qualquer planejamento com outras divisões e realizava praticamente um avanço independente. Em pelo menos uma ocasião ele comandou avanços, originalmente concebido para outra divisão mais próxima dos objetivos. Quando as unidades da divisão vizinha chegavam usavam a ponte que tinha sido estabelecida para a 7ª Divisão Panzer, e Rommel livremente, comandava homens dessas unidades e seus equipamentos, para manter o ímpeto de sua própria ofensiva. Por várias razões não é exagero dizer que, antes de Rommel estabelecer sua fama como um comandante capaz, ele fez muitos adversários entre seus pares.

Em um de seus artigos mais recentes sobre a campanha na França, ele deixa claro sua ideia e forneceu uma introspecção em sua mentalidade quanto o avanço de suas tropas para frente em um ritmo tão alucinado. “O único critério para um comandante em realizar uma determinada operação deve ser o tempo em que é permitido para ele, e ele deve usar todos os seus poderes de execução para cumprir a tarefa dentro desse tempo.” Ele também escreveu “[a] os agentes de uma Divisão Panzer deve aprender a pensar e agir com independência no âmbito de um plano geral e não esperar até que recebam ordens”, novamente salientando a importância no movimento rápido durante operações ofensivas.

Em fevereiro 1941, Rommel foi escolhido por Hitler para liderar as forças alemãs no norte da África. Ele chegou lá em 12 de fevereiro, contemplou a uma plena retirada das forças italianas em direção a Trípoli. Com a sua vontade comum ver as situações linha de frente para si mesmo, ele pulou em um bombardeiro Heinkel e seguiu imediatamente para uma corrida de observação. Suas tropas chegaram dois dias depois, em fevereiro, 14 dias depois, suas tropas fizeram uma parada em Tripoli. Para falsificar os números para as classes mais baixas, a fim de elevar o moral e para qualquer espião britânico que poderia ser observado, ele ordenou a seus blindados para circundar a área várias vezes. “Temos que manter o inimigo na dúvida sobre a nossa força – isto é, sobre a nossa fraqueza – até que o resto da divisão esteja conosco”, disse ele. Enquanto isso, para enganar o reconhecimento aéreo britânico, ele ordenou a seus homens para construir falsos blindados. Alguns foram construídas em cima de carros Volkswagen que andava em círculos de vez em quando, enquanto outros foram de madeira. Mensagens britânicas interceptadas revelaram avisos britânicos de presença de blindados médios alemães, o que significava que as falsificações tinham funcionado.

Uma vez que Rommel recebeu equipamentos adequados, atacou agressivamente, contra o 8º Exército britânico, empurrando-os para fora da Líbia e tentou se aventurar no Egito. Em El Alamein, a sua aura de invencibilidade foi finalmente levantada como suas linhas de abastecimento alongadas demais. Quando os americanos desembarcaram no norte da África, ele voltou sua atenção ao oeste, ao perceber que se as tropas recém-chegadas tivessem a oportunidade de se reunir com os britânicos no leste, o exército alemão teria de enfrentar um desafio ainda maior. Ele deixou o teatro africano para se encontrar com Hitler em Berlim e falar sobre os temas no teatro, e como os acontecimentos que estavam por vir, ele nunca mais voltaria ao Norte da África.

Sucessos de Rommel no norte da África foram respeitados pelos amigos e inimigos. O General britânico Harold Alexander comentou que Rommel “era um inimigo muito cavalheiresco”, e Comandante Supremo das Forças Aliadas Dwight Eisenhower também comentou sobre a capacidade de Rommel com a máxima consideração. O General americano George Patton, com seu colorido e expressão usual, simbolicamente gritou com o comandante alemão, “Rommel, seu bastardo magnífico! Eu li o seu livro!”, talvez comentando sobre as obras impressionantes de manobras militares que Rommel tinha publicado. Foi no Norte da África que Rommel, apelidado de Raposa do Deserto, tornou-se conhecido como um líder extremamente capaz e inovador.

Depois do Norte de África, Rommel serviu brevemente na Itália antes de voltar à França para reforçar as defesas costeiras ali. Ele estava convencido de que, se os Aliados ocidentais lançaram um ataque contra a Europa continental, os Aliados não devem ter a chance de consolidar-se, caso contrário, tudo estaria perdido. Ele preparou milhares de unidades fortificadas nas praias, preparando um contra-ataque em qualquer tentativa de desembarque na costa francesa, sem arriscar tanques para não expô-los ao poder aéreo aliado. Sua estratégia de implantação de seus tanques era baseada na crença de que o poder aéreo era a chave para vencer uma guerra moderna. “A batalha futura na terra será precedida de batalha no ar”, disse ele. “Isso vai determinar qual dos competidores tem que sofrer desvantagens operacionais e táticas e ser forçado durante a batalha em soluções de defesa terrestre sem a superioridade aérea.”

Início de 1944, Rommel foi abordado para participar do complô em julho para assassinar Hitler. Atualmente boa parte dos historiadores contemporâneos acreditam que Rommel recusou devido à sua lealdade, mas os fatos exatos ainda são desconhecidos.

Após os Aliados ocidentais lançaram o desembarque na Normandia em junho 1944, Rommel estava fora da área e incapaz de obter uma imagem clara da situação, e, em seguida, Hitler hesitou em aprovar um contra-ataque de blindados até que fosse tarde demais. O pesadelo Rommel se tornou realidade nas próximas seis semanas a cabeça de praia aliada estava fortalecida. Em 15 de julho, ele se comunicava a Hitler que a Alemanha deveria considerar seriamente o fim da guerra em termos favoráveis, quando ainda era possível, por qualquer razão, esta carta chegou atrasada. A carta chegou 05 dias depois do atentado de julho contra Hitler. A carta tão brutalmente honesta, de repente tinha o tom dos traidores. Logo se descobriu que Rommel já havia sido abordado por alguns dos membros do círculo interno que planejou o complô de Julho. Enquanto Rommel era ferozmente leal e improvável ter aprovado um atentado contra a vida de Hitler (e ele não havia informado de tal plano), era desconhecido se Rommel concordou com aqueles que, em contato com ele, para assumir um papel de liderança no pós-guerra na Alemanha. A maioria das pessoas entendiam muito bem que apenas um punhado pequeno de pessoas foram igualmente respeitadas pelos alemães e aliados, e Rommel estava nessa lista. Essa característica, na atmosfera pós-julho, tornou-se uma ameaça para Hitler, e os resultados Gestapo que Rommel estava ligado a alguns dos conspiradores só fez posição de Rommel piorar.

Autor do Artigo: C. Peter Chen

Fotografia: Contando a Segunda Guerra Mundial – Parte VI

Stálin rejeitou qualquer alerta sobre um ataque que seria desferido a partir da Alemanha, ignorou os avisos de suas unidades de inteligência sobre o deslocamento de tropas para as fronteiras soviéticas. Em 11 de junho de 1941, o Alto Comando Alemão distribui a Diretiva Nº 32, que consolidou os detalhes da Operação de codinome Barbarossa. Todos os comandantes de unidades informavam sobre a convicção do OKW de uma operação rápida e avassaladora, nos moldes das campanhas desferidas contra os países baixos e França.

Nos primeiros avanços, com o despreparo do Exército Vermelho os alemães fazem uma frente de quase 300km de extensão e, nas primeiras horas, avançam mais de 100km sobre o território inimigo, e para aumentar a confiança na vitória, em determinados Estados satélite da URSS, os soldados da Wermarcht são recebidos como libertadores. Nesse contexto Hitler e seus auxiliares estão certos de uma vitória esmagadora sob “besta vermelha” e, também nesse instante, o mundo percebe que sempre foi esse o objetivo do Fürher; usando de dissimulação diplomática para assinatura de um Pacto de Agressão já enfadado ao fracasso, e contra os conselhos de vários generais e Ribbentrop, que acreditavam em um erro grotesco qualquer ação belicosa contra um gigante que, historicamente, permaneceu intacto contra invasores poderosos do passado, mas Hitler ignorou os ensinamentos históricos e preferiu a arrogância de um Exército invencível, pelo menos até aquele momento.

Dossiê Generais da Segunda Guerra – Erwin Rommel – Parte II

Em 12 de fevereiro de 1940, Rommel tornou-se o comandante da 7ª Divisão Panzer alemã, que foi o seu primeiro comando de operações, ele se tornaria o comandante divisional apenas durante a invasão da França e dos Países Baixos que, diga-se de passagem, não tinha nenhuma experiência durante a invasão da Polônia. Quando ele assumiu a divisão, ele ficou desapontado ao ver muitos dos seus oficiais subordinados preferirem a “vida fácil”. Uma de suas primeiras tarefas foi moldar esses oficiais para que “eles fossem capazes em todos os momentos de alcançar o que se exigia deles.” A invasão da França e dos Países Baixos começou em 10 de maio de 1940. Na Bélgica, e depois na França, seus tanques empurraram a frente impetuosamente, ignorando o risco de contra-ataques do inimigo vindos da retaguarda, porque o choque de seu rápido avanço esmagava o moral do inimigo que faziam contra-ataques calculados. Alguns comandantes criticaram a sua falta de cuidado que às vezes cortava as comunicações entre os seus blindados e o exército principal. Em uma escrita mais tarde, Rommel explicou que ele não tinha agido de forma irrefletida, mas sim, suas ações ousadas foram apenas cometidas após cuidadosas considerações.

“A minha experiência é que as decisões arrojadas dão a melhor chance de sucesso. Mas é preciso diferenciar entre ousadia tática [estratégicas] e um jogo militar. A operação ousada é aquela em que o sucesso não é uma certeza, mas que em caso de falha nos deixa com forças suficientes em mãos para lidar com qualquer situação que possa surgir. A aposta, por outro lado, é uma operação que pode levar tanto à vitória ou à completa destruição da própria força. Podem surgir situações onde o mesmo jogo pode ser justificado – como, por exemplo, quando no curso normal dos eventos a derrota é apenas uma questão de tempo, quando o ganho de tempo é, portanto, inútil e a única chance reside em uma operação de grande risco.”

Durante a campanha nos Países Baixos e França, o veículo de comando usado por Rommel era uma versão modificada Panzer tanque III, e este veículo era visto frequentemente na linha de frente, às vezes, acompanhado também pelo coronel Karl Rothenburg em um tanque Panzer IV, ou realizando voos em um avião de observação Storch. Seja qual for o meio de transporte, ele sempre quis estar perto da linha de frente para que pudesse avaliar a situação. Em 14 de Maio, as suas tropas alcançaram o rio Meuse, mas parou enquanto esperava os engenheiros construírem uma ponte de barcas. Estava perto da linha de frente, Rommel chegou imediatamente a área e liderou pessoalmente uma série de tanques atravessar o rio em balsas para manter o ímpeto ofensivo; seu colega Heinz Guderian, por outro lado, esperou, dando assim as tropas francesas antes dele algum tempo para reorganizar.

Em 27 de maio de 1940, no final de uma conferência de rotina com os comandantes de blindados, seu auxiliar Karl Hanke apareceu inesperadamente, anunciando “Tinha do Führer ordens lhe conferir a Cruz do Cavaleiro”, fazendo dele o primeiro comandante da divisão a ser condecorado com a Cruz de Cavaleiro na França. Suas conexões com o Partido Nazista em Munique e Berlim, provavelmente, tiveram muito a ver com o prêmio, mas ninguém poderia argumentar contra seus sucessos. Naquela mesma noite da premiação, ele avançou em direção a Lille, um dos maiores centros industriais franceses. “Iniciar o avanço!” Ele ordenou a seus comandantes de blindados, enquanto outros queriam apenas descansar algumas horas. O ataque noturno de surpresa frustrara a retirada dos franceses e britânicos para Dunquerque, mas também trouxe essas unidades em direção a artilharia alemã, que não tinha idéia que seus blindados já tinham realizados tantos progressos. Não teve escolha, a não ser recuar ligeiramente e deixar que seus homens descansassem até a manhã seguinte. “No dia seguinte, ele tomou Lille, o que lhe valeu alguns dias de descanso”. Em 05 de junho, ele atravessou o Somme usando duas pontes que os franceses não conseguiram demolir. A partir daí, sua divisão Panzer viajou em formação por todo o interior da França, atropelando tudo em seu caminho, movendo-se 40-50 milhas por dia. No Thieulloy, ele capturou um comboio de suprimentos britânicos cheio de chocolate e frutas em conserva, mostrando que os britânicos não estavam prontos para os rápidos avanços alemães. Em Elbeuf, uma mulher francesa acenou para Rommel, convencida de que qualquer homem estrangeiro até aquela frente de batalha deveria ser britânico. Em 10 Jun, suas unidades atingiram o Canal Inglês perto de Dieppe, o Germas, sendo a primeira tropa a fazê-lo. No dia seguinte, ele rodeado de milhares de tropas britânicas e francesas à espera de serem evacuados em Saint-Valéry, que se renderam depois de um terrível bombardeio de artilharia. Após quatro dias de descanso, Rommel começou novo deslocamento. Em 16 de junho suas tropas cruzaram o rio Sena, e em 18 de junho ele empurrou 320km para capturar Cherbourg, uma grande cidade portuária francesa, que possuía uma guarnição 20 vezes maior do que números de tropas de Rommel. A captura de Cherbourg terminou a campanha para Rommel. A esta altura, tinha creditado 97.000 prisioneiros de guerra, ao custo de 42 tanques com suas tripulações.

Autor do Artigo: C. Peter Chen

O Bismarck e seus Detalhes Históricos

 Em uma reportagem de Edwin Muller objetivamos dar uma nova perspectiva sobre os acontecimentos que determinaram o afundamento do maior navio de guerra alemão já construído. Também publicamos as fotos dos detalhes históricos com informações importante do interior do Bismarck.

 O texto abaixo foi fornecido pelo pesquisador Riberto Souze Júnior – Secretário Ad-Hoc da ANVFEB-PE.

            O fim do Bismark – visto de bordo do encouraçado alemão

            Edwin Muller – “Harper’s Magazine”

 

           O encouraçado Bismark era o orgulho da marinha de guerra alemã, e as marinhas de guerra de todo o munda lançaram mão de todos os recursos para se obter o maior número de informações sobre o seu afundamento, assim é possível relatar os dramáticos acontecimentos a bordo deste fabuloso navio, em seus últimos instantes.

            No dia 22 de Maio à noite, acompanhado do Prinz Eugene zarparam da costa da Noruega rumo à passagem entre Groenlândia e a Islândia, e na madrugada do dia 24 a marinha inglesa esta à vista, o famoso cruzador Hood, seguido ao longe pelo Prince of Wales. O primeiro a brir fogo foi o Hood, que de pronto respondeu com toda a força dos seus canhões, e em seguida toda sua artilharia foi concentrada no Prince of Wales, que seriamente atingido, ficou impossibilitado de seguirna batalha, concentrada agora entre o Bismark e o Hood. Na terceira onda de ataque do Bismark, a nau inglesa começou a impelir uma grossa nuvem de fumaça que saia pela proa, tombando para a esquerda, e em pouco tempo partiu-se ao meio, afundando primeiro a proa e logo em a popa desapareceu no fundo do mar.

            A bordo do Bismark, grande foram os momentos de festa por parte da tripulação, enchendo o tombadilho, que a pouco se encontrava deserto, com as pessoas se abraçando freneticamente, entoando canções e abraçando-se uns aos outros, em festejos que duraram até o dia seguinte. Poucas foram as avarias no navio alemão, que em nenhum momento puseram em risco a sua estrutura e o número de baixas, se resumiu a alguns feridos. No decorrer do dia chegaram diversas mensagens entre elas, uma do Fueher em que agraciava o Comandante Schneider com o grau de Cavaleiro da Cruz de Ferro, enquanto os operadores da propaganda nazista comandados por Joseph Goebbels , andavam de um lado  para outro filmando aquele momento de glória de demonstração da superioridade da raça ariana.

            A tripulação do Bismark era constituída basicamente por rapazes na faixa etária de 20 anos, além de aproximadamente 500 aspirantes com menos de 20 anos representantes da Juventude Hitlerista, que todos os dias ao acordar, ouviam a exaustão:”Hoje dominamos a Alemanha – amanhã será o mundo inteiro”. Esta nau era o mais forte navio de guerra que já fora construído e poucos sabiam realmente a sua tonelagem, alguns falavam em 35 mil toneladas, enquanto outros falavam em 50 mil, e sua velocidade máxima seria de 33 nós( aproximadamente 53 km/h), que era superior a qualquer navio americano ou inglês desta época.

            Aparentemente o Bismark visto de fora era idêntico a qualquer nau, mas o diferencial era o seu projeto interno, abaixo do tombadilho, onde abaixo da linha de flutuação tinha cinco paredes de aço, que se juntavam a vários compartimentos estanques. O seu comando fora confiado ao Vice Almirante Gunther, um nazista de coração de corpo franzino, que compensava sua fraqueza física com uma truculência e violência de caráter. As instalações dos marinheiros eram pequenas, pois além dos aspirantes havia também centenas de pessoas que não tinham função específica, tornando as acomodações muito apertadas, o espaço que em outros navios era reservado para dormitórios, e refeitórios, foram transformados em proteção extra aos complicados compartimentos do casco. Parte da tripulação dormia na proa em redes, que de tão juntas, batiam uma nas outras, enquanto os Oficiais subalternos se apinhavam em camarotes com beliches para 4 pessoas, mas ninguém reclamava em prol do aumento da resistência do casco.

            Entre a tripulação, várias eram as hipóteses sobre o seu destino e  maioria pensavam em um ataque aos portos ingleses, onde o contingente excessivo seria para os barcos que fossem presos, enquanto outros afirmavam ter ouvido que o Bismark ia tomar os Açores para o Reich, e outros aventavam a possibilidade de irem juntar-se à esquadra japonesa no Pacífico, hipótese menos provável pois a tripulação não havia recebido nenhum equipamento tropical, mas ao final do combate, o objetivo da excursão se esclareceu: sua missão era destruir o navio inglês Hood!

            A festa da vitória não poderia durar para sempre e no segundo dia o Prinz Eugen retornou à Alemanha, em um dia frio e nublado, com muita chuva e granizo, trazendo um pouco de nostalgia à maioria dos homens, que tinham pouca experiência da vida em alto mar. Na manhã do dia 26 de Maio, quando o Bismark passava ao largo do sul da Groenlândia, ouviu-se o som de uma avião se aproximando, e em pouco tempo surgiu um Catalina americano então, todos ao canhões anti aéreos começaram a atirar, fazendo o avião desaparecer por entre às nuvens. Posteriormente correu a bordo o boato de uma violenta discussão entre o Almirante Luetjens e o Capitão Lindemann, que tinha sido escutada atarvés das portas fechadas, onde o Capitão tentava convencer o Almirante a retornar imediatamente à Alemanha, tendo em vista que agora os ingleses iriam concentrar toda a sua esquadra na caça ao Bismark, e que não descansariam enquanto não o afundassem. O Almirante fez a tripulação acreditar que reforços chegariam em breve, e que os levariam à novas e maravilhosas vitórias.

            No dia 27 de Maio porém, a ajuda não chegou e logo ouviu o som de um gigantesco enxame de abelhas, e uma esquadrilha de aviões da Força Aérea Inglesa se aproximou do Bismark, e uma pós o outro largaram seus torpedos e sumiam nos céus, e um destes torpedos atingiu o navio na sua linha média, erguendo uma coluna de água mais alta que o mastro central, fazendo-o estremecer da popa à proa, e um dos compartimento se arrombou enchendo de água, e para completar as notícias que chegavam por rádio era que a frota inglesa convergia toda em sua direção. O Almirante Lutjens reuniu a tripulação e em um discurso confuso, disse que o Bismark iria travar uma dura batalha em breve, e esperava que os submarinos alemães chegassem a tempo de combater as foças inglesas, e que tinha certeza eles levariam a pique antes da morte, mais uma unidade inimiga, o que deixou os marujos completamente enlouquecidos, e na tentativa de desfazer a sua gafe, fez circular entre os marinheiros um telegrama informando que além da flotilha de submarinos cerca de 200 aviões já estavam a caminho.

            Após 3 dias do combate com o Hood, o encouraçado alemão Bismark rumava para o Cabo Finisterra, na esperança de atingir a costa da França e navegar próximo à costa, quando ao cair da noite uma esquadrão de caças britânicos atacou novamente atingindo-o com torpedos três vezes, sendo que um deles atingiu o leme, fazendo com que ele navegasse em círculos trazendo desespero aos marinheiros, enquanto o Almirante chegou a prometer condecorar aquele que consertasse o  leme, a Cruz de Ferro, uma das mais altas condecorações do Exército Alemão.

            Era uma hora da manhã quando surgiu uma flotilha de destróieres ingleses surgiram e um após outro lançaram seus torpedos e outro compartimentos foram atingidos e inundados, fazendo o números de baixas aumentar, e na manhã seguinte, o tempo estava nublado e o vento frio, faziam o oceano ficar agitado, quando surgiram no horizonte os pesos pesados da Armada Inglesa, o Rodney e o George V, que abriram fogo com seus canhões de 16 polegadas de uma distância de 11 milhas, e em seguida se posicionaram à metade desta distância. Cada obus de 16 deste canhão pesa cerca de 950 quilos e viaja a cerca de 850 m/s, e ao atingir o Bismark o fazia balançar violentamente, mesmo assim aguentou bastante o forte ataque, até que uma destas peças de artilharia fez explodir a estação central de comando, destroçando qualquer capacidade de reação por parte tripulação.

            O Rodney e o King George V se aproximaram para cerca de 2 milhas, disparando contra o Bismark sem errar nenhum tiro, até que um destes partiu o mastro central, fazendo cair no tombadilho e chamas que saíam de uma chaminé, levantavam uma imensa nuvem de fumaça, além de que se podiam ver que os canhões de uma das torres estavam apontando para o céu, completamente destroçada.

            Nunca um navio de guerra tinha sido tão castigado, e pouco a pouco ele começou a tombar para a esquerda, fazendo a água entrar pelos buracos no casco, inundando os diversos conveses em sequência, avançando por entre as câmaras e  os corredores. Por todos os lados ouviam-se gritos de horror, corpos estavam por todos os lados, a tripulação não sabia mais o que fazer, fora tentar se salvar da derrota iminente. Os que estavam embaixo tentavam subir para não morrer afogados pela água que subia rapidamente, enquanto os que estavam acima tentavam fugir do inferno que ardia no tombadilho, o caos era total.

            Neste momento a esta altura o Bismark já estava praticamente de quilha para o ar, e muitos marinheiros já estavam se debatendo no mar e outros tentavam se agarrar no casco negro e viscoso, e vagarosamente a proa se empinou para o céu, e de popa para baixo o Bismark desapareceu no oceano. Então os navios ingleses se aproximaram para recolher os náufragos, conseguindo salvar cerca de 100 alemães que agarraram-se às cordas que foram lançadas, e içados a bordo, mas com as notícias de que os submarinos alemães se aproximavam, para não serem apanhados os ingleses foram obrigados a deixar centenas de marinheiros vagando naquele oceano revolto.

            A tripulação que foi salva pela Marinha Inglesa, após ser levada para tratamento em hospitais aliados, apresentavam sinais como se estivessem sidos torturados por meses a fio, apresentando sequelas horríveis, mesmo após meses, o que levou um Observador os comparou a zumbis que erram pelo mundo sem alma…

            O que sofreram aqueles homens era mais simples que um choque físico: a fé em os que educaram, em que inspiraram suas vidas, estava despedaçada, e morta a crença invencibilidade da sua raça.