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FEB – Os Detalhes Históricos – O Brasil em cima do Muro!


O Brasil foi uma grande incógnita para as forças beligerantes desde o início do conflito. Se por um lado havia uma clara aproximação com os Estados Unidos, por outro o governo possuía uma relação comercial mútua com os países do Eixo, principalmente Itália e Alemanha. O governo varguista tinha, inclusive, utilizado como base para formação do Estado Novo em 1937 o modelo italiano de Mussoline. Mais ainda, em discurso totalmente pró-fascista proferido pelo doutor Getúlio, abordo do Encouraçado São Paulo em 11/06/40, que não só causou constrangimentos para Oswaldo Aranha, então Chanceler brasileiro, como serviu para exemplificar o quanto o governo brasileiro estava dividido, e o resultado disso foi uma carta de felicitações enviada por Mussoline e uma explicação oficial do Chancelar ao Embaixador americano.  Outro fator importante para os beligerantes, principalmente dos Estados Unidos, era a posição estratégica do nordeste brasileiro. Desde o final da década houve missões de reconhecimento da inteligência da Marinha americana para identificar os pontos sensíveis e levantar a real situação das cidades brasileiras, principalmente Natal, Recife, Salvador e Rio de Janeiro, essas cidades, eram consideradas estratégicas e também totalmente vulneráveis a qualquer investida inimiga.

Os sucessos militares iniciais da Alemanha permitiram que boa parte da cúpula do Ministério da Guerra se mostrasse mais propensa ao apoio aos germânicos, podemos citar como exemplo o Ministro da Guerra Eurico Gaspar Dutra e o Chefe do Estado Maior do Exército General Góis Monteiro que apesar de não haver qualquer referência bibliográfica que aponte-os como germanófilos,  há evidências nessa direção; no caso da apreensão do navio Siqueira Campos, que transportava uma carga de armas compradas pelo Brasil em contrato de importação anterior a declaração de guerra e que, sendo interceptada pelos ingleses, gerou um incidente diplomático que só foi contornado com a interferência direta dos Estados Unidos e a atuação de Oswaldo Aranha. Mesmo assim, o Chefe do Estado Maior solicitava ao presidente rompimento das relações diplomáticas com a Inglaterra.

Mais no final das contas o que pesou foi o apoio econômico. Getúlio Vargas precisava urgentemente, dentro das suas pretensões de estruturação do país, a criação de uma indústria de transformação brasileira, e os Estado Unidos estavam dispostos a financiar o projeto se houvesse a apoio à causa da guerra. Outro fator importante foi a atuação do Chanceler Oswaldo Aranha. As convicções do ministro das relações exteriores foram tão importantes para determinar qual seria a posição brasileira que ele conseguiu convencer, inicialmente o Presidente da República e, posteriormente todo o gabinete. Tarefa difícil se levarmos em consideração que até o momento do rompimento das relações diplomáticas Aranha teve oposição por parte dos militares, que acreditavam que o Brasil estaria completamente vulnerável se a declaração de guerra fosse consuma.

O Brasil nunca foi um parceiro importante para os Aliados, mas era estratégico. Os Estados Unidos sabiam disso, tanto que arquitetaram um plano de invasão ao Brasil caso o mesmo optasse pelo lado do Eixo e depois dos ataques a Pearl Harbor que gerou indignação dos países americanos e que fez com que houvesse a Reunião de Chanceleres no Rio de Janeiro em 1942 e posteriormente a quebra das relações diplomáticas entre o Brasil e as nações do Eixo. Tudo isso foi usado como insumo pelo hábil Oswaldo Aranha para fortalecer as relações com os Aliados e quebrar as resistências internas e, com isso fazer com que o Brasil sai em definitivo de “cima do muro”.

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