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Archive for 17/10/2011

Os alemães e o Brasil – A Imigração Alemã

A partir de hoje estaremos publicando uma série de artigos do Mestre em História Alessandro dos Santos Rosa.

 O Mestre Alessandro Santos é natural da cidade de Carazinho no Rio Grande do Sul. Graduado em História em 2002 pela Universidade Católica Dom Bosco, UCDB, Campo Grande-MS, realizou especialização na Universidade Paranaense, UNIPAR, Umuarama-PR. Na Universidade Federal do Paraná realizou Mestrado, defendendo a seguinte tese: A REINTEGRAÇÃO SOCIAL DOS EX-COMBATENTES DA FORÇA EXPEDICIONÁRIA BRASILEIRA (1946-1988). Com uma brilhante abordagem acadêmica sobre um tema tão pouco explorado dentro de nossas universidades, Alessandro conseguiu produzir um retrato fidedigno das dificuldades que todos os pracinhas enfrentaram ao se depararem com a pouca receptividade do país até a promulgação da Constituição de 1988.

Alessandro também é um palestrante e colaborador da Associação Nacional dos Veteranos da Força Expedicionária Brasileira – Seccional Pernambuco – (ANVFEB-PE).

São exemplos como o do Mestre Alessandro Santos que projetam luz sobre a escura ignorância histórica, para que as próximas gerações possam conceber os aprendizados do passado, e honrar os sacrifícios realizados por pessoas que não perderam a vida nos campos de batalha, mas quase perderam a dignidade pelo esquecimento governamental.

Os alemães e o Brasil

A Imigração Alemã

No início do século XIX, a sociedade européia passava por evoluções no campo econômico, havendo um grande impulso na industrialização, fato esse que exigiu mão-de-obra especializada. Como reflexo, ocasionou a ruína de muitos artesãos e trabalhadores que desenvolviam atividades em pequenas indústrias domésticas dentro da Alemanha.

Impossibilitados de desenvolverem suas atividades, esses trabalhadores livres começaram a formar um grande contingente de mão-de-obra (barata) assalariada para a indústria que hora vinha surgindo dentro no país germânico.

Como conseqüência do surgimento dos novos maquinários, da mecanização no campo, houve um aumento na produção, mas, em contrapartida, houve a diminuição da necessidade de mão-de-obra, causando o desemprego de inúmeras das pessoas que viviam da agricultura.

A Alemanha passava por um momento de desintegração dos resquícios da estrutura feudal, ocasionando desemprego no campo e migração para os grandes centros, aumentando as estatísticas de proletariados.

Grande parte destes agricultores expulsos do campo na Alemanha veio para o Brasil, em um movimento imigratório ocorrido entre os séculos XIX e XX. Os mesmos dirigiram-se principalmente para o sul do país, devido as condições climáticas assemelharem-se às da terra natal, qual seja, a Alemanha. As causas deste processo podem ser encontradas nos freqüentes problemas sociais que ocorriam na Europa, como analisado anteriormente, e a fartura de terras no Brasil, aguardando uma ocupação.

Aqueles que saíram da Alemanha e imigravam para o Brasil, de uma forma geral eram os que haviam sido prejudicados pelas evoluções industriais que ocorreram na Europa. Eram trabalhadores que haviam perdido suas terras, mas também indivíduos insatisfeitos com o cenário alemão, ex-artesãos e empreendedores. Eram pessoas que perderam tudo e estavam passando por grandes dificuldades.

O governo germânico criava incentivos para que os alemães se estabelecessem em outras terras, em algumas situações até contratava administradores e profissionais liberais para formação de colônias. Com o surgimento da máquina a vapor e a evolução dos meios de transportes marítimos, houve também uma maior procura pela imigração, pois a travessia do além-mar estava com suas dificuldades parcialmente resolvidas.

Os primeiros imigrantes alemães foram trazidos ao Brasil a mando do Rei Dom João VI, em 1818. O governo assentou famílias suíças nas serras fluminenses e estas fundam o município de Nova Friburgo. No mesmo ano, colonos alemães são mandados para a Bahia, porém tratava-se de algumas poucas famílias, em número pouco representativo ante a imensidão de terras de que era composto o território brasileiro.

Em 1820, chegam as primeiras famílias de alemães a Nova Friburgo, no estado do Rio de Janeiro. Dom João VI tentava atrair mais imigrantes alemães. Em 1823, após a independência, foram criados grandes grupos de estrangeiros para povoar as terras ainda não ocupadas. Essa inserção dos imigrantes alemães tinha como objetivo central a garantia da soberania nacional.

Os primeiros alemães que chegam ao Sul do Brasil, no ano de 1824, são assentados à margem sul do Rio dos Sinos, onde a antiga Real Feitoria do Linho Cânhamo fora adaptada para servir como sede temporária dos recém-chegados, na atual cidade de São Leopoldo, como analisado por Dennison de Oliveira: “O início da imigração alemã para o Brasil remonta à conjuntura imediatamente posterior à Proclamação da República (1889), entraram no Brasil pouco mais de setenta e oito mil alemães”. (p. 14).

Então, a busca oficial por colonos (nesta fase, alemães) passou a ser uma política imperial, pois havia necessidade de ocupar os territórios por hora demarcados e pertencentes ao Brasil.

Relacionando o número de etnias que imigraram para o Brasil, os alemães não representaram a maior soma, conforme abordado por Dennison:

No período republicano, auge do movimento de imigração para o Brasil, a maior parcela de imigrantes correspondeu aos portugueses, com 31% do total (ou 1.604.080 indivíduos), seguidos de perto pelos italianos com, 30% (1.576.220”), e espanhóis, com 14% (711.177). Aos alemães coube contribuir com apenas 4% do total de imigrantes (208.142), parcela menor até que a dos japoneses com 5% (247.312). (p.13).

 

A ocupação alemã no Rio Grande do Sul com a fundação da colônia de São Leopoldo sofreu uma interrupção com um movimento que eclodiu neste Estado, a Revolução Farroupilha, vindo a ser normalizada novamente na década de 1850. Em Santa Catarina, a chegada dos alemães ocorreu em um período posterior. Em 1828 instalam-se na colônia de São Pedro de Alcântara, aumentando o fluxo duas décadas mais tarde.

Segue abaixo um quadro demonstrativo do fluxo da imigração alemã:

Fonte: Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) (1984)

Na tabela acima pode ser verifica as flutuações da imigração alemã dentro dos períodos que correspondem a décadas, tendo o maior fluxo de imigrantes na década de 20 do século XIX.

  Referencia Bibliográfica

 

* Fonte: Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE)

* GERTZ, René. O perigo alemão. Porto Alegre: Editora da Universidade Federal do Rio Grande do Sul, 1991

* OLIVEIRA, Dennison de. Os soldados alemães de Vargas. Curitiba: Juruá, 2008

* SEYFERTH, Giralda. A colonização alemã no vale do Itajaí – Mirim. Porto Alegre: Movimento, 1985


SEYFERTH, Giralda. A colonização alemã no vale do Itajaí – Mirim. Porto Alegre: Movimento, 1985. p. 21

GERTZ, René. O perigo alemão. Porto Alegre: Editora da Universidade Federal do Rio Grande do Sul, 1991. p. 11

OLIVEIRA, Dennison de. Os soldados alemães de Vargas. Curitiba: Juruá, 2008. p. 14

Idem. p.13

Fonte: Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE).

Dossiê Generais da Segunda Guerra – Erwin Rommel – Parte III

Os Métodos de Rommel sempre foram questionados. Por exemplo, a 32ª Divisão alemã, que estava no flanco esquerdo de Rommel na França, se queixou de que Rommel teria utilizado não só seu equipamento, mas também usou a própria divisão na construção da ponte durante o avanço, o que atrasou o calendário da 32ª. Ser um comandante predileto dos políticos nazistas deu-lhe a imunidade a muitas críticas. Alguns de seus colegas também se queixaram que Rommel ignorou qualquer planejamento com outras divisões e realizava praticamente um avanço independente. Em pelo menos uma ocasião ele comandou avanços, originalmente concebido para outra divisão mais próxima dos objetivos. Quando as unidades da divisão vizinha chegavam usavam a ponte que tinha sido estabelecida para a 7ª Divisão Panzer, e Rommel livremente, comandava homens dessas unidades e seus equipamentos, para manter o ímpeto de sua própria ofensiva. Por várias razões não é exagero dizer que, antes de Rommel estabelecer sua fama como um comandante capaz, ele fez muitos adversários entre seus pares.

Em um de seus artigos mais recentes sobre a campanha na França, ele deixa claro sua ideia e forneceu uma introspecção em sua mentalidade quanto o avanço de suas tropas para frente em um ritmo tão alucinado. “O único critério para um comandante em realizar uma determinada operação deve ser o tempo em que é permitido para ele, e ele deve usar todos os seus poderes de execução para cumprir a tarefa dentro desse tempo.” Ele também escreveu “[a] os agentes de uma Divisão Panzer deve aprender a pensar e agir com independência no âmbito de um plano geral e não esperar até que recebam ordens”, novamente salientando a importância no movimento rápido durante operações ofensivas.

Em fevereiro 1941, Rommel foi escolhido por Hitler para liderar as forças alemãs no norte da África. Ele chegou lá em 12 de fevereiro, contemplou a uma plena retirada das forças italianas em direção a Trípoli. Com a sua vontade comum ver as situações linha de frente para si mesmo, ele pulou em um bombardeiro Heinkel e seguiu imediatamente para uma corrida de observação. Suas tropas chegaram dois dias depois, em fevereiro, 14 dias depois, suas tropas fizeram uma parada em Tripoli. Para falsificar os números para as classes mais baixas, a fim de elevar o moral e para qualquer espião britânico que poderia ser observado, ele ordenou a seus blindados para circundar a área várias vezes. “Temos que manter o inimigo na dúvida sobre a nossa força – isto é, sobre a nossa fraqueza – até que o resto da divisão esteja conosco”, disse ele. Enquanto isso, para enganar o reconhecimento aéreo britânico, ele ordenou a seus homens para construir falsos blindados. Alguns foram construídas em cima de carros Volkswagen que andava em círculos de vez em quando, enquanto outros foram de madeira. Mensagens britânicas interceptadas revelaram avisos britânicos de presença de blindados médios alemães, o que significava que as falsificações tinham funcionado.

Uma vez que Rommel recebeu equipamentos adequados, atacou agressivamente, contra o 8º Exército britânico, empurrando-os para fora da Líbia e tentou se aventurar no Egito. Em El Alamein, a sua aura de invencibilidade foi finalmente levantada como suas linhas de abastecimento alongadas demais. Quando os americanos desembarcaram no norte da África, ele voltou sua atenção ao oeste, ao perceber que se as tropas recém-chegadas tivessem a oportunidade de se reunir com os britânicos no leste, o exército alemão teria de enfrentar um desafio ainda maior. Ele deixou o teatro africano para se encontrar com Hitler em Berlim e falar sobre os temas no teatro, e como os acontecimentos que estavam por vir, ele nunca mais voltaria ao Norte da África.

Sucessos de Rommel no norte da África foram respeitados pelos amigos e inimigos. O General britânico Harold Alexander comentou que Rommel “era um inimigo muito cavalheiresco”, e Comandante Supremo das Forças Aliadas Dwight Eisenhower também comentou sobre a capacidade de Rommel com a máxima consideração. O General americano George Patton, com seu colorido e expressão usual, simbolicamente gritou com o comandante alemão, “Rommel, seu bastardo magnífico! Eu li o seu livro!”, talvez comentando sobre as obras impressionantes de manobras militares que Rommel tinha publicado. Foi no Norte da África que Rommel, apelidado de Raposa do Deserto, tornou-se conhecido como um líder extremamente capaz e inovador.

Depois do Norte de África, Rommel serviu brevemente na Itália antes de voltar à França para reforçar as defesas costeiras ali. Ele estava convencido de que, se os Aliados ocidentais lançaram um ataque contra a Europa continental, os Aliados não devem ter a chance de consolidar-se, caso contrário, tudo estaria perdido. Ele preparou milhares de unidades fortificadas nas praias, preparando um contra-ataque em qualquer tentativa de desembarque na costa francesa, sem arriscar tanques para não expô-los ao poder aéreo aliado. Sua estratégia de implantação de seus tanques era baseada na crença de que o poder aéreo era a chave para vencer uma guerra moderna. “A batalha futura na terra será precedida de batalha no ar”, disse ele. “Isso vai determinar qual dos competidores tem que sofrer desvantagens operacionais e táticas e ser forçado durante a batalha em soluções de defesa terrestre sem a superioridade aérea.”

Início de 1944, Rommel foi abordado para participar do complô em julho para assassinar Hitler. Atualmente boa parte dos historiadores contemporâneos acreditam que Rommel recusou devido à sua lealdade, mas os fatos exatos ainda são desconhecidos.

Após os Aliados ocidentais lançaram o desembarque na Normandia em junho 1944, Rommel estava fora da área e incapaz de obter uma imagem clara da situação, e, em seguida, Hitler hesitou em aprovar um contra-ataque de blindados até que fosse tarde demais. O pesadelo Rommel se tornou realidade nas próximas seis semanas a cabeça de praia aliada estava fortalecida. Em 15 de julho, ele se comunicava a Hitler que a Alemanha deveria considerar seriamente o fim da guerra em termos favoráveis, quando ainda era possível, por qualquer razão, esta carta chegou atrasada. A carta chegou 05 dias depois do atentado de julho contra Hitler. A carta tão brutalmente honesta, de repente tinha o tom dos traidores. Logo se descobriu que Rommel já havia sido abordado por alguns dos membros do círculo interno que planejou o complô de Julho. Enquanto Rommel era ferozmente leal e improvável ter aprovado um atentado contra a vida de Hitler (e ele não havia informado de tal plano), era desconhecido se Rommel concordou com aqueles que, em contato com ele, para assumir um papel de liderança no pós-guerra na Alemanha. A maioria das pessoas entendiam muito bem que apenas um punhado pequeno de pessoas foram igualmente respeitadas pelos alemães e aliados, e Rommel estava nessa lista. Essa característica, na atmosfera pós-julho, tornou-se uma ameaça para Hitler, e os resultados Gestapo que Rommel estava ligado a alguns dos conspiradores só fez posição de Rommel piorar.

Autor do Artigo: C. Peter Chen

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