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Os alemães e o Brasil – A Imigração Alemã – Parte II


Continuando uma série aprofundada de estudos sobre a Força Expedicionária Brasileira produzida pelo Mestre em História Alessandro dos Santos Rosa.

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O isolamento alemão

Os imigrantes alemães que povoaram as regiões do Rio Grande do Sul e Santa Catarina, no século XIX, efetivaram sua ocupação em terras que ficavam compreendidas entre as áreas litorâneas e as áreas de planalto, as terras de matas e terras dobradas, ficando distante das terras luso-brasileiras e das grandes fazendas cafeicultoras.

Os alemães foram designados a ocupar as regiões indicadas por uma opção estratégica, pois o café era nesse momento um dos produtos mais importantes para a economia brasileira, e pequenas propriedades em meio a esses campos acabariam prejudicando a produção. Outro ponto importante era que havia necessidade de se criar uma via de comunicação entre o litoral e as regiões que compreendiam o planalto, como abordado por Giralda Seyferth[1]:

     As primeiras colônias foram estabelecidas em pontos estratégicos entre o planalto e o litoral do Rio Grande do Sul e Santa Catarina, a fim de garantir de alguma forma as vias de penetração. Em Santa Catarina, principalmente, não havia comunicação entre a capital Desterro e o Planalto e foi com esta finalidade que se deu estímulo à colonização alemã no Vale do Itajaí. (p.31)

Devido às suas características culturais européias, mais especificamente da própria Alemanha, os imigrantes conseguem, mesmo com um número pequeno de componentes, contribuir consideravelmente com a economia brasileira, possibilitando que pequenas propriedades tenham um alto índice de produtividade na produção agrícola e agropecuária.

Tiveram também grande êxito ao procurar uma inserção no setor de comércio, realizando investimentos em diversos setores da economia comercial e extrativa, como explicado por Dennison[2]:

     Embora possuíssem menos de 0,5% da superfície cultivável do país, as comunidades de origem alemã geravam 8% da produção agrícola. Além da agropecuária, alemães e seus descendentes mantinham também empreendimentos nos setores comercial, extrativo e industrial. Fábricas de cerveja, charutos, mineradoras, têxteis e calçados eram suas atividades de investimento preferenciais, fazendo com que possuíssem 10% da indústria e 12% do comércio do Brasil. (p.13-14).

Portanto, é perceptível através dos estudos dos pesquisadores Dennison, Giralda e René, que os imigrantes alemães apresentavam um espírito empreendedor e sofisticado, conseqüência das experiências vivenciadas e perspectivas que conseguiam também realizar.

Juntamente a isso soma-se o desprendimento e força de vontade para trabalhar suas pequenas propriedades e torná-las significativamente produtivas. Essas características apresentaram-se também na participação do comércio e indústria como observado pelo general da reserva e ex-combatente da Força Expedicionária Brasileira Italo Conti, de origem italiana, natural de Mallet, interior do estado do Paraná[3]:

     Por que todos nós sabemos da contribuição dos colonizadores alemães em beneficio ao desenvolvimento da economia brasileira e do progresso do Brasil, principalmente na indústria. Na lavoura também, mas o grande destaque foi na área industrial. Aqui em Curitiba, tinham três sociedades alemãs, que era muito freqüentada pela alta sociedade, havia uma confraternização muito grande, realmente eles eram um pouco mais fechados, porem eram respeitados de uma forma geral.

O depoimento acima deixa mais transparente a realidade vivida pelos imigrantes alemães e sua importância dentro das localidades onde se alocavam. Tanto pesquisadores como demais membros da sociedade que vivenciaram aquele momento, vem nos trazer a confirmação desses fatos.

A imigração alemã, que fora tão incentivada pelo governo brasileiro, acabou tendo restrições quanto às propagandas feitas dentro da Alemanha. Isso ocorreu por parte do governo alemão, no momento em que soube da utilização dos imigrantes nos campos e fazendas do interior de São Paulo. Essa atividade caracterizava, de certa forma, uma forma de exploração inaceitável. A proibição foi generalizada em 1871, voltando a normalização a partir do ano de 1896, já no final do século XIX.

Além da importante contribuição econômica, os alemães também colaboraram na parte demográfica, já que era de costume das famílias dessa época, principalmente àquelas que possuíam uma pequena gleba de terra, terem grande número de filhos, cruciais para que se tivesse mais mão-de-obra para trabalhar a terra e desenvolver as atividades que se faziam necessárias. Esse fato fez com que, nos estados sulinos, essa população tivesse expressividade, como explicado por Dennison de Oliveira[4]:

     …se caracterizavam por um expressivo índice de fertilidade, na média de oito a nove filhos por mulher, para aquelas que se casaram até os 19 anos, e sete filhos, para as que casaram após essa idade. Como resultado, a Colônia alemã tinha antes da Segunda Guerra Mundial uma participação significativa no conjunto da população dos Estados da região sul, onde residiam seus maiores efetivos: 6,9% da população do Paraná, 19,62% do Rio Grande do Sul e 22,34% de Santa Catarina. (p. 14).

A parcela mais expressiva de imigrantes alemães teve sua entrada entre 1850 e o final do século, tendo como característica o surgimento de um grande número de povoados espalhados pelos estados do Sul. Até meados de 1830, o governo oferecia incentivos financeiros para que os alemães se estabelecessem em terras brasileiras e adquirissem as pequenas propriedades. Contudo, a partir desta data houve uma mudança na política Imperial passando essas responsabilidades aos governos das províncias onde os imigrantes se estabeleceriam, sendo que, a partir de 1850, empresas privadas passam a assumir essas atividades.

A grande maioria desses grupos imigrantes ou pequenas comunidades que se formaram, constituiu-se de forma isolada, sem interferência de outras etnias ou grupos, até mesmo porque o Estado não ofereceu nenhum tipo de estrutura básica. Dessa forma, mantiveram seus costumes e sua cultura inalterados. Por estarem localizados nos pontos estratégicos determinados pelos governos, até mesmo a comunicação entre eles acabava ocorrendo na língua materna, ou seja, somente em casos extremos utilizam o pobre vocabulário que tinham em português.

Esse cenário de isolamento dos imigrantes alemães com o passar dos tempos vai acarretar em problema, pois as comunidades germânicas admitidas no Brasil não estavam conseguindo o entrosamento com os brasileiros, portanto, não estavam constituindo um único grupo, como explicado por René Gertz[5]: “Acusação repetida contra alemães e descendentes, desde o início da imigração em 1824, é o de não-integração, do que resultaria uma verdadeira anticidadania brasileira, mesmo para os descendentes que são brasileiros de fato e de direito”. (p. 13)

Por outro lado, os portugueses que se fixaram nas terras brasileiras, já na sua segunda geração possuíam hábitos e costumes brasileiros, procurando integrar-se rapidamente a nova cultura, como analisa Gertz[6]:

     O filho do português entre nós já é brasileiro e pugna pelo Brasil como sua única pátria. Podemos dizer o mesmo dos míseros alemães? Me parece que não. Em geral não há filho e mesmo neto de colono alemão que pugne pelo Brasil como se pugnasse pela sua pátria; pelos exemplos dos pais que olham esta terra mais como madrasta do que como mãe…  (p.13)

A não-integração dos alemães com a sociedade brasileira criou naturalmente uma preocupação para aqueles que conduziam o Brasil, pois estava surgindo um problema social que colocaria em risco a própria formação geográfica do país, como explicado por Dennison de Oliveira [7]:

     Contudo, a relativa não-integração das comunidades de origem germânica levou a uma reversão dessas expectativas iniciais. Termos como “quistos inassimiláveis” de estrangeiros que estariam vivendo no Brasil, alertas para o “perigo alemão” e os temores com relação à criação de uma “Alemanha Antártida” no sul do Brasil passariam, a partir daí, a circular entre as elites dirigentes brasileiras com diferentes graus de aceitação e intensidade. No decorrer das duas guerras mundiais, tais receios seriam amplificados ao máximo, num contexto em que os projetos de uma possível separação da região sul e a criação de uma nova entidade nacional sob controle dos alemães eram tidos não só como altamente prováveis de virem a ser realizados, como também iminentes.  (p.15)

Para deixar a situação ainda mais grave, havia por parte do governo alemão incentivo para aqueles que se encontravam morando no exterior e que se mantivessem autênticos nas suas origens, como explicado por Frank D. McCann[8]: “O governo alemão os incentivava a se considerarem não como imigrantes, mas como alemães vivendo no exterior, como parte da Grande Alemanha”. (p.70)

Toda essa situação foi gerada pela própria estratégia de ocupação criada inicialmente pelos políticos que estavam a frente do Brasil, sendo posteriormente seguido o mesmo procedimento pelos governos provinciais. A idéia de deixar os imigrantes alemães em terras que tinham seus limites com as grandes fazendas, em lugares isolados dos grandes centros, sem muitos meios de comunicação, devido às grandes dificuldades impostas pelas distâncias, não representava, na visão das elites políticas e burguesia, nenhum tipo de perigo ou ameaça.

A própria falta de infra-estrutura, no caso de escolas e outros serviços que suprissem as necessidades básicas sociais, forneceram ferramentas para que esse cenário de não-integração tivesse se desenvolvido e ficasse ainda mais arraigado no peito dos imigrantes, como analisa Ricardo Seitenfus[9]: “Apesar de estabelecida há mais de um século, a colonização alemã é escassamente assimilada. Trata-se de um aparente paradoxo, pois poder-se-ia imaginar que o tempo fosse o importante elemento imigratório. Todavia é o espaço, ou seja, a localização do imigrado que determina sua assimilação”. (p.12)

A preocupação das elites brasileiras não fora somente que o imigrante efetivasse uma ocupação territorial, mas havia outras intenções, como a de melhorar a sociedade, estrategicamente pensada para que a população como um todo evoluísse, acreditava que seria possível desenvolver com melhor qualidade a economia e a cultura, como explicado por Dennison[10]:

     Inicialmente, a imigração alemã para o Brasil era considerada não apenas oportuna, mas extremamente necessária. Afinal, entendia-se que a vinda dos alemães ajudaria a “branquear” nossa população, erradicando-se, com o passar do tempo, a herança cultural e biológica de origem africana, indígena e lusitana, a qual era associada ao atraso cultural e ao subdesenvolvimento econômico. (p. 15)

A falta desse apoio básico propiciou um terreno, onde se desenvolveram instituições que incentivavam a prática da língua alemã e de costumes trazidos da própria Alemanha, como abordado pode Dennison[11]:

     Dessa forma, os colonos foram forçados a prover, com seus próprios recursos ou, em alguns casos, com auxílio financeiro de instituições alemãs, a oferta desses serviços. Assim, as instituições que se dedicavam a essas atividades reforçavam a tendência à endogenia da comunidade, na medida em que, tendo sido criadas por alemães para atender alemães, convertiam-se elas próprias em fatores de comunidade e reforço da germanidade (Deutschtum). (p. 17)

Todo esse conjunto de acontecimentos deflagrou um crescimento de estabelecimentos criados por alemães e para alemães, fazendo mais presente ainda a cultura e costumes germânicos, atingindo todas as idades e gerações que se faziam presentes no território brasileiro. De acordo com Dennison[12]: “No Rio Grande do Sul, por exemplo, elas passaram de 24 para 937 estabelecimentos de ensino. Em Santa Catarina não foi diferente. O caso de Blumenau é típico dessa tendência. Em 1928, das 200 escolas daquele município, nada menos de 132 eram alemãs”. (p.17-18). Não deixando de se mencionar aqui as outras instituições que serviam de meios de comunicação e de recreação.

Dessa forma, as comunidades utilizavam a língua alemã como língua principal, em jornais, nos cultos religiosos, dentro dos lares, fazendo uso do alemão para efetivar a comunicação deles dentro das comunidades. Todos, imigrados ou nascidos, já de segunda geração, se mantinham totalmente atrelados aos costumes e língua germânicos.

Como já analisado anteriormente, o principal fator que propicia esse desencadeamento, foi o abandono dessas famílias em lugares isolados pelas pessoas responsáveis pelos movimentos imigratórios, onde os alemães criaram mecanismos para educar suas gerações.

No ano de 1871 surge um novo fato que vai reforçar a idéia de isolamento das comunidades alemãs que se encontrassem morando em outras regiões fora da Alemanha, seja no Brasil ou qualquer outro lugar que existissem imigrantes germânicos, a criação do Império Alemão, como explica René[13]: “A idéia de não-integração, de segregação, de antipatriotismo e de anticidadania ganhou nova dimensão com a criação do império alemão em 1871 e do quadro internacional daí resultante”. (p. 15)

Essa nova situação trouxe consigo um novo fôlego aos imigrantes alemães, pois reascendeu o que nem havia se apagado, o sentimento de patriotismo pela terra que estava distante. A idéia de germanismo era passada de pai para filho, por isso atingiu todas as gerações.

A imagem criada de conservação da identidade alemã, mesmo em território estrangeiro, aguça ainda mais a idéia de isolamento e de uma “superioridade racial”, pois a imagem e características da sociedade alemã eram pontos positivos e a avaliação das demais etnias era o mais negativo possível, como abordado por Dennison[14]:

     …manutenção dos traços de origem ancestral alemã uma série de características positivas, como a eficiência, limpeza, produtividade, inteligência etc. Inversamente, imputavam aos habitantes de origem luso-brasileira características francamente negativas, as quais seriam racialmente determinadas, como preguiça, a sujeira, a doença etc. Sua principal referência negativa eram os caboclos, habitantes do litoral, que constituíam, aos seus olhos, uma raça que reputavam como portadora de características inatas que seriam antagônicas a tudo que se associavam ao modo de vida alemão, como o atraso, a ignorância, a pobreza etc. (p. 18)

Até mesmo nas uniões matrimoniais havia uma constante preocupação para que não houvesse uma mistura racial, uma miscigenação, para que se mantivesse a identidade alemã. Dessa forma, as características germânicas estariam preservadas, não havendo o risco de serem abandonadas ou desviadas, fortalecendo cada vez mais as ideologias partidas da Europa, mais propriamente dito da Alemanha. Situação essa que acabava sendo mais usual nas sociedades que moravam no interior, em áreas rurais, onde prevalecia o isolamento e a comunidade era composta somente por descendentes de alemães.

Essas práticas e formas de agir das sociedades alemãs que se encontravam morando no exterior fortaleciam a idéia de se manter isolada e inalteradamente sólida a germanidade. A Alemanha se utiliza dessas pessoas que moravam fora, para que elas divulguem a idéia da germanidade, na tentativa de manter essas sociedades interligadas com a pátria mãe, como analisado por René[15]: “A Alemanha não tinha colônias e ideólogos e estrategistas alemães pensaram no aproveitamento os “alemães no exterior” em beneficio da “pátria mãe”. (p.15)

Referencia Bibliográfica

 

*McCANN, Frank D. Aliança Brasil – Estados Unidos (1937-1945). Rio de Janeiro: Biblioteca do Exército Editora, 1995

*GERTZ, René. O perigo alemão. Porto Alegre: Editora da Universidade Federal do Rio Grande do Sul, 1991

* OLIVEIRA, Dennison de. Os soldados alemães de Vargas. Curitiba: Juruá, 2008

* SEYFERTH, Giralda. A colonização alemã no vale do Itajaí – Mirim. Porto Alegre: Movimento, 1985

* Italo Conti. Ex-combatente da Força Expedicionária Brasileira. Entrevista realizada no dia 12 de novembro de 2009 na cidade de Curitiba – PR.


[1]SEYFERTH, Giralda. A colonização alemã no vale do Itajaí – Mirim. Porto Alegre: Movimento, 1985. p.31

[2] OLIVEIRA, Dennison de. Os soldados alemães de Vargas. Curitiba: Juruá, 2008. p.13-14

[3]Italo Conti. Ex-combatente da Força Expedicionária Brasileira. Entrevista realizada no dia 12 de novembro de 2009 na cidade de Curitiba – PR. Natural da cidade de Mallet – PR, de origem italiana, participou como voluntário. Após a declaração de guerra do Brasil contra as nações do eixo, todos os oficiais receberam do ministro um telegrama, solicitando que compusessem o efetivo da FEB, o qual ele fez prontamente. Fez parte do efetivo do 1o Grupo de Artilharia em apoio ao 11o RI. Tinha a função de oficial de ligação, era capitão naquela oportunidade, tendo como seu superior o coronel Valdemar Levi Cardoso, comandante do 1o Grupo de Artilharia. Após passar para a Reserva, desempenhou funções como chefe de segurança do Estado do Paraná e foi também por algumas vezes foi deputado estadual. Conta atualmente com 94 anos.

[4]OLIVEIRA, Dennison de. Os soldados alemães de Vargas. Curitiba: Juruá, 2008. p. 14

[5] GERTZ, René. O perigo alemão. Porto Alegre: Editora da Universidade Federal do Rio Grande do Sul, 1991. p.13

[6] Idem, Ibidem.

[7]OLIVEIRA, Dennison de. Os soldados alemães de Vargas. Curitiba: Juruá, 2008. p.15

[8]McCANN, Frank D. Aliança Brasil – Estados Unidos (1937-1945). Rio de Janeiro: Biblioteca do Exército Editora, 1995. p.70

[9]SEITENFUS, Ricardo. O Brasil vai a Guerra: o processo do envolvimento brasileiro na Segunda Guerra Mundial. 3ª  ed. Barueri, SP: Mamole, 2003. p.12

[10]OLIVEIRA, Dennison de. Os soldados alemães de Vargas. Curitiba: Juruá, 2008. p.15

[11]Idem. p.17

[12] Idem. p.17-18

[13] GERTZ, René. O perigo alemão. Porto Alegre: Editora da Universidade Federal do Rio Grande do Sul, 1991. p.15

[14] OLIVEIRA, Dennison de. Os soldados alemães de Vargas. Curitiba: Juruá, 2008. p.18

[15] GERTZ, René. O perigo alemão. Porto Alegre: Editora da Universidade Federal do Rio Grande do Sul, 1991. p.15

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  1. Francisco Bendl
    02/11/2011 às 7:21 PM

    Chico, países como o nosso que foram colonizados através de um modelo de exploração e domínio dos descobridores sobre os nossos índios quanto á religião, usos e costumes sociais e, mais tarde, com o deplorável e abjeto tráfico dos escravos, propiciaram ao Brasil e sua corte portuguesa um atraso em nosso desenvolvimento em comparação à Europa e aos Estados Unidos.
    O Paraguai, antes da Guerra denominada de Tríplice Aliança (1864-1870), que foi derrotado pela união do Brasil, Argentina e Uruguai, era mais moderno que nós!
    Colonizadores alemães e italianos trouxeram novas idéias de empreendimento, organização e desenvolvimento para o sul do Brasil.
    Devemos muito a eles, a esses imigrantes que, em terras desconhecidas e inóspitas, conseguiram fazê-las render, progredir, tanto na agricultura quanto pecuária e indústria.
    Fico pensando o que faltou para o governo brasileiro à época dessas imigrações, que não arquitetou um plano de instalar no norte e nordeste do país esta gente que vinha ardentemente desejando um pedaço de terra para plantar e produzir!
    Está bem, admito que o clima do sul é mais adequado ao europeu, acostumado com o frio, mas o ser humano tem uma extraordinária capacidade de adaptação e, certamente, iria se amoldar ao clima do norte brasileiro.
    Faltou ao nordeste e ao norte visão dos governos passados em termos de atenção, cuidado, preocupação e que esta vasta região progredisse.
    Atualmente o nordeste vem crescendo, indústrias já instaladas, Recife se tornou um pólo industrial e comercial fortíssimo, e se constituindo na quarta capital do país em população, se não me engano.
    São Paulo, Rio, Belo Horizonte e Recife, que disputa com Fortaleza e Salvador esta colocação, estou certo ou tu me corriges?
    Ademais, os meus irmãos do nordeste devem ser reverenciados e reconhecidos pela sua extraordinária resistência contra um clima árido que devasta as terras com a seca que ocasiona pela falta de chuvas, além da sua humildade, brasilidade que deve ser enaltecida, decência e religiosidade (lamento que os políticos não se espelham nesses modelos, tanto os do sul quanto do resto do Brasil!).
    Sou um admirador do teu povo, Chico, até porque conheço a tua terra e trabalhei nela por algum tempo.
    Torço pelo seu desenvolvimento, além de invejar o espírito alegre que caracteriza a tua gente, o carnaval é o maior exemplo do que digo, em uma grande e inigualável festa popular, a maior do mundo, indiscutivelmente!
    Mas não podemos nos esquecer dos nossos colonizadores.
    A eles as minhas homenagens.
    E, ao teu povo,meu povo brasileiro também, a minha admiração eterna.

    • 02/11/2011 às 7:50 PM

      Não diria corrigi-lo, mas os últimos anos o PIB de Pernambuco tem crescido há índices chineses, por várias questões.

      Na verdade o ciclo de imigrações para o Brasil iniciou no início do século XIX, e o principal incetivador desse período foi o D. João VI. Portanto, organizou os primeiros contigentes no sudeste e sul do país, como você citou, devido a adaptação climática. O nordeste foi um grande pólo comercial brasileiro nas primeiras décadas da colonização, principalmente devido a exploração agrícola, contudo sempre foi uma região de instabilidade política e social, basta ver a quantidade de levantes e revoltas em Recife, Maranhão, Grã-Pará e Salvador nos século XVIII e XIX. Mas o centro administrativo do Brasil, desde no momento que passou para o Rio de Janeiro em 1763, assevera as distâncias, pois o país economicamente ligada ao nordeste e com as divisas escoando para o sudeste, essa é a origem da diferenças regionais.

      Administrativa e economicamente o Nordeste brasileiro ainda irá se reestruturar muito, e a cada dia se distanciar do êxodo nordestino para o sudeste, tão comum nas décadas passadas. Só como exemplo, em 2005 orçamento pernambucano era de 12 Bilhões de reais, e o atualmente está se projetando 115 Bilhões até 2015. Isso não é fruto de um governo A ou B, mas principalmente do momento econômico vivemos, e que, espero realmente que perdure, pois esse povo historicamente sofrido merece uma vida melhor.

      Abraços

  2. Korolev
    04/11/2011 às 4:44 PM

    A questão da imigração alemã foi pura sacanagem brasileira para com os alemães, isso eu sou obrigado a reconhecer. Toda a propaganda brasileira falava de autonomia cultural, liberdade de agirem como bem entenderem e gerirem suas comunidades como quiserem. Acontece que os alemães não tinham interesse e nem obrigação de serem assimilados pela cultura brasileira, pois eles vieram ao Brasil como colonos não como um imigrante, que vem procurar emprego, por exemplo e tudo isso sob termos garantidos pelo Brasil. Se depois de 50 anos as consequências de um planejamento mal-feito começaram a preocupar, isso era culpa exclusivamente brasileira e da política adotada para conquistar imigrantes na base da mentira(novidade, né). Alguém aqui acha que se o governo colocasse na propaganda que os alemães que viessem para o Brasil teriam, mais cedo ou mais tarde, se misturar com portugueses, caboclos, indígenas, etc, os alemães realmente viriam? As únicas comunidades que os alemães se davam bem era a comunidade italiana.

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