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Archive for 08/11/2011

Curiosidades do Pré-Guerra – Parte I

A Segunda Guerra pode ser perfeitamente entendida a partir da análise dos acontecimentos do pré-guerra, ou do período compreendido entre o fim da Primeira Guerra ao início da Segunda, ou seja, a Segunda começa a se moldar, a partir do fim da Primeira. E os acontecimentos que evidenciaram os fracassos de toda a diplomacia mundial para evitar a morte de milhões de pessoas, iniciaram, quase que de forma retórica, pela política econômica que sucumbiu nos anos 20 e 30. Países participantes do Grande Conflito ou estavam politica e economicamente em parca recuperação, como é o caso de França e Inglaterra, no caso dos vencedores ou estavam pagando caro pela derrota, como é o caso da Alemanha, também há outros países ou impérios, como é o caso do Otomano, que se reconfigurou geograficamente após a derrocada.

Nesse contexto a Grande Depressão evidenciada na Quebra da Bolsa de Valores em 1929, permitiu que regimes totalitaristas ganhassem espaço político e, através de discursos radicais, assumissem um papel preponderante na construção de um cenário que sucumbiria a uma nova ordem mundial.

A Alemanha de 1929, dá uma expressiva votação a um partido que, cinco anos antes, era seguido apenas por meia dúzia de radicais, e em 1933 teve na voz de um eloquente orador, Adolf Hitler, um representante nato dos ideias de luta pela sobrevivência do germanismo na Europa. E a partir de 1935 implementa medidas protecionistas na economia e, através de uma indústria bélica reestrutura a Alemanha e passa a buscar junto a outras nações a emancipação territorial, muito além da terras perdidas pelo Tratado de Versalhes.

Esse era o mundo Pré-Guerra, que ainda presenciou antes do início do Grande Conflito, outros de proporções menores, mas não menos sofrível para os povos e nações envolvidas, como a Guerra Civil Espanhola e a Guerra Sino-Japonesa.

Segue uma pequena amostra desse período:

Hitler, antes de ser HITLER!

Adolf Hitler, 35 anos, em sua libertação da prisão Landesberg, em 20 de dezembro de 1924. Hitler tinha sido condenado por traição em uma tentativa de golpe em 1923 chamado Putsch da Cervejaria. Esta foto foi tirada logo depois que ele terminou de ditar “Mein Kampf” para Rudolf Hess. Oito anos mais tarde, Hitler seria empossado como Chanceler da Alemanha, em 1933.(Biblioteca do Congresso Americano).

A Muralha da China - Só que é do Japão

Um soldado japonês monta guarda sobre parte da grande muralha da China, capturada em 1937, durante a Guerra Sino-Japonesa. O Império do Japão e da República da China estavam em guerra intermitente desde 1931, mas o conflito intensificou em 1937.(LOC).

Ataque Aéreo

Aviões japoneses atingem alvos na China em 1937.(LOC)

Guerra de Rua

Soldados japoneses envolvidos em combates de rua em Xangai, China em 1937. A batalha de Xangai durou de agosto a novembro de 1937, eventualmente envolvendo quase um milhão de soldados. No final, Xangai caiu na mão dos japoneses, depois de mais de 150.000 baixas dos dois lados.(LOC).

Mussoline, antes de ser MUSSOLINE

Líder fascista italiano Benito Mussolini, centro, as mãos nos quadris, com os membros do Partido Fascista, em Roma, Itália, 28 de outubro de 1922, após a sua marcha sobre Roma. Esta marcha foi um ato de intimidação, onde milhares de camisas negras fascistas ocuparam posições estratégicas em grande parte da Itália. Após a marcha, Emanuelle III pediu a Mussolini para formar um novo governo, abrindo caminho para uma ditadura.(AP Photo).

Soldados Italinos

Quatro soldados italianos na Etiópia em 1935, durante a Guerra ítalo-abissínia. As forças italianas de Mussolini invadiram e anexaram a Etiópia, dobrando-a em uma colônia chamada África Oriental Italiana, juntamente com a Eritréia. (LOC)

A Conquista Italiana

Tropas italianas levantam a bandeira italiana sobre Macalle, Etiópia, em 1935. Apelos do imperador Haile Selassie a Liga das Nações para a ajudarem ficaram sem resposta, e na Itália foi em grande parte recebida como um passe livre para fazer o que bem entender na África Oriental. (LOC).

A mulher na Guerra Espanhola

Na Espanha, os soldados leais ensinam prática de tiro para as mulheres que irão defender a cidade de Barcelona contra as tropas rebeldes fascistas do general Francisco Franco durante a Guerra Civil Espanhola, em 02 de junho de 1937. (AP Photo).

Morte Certa

Trezentos rebeldes fascistas foram mortos nesta explosão em Madrid, Espanha, sob o edifício Casa Blanca de cinco andares, em 19 de março de 1938. Legalistas do governo fizeram um túnel de 600 metros, ao longo de um período de seis meses, para lançar as minas terrestres que causaram a explosão. (AP Photo).

O Momento

Um soldado insurgente joga uma granada de mão sobre uma cerca de arame farpado em soldados leais com metralhadoras acionadas em Burgos, Espanha, em 12 de setembro de 1936.

 

 

 

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Os alemães e o Brasil – A Imigração Alemã – Parte III

Segue a terceira parte da análise da imigração alemão para o Brasil do Mestre Alessandro Santos Rosa:

E as preocupações aumentam!

 Preocupações mais acentuadas começaram a surgir no cenário político nacional com a eclosão da Primeira Guerra Mundial (1914-1918), uma vez que se perceberam as idéias que pairavam dentro da Alemanha de estender seus territórios até mesmo no além-mar.

Os imigrantes residentes no Brasil passaram a representar uma ameaça, pois, além de não se integrarem a sociedade brasileira, mantinham um apoio incondicional a Alemanha, como explicado por René Gertz[1]: “Houve reservistas alemães que abandonaram o Brasil para lutar pela Alemanha; no início do conflito foi fundado o jornal Bismarck em Porto Alegre para contrapor-se às notícias negativas sobre a Alemanha difundidas pela maioria da imprensa, e mais tarde foi adquirido O Diário para o mesmo fim”. (p.16)

Se havia esse tipo de disponibilidade de um indivíduo sair de um país para onde tinha imigrado para defender a pátria mãe de arma em punho, arriscando sua própria vida, então se tratava no mínimo de uma situação de preocupação relevante. O que fora tão incentivado que ocorresse, a imigração de alemães para realizar a ocupação das grandes áreas de terras brasileiras, acaba tomando um sentido contrário, pois ficam suspensos no ar os primeiros alarmes dos perigos que passam a representar para o Brasil.

Quando finda a Primeira Guerra Mundial, as elites brasileiras respiraram aliviadas, pois a idéia do pangermanismo colocava em risco a hegemonia brasileira, a integridade e a soberania. Com a ocupação alemã, que se deu nos três estados sulinos, em maior peso no Rio Grande do Sul e Santa Catarina, havia a preocupação de que a Alemanha investisse na idéia de tornar este uma extensão de seu país como ocorrido com outros países da Europa sobre regiões subdesenvolvidas.

A partir da Primeira Guerra Mundial, a preocupação com a não-integração alemã com a sociedade brasileira, torna-se constante, pois, assim como consideravam o povo judeu uma sociedade que só explorava e não trabalhava, que se aproveitavam da produção alemã, poderiam passar a ter a mesma visão dos brasileiros. Os judeus eram vistos como os grandes culpados da Alemanha estar subordinada aos efeitos do capitalismo internacional e por viver em atraso econômico. Havia uma espécie de sentimento de ódio, onde não havia lugar para essa sociedade inferior.

A intervenção de autoridades alemãs acabava influenciando as normas da política brasileira em relação a imigrantes judeus, como analisa Ricardo[2]: “A cooperação policial e governamental germano-brasileira conduz o Brasil a adotar medidas anti-semitas preconizadas por Berlim. Por meio da circular secreta n. 1.127, de 7 de junho de 1937, o governo Vargas oficializa as restrições à entrada de imigrantes de origem judaica no Brasil”. (p. 28)

Do mesmo modo, cria-se um temor intenso no Brasil, já que essas idéias criadas e alimentadas pela liga Pangermânica, após o ano de 1928, continuavam fervorosas. As comunidades de alemães passam a ser alvo de constante observação, pois a idéia de tornar o povo alemão uma raça superior era latente e foi ainda mais incentivada com o surgimento do III Reich de Adolf Hitler, como aborda Dennison[3]:

      O imperialismo, o militarismo e o pangermanismo foram entusiasticamente adotados pelos nazistas, constituindo a base de seus argumentos em favor de uma drástica mudança na ordem mundial vigente. Deve-se destacar, contudo, que o nazismo também enfatizava ainda mais os elementos de ordem racial, ao explicitar seu projeto de poder.  (p.19)

 A partir de 1920 a Alemanha inicia uma trajetória para recuperar sua economia e tentar se projetar no cenário mundial, pois com a derrota da Primeira Guerra Mundial teve toda sua estrutura abalada. Já após 1933 encontrava-se com sua economia em ascendência, um crescimento contínuo e com uma política totalitária.

Nessa mesma década, no Brasil, ocorre o golpe do Estado Novo, ascendendo ao poder a figura de Getúlio Vargas (1937), o qual tinha formas de governo e pensamento alinhados com as ideologias de Hitler e Mussolini, sendo que o primeiro ascendeu ao poder já em 1933 e o segundo em 1925, este através de um golpe de estado. Esses aspectos que caracterizam ambos os governos vão propiciar um estreitamento nas relações políticas e econômicas.

Essas novas relações preocupam de imediato o governo norte-americano, pois a política econômica, de troca de produto, fez com que houvesse um grande impulso nas atividades comerciais desenvolvidas pela aliança Brasil-Alemanha, perdendo fôlego o comércio entre brasileiros com os Estados Unidos, como analisado por Dennison[4]:

 Dessa forma, compreende-se que, ao aumento do volume do comércio da Alemanha com o Brasil, correspondesse uma queda das trocas brasileiras com os EUA. Quando Adolf Hitler chegou ao poder na Alemanha em 1933, os EUA respondiam por 21,2% das importações brasileiras e a Alemanha, por 12%. As exportações brasileiras para os EUA alcançavam 46,7% do valor total, e aquelas para a Alemanha, 8,1%. Cinco anos depois, o quadro era muito diferente. As importações de produtos alemães correspondiam a 25% do total, e as norte-americanas a 24,2%. Já as exportações brasileiras para os EUA haviam caído para 34,3%, enquanto as destinadas para a Alemanha subiram para 19,1%. (p.20)

Perante as alterações nos níveis de negociação comercial com a Alemanha, iniciou nesse momento uma preocupação constante por parte do governo norte-americano. Pois a comercialização com o país germânico ocorria em moeda alemã, atrelando a economia de quem estivesse comercializando, pois os valores convertidos em francos alemães ficavam depositados em bancos alemães e só poderiam ser usados para pagar por mercadorias produzidas na própria Alemanha.

Referencia Bibliográfica

 

*GERTZ, René. O perigo alemão. Porto Alegre: Editora da Universidade Federal do Rio Grande do Sul, 1991

* OLIVEIRA, Dennison de. Os soldados alemães de Vargas. Curitiba: Juruá, 2008

* SEYFERTH, Giralda. A colonização alemã no vale do Itajaí – Mirim. Porto Alegre: Movimento, 1985


[1] Idem. p.16

[2] SEITENFUS, Ricardo. O Brasil vai a Guerra: o processo do envolvimento brasileiro na Segunda Guerra Mundial. 3ª  ed. Barueri, SP: Mamole, 2003. p.28

[3] OLIVEIRA, Dennison de. Os soldados alemães de Vargas. Curitiba: Juruá, 2008. p.19

[4] Idem. p.20

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