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Castelnuovo – A luta pela sobrevivência de um pelotão brasileiro – Parte I


 Depoimento sobre as operações em CastelNuovo que culminou com mais uma vitória brasileira na Itália. Esse depoimento foi publicado em janeiro de 1970 pelo General de Exército Manoel Rodrigues de Carvalho Lisboa que era à época, comandante do I Batalhão de Fuzileiros do 11º Regimento de Infantaria para a Revista do Clube Militar:

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Castelnuovo estava em nosso poder. Já era noite e o tiroteio se fazia ouvir dentro da cidade. A confusão não permitia uma mútua destruição entre os ocupantes da cidade, graças ao vozerio caracteristicamente brasileiro, com as piadas jocosas e pornográficas, substituindo mais vantajosamente os código e senhas. Para o I Batalhão, a ordem de se preparar para prosseguir na jornada seguinte rumo à Serra do Gato tirava o sono do seu comandante.

As cartas topográficas distribuídas não indicavam com  fidelidade a localização dos campos minados. Daí a sua insônia. Lançar-se ao desconhecido numa missão de combate não é difícil, pelos cuidados que se toma nos dispositivos. Mas lançar-se ao desconhecido, em terreno que se sabe altamente minado, mas não localizados os seus campos, é missão que só os combatentes de infantaria podem avaliar.

 

No dia 06 de março partem os homens da 1ª Companhia. Vão reforçados com equipes de mineiros do 9º Batalhão de Engenharia e do próprio Regimento. Vão também os reforços dos padioleiros do Batalhão de Saúde. O Capitão faz meticulosa recomendações contra o maior perigo, as minas. Lá se vão eles, devagar, olhos presos ao chão, temerosos, ouvidos atentos ao inimigo e à máquina infernal! É uma marcha vagarosa, mas cuidadosa. Os mineiros, à frente, abrem as brechas, que assinalam com fitas brancas e dizeres informativos. A tensão nervosa aumenta. A noite se aproxima vem tornar a progressão mais difícil. Há, no entanto, um moral elevado nas fileiras. O Capitão dá exemplo. Os Tenentes e os Sargentos seguem-no. Felizmente a marcha se faz até agora sem acidentes. Nenhum campo foi pisado. Os mineiros levantaram alguns, evitando, com isso, o que lamentar. A companhia, com dois pelotões em primeiro escalão, já tem mais de duas horas de curso desde que o sol se foi. Marcha mais confiante e pretende nessa jornada atingir o seu objetivo.

Um estampido, de repente, quebra o silêncio daquela caminhada! Mais outros e muitos outros se seguem e com eles os gemidos dos feridos. Um pelotão cai dentro de um campo minado não percebidos pelos mineiros! É contingência da própria guerra. No pelotão, só os gemidos rompem o silêncio da noite. O seu comandante ordena: “Ninguém se mexa! Fiquem onde estão, sentem!” Redige, na escuridão, uma mensagem para o seu Capitão, pois a linha telefônica fora arrebentada, pela explosão das minas. Fala aos mensageiros que estão junto a ele. Recomenda-lhes atingir o PC da Companhia segurando o fio do telefone. Essa trilha é livre, mas os cuidados exigem cautela. A duração do pequeno trajeto dura três horas. O Capitão chora, ao receber a mensagem da pequena fração. Como socorrê-los? São muitos, 13 até agora! Apela para o comandante do Batalhão. Dá os dados do problema para decisão que deve ser demorada. Há homens morrendo em atroz sofrimento! A notícia se espalha pelo Batalhão. Todos querem os seus companheiros. Mas, como chegar lá, se há, apenas, uma estreita e duvidosa trilha? Como enviar a equipe de padioleiros com as padiolas, com a rapidez exigida?

Continua…

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  1. Helio Guerrero
    21/06/2012 às 11:44 PM

    Por favor ….. há a continuidade dessa matéria ???

    • 22/06/2012 às 7:12 AM

      Hélio,

      Já foi publicada a resposta. Dá uma procurada no BLOG que a segunda parte foi publicada já, se não encontrar deixa um comentário que te ajudo.

  2. 31/01/2013 às 1:40 PM

    gostei eu tenho um heroi da segunda guerra na minha familha meu avo

  3. João Carlos de Souza Figueira de Ornellas.
    06/08/2013 às 11:38 AM

    Amigo Francisco.

    Meu amigo seria ótimo se vc escreve-se sobre nossa Marinha de Guerra e Mercante,historias atos de Heroismo etc,etc……..

    Meus Parabéns,sobre o Blog e resgate da nossa História.

    Abs.

    João Carlos de Souza Figueira de Ornellas.

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