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Archive for 22/11/2011

A Wehrmacht na Fase Ofensiva – Parte I

Não podemos negar o poder combativo da Wehrmacht enquanto teve condições de manter a ofensiva, independente de se apoiar as atitudes de Hitler ou crucifica-lo como “o maligno”, temos que admitir o potencial bélico que o exército alemão se revestiu em poucos anos de reestruturação. E não me refiro apenas a logística, armamentos e veículos, coloco um ponto especial para as estratégias que foram desenvolvidas pela Wehrmacht, antes nunca usadas, táticas novas e devastadores, muito embora que fracassada em manter os territórios ocupados, mas enquanto esteve na ofensiva estabeleceu vitórias que deixaram o mundo, à época, abismados. Então o caráter organizacional e pioneiro dos alemães é indiscutível.

 PS. Observem na primeira e segunda fotos onde estava a Legião Estrangeira Francesa.

Detalhes Históricos Gerais da Segunda Guerra

Aparências

A Guerra entra no seu quarto ano contra o Japão, as forças militares chinesas reforçam a sua força aérea, produzindo seus próprios armamentos, e formação dos seus militares nos modernos métodos de guerra. Aqui, cadetes chineses, em trajes de batalha, que curiosamente tem similaridade com o capacete de aço alemão. Em algum lugar na China, em 11 de julho de 1940. (Foto: AP).

Infantaria

Infantaria britânica na posição em uma trincheira rasa perto Bardia, um porto líbio, que havia sido ocupado por forças italianas, e foi tomada pelos Aliados em 05 de janeiro de 1941, após um cerco de 20 dias.(AP Photo).

Aviões Aliados

Em uma formação rochosa, um bombardeiro britânico decola em 15 de maio de 1941, de algum lugar no leste da África, deixando para trás um rastro de fumaça e areia. (AP Photo).

No Mar

Navios de guerra da Frota do Mediterrâneo britânicos bombardearam Fort Cupuzzo em Bardia, na Líbia, em 21 de junho de 1940. A bordo de um dos navios de guerra estava um fotógrafo oficial que gravou imagens durante o bombardeio. Antiaérea e o disparo de armas prontas para a ação. (AP Photo).

Na África

Uma vista aérea de Tobruk, na Líbia, mostrando depósitos de gasolina queimando após ataques pelas Forças Aliadas em 1941.(AP Photo).

Marcha de Prisioneiros

Bardia, um porto fortificado da Líbia, foi capturado pelas forças britânicas, com mais de 38.000 prisioneiros italianos, incluindo quatro generais, e vastas quantidades de material de guerra. Um fluxo interminável de prisioneiros italianos deixa Bardia, em 05 de fevereiro de 1941, depois que os australianos tomaram a local. (AP Photo).

No deserto

Um esquadrão através do deserto egípcio em janeiro de 1941. As tropas realizavam manobras em preparação para a campanha dos Aliados no norte da África.(AP Photo).

Que Serviço!

Preparação uma bomba para a missão contra as forças italianas em campanha na África. 24 de outubro de 1940.(AP Photo).

Patrulha de Ataque!

Patrulha de aviões de combate britânicos, voando sobre um setor Oriente Médio, quebrou formação para atacar aeronaves inimigas, em 28 de dezembro de 1940.(AP Photo).

Morto

O corpo de um soldado italiano encontra-se caído durante a batalha, em uma fortaleza de pedra em algum lugar do deserto ocidental da Líbia, em 11 de fevereiro 1941.

O Rei

Haile Selassie (direita), imperador exilado da Etiópia, cujo império foi absorvido pela Itália, retorna com um exército etíope recrutados para ajudar os ingleses na África, em 19 de fevereiro de 1941. Aqui, o imperador inspeciona um aeroporto, um intérprete ao seu lado. Em 05 de maio de 1941, depois de os italianos na Etiópia foram derrotados pelas tropas aliadas, Selassie voltou para Adis Abeba, e retomou a sua posição como governante.(AP Photo).

Highlanders

Highlanders, um regimento de infantaria escocesa do exército britânico, e tropas indianas passado a Grande Pirâmide no deserto Africano do Norte, em 09 de dezembro de 1940.(AP Photo).

Rommel

Marechal de Campo general Erwin Rommel, comandante do Korps Afrika, bebendo com um oficial alemão não identificado. Eles estão sentados em um carro durante a inspeção das tropas alemãs enviadas para auxiliar o exército italiano na Líbia em 1941.(Foto: AP ).

 

 

 

 

 

 

 

 

 

Os alemães e o Brasil – A Imigração Alemã – Parte V

Autor: Professor Mestre Alessandro dos Santos Rosa

Perseguidos e atacados!

Com a decisão de apoiar aos países aliados, mudou drasticamente o tratamento com os imigrantes alemães e seus descendentes. Na compreensão da sociedade brasileira e ainda motivada por lideranças políticas nacionais e locais, todo aquele que tivesse descendência germânica era culpado pelas mortes ocasionadas nos incidentes marítimos, como explica o general da reserva, Italo Conti[1], ex-combatente da Força Expedicionária Brasileira:

     A partir do dia em que ocorreu o afundamento dos navios brasileiros ocorreu uma mudança na opinião social. Inclusive eu estava em Cachoeira, no Rio Grande do Sul, quando ocorreu os afundamentos dos navios, o quebra-quebra foi violento. O que era pertencente a alemães foi tudo quebrado, indústria, casas, clubes, comércio. Isso ocorreu de forma mais agressiva no Rio Grande do Sul e Paraná, já em Santa Catarina foi de uma forma mais acentuada e também algumas casas no Rio de Janeiro. De qualquer forma, era a opinião publica mostrando sua revolta contra o que havia acontecido…

A mudança de pensamento a respeito daqueles que possuíam origem germânica foi imediata. Existiam aqueles agitadores que seguiam as orientações vindas do Reich e grupos extremistas que estavam estabelecidos em território nacional, como analisado pelo 2o tenente reformado Aristides Saldanha Verges[2], ex-combatente da Força Expedicionária Brasileira:

     Houve uma mudança sim, principalmente porque haviam aqueles que se manifestavam, esses sofreram ainda mais. Inclusive uma firma que eu trabalhava, uma vidraçaria chamada “Vidraçaria Vitro”, aqui da cidade de Curitiba na rua Marechal Deodoro, os proprietários eram de origem alemã. Portanto quando foi declarada a guerra com Alemanha e Itália, a firma foi depredada, toda quebrada, pela população civil. Porém eles pertenciam ao grupo dos integralistas.

Os incidentes marítimos foram determinantes para que o Brasil optasse por apoiar os aliados. Fato esse que fica constatado através do depoimento de Ítalo Conti.

Mesmo com a mudança de opinião a respeito dos imigrantes alemães, tanto no meio social como também no meio militar, não houve discriminação a respeito daqueles que se apresentavam como voluntários para integrar o efetivo da Força Expedicionária Brasileira, como abordado por Italo Conti[3]: “…o que não impediu que muitos filhos de alemães compusessem o efetivo da FEB. Temos como símbolo da coragem da FEB, o sargento Max Wolf Filho, filho de alemães. Eu convivi com esse sargento, porque ele pertencia ao batalhão que nós dávamos apoio”.

De certa forma era interessante para o próprio Exército que militares de descendência germânica estivessem compondo o efetivo da Força Expedicionária Brasileira. Se houvesse necessidade de uma comunicação entre militares brasileiros e militares alemães havia uma facilidade de entendimento, isso no caso de cair prisioneiro de guerra ou de fazerem prisioneiros, como analisado por Dennison[4]:

   A presença de um teuto-brasileiro entre os febianos que fosse fluente em alemão sempre foi reputada como sendo de alto valor. No caso dos brasileiros que caíram prisioneiros dos alemães, como o Cabo Amynthas Pires de Carvalho, do 11o RI, essa habilidade era considerada de forma ainda mais alta. Ele e o seu grupo de combate foram capturados, em 22.10.1944, na Região de Barga. Seu cativeiro foi tornado mais suportável por entenderem os alemães e por serem por eles entendidos, graças a presença, no grupo, de Casemiro Muller, um catarinense descendente de alemães, que falava alemão perfeitamente. (p.58)

Como ainda nos confirma o senhor Lindolfo Arendt[5] sobre essas mudanças: “Com certeza. Iniciou perseguição, nas cidades haviam inspetores de quarteirão (rua), os quais queriam mostrar serviço. Haviam famílias de descendentes de italianos e alemães que não falavam uma palavra em português, isso passa a não ser mais permitido. Mesmo vivendo dentro de uma colônia de alemães, ainda fui voluntário pra ir no efetivo da FEB”.

Fica evidenciada a diferença na forma de trato com os teuto-brasileiros, inicialmente incentivados a colonização, efetivaram grande desprendimento com seu trabalho. Após a decisão de o Brasil apoiar os países aliados, a grande mudança ocorrida, uma verdadeira aversão a quem fosse descendente de imigrantes alemães, como abordado por Virginia Leite, ex-enfermeira integrante da FEB[6]:

     No Brasil houveram as coisas mais absurdas que se possa imaginar, por que aqui mesmo em Curitiba, as lojas que eram dos alemães, italianos e japoneses, foram depredadas e os donos eram presos, o brasileiro “pintou e bordou”, com os imigrantes e descendentes. Quem estava aqui não tinha nada a ver, foi até um absurdo, mas guerra é guerra.

As perseguições ocorridas dentro do país possuíam a representatividade das lutas ocorridas contra os regimes totalitários. Porém, as perseguições foram realizadas de uma maneira generalizada, sem haver uma averiguação se aquelas pessoas estavam envolvidas ou não com grupos extremistas.

 

Referencia Bibliográfica

 

*GERTZ, René. O perigo alemão. Porto Alegre: Editora da Universidade Federal do Rio Grande do Sul, 1991

*OLIVEIRA, Dennison de. Os soldados alemães de Vargas. Curitiba: Juruá, 2008

*SEYFERTH, Giralda. A colonização alemã no vale do Itajaí – Mirim. Porto Alegre: Movimento, 1985

*Virginia Leite. Ex-enfermeira da Força Expedicionária Brasileira. Entrevista realizada no dia 09 de novembro de 2009 na cidade de Curitiba – PR

*Lindolfo Guilherme Arendt. Ex-combatente da Força Expedicionária Brasileira. Entrevista realizada no dia 26 de outubro de 2009 na cidade de São Miguel do Oeste – SC.

*Italo Conti. Ex-combatente da Força Expedicionária Brasileira. Entrevista realizada no dia 12 de novembro de 2009 na cidade de Curitiba – PR


[1] Italo Conti. Ex-combatente da Força Expedicionária Brasileira. Entrevista realizada no dia 12 de novembro de 2009, na cidade de Curitiba – PR

[2]Aristides Saldanha Verges. Ex-combatente da Força Expedicionária Brasileira. Entrevista realizada no dia 12 de novembro de 2009 na cidade de Curitiba – PR. Natural da cidade de Curitiba – PR. Incorporado em 01 de dezembro de 1943 no 23o BI. Em fins de março de 1944, foi designado para viajar, sendo transferido para a cidade do Rio de Janeiro, sendo incorporado ao 6o RI. A sede dele era em Caçapava, mas já estava deslocado para a cidade do Rio de Janeiro. Iniciaram treinamentos em diversos lugares na cidade, como preparação para a Guerra. Quando partiu, no primeiro escalão, pertenceu a Cia Cmdo do 3o batalhão, do 6o RI., tendo como chefe direto o Tenente Silvio Miscov e comandante do batalhão o Capitão Antonio Barcellos. Conta na atualidade com 88 anos.

[3]Italo Conti. Ex-combatente da Força Expedicionária Brasileira. Entrevista realizada no dia 12 de novembro de 2009 na cidade de Curitiba – PR

[4] OLIVEIRA, Dennison de. Os soldados alemães de Vargas. Curitiba: Juruá, 2008. p.58

[5]Lindolfo Guilherme Arendt. Ex-combatente da Força Expedicionária Brasileira. Entrevista realizada no dia 26 de outubro de 2009 na cidade de São Miguel do Oeste – SC. Natural de São Pedro do Sul – RS, nascido em uma colônia de imigrantes alemães. Antes de partir efetivamente para a guerra, pertenceu ao 30 Pel. 70 Batalhão de Infantaria, o qual ficou fixado em diversas instalações na cidade de Santa Cruz do Sul – RS, embarcando para Santa Maria, onde foi formado um contingente de todo o Rio Grande do Sul, partindo daí para o Rio de Janeiro em 25 de dezembro de 1944, chegando lá dia 01 de janeiro de 1945. Compuseram o efetivo de 96 militares, sendo 1 Sgt, 14 Cbs e 81 Sds. Sendo dividido esse efetivo entre as diversas frações que partiriam para a Itália compor o Depósito de Pessoal em Stafler. Não receberam nenhum tipo de treinamento, somente rigorosa inspeção de saúde, permanecendo até o dia 28 de janeiro de 1945, data em que se deu a partida do 3o escalão com destino ao depósito de pessoal na Itália, devido as baixas ocorridas nas tentativas da tomada de Monte Castelo. O referido ex-combatente conta atualmente com 89 anos, conseguiu seus benefícios de aposentadoria somente na década de 80.

[6]Virginia Leite. Ex-enfermeira da Força Expedicionária Brasileira. Entrevista realizada no dia 09 de novembro de 2009 na cidade de Curitiba – PR. Natural da cidade de Irati – PR  e descendente de família Luso brasileira. Foi a primeira voluntária do Estado do Paraná, participou do Corpo de Enfermeiras, órgão criado pela Cruz Vermelha. Esta por sua vez, criou em várias cidades um curso de enfermagem para que o exército pudesse compor um corpo de saúde de enfermeiras. Ficou designada ao corpo de saúde da FEB, seguindo para África, e depois partindo para Itália, desembarcado do avião em Nápoles. Chegando depois do segundo escalão. Conta atualmente com 93 anos.

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