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Especial Pearl Harbor – 70 Anos – Os Informes “Magia”


Em meados de 1940 os serviços de inteligência americana entraram de posse de um material extraordinário: o código “Púrpura”, utilizado pelos japoneses para a transmissão de suas informações secretas da mais alta importância. Com um extraordinário trabalho de deciframento, esse código pôde ser inteiramente interpretado e conseguiu-se também construir máquinas similares à utilizadas pelos japoneses na transmissão das mensagens “Púrpura”.

A forma em que o código caiu em mãos americanas foi puramente acidental. No mês de maio de 1940 um barco veleiro japonês afundou no mar de Bering em meio a uma violenta tormenta. Poucos dias depois um baleeiro norueguês encontrou flutuando no mar o corpo do capitão japonês. Em seu uniforme, os marinheiros noruegueses encontraram um pequeno livro de capa de chumbo forrado com tecido que parecia conter uma série de tábuas de logaritmos. Os noruegueses entregaram esse livro a um guarda-costas americano, cujo capitão, ao examiná-lo, compreendeu que se tratava de um volume de código. Sem perda de tempo suspendeu sua viagem de patrulha e dirigiu-se à base naval de Dutch Harbor. Ao ser examinado o livro pelos experts comprovou-se que continha o ultra-secreto código “Púrpura”, utilizado nas comunicações cifradas pela marinha, aeronáutica e pelo Ministério de Relações exteriores do Japão.

Rapidamente foram organizados em Washington os serviços para a intercepção e deciframento das mensagens japonesas. Os informes assim obtidos receberam o nome-chave de “Magia”. Construíram-se seus máquinas de deciframento que foram assim distribuídas: uma foi enviada a Londres, duas ficaram para a secção de Inteligência do Departamento da Marinha e outras duas foram destinadas ao Serviço de Inteligência de Comunicações do Departamento de Guerra. A última máquina disponível, junto com o pessoal encarregado de seu funcionamento foi enviada em abril de 1941 para as ilhas Filipinas para ser utilizada pelo comandante da Frota Asiática e pelo General MacArthur.

Nenhuma máquina “Púrpura” foi instalada na base de Pearl Harbor, onde se encontrava a sede do comando da frota do Pacífico. O chefe dessa frota,. Almirante Kimmel, ficou, assim, subordinado a Washington, no que se refere à recepção dos informes japoneses interceptados. As mensagens “Magia”, decifradas pela Marinha e pelo Exército, foram objeto de um controle muito rigoroso. Só poucas pessoas tiveram acesso direto a esses documentos. Entre elas estavam o Presidente Roosevelt, o Secretário de Estado Hull, o Secretário de Guerra Stimson, o Secretário da Marinha Knox, o general Marshall, chefe do Estado-Maior do Exército, o Almirante Stark, chefe de operações navais, e outras sete altas autoridades navais e militares. Os serviços de inteligência da Marinha e do Exército alternavam-se cada 24 horas na tarefa de interceptar e decifrar as comunicações secretas japonesas e preparavam as cópias dos informes “Magia” para distribuí-las aos funcionários citados. Uma vez estudados esses informes, todas as cópias eram destruídas, menos uma, conservada nos arquivos secretos.

Ao aumentar a tensão entre o Japão e as potências  ocidentais, em meados de 1941, intensificaram-se as transmissões em código entre Tóquio e suas representações diplomáticas em Washington e Berlim. Por isso, os serviços de inteligência americana concentraram sua tarefa de intercepção sobre os circuitos e conseguiram decifrar as mensagens que o governo japonês enviou a seus representantes nos decisivos meses que precederam o ataque a Pearl Harbor.

EUA e Inglaterra estreitam sua aliança

Em 12 de novembro de 1940, o Almirante Stark, chefe de operações navais da Marinha Americana, apresentou a Roosevelt um extenso relatório no qual aconselhava que representantes da Marinha e do Exército iniciassem imediatamente conversações com os chefes militares britânicos, com o fim de traçar os planos e acordos definitivos para apresentar uma frente única contra as potências do Eixo. Roosevelt aprovou imediatamente o projeto.

As discussões foram iniciadas em Washington no dia 29 de janeiro de 1941, cercadas do maior segredo, e tiveram como resultado a aprovação de um acordo militar entre os dois países. Os chefes britânicos insistiram em que a frota americana do Pacífico destinasse parte de seus navios para a defesa da base de Cingapura, mas os dirigentes navais americanos opuseram-se categoricamente a dividir sua esquadra. Finalmente foi resolvido que os britânicos reforçariam Cingapura com navios próprios e os americanos enviariam, se necessário, parte de sua frota do Atlântico para apoiar a marinha inglesa no Mediterrâneo. O conjunto de planos aprovados – que compreenderam todas as regiões do mundo e os problemas estratégicos da guerra marítima, aérea e terrestre – recebeu a denominação de “Acordo ABC-I”.

Os compromissos fundamentais deste plano, no que respeita à participação dos EUA, eram os seguintes: os americanos concentrariam seu esforço bélico na região do Atlântico e da Europa, com a finalidade de apoiar os britânicos em luta contra a Alemanha, considerada como o inimigo principal. No Pacífico a frota americana recebia uma missão essencialmente defensiva.

As autoridades militares dos dois países deram plena aprovação ao projeto e começaram a elaborar em detalhe seus respectivos planos de guerra a fim de adaptá-los às diretrizes do “Acordo ABC-I”. A partir desse momento e tal como afirmou o Almirante Stark, ficou de fato resolvida a intervenção dos EUA na guerra. Os acontecimentos iriam decidir em que momento os americanos participariam abertamente na luta.

Quando a Alemanha invadiu a Rússia, em junho de 1941, Roosevelt decidiu estender imediatamente a ajuda militar aos soviéticos. Seu secretário, Harry Hopkins, viajou a Moscou para oferecer dito apoio a Stalin e averiguar quais as necessidades dos russos em armas e material de guerra. Os primeiros laços da aliança entre as três grandes potências, EUA, Inglaterra e a URSS, ficaram assim acertados.

Entretanto, as relações com o Japão estavam bastante tensas. Em abril de 1941, o Ministro de Relações Exteriores japonês firmou em Moscou um pacto de não-agressão com Stalin. De acordo com ele os japoneses obtiveram liberdade de ação para por em marcha seus planos de conquista no sudeste da Ásia e no Pacífico. No mês de julho, o Exército e a Marinha completaram seus projetos para a ocupação da Indochina, Malásia, Índias Orientais Holandesas, arquipélago das ilhas Bismarck e as Filipinas. A Marinha, por iniciativa do Almirante Yamamoto, já se achava ocupada no planejamento secreto do ataque contra a base americana de Pearl Harbor.

Em uma conferência celebrada no dia 2 de julho, na presença do imperador Hiroito, os dirigentes políticos e militares japoneses acertaram, como primeiro passo, ocupar quanto antes a Indochina e, ao mesmo tempo, realizar todos os preparativos necessários para entrar em guerra contra os EUA e a Inglaterra. Esta decisão foi transmitida às missões diplomáticas em Berlim e Washington, e foi interceptada pelos serviços de inteligência americanos. Roosevelt teve assim conhecimento da iminente invasão da Indochina.

No dia 24 de julho, e depois de obter o consentimento do governo de Pétain – a Indochina era então possessão francesa -, os japoneses empreenderam a ocupação de uma série de estratégicos portos e aeródromos naquela colônia. A reação de Roosevelt não se fez esperar. No dia seguinte decretou a congelação de todos os fundos japoneses nos Estados Unidos, medida que deu lugar à completa interrupção de intercâmbio comercial entre os dois países. Poucos dias depois os britânicos e o governo das Índias Orientais Holandesas ordenaram, por sua vez, a cessação do comércio com o Japão.

O ponto vital dessas medidas estava na interrupção das remessas de petróleo. O governo japonês esperava as sanções americanas e britânicas, mas não havia previsto a decidida atitude das autoridades das Índias Orientais Holandesas. Essa colônia era a principal fonte de abastecimento de petróleo do Japão e, portanto, ao cessar suas remessas, os japoneses ficavam com o problema de esgotar a curto prazo suas reservas, sem possibilidade de reabastecimento.

Em 10 de agosto, Roosevelt e Churchill mantiveram, a bordo do cruzador americano Augusta, a célebre conferência do Atlântico. O problema do Japão foi um dos principais assuntos tratados pelos dois estadistas. Roosevelt comunicou ao primeiro-ministro britânico que estava decidido a manter em plena vigência as sanções econômicas e a não permitir a expansão japonesa no sudeste asiático. Acrescentou, no entanto, que estava decidido a continuar as discussões com os japoneses com o objetivo de ganhar tempo para reforçar as guarnições no Pacífico.

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Fonte: http://adluna.sites.uol.com.br/

Adolfo Luna Neto – É filho do segundo-sargento Adolfo Luna Filho, portanto nada mais justo do que publicar a pesquisa do filho de um Guerreiro da FEB.

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  1. RICARDO PINTO DA SILVA.
    20/01/2013 às 5:00 PM

    Uma das mais importantes faces da história da Segunda Guerra Mundial. A quebra dos códigos japoneses pelo serviço de inteligência militar norte americano, e o ataque a Pearl Harbor. A falha no alerta norte-americano, bem como a muito má execução do ataque.

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