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Archive for 10/01/2012

O 1º Desertor da F.E.B – Um Herói!

 Esse depoimento foi escrito pelo então Coronel Floriano de Lima Brayner, Chefe do Estado Maior da Força Expedicionária Brasileira, e nos mostra um fato curioso sobre o Embarque do 1º Escalão para a Itália.

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O General Mascarenhas de Morais desencadeou a operação “embarque” que importava lançar o Grupamento nº 1 (1º R.I.) para Santa Cruz, onde estacionaria como se estivesse embarcado; o Grupamento 11º (11º R.I.) para o Recreio dos Bandeirantes, com o mesmo objetivo: finalmente, o Grupamento nº 6 (6º R.I) para o embarque real.

Vinte e quatro horas depois entrava no porto do Rio de Janeiro o poderoso transporte “General Mann”, super-artilhado, com alojamento para 6.000 homens. Atracou no Armazém 2 do Cais do Porto, abriu os portões do embarque, e às 21 horas dessa jornada de 30 de junho começou a “engolir” os 6 mil homens do 1º Escalão de Transporte. Mascarenhas, cuja bagagem já estava embarcada, presidiu todos os detalhes da operação, com serenidade e a costumeira energia. Como Comandante da Área de Embarque, eu o assessorava em todos os momentos.

Presentes e extremamente atentos, dois generais americanos, vindos especialmente para presenciar o embarque, eram assessorados pelo General Kröner, Adido Militar dos Estados Unidos. Em dado momento, algo inesperado aconteceu: uma patrulha de Fuzileiros Navais que fazia a Segurança da Área de Embarque, encontrou um soldado expedicionário escondido. Leva-o imediatamente à presença do Grupo de Autoridades presentes, com grande desgosto para o nosso Comandante que não teve meias-palavras para invectivar aquele que considerou o desertor nº 1 da F.E.B. O homem ouviu a torrente de insultos de cabeça baixa, sem esboçar a mínima reação. A mesma patrulha levou-o até a escotilha de embarque, entregando-o ao oficial que fiscalizava a entrada dos homens. Algum tempo passado, uma escolta de bordo bem à presença das autoridades, com o pretenso desertor, declarando, de Ordem do Ten.Cel. Motta, que dirigia a operação dentro do navio, que o homem não pertencia a nenhuma das unidades embarcadas! Surpresa Geral. Emoção. A informação dizia  que o homem não era tipicamente um desertor. Ao contrário; ele estava ali para tentar o embarque como clandestino, de vem que a sua unidade – Um Grupo de Artilharia – estava na Vila Militar e só embarcaria no 2º Escalão.

E porque esse interesse em seguir com o 1º Escalão?
Simplesmente por motivo sentimental. Um companheiro e conterrâneo da cidade mineira, amigo de família, seguia no 1º Escalão.
Ao partirem de sua cidade para se incorporarem à F.E.B. trocaram juramentos perante seus pais, de que zelariam sempre, um pelo outro. Naquele momento, quando as circunstâncias iriam os separar – um seguia no 1º Escalão, enquanto a unidade do outro permaneceria no Rio, o peso do juramento prevaleceu, e ele aproveitaria a confusão dos últimos momentos e entraria no navio, para esconder-se e só aparecer quando estivesse ao largo e aceitassem o fato consumado, de um clandestino que não seria devolvido. Um plano simplista, ingênuo e convincente. Os Chefes militares reunidos ali, ouviram-no conta com desembaraço, a proeza frustrada e, mais do que isso, o apelo veemente, em tom dramático, para que o deixassem seguir com seu companheiro, da cidadezinha mineira. O Gen. Mascarenhas que tivesse expressões candentes ao classifica-lo como 1º desertor da F.E.B., só faltou-lhe pedir desculpas, censurando-o, todavia por ter permanecido silencioso quando verdadeiramente insultado e ofendido nos seus brios.

Afinal de conta o homem era mais herói do que covarde!

Fonte: Brayner, Floriano de Lima –  Recordando os Bravos, Civilização Brasileira – São Paulo, 1977.

Os Estrangeiros Voluntários da Alemanha na Segunda Guerra

Voluntários dos EUA na SS

Alguns cidadãos dos EUA foram membros da Waffen-SS, mas nenhuma unidade foi inteiramente composta de voluntários americanos ou nunca foi completada (apesar de algumas afirmações sobre uma “American Free Corps” ou “George Washington Brigade”). De acordo com dados da SS cinco cidadãos dos EUA serviram na Waffen-SS até maio 1940, mas depois dessa data não há mais números disponíveis.

Segundo Tenente Martin James Monti (nascido em 1910 em St. Louis de um pai italiano e mãe suíço-alemã) em outubro 1944, viajou de Karachi a Nápoles (através de Cairo e Trípoli), onde roubou uma aeronave de reconhecimento(foto reconhecimento versão do P-38) e voou para Milão. Lá, ele se rendeu, ou melhor, desertou, para os alemães e trabalhou para uma emissora de propaganda (como Martin Wiethaupt) antes de entrar para a Waffen-SS como SS-Untersturmführer na Kurt Eggers SS-Standarte. No final da guerra, ele foi para o sul da Itália, onde se entregou para as forças americanas (ainda usando seu uniforme SS) alegando que tinha sido dado a ele por guerrilheiros. Ele foi acusado de deserção e condenado a 15 anos de trabalho duro. Esta sentença foi logo comutada e ele foi reintegrado a Força Aérea, mas em 1948 ele é licenciado e preso pelo FBI, depois de descoberto que ele era Martin Wiethaupt. Desta vez é acusado de traição e recebe condenação de 25 anos no ano seguinte. Ele estava em liberdade condicional em 1960.

Peter Delaney (aka Pierre de la Ney du Vair), natural de Louisiana e um SS-Haupsturmführer da Eggers SS-Standarte Kurt, que se acredita ter servido na Légion des Volontaires Français (LVF). Ele conheceu Monti e, provavelmente, facilitou a entrada do mesmo na Waffen-SS. Delaney foi morto em 1945.

Pelo menos oito voluntários americanos são conhecidos e terem morrido em ação pela Alemanha.

Numerosos alemães étnicos que nasceram nos EUA serviram na Wehrmacht, por exemplo Rickmers Boy, que nasceu em Nova York e ganhou a Cruz de Cavaleiro, como parte de 320 Divisão de Infantaria, em 26 de março de 1943.

Nenhuma tentativa real foi realizada pelas autoridades dos EUA para investigar o assunto e mapear os voluntários no pós-guerra, ao contrário, por exemplo, dos esforços britânicos.

Fonte: Axis History

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