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O INCONSEQUENTE SÉCULO XX!


Vou apresentar um amigo distante! Antes de mais nada, “distante”, nesse caso, se refere literalmente a geografia, mas com certeza próxima em relação a uma amizade virtual, já que meu irmão de farda, pois usamos o mesmo Braçal, e estivemos sob um mesmo código de conduta, honra e lealdade, servindo ao nosso país em Unidade de Polícia do Exército, encontramos afinidades de vida e de luta, afinidades de ideias e pensamentos, por tudo isso, cedo um espaço a quem é merecedor dele: Francisco Bendl, que já tem reserva de honra nesse humilde blog, e de quem, livremente, posso entregar-lhe as chaves desse meio de comunicação que tem por aventurança conectar pessoas, tão distantes, mas com pensamentos tão alinhados.

Chico Miranda

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Sem sombra de dúvidas, o século passado foi o mais importante na história do homem, mas absolutamente inconsequente!

Sem maiores pesquisas foi o período que mais a humanidade participou de conflitos.

Praticamente cem anos de guerras, revoluções, revoltas, implantações de regimes políticos à base da força, genocídios, epidemias, falta de saneamento básico paradoxalmente ao desenvolvimento tecnológico, a morte de milhões de pessoas nas duas grandes guerras mundiais, fome, doenças por falta de assistência médica, enfim, episódios que levaram à morte quase UM BILHÃO de pessoas!

Portanto, o século passado não pode ser visto como de valorização à vida humana, muito pelo contrário, apesar do seu desenvolvimento excepcional em termos tecnológicos.

De 1900 até 1.910, tivemos a Guerra Russo-Japonesa.

Como desastre natural, o grande terremoto que abalou a cidade de São Francisco, na Califórnia, USA.

De 1.911 até 1.920, dois acontecimentos extraordinariamente importantes iriam ter desdobramentos no futuro: A Primeira Guerra Mundial e a Revolução Russa.

Outro episódio que ficou marcado para sempre na memória do povo no mundo inteiro foi o desastre com o navio Titanic, em 1.912.

Porém, como episódio marcante, verdadeiramente terrível, foi a Gripe Espanhola, de 1.918, que matou mais de TREZENTOS MILHÕES DE SERES HUMANOS!

De europeus foram mais de duzentos milhões que padeceram sob esse mal, que se alastrou por outros continentes dizimando um número incalculável de pessoas!

Os anos de 1.921 até 1.930, tivemos as consequências da Primeira Guerra que redundaram na ascensão do Nazismo, Fascismo e Salazarismo, que ocasionariam milhões de mortos.

Mas, o ano que mais nos lembramos desta década é 1.929. A quebra da Bolsa de valores de Nova Iorque, e a miséria que se alastrou por várias nações. Nesta década surge o IRA, Exército Republicano Irlandês, um grupo paramilitar e católico.

A década seguinte, 1.931 até 1.940, foi um dos períodos mais violentos de nossa história.

Além de Stálin que introduzia na Rússia o “Grande Expurgo”, de modo a firmar-se no poder como líder máximo comunista, tivemos o início da Segunda Guerra Mundial, que sucedeu a Guerra Civil Espanhola (36-39).

Como pano de fundo, havia a “Grande Depressão”, consequência da quebra da Bolsa de Valores em 1.929.

Em nosso país, tivemos a Revolução de 30, que coloca no poder Getúlio Vargas.

Em 1.932, houve a Revolução Constitucionalista. São Paulo queria a constitucionalização do novo regime. Apesar de derrotado, ano seguinte, 1.933, a convocação para Assembléia Constituinte, sendo promulgada a nova constituição em 1.934.

Em 1.937, estabelecíamos o Estado Novo.

Não há quem desconheça o que foi a década de 40 a 50.

A Segunda Guerra e seus milhões de mortos; as bombas atômicas sobre o Japão; os horrores dos Campos de Concentração; o bombardeio sobre a cidade alemã de Dresden, as vítimas civís que morreram de fome e frio na sitiada Leningrado por quase três anos; os prisioneiros alemães mortos pelos russos; os milhares de soldados poloneses assassinados pelos russos;

populações de chineses dizimadas pelos japoneses quando esses invadiram a China; os mortos nas ilhas do Pacífico Sul entre americanos e nipônicos e suas grandes batalhas, um mar de acontecimentos que ocasionou a morte de milhões de pessoas, um número verdadeiramente incalculável, afora o prejuízo material cujo valor é impossível ser apurado.

Ao final desta década, em 49, a Revolução Chinesa.

Antes, a Independência da Índia (47), que alguns historiadores dizem que morreram mais pessoas que na Segunda Guerra Mundial!

Ano seguinte, em 48, o estabelecimento do estado de Israel e o primeiro conflito entre árabes e judeus. Neste mesmo ano, 48, surge o Apartheid, na África do Sul, era o racismo e segregação unidos de forma odiosa e repulsiva até 94! Foram 46 anos de injustiças contra o povo negro sul-africano.

Os “Anos Dourados”, assim conhecido o período de 1.950 até 1.960, com a fantástiva evolução do cinema, a humanidade presenciou e sofreu com a Guerra da Coréia (50-53), a Revolução Húngara (56), Guerra de Suez (56), Revolução Cubana (59), a terrível Guerra do Vietnã (65-75), Guerra da Argélia (54-62), Guatemala (54), Invasão da Baía dos Porcos (61), uma fracassada invasão de anticastristas para tirá-lo do poder, anexação do Tibete pela China em 50. Em 59, foi criada a ETA (Pátria Basca e Liberdade), Euskadi Ta Askatasuna, um movimento separatista/independentista marxista-leninista e revolucionário.

De 1.961 até 1.970, a Crise dos Mísseis( Cuba), quase nos leva para uma nova guerra; a Guerra de Biafra (Nigéria), durou três anos (67-70).

Este período dá início ao uso de drogas (LSD), que levaria milhares de pessoas à morte pelo consumo mais tarde de maconha, cocaína e heroína, afora novas drogas desenvolvidas dessas citadas (crack, Ecstasy, anfetaminas…). Em 1.969, El Salvador invadiu Honduras, naquela que seria a Guerra do Futebol! Nesta década tivemos as primeiras investidas para ser derrubado o ditador Somoza na Nicarágua, uma dinastia cruel e corrupta que se perpetuava no poder. Em 1.967, a Guerra dos Seis Dias, Israel frente a países árabes, Egito, Jordânia e Síria.

Também fomos brindados com a Guerra da Namíbia (66-88), um banho de sangue no continente africano entre tantos outros.

Nosso país sofreu a derrubada de seu presidente (João Goulart, em 64), acusado de abrir as portas do Brasil ao regime comunista. No perú, nesta década de sessenta, surge uma organização terrorista de cunho maoísta, o Sendero Luminoso, responsável por dezenas de atentados e sequestros naquele país. Estima-se que seja causador de mais de trinta mil mortes!

Em 64, na Colômbia, surgem as Farc (Forças Armadas Revolucionárias da Colômbia), uma disputa entre liberais e conservadores naquele país à época e que se alastra até os dias de hoje.

No ano de 63, o assassinato do presidente americano, John F. Kennedy.

Em 68, Robert Kennedy, candidato à presidência dos Estados Unidos, foi também assassinado, como o seu irmão, cinco anos antes.

Neste mesmo ano, Martin Luther King, vencedor do Prêmio Nobel da Paz, em 64, é assassinado. Seu mais famoso discurso é, “Eu tenho um sonho”, de 63.

Os anos de 71 a 80, tivemos a Revolução dos Cravos, em Portugal (74); Angola, Cabo Verde, Guiné-Bissau, Moçambique, São Tomé e Príncipe, Timor Leste.

O início da sangrenta Revolução chilena, com a derubada de Salvador Allende, em 1.973, e sua morte no palácio de la Moneda. Neste mesmo ano nova guerra entre árabes e judeus, a Guerra do Yom Kippur (O Dia do Perdão), com mais gente morta na Terra Santa (!?).

A Operação Entebbe, em Uganda, presidida pelo sanguinário Idi Amim Dada, em 76, é tida como uma das mais perfeitas operações de resgate em todos os tempos, quando comandos israelenses invadiram o aeroporto de Kampala (Entebbe), e salvaram mais de duzentas pessoas que tinham ficado aprisionadas naquela cidade depois que o vôo comercial que as transportava tinha sido desviado para aquele país.

No final da década, em 79, os russos invadem o Afeganistão.

Em 75, os comunistas tomam a capital do Camboja, Phnom Penh, e tem início o genocídio cambojano por Pol Pot, nome verdadeiro: Saloth Sar.

Os anos oitenta são reconhecidos pelos historiadores como a década perdida para a América Latina!

A maioria dos países estava sob o jugo de regimes de força, Brasil, Argentina, Uruguai, Chile, Paraguai…

Além dos problemas internos de cada nação americana, houve a Guerra das Malvinas, o início de guerrilhas no Perú através de um movimento comunista intitulado Túpac Amaru.

Em Havana, 80, dez mil cubanos procuram asilo político na Embaixada Peruana.

No Brasil, o atentado do Riocentro, em 81.

O palco de mortes incalculáveis nessa década foi a África.

Independência do Zimbábue, Segunda Guerra Civil Sudanesa, a Líbia é bombardeada pelos norte-americanos em 86, em uma operação cinemetográfica, em 81, o presidente do Egito, Anwar Sadat, é assassindo no palanque com outras autoridades em desfile militar.

A Nigéria sofre vários golpes sangrentos.

A fome, na Etiopia, aniquila milhares de vidas entre 84 e 85, surgindo um movimento internacional de ajuda que se chamou Live Aid, em 85.

Guerra Civil Angolana.

Guerra da Fronteira Sul-africana, que terminaria em 89.

Em 82, a Guerra do Líbano.

A Guerra entre Irã e Iraque, se desdobrou entre 80 e 88.

Os americanos invadem a ilha de Granada, em 83.

Em 89, tentativa para se depor o presidente do Panamá, Manuel Noriega.

Azerbaijão e Armênia tiveram o seu conflito, a Guerra de Nagorno-Karabakh (88-94).

Em 89, um protesto pedindo por mais liberdade política, na Praça da Tiananmen, Pequim, China, foi esmagado pelo exército.

A independência da Nova Caledônia deu início a uma campanha violenta através de um movimento denominado Frente da Libertação Nacional Socialista Kanak.

Em 86, foi apeado do poder o ditador haitiano Jean-Claude Duvalier.

Em 89, a queda do Muro de Berlim, assinalando o fim da Guerra Fria.

Os anos 90 não foram muito diferentes dos anteriores.

A última década do século e do milênio seguiria a tradição de conflitos generalizados.

De 92 a 95, o leste europeu teve o seu Vietnã, a Guerra da Bósnia, uma combinação complexa de fatores políticos e religiosos, tendo iniciado com a desintegração da Ioguslávia, em 91.

Em 90 a Guerra do Golfo.

Neste mesmo ano a União Soviética se desmembra.

Em 93, a Eritréia se separa da Etiópia.

Revolta na Somália, no mesmo ano.

Em 94, o genocídio em Ruanda, com mais de um milhão de mortos!

Segunda Guerra do Congo (98-2002).

Em 99, o Paquistão invade a Caxemira.

Certamente eu deixei de registrar inúmeros outros acontecimentos em termos de revoltas, pequenas revoluções, golpes políticos, movimentos terroristas, paramilitares e outros.

Mas, a idéia foi  fazer um apanhado do século passado e demonstrar que o ser humano foi o ente mais desrespeitado por nós mesmos!

Não houve paz em canto algum do planeta no século XX!

Simplesmente a vida foi desprezada de forma absoluta, indiscutível, inquestionável.

Não houve ninguém e nem movimentos sociais que tivessem conseguido minimizar as agressões, assassinatos, guerras, que mostrassem à humanidade que matar outras pessoas não é a solução para os problemas, ao contrário.

As religiões não lograram êxito nessa tentativa (muitas sequer fizeram algo neste sentido); a morte de mártires não sensibilizou líderes políticos que buscassem outras respostas que não através das armas; a insensibilidade de governantes que jogavam seus governados ao encontro da morte é inexplicável e injustificável.

Sim, fomos inconsequentes no século passado!

Em nenhum momento as figuras mais proeminentes daquela época pensaram nas consequências de seus gestos, no sofrimento que iriam causar, na desgraça que se abateria sobre países e populações com os conflitos por eles elaborados.

A busca pelo poder foi uma constante; dominar mais pessoas através do medo, a característica fundamental da mente no século passado.

A fé foi ofuscada pela barbárie nos campos de batalhas; a crueldade era comum.

O horror foi instalado em muitas nações decididamente a ferro e fogo.

Organizações separatistas mataram seus irmãos impiedosamente; movimentos terroristas assassinaram milhares de inocentes.

As guerras que aconteceram no século XX de nada serviram para este novo milênio em termos de se evitar que elas voltem a acontecer, haja vista que atualmente os conflitos estão restritos à área econômica, ao empobrecimento de povos e nações e, em consequência, as vítimas não morrem através das balas de fuzis, tanques, canhões, mas de fome, doenças, falta d’água, falta de remédios, saneamento básico!

A insensibilidade continua; o desprezo à raça humana ainda prevalece.

A corrupção assola o mundo como a nova praga existente. Sequer a honestidade elabora um plano para erradicá-la.

As religiões se transformaram em lucrativos negócios; a imprensa é tendenciosa.

Desenvolvemos cada vez mais armas que nos matam aos milhares a cada ano, justamente pela nossa falta de respeito. Refiro-me ao trânsito e suas loucuras diárias.

O consumismo originou uma nova doença, que assola grande parte da humanidade: o estresse.

A frustração pelo não ter ao invés de se buscar ser, em primeiro plano, gera a infelicidade, a insatisfação, vários complexos, enfim, uma mente doente.

Não sou um pessimista, mas não posso esquecer a história recente do mundo, que dela faço parte e vivi envolvido pelos seus acontecimentos a partir de 1.950, quando vim ao mundo.

Faz 62 anos, praticamente, que observo a queda moral do ser humano, suas fraquezas, receios, seus conflitos pessoais.

O egoísmo que se adonou da nossa personalidade; a inveja que temos daquele que progride; o rancor que demonstramos quando deixamos de protestar contra algo; a aversão gratuita que alimentamos contra as críticas que nos são feitas em benefício de nosso aperfeiçoamento; o descaso com os filhos; a despreocupação criminosa com o futuro das crianças; a desestruturação das famílias!

Tendo eu trazido à tona esses nefastos acontecimentos do passado, explico as razões pelas quais estou permanentemente fazendo as comparações com episódios da Segunda Guerra com o tempo atual, as analogias, a semelhança de certos fatos, a luta em impedir que eles se repitam.

Francisco Bendl

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  1. Luiz H. S. Valente
    26/01/2012 às 8:00 PM

    Brilhante painel cronológico deste câncer que assola o nosso pobre planeta! Infelizmente, fazer a guerra é uma das características do ser humano! E o pior é que, após tantos conflitos, o homem não aprende que isto não leva a nada! Parabéns, Chicão, pela brilhante exposição!

  2. Mauro Moriarty
    30/01/2012 às 11:45 AM

    – Boas observações e bom alerta amigo Bendl, suas citações históricas em que a maioria conhece mas parece fazer questão de esquecer ou desprezar é um alerta a todos de que a historia não é algo decorativo mais um instrumento pratico de aprendizagem para que nos reflitamos e possamos evitar os velhos erros no caminho de uma sociedade mundial mais justa.

    – Mas como o bom amigo deixou transparecer a todos é evidente que forças cujos interesses (Que podem ser econômico ou politico), estão nadando contra a correnteza das aspirações mundiais de paz e prosperidade a todos igualmente.

    – Infelizmente essa não é uma característica dos tempos, os tempos não mudaram se as pessoas não decidirem mudar, e praticar essa mudança, todos sabem o que é preciso fazer mas estamos sempre esperando que o outro tenha a iniciativa e comece por nós e quando o outro toma a iniciativa ainda nos sentimos incomodados porque alguém demonstra as virtudes que deveríamos ter para colocar em prática, e finalmente constatamos que não as temos.

    – Estamos ficando sem opções, ou refreamos a nossa insensibilidade, o egoismo a rivalidade destrutiva no objetivo ao lucro, ao materialismo incultivo por uma forma desumana e insensível de capitalismo, que despreza a necessidade dos fracassados que são a maioria enaltecendo os gananciosos como vencedores, que roubam ou compram para si todas as poucas oportunidades que gera esse sistema que tornou-se desumano pelo controle e amor ao lucro de alguns.

    – Mas cada vez mais conscientes nos animemos a melhorar o que pudermos.

  3. 12/02/2012 às 3:26 PM

    Eu queria deixar minha contribuição se puder é claro
    Do video oficial do Centenario do Naufrágio do RMS Titanic

    http://www.youtube.com/watch?v=BNwpgj6IQnc&feature=g-all-lik&context=G266d2dbFAAAAAAAAHAA

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