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A Morte de Frei Orlando


 Vamos publicar duas visões sobre uma das baixas mais sentidas pela tropa brasileira na Itália, infelizmente o Frei Orlando caiu ferido por um trágico acidente que tirou a vida de dos mais queridos integrantes da FEB.

 Essas visões são foram extraídas das seguintes publicações: De São João del-Rei ao Vale do Pó, / Frei Orlando, os dois de Gentil Palhares

 As duas visões são complementares e bastante interessante, narrando um triste acontecimento.

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Frei Orlando, Capelão do Batalhão, estivera pela manhã do dia 20 de fevereiro de 1945, no desempenho de seus deveres funcionais, em visita as posição da 4ª Cia., na região entre Falfare e Columbura. A zona da 4ª e a 6ª Companhias, esta indo de Falfare a Bombiana, eram as que estavam sendo mais castigadas pelos alemães. Por isso, Frei Orlando, no observatório do Batalhão, em Monte Dell’Oro, manifestou ao Major Ramagem, seu Comandante, a intenção de visitar também a 6ª Cia. Quis, então, atingir as posições dessa Companhia pelo caminho mais curto, que ia do observatório a casa M di Bombiana e desta a Bombiana. Mas o Major Ramagem não concordou com esse itinerário, pois, na ocasião, estava todo ele sendo pesadamente batido pelos alemães. Sugeriu ao Capelão que do observatório ganhasse a contra-encosta de Monte Dell’Oro e fosse até o PC do Batalhão em Docce, de onde poderia chegar às posições da 6ª por um caminho menos exposto.

Frei Orlando encaminhou-se para Docce pelo itinerário lembrado pelo Major e achava-se à margem do caminho que ligava o PC do Batalhão ao ponto cotado 789, a 300 metros de Bombiana, quando por ele sua eu num “jeep”, para esta última região. O Capelão, inteirado da direção da viatura, nela tomou lugar. No “jeep” já se encontravam o Cabo Gilberto Torres Ruas, motorista, um praça do II Batalhão e um militar italiano, posto à disposição do Regimento, para os serviços de transporte em montanha.

Frei Orlando, em caminho, depois de dizer o que fizera pela manhã e o que pretendia fazer, falava de uma irradiação feita pelos holandeses livres para a parte ocupada de seu país. A uma observação qualquer chegou a soltar uma das suas costumeiras gargalhadas. O “jeep” marchava lentamente pelo caminho conduzindo ao ponto cotado 789, quando, de repente, estaca, imobilizado por uma pedra. Prendia esta o eixo dianteiro. Os passageiros conseguem retirar a viatura, que é posta alguns metros além da pedra fatídica. Tomo a manivela do “jeep” e me esforço para removê-la. O italiano, no intuito de ajudar-me, recurva-se junto à pedra e também tenda retira-la a violentas coronhadas de sua carabina. Esta dispara. Frei Orlando, que se achava parado a uns três metros, é atingido pelo projétil, solta um grito e leva a mão ao peito, dá alguns passos à frente, tirando, ao mesmo tempo, com a mão direita, do bolso do casaco, o seu terço e balbuciando, às pressas, uma Ave-Maria. Corro para ele e o faço deitar-se à margem do caminho. A oração, apenas começada, é abafada pelo ofegar da agonia. Tudo isso, desde o fatal disparo, dura uns dez segundos.

Retorno rapidamente a Docce, em busca de socorro médico e trago o Capitão João Batista Pereira Bicudo, facultativo do Batalhão. Este pôde apenas verificar achar-se morto o Capelão, desde o momento, talvez, em que acabara de ser deitado à margem do caminho. O italiano abraçado ao corpo do Capelão, chorava e se lamentava. Um pastor das redondezas contemplava esta cena. O médico descobre-se, persigna-se e reza pela alma de Frei Orlando, no que é seguido pelo Capitão e pelo Cabo.

Eram, aproximadamente, 14:00 horas do dia 20 de janeiro de 1945…

obra: De São João del-Rei ao Vale do Pó

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No dia 21 de fevereiro, às 5h30 da manhã, foi dada a partida para a conquista definitiva do Monte Castelo. As notícias que chegavam era da impetuosidade dos nossos companheiros galgando resolutamente as posições a serem atingidas, inclusive o topo do Monte Castelo. Mas, por outro lado, afirmavam haver muitas perdas e muitos feridos. Frei Orlando, sabendo de tudo isso, ficou em profunda emoção e a todos externou que seu lugar era na frente, cuidando de seus soldados. Ele então reuniu seu equipamento, apanhou o estojo de hóstias e saiu morro acima, galgando a estrada. Houve tentativas de demovê-lo, mas foi em vão. Frei Orlando era teimoso demais quando se tratava de levar o conforto espiritual aonde quer que fosse. Pôs-se a galgar os caminhos tortuosos de Monte Castelo sob o bombardeio cerrado da artilharia de morteiros  e armas automáticas inimigas; avançando com cuidado, quando já estava nas imediações da 6ª Companhia, itinerário recomendado pelo seu comandante de Batalhão. Major Ramagem, a mais ou menos 300 metros de Bombiana, passa por ele um jipe que lhe deu carona, pois o destino de todos era o mesmo. Seus ocupantes eram os seguintes: capitão Francisco Ruas, cabo Gilberto, o motorista, e um sargento italiano (guia alpinista à disposição das tropas brasileiras). O jipe seguia normalmente quando a estrada piorou e o eixo dianteiro ficou preso por uma pedra. Vários recursos foram utilizados, inclusive com ferro da manivela. Infelizmente, o sargento italiano, com o intuito de ajudar, martela violentamente com a proteção metálica da carabina, que dispara e fere mortalmente o Frei Orlando, este triste fato foi largamente comentado por todo o front como uma das maiores perdas de nossa FEB. O lastimável fato aconteceu justamente quando Monte Castelo estava praticamente dominado. A lutar é renhida, o escalão bordeja, ataca, toma pé nos últimos 277 metros de altura. Súbito, um foguete luminoso corta os ares, sendo assinalado pelos postos de observação três estrelas verdes, que no código de sinais objetivo conquistado.

obra: Frei Orlando

Veteranos da ANVFEB-PE, Visitam o local do acidente que tirou a vida do Frei Olrlando

Frei Orlando é patrono do Serviço Religioso do Exército

Cartas enviadas do front pelo Frei

Placa lembra o local do acidente na Itália

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  1. Francisco Bendl
    28/01/2012 às 10:28 AM

    Fico imaginando a importância de um padre no front de batalha!
    Quando os soldados estão à mercê de se encontrarem com a morte e seus nervos estão à flor da pele, suas súplicas para continuarem vivos são pungentes, o desespero é uma constante!
    Que paz tão tranquilizadora deve ser ouvir um Capelão falar de Deus, da esperança de outra vida, infinitamente melhor que esta que o coloca diante das balas inimigas.
    Certamente não haverá consolo maior saber que Deus está esperando aquele filho que possivelmente morrerá em combate, uma situação gerada por mentes doentias e pusilânimes que aniquilam seus compatriotas em nome sabe-se lá de quê!
    Claro, digo padre como também qualquer homem religioso que está na guerra para ajudar seus semelhantes espiritualmente, podendo ser pastor, rabino, emir, pai de santo, tenha lá o nome que tiver, mas que esteja contribuindo para minimizar a ansiedade da morte iminente.
    Considero esta função religiosa extremamente benéfica, além de útil e verdadeiramente imprescindível.
    O soldado precisa de alguém capaz de dar-lhe esperança, que não está sozinho, que não está desamparado.
    Minhas reverências ao Frei Orlando, morto de uma forma tão absurda quanto curiosa, e sua irreparável perda para nossos pracinhas.

    • 28/01/2012 às 11:45 AM

      Meu amigo, considero a última linha entre o espiritual e os horrores da guerra!

  2. Rigoberto Júnior
    28/01/2012 às 7:24 PM

    Mestre Chico,
    o meu pai Veterano Rigoberto de Souza esteve na celebração da misa celebrada por Frei Orlando em Bombiana, onde estava reunido grande contingente do 11 RI, e após o seu falecimento ele disse que muitos dos nossos pracinhas choraram copiosamente a morte daquele que não se furtava de ir ao front para socorrer e confortar os feridos naquele momento de angústia e dor. Realmente um grande homem a serviço de Deus por toda a sua vida.

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