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Especial Monte Castelo – 67 anos: 3º ataque ao Monte Castelo


                                             Monte Castelo – 67 anos

            3º ataque ao Monte Castelo

            Com a determinação de conquistar o conjunto Belvedere – Torracia antes da chegada do inverno europeu, o comandante do IV Corpo – General William Crintemberg, ordenou à Divisão de Infantaria Expedicionária (DIE) que tomasse posse de Monte Castelo, uma vez que o Monte Belvedere já estava nas mãos dos aliados.

            A ordem era a seguinte: “Dentro de sua ação, capturar a crista que corre de Monte Belvedere para nordeste, inclusive o Monte Castelo, a fim de impedir que o inimigo tenha vistas sobre a Rota 64 (Pistóia – Porreta Terme – Bolonha)” .

            O grupamento de ataque ficou constituído da seguinte forma:

            Comandante: General Zenóbio da Costa

            Tropa – um batalhão por Regimento de Infantaria da Divisão de Infantaria Divisionária:

  • I / 1º R.I. –  Major Uzeda sobre Monte Castelo
  • III / 11º R.I. – Major Cândido cobrindo o flanco
  • III / 6º R.I. –  Major Sylvino

Ficou como reserva divisionária o II / 6º R.I.

            Apoio de 4 grupos de artilharia.

            A missão geral era:

  1. apoderar-se de Morro Castello, com esforço na direção C. Viteline – cota 887
  2. ocupar e manter a linha: cabeceira leste do Rio Liberaccio, vertente norte do Morro do Castello, região de Carrulo, de maneira a impedir que o inimigo transpusesse este , como também  o Rio Marano e, que progrida para cota 930
  3. cobrir-se entre Le Roncole e a região de Gaggio Montano, e levar esta cobertura à crista 1053-1036
  4. unir-se a Task Force 45 na região de Torracia

            Foi informado que a força aérea não daria apoio, haveria preparação de artilharia durante 40 minutos, e a 2ª seção deu como provável a existência de um batalhão inimigo defendendo a posição, podendo ser reforçado em curto prazo, com mais dois batalhões.

            Os reconhecimentos para o ataque foram iniciados no dia 27 de novembro d 1944, e deslocamento dos batalhões ocorreram em condições desfavoráveis, em consequência de grandes chuvas e lamaçais que dificultavam o avanço da tropa, e como fator complicador os batalhões do 1º R.I. E 11º R.I. Iam ter seu batismo de fogo, enquanto as tropas do 6º R.I., estavam exaustas pela longa campanha que vinha sofrendo.

            O General Mascarenhas de Morais tinha como ideia de  manobra, o seguinte esquema:

  1. Manter fortemente as regiões de Africo, Torre de Nerone, Boscaccio e Monte Cavalloro
  2. Apoderar-se no ataque do dia 29 de Novembro de 1944 do Monte Castelo e estabelecer cobertura na região de Falfare para em seguida, em combinação com a Task Force 45, repelir o inimigo das cotas 1027 e 1053.

            Na noite do dia 28 para 29 de Novembro, enquanto se organizava o ataque, a tropa brasileira foi informada da expulsão dos americanos do monte Belvedere, ficando o flanco esquerdo completamente descoberto, e o bom senso sugeria um adiamento das operações, o que não foi feito, talvez por orgulho nacional, em virtude do comando estrangeiro.

            O início das operações estava marcado para começar às 7 horas da manhã do dia 29. No dia 28 de novembro, por volta das 19 horas o I / 1º R.I. Saiu de Gaggio  Montano, e seus últimos integrantes atingiram a base da partida às 6 horas da manhã do dia 29 de Novembro, e o batalhão teria ainda uma hora para iniciar a operação. Do ponto de partida para o objetivo, a distância era de aproximadamente 500 metros e teriam que subir 300 metros.

            A  artilharia atacou pesadamente, antes do avanço da tropa, que começou às 7 horas da manhã pelo I / 1º R.I., que progrediu até o meio dia. Às 8 da manhã partiu o III / 11º R.I. Que após conquistar a cota 760 a oeste de Falfare foi detido à frente de Abetaia.

            Os alemães fortalecidos e melhor instalados, reagiram violentamente, desarticulando o escalão de ataque, que logo depois foi apanhado pelo flanco, e de frente por fogos de metralhadoras instaladas em Mazzancana, Fornace, Cota 887 e Abetaia.

            Na segunda parte do ataque o I / 1º R.I.,  foi obrigado a retornar à base e o III / 11º R.I. Recuou um pouco sob pressão da artilharia inimiga e, com a chegada da noite e a intensificação dos ataques do inimigo, houve uma ordem para o retorno imediato para a posição inicial, não tendo sido empregados o III / 6º R.I., nem a reserva divisionária.

            Pela 3ª vez o Monte Castelo resistiu, deixando cerca de 200 baixas, sendo que apenas uma granada matou 9 de nossos pracinhas. A verdade é que a Divisão de Infantaria Expedicionária não atingiu seu primeiro objetivo ofensivo sob direção exclusivamente brasileira.

            Concluímos que o 3º ataque não teve sucesso, pelo seguinte:

  1. falta de preparação para o ataque
  2. determinação alemã em manter a elevação a todo custo
  3. meios deficientes para concluir o objetivo
  4. ausência do apoio da força aérea
  5. condições climáticas completamente desfavoráveis
  6. ataque frontal ao inimigo
  7. parte da tropa era inexperiente em combates(III / 11º R.I.)
  8. terreno bastante íngreme e muito enlameado.

            Após o ataque frustrado, jaziam sobre o terreno do Monte Castelo inúmeros corpos dos pracinhas, que simbolizavam a bravura do soldado brasileiro.

"Em uniforme de inverno, no mês de Dezembro de 1944, patrulha da FEB se prepara para incursão às linhas alemãs"

 

Na maca, o Batalhão de Saúde transporta um pracinha ferido num dos assaltos ao Monte Castelo

 

 

 

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