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Archive for 07/05/2012

Especial: 08 de Maio de 1945 – A Rendição!

Amanhã, estamos comemorando 67 anos do fim da guerra na Europa. Realmente a data deve ser lembrada e refletida para que possamos, como civilização, entender o contexto de toda a guerra, suas causas e consequências para o mundo hoje. E isso é História, é o principal instrumento para que os homens possam utiliza e entender os erros do passado e caminhar para o futuro com a ponderação necessária a paz, o respeito a sobrevivência dos povos e seu direito de existir, tudo que a Segunda Guerra ensinou para uma geração que sofreu como nenhuma outra, e as futuras pudessem entender tudo isso! Aprendemos?

 Para lembrar a DATA vamos publicar um Especial hoje e amanhã tentando realizar uma análise histórica do conflito, com fotos inéditas e artigos dos mais variados.

Artigo: A Rendição e suas consequências

No dia 08 de maio de 1945 deu-se oficialmente a rendição alemã, pondo um fim ao conflito que se arrastava desde setembro de 1939. Apesar da continuação da Segunda Guerra Mundial no Teatro de Operações do Pacífico, o principal inimigo das nações Aliadas na Europa assinava sua rendição incondicional após uma última e desesperada batalha por sua capital, Berlim. Hitler não representava mais perigo desde 30 de abril, quando se suicídio em seu bunker, muito embora ainda haja aqueles que sustentem a teoria de que o Fürher não morrera sob essas circunstâncias. Esse dia marca o início de um novo processo que lançaria o mundo em um novo paradigma entre dois blocos de influência, os vencedores se dividiriam em socialistas e capitalistas e a Alemanha seria o centro nervoso da chamada Guerra Fria.

Em 1945 a Grande Guerra Patriótica da União Soviética teria oficialmente assegurado à vitória em 09 de maio, data que muitos países consideram a fim da guerra da Europa, já que as condições de rendição foram vazadas para impressa ocidental antes de sua divulgação, fazendo com que países como Inglaterra e França festejassem o fim da beligerância antes da divulgação oficial. Contudo, no dia 07 houve a primeira capitulação geral em Reims, mas Stálin deu ordens expressas sobre a cerimônia de rendição, e deveria ser em Berlim.

É importante pontuar que a partir desse momento o mundo, e os próprios Aliados, já olhavam com desconfiança para a União Soviética, principalmente porque as ações em Berlim que deixaram a capital alemã totalmente nas mãos dos Vermelhos, e ainda havia a influência nos Estados fronteiriços libertados como a Polônia, Tchecoslováquia, Hungria e Bulgária. Eram muitos países potencialmente influenciados pelo Comunismo e isso incomodava os aliados acidentais. Na Conferência de Potsdam se considerou as áreas de influência e a divisão da Alemanha em zonas de ocupação: Francesa no sudoeste, Britânica a sudoeste, e americana no sul e soviética no leste, essa formação durou até 1949 quando os setores se franceses, britânicos e americanos se tornaram a Alemanha Ocidental (RFA), com capital em Bonn, enquanto o setor soviético se transformou na República Democrática Alemã (RDA) ou simplesmente Alemanha Oriental. O caso mais grave era exatamente Berlim, sendo uma ilha no lado soviético, ficou dividida entre Berlim Oriental e Berlim Ocidental. Essa era as consequências geopolíticas do pós-guerra que permeou o mundo por 45 anos.

Visão e consequências da liderança mundial antes de 1945 e pós 1945

 

Em outras oportunidades sempre frisei o nível dos frequentadores desse espaço virtual. Entre muitas publicações, sempre tive o prazer de ler comentários de exímios pesquisadores que aumentaram a abrangência e os detalhes dos posts do blog. Alguns desses comentaristas tive o prazer de começar uma amizade, dentre os quais o Chico Bendl e o Mauro Moryarty. O primeiro já escreveu um artigo para o blog, mostrando sua capacidade intelectual e de pesquisa. E hoje, tenho o prazer de publicar um artigo do amigo Mauro. Um dos comentaristas mais capacidade da internet sobre a Segunda Guerra, e um ávido pesquisador. O Artigo mostra, com excelência, uma análise metódica, mas com uma linguagem simples e direta, abordando a visão e os atos de líderes mundiais no pré-guerra e as consequências no mundo pós-guerra.

Sinto-me lisonjeado de ter nesse humilde espaço o apoio sapiente de pessoas tão capacitadas.

Visão e consequências da liderança mundial antes de 1945 e pós 1945

Mauro Moriarty

  Nas comemorações dos 50 anos de Hitler, é de se supor que a Alemanha estivesse tomada mesmo por júbilo e comemorações do natalício de Hitler, apenas seis anos passados da sua ascensão ao poder, parecia que a Alemanha havia recuperado o seu orgulho nacional, e a posição que lhe cabia no cenário geopolítico continental e internacional, Hitler recuperara politicamente quase tudo o que a Alemanha havia perdido na Europa, após a derrota na primeira Guerra Mundial e a desastrosa paz imposta por Versalhes, mas apenas seis meses depois deflagraria uma segunda guerra mundial, por erro de calculo político, finalmente os aliados reagiram a suas iniciativas de anexar o que fora perdido antes, o mundo lhes cobrava, e a Polônia foi seu limite moral estabelecido.

Como podemos considerar Hitler? Certamente não pela imagem forjada pelos seus inimigos vencedores, é preciso cuidado ao se tentar construir uma ideia mais imparcial e o caminho mais seguro e encarar os fatos de sua vida e afastando as interpretações tendenciosas desses fatos oferecermos nos mesmos nossas próprias interpretações algo perfeitamente licito mesmo que não sejamos nenhuma autoridade com obra publicada, eles geralmente abordam um dos muitos motivos prováveis e apenas tão bons quanto os outros para as suas explicações. Portanto nossas opiniões desde que responsáveis (E por isso entendo o conseguir estabelecer uma relação de causa e efeito que se sustente por si mesmo) podem ser apreciadas como licitas.

Portanto podemos dizer da pessoa do ditador alemão ser ele dotado de uma inteligência invulgar e inquieta, laboriosa e em muitos aspectos original, mas não infalível, aos estudiosos de sua biografia saltam a vista os erros de sua personalidade. Na politica um mestre no oportunismo que sabia como ninguém aproveitar-se de uma ocasião para explorar uma demonstração de fraqueza de um possível adversário e submete-lo a sua vontade, foi assim no começo, na sua campanha politica quanto ao povo Alemão que lhe elegeu, no trato com os comandantes da Wermacht e depois com as lideranças Inglesa e Francesa. Como comandante militar foi em muitos aspectos um visionário foi ele que ao tomar contato pela primeira vez com os conceitos da Blitzkrieg, lhes reconheceu as potencialidades e incentivou as mentes mais originais que o advogavam, permitiu a Guderian que implantasse e disseminasse a nova tática no exercito Alemão tornando-o eficaz e eficiente como o conhecemos. No planejamento militar reconheceu a necessidade de afastar-se do antigo plano Schlieffen de invasão da França, determinado pelos militares conservadores como único viável num conflito com aquele país, e assumir a necessidade de originalidade no trato com a questão, dessa forma prestigiando a iniciativa heterodoxa de Manstein de atacar com panzers pelas Ardenas, podemos também lhe atribuir o feito de ter salvado o exercito Alemão na primeira ofensiva de inverno do exercito vermelho contra a Wermacht, enquanto a Wermacht insistia na retirada (Que poderia ter se transformado em debandada com perda importante de equipamento e possivelmente incapacidade de estabelecer nova linha que contivesse os soviéticos), ele apegou-se a necessidade de resistir a todo custo, o que se revelou a decisão mais acertada.

Contudo é preciso que se diga que embora reconhecendo quaisquer qualidades pessoais e mérito no líder Germânico, ele não inventou a Alemanha nem as qualidades inequívocas e inerentes ao povo Alemão, à Alemanha já existia antes de Hitler e continuou existindo, ela foi grande antes dele, foi à Alemanha dos Kaisers, primeiro unificada e conduzida a grandeza pela antiga Prússia, dirigida por sem dúvida um estadista muito melhor do que ele o Chanceler Otto Von Bismarck, em cujos méritos estão: Bater os principais inimigos da Alemanha na Europa conseguindo a unificação, fazer da Alemanha a maior potencia do mundo na sua época, estabelecer uma ordem Europeia sob a liderança Germânica, e evitar habilmente qualquer tentativa de hostilidade a Alemanha através da influência política que soube exercer como ninguém. E quanto à era pós Hitler, o seu legado? A Alemanha teve que lidar com todas as dificuldades da ocupação, depois o desmembramento, recuperação econômica e prudência politica no trato com a guerra fria, tudo o Alemão suportou e suporta até hoje, mas nunca deixou de acreditar e empreender, conseguindo a sua recuperação econômica e finalmente a tão esperada unificação em 1989, abrindo expectativas de mais grandeza futura.

Mesmo se pretendermos atribuir a Hitler a grandeza da Alemanha em 1939, isso soaria duvidoso, o mais provável e que a Alemanha encontraria um caminho próprio, mas se não podemos atribuir a Hitler a grandeza sem desmerecer em parte as virtudes do povo Alemão, com certeza podemos atribuir ao ditador Alemão grande parte da culpa por tudo o que a Alemanha enfrentaria a partir de 1945, ou seja, tudo que de mal foi descrito acima, e que ela teve de enfrentar no caminho da recuperação, com um terrível agravante, a contribuição pessoal do ditador, o estigma de pais agressor e genocida, que os vencedores trataram de explorar amplamente, prejudicando em muito a imagem da Alemanha e seu povo ao resto do mundo, a propaganda que tomou ares de educação histórica associou tudo o que é Alemão com o nazismo e Hitler.

As raízes da primeira guerra e da segunda a meu ver devem sua origem a um pensamento que Hitler compartilhou em comum acordo com a maioria da liderança mundial do seu tempo, o pensamento imperialista colonialista, que já estava em decadência após a primeira guerra mundial, mas que permaneceu forte e influente até o inicio da segunda guerra, essa maneira de pensar afetava mais alguns do que outros, por exemplo, Winston Churchill era obsessivo na defesa da manutenção da sua decadente Inglaterra, sempre foi inimigo da Alemanha não pelas falsas razões que ele e os outros que escreveram sobre ele evocaram, nunca foi o herói que lutou para libertar o mundo da tirania nazista como disse e disseram dele, mas um imperialista egoísta e ganancioso determinado a envolver o mundo inteiro numa guerra apenas para destruir um competidor de mesma orientação imperialista (A Alemanha) que ameaçava ultrapassar seu império condenado, foi às pressões que fez em Chamberlain que o fizeram enviar o ultimato à Alemanha afirmando que declararia guerra a fim de defender o estado criado por Versalhes e garantido pela Inglaterra, Chamberlain ao aceitar o conselho perdeu sua cadeira de primeiro ministro, pois seu ultimato provocou a guerra com a Alemanha, e o povo inglês não estava disposto a pegar em armas para defender uma irrelevante Polônia. Mas a consequência da tramoia logo veio à tona Churchill assumiu o seu lugar na câmara aproveitando-se das consequências do erro que ele induziu em Chamberlain e quando a URSS invadiu a Polônia junto com a Alemanha ele foi desmascarado, pois se havia aconselhado a entrar em guerra para defender a integridade e soberania da Polônia conforme foi prometido a ela em tratado caso fosse atacada, porque não declarou guerra a URSS quando esta invadiu a mesma Polônia, Stalin após o fim das operações contra a Polônia não criou um estado Polonês soberano, mas anexou a parte invadida a URSS, o que derruba a teoria de uma invasão para manter pelo menos a integridade de parte de uma Polônia soberana, dessa maneira Churchill deixou bem claro sua animosidade pessoal e intenções contra a Alemanha de Hitler, e repeliu todas as ofertas de paz da Alemanha, estava decidido a destruir o rival imperialista Europeu e garantir a manutenção dos privilégios ao seu império moribundo.

Quanto a Hitler estava impregnado desta visão de economia colonialista, ele desenvolveu sua visão dentro de uma mistura de teoria evolucionista com economia colonialista (Lenbesraum ou Espaço vital), seu Mein Kampf  estava impregnado da necessidade de que o forte prevalecesse sobre o fraco, e de que a Alemanha precisava de terras afim de comportar a sua crescente população com a necessidade cada vez maior de recursos naturais, na visão dele os mais fortes eram claro os Alemães e os mais fracos os povos e os territórios Orientais Europeus que tornaram-se foco de sua visão distorcida de sistema econômico e desculpa para corrida armamentista, na sua opinião se a Alemanha não lança-se mão o mais cedo possível dessas terras, o excedente populacional Alemão teria de imigrar, a indústria para continuar a se expandir seria cada vez mais dependente da compra de matérias-primas do mercado exterior, e segundo ele uma grande Alemanha só seria possível reunindo todos os povos de língua Alemã sob a proteção da pátria Alemã. O problema enfrentado pela Alemanha e outros principalmente o Japão quanto à dependência de matérias-primas, era a falta de organismos internacionais que normalizassem o comercio entre as nações, essa lacuna permitia a prática de todas as formas de especulação em relação às nações dependentes, incluindo a ameaça de pressão de embargo no fornecimento como forma de coação, e a escolha pela agressão armada para tentar minimiza-los tornou-se constante, caso da Itália com a Abissínia, Alemanha na Tchecoslováquia e Japão na Manchúria, quanto aos produtos exportados por essas nações, sofriam todo tipo de protecionismo e eram sobretaxados trazendo grandes prejuízos para suas economias, às preocupações de Hitler tinham um fundo lógico pelo menos, mas uma abordagem sua duvidosa quanto à solução.

 A sua solução de arriscar-se a uma guerra mundial a fim de prevenir a Alemanha de uma situação desvantajosa que ele supunha duraria por todo o futuro Alemão revelou-se desvantajosa e desnecessária, o sistema político e econômico ao qual tentou se ajustar e que não teria futuro em longo prazo já ruía, um país com a posse de muitas colônias e recursos, mas inferiorizado tecnologicamente como cada vez mais a Inglaterra se mostrava, via a desvalorização da matéria-prima em proveito dos produtos manufaturados com qualidade tecnológica superior e a custos inferiores, portanto era na tecnologia e pesquisa cientifica que estava o futuro do sucesso econômico-comercial de uma nação e não na facilidade de obtenção de recursos naturais, no futuro, cada vez mais esses recursos naturais seriam vendidos a preços desvalorizados, só para serem comprados de volta na forma de manufaturados supervalorizados, uma colônia geradora de recursos naturais para a metrópole se tornaria mais um ônus administrativo que uma vantagem, também a ideia de explosão demográfica favorável perdeu-se, a tecnologia permitiu o cultivo de cada vez mais terras com cada vez menos trabalho humano, a Alemanha com uma população confinada e sob controle espontâneo de natalidade pode se entregar a politicas benéficas de educação e melhoria de qualidade de vida, facilitada em muito por está isenta dos gastos militares dos quais foi proibida, e com que outros países oneram seus povos sem retorno social benéfico para seu desenvolvimento e qualidade social.

Portanto a conclusão logica de tudo isso é que se lutaram duas guerras mundiais na defesa de conceitos econômicos, políticos e sociais ultrapassados, Churchill desesperadamente tentando defender os que a Inglaterra havia herdado do seu imperialismo criminoso e decadente, e Hitler atacando na tentativa de conseguir remediar os males de uma revolução industrial tardia, que fizera a Alemanha chegar atrasada na conquista imperialista por colônias que supostamente forneceriam os recursos para sua florescente indústria.

O mundo novo que se forjou a partir de 1945 é fruto direto da prova de todos esses erros, porque inclina-se a ser totalmente o oposto, a guerra só acelerou a transição definitiva da mudança de um mundo Colonialista  para o que chamamos hoje globalizado, com a criação da ONU principal organização internacional que coordena um grande numero de outras cuja finalidade e a de arbitrar e administrar os negócios internacionais, tentando resolver o máximo através da diplomacia, tem conseguido evitar ou ao menos confinar conflitos armados, evitando o perigo de uma quarta guerra mundial, mas resquícios do mundo antigo não faltam, como quando a Inglaterra envia uma frota para atacar a Argentina em defesa de uma colônia sua do outro lado do mundo para ela, e que fica na sala de estar da Argentina, mas essas iniciativas ficam cada vez mais suspeitas aos olhos do mundo e ultrapassadas para aqueles que entendem os caminhos da paz e prosperidade mundial.

 

 

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