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Na Guerra, Sorte e Coisa Bem Rara! Homenagem a FEB.


 A observação da Segunda Guerra e a participação brasileira no conflito, se analisadas do ponto de vista social, proporcionaram um cenário improvável, que marcou uma geração por colocar em combate, sul-americanos que não tinham o perfil de um combatente moderno, não era dotado dos recursos físicos e da preparação psicológica adequada para combater sob o manto sagrado da democracia, que ele mesmo não entendia ou desfrutava. Era difícil de imaginar que um cidadão nascido no interior da Paraíba, filho de um Coletor de Impostos, pudesse participar de um conflito mundial lutando pelo Brasil contra regimes que, teoricamente, possuíam similaridade com o de Getúlio Vargas, ou pior, que um pernambucano, que nascera em 1922, na Rua Imperial, número 67, tradicional via da cidade do Recife, que passou sua infância na capital pernambucana tomando banhos no Rio Capibaribe na década de 30, frequentando as serestas e ouvindo os pianos nas casas de família na Rua da Concórdia, quem poderia imagina que esse pernambucano iria morrer em combate, lutando em solo italiano em 12 de dezembro de 1944?  Jovens que independente da ideologia ou posição social lutaram pelo seu país, em defesa da democracia que eles mesmos não tinham acesso, mas todos tinham a consciência do papel a desempenha, todos queriam entrar na guerra pelo seu país, pelas suas famílias. Mesmo que muitos brasileiros abastados tenham utilizado recursos para evitar sua incorporação ao efetivo que iria lutar na Segunda Guerra, outros foram voluntariamente, e embasados na desigualdade social latente em nosso país, esses jovens vestiram seus uniformes e foram à luta, era o melhor que nosso país poderia oferecer naquele momento, longe de qualquer discussão política, a alma do povo brasileiro estava presentes naqueles soldados, com suas virtudes e defeitos. Soldados subnutridos? Sim! Pois o nordestino passava fome. Sem instrução? Sim! Nosso país possuía um alto índice de analfabetismo, então como esperar que a Força Expedicionária estivesse acima das expectativas do Povo Brasileiro, se a FEB era o próprio POVO BRASILEIRO; O EXÉRCITO ERA O POVO BRASILEIRO.

Coragem e abnegação sempre foram referências que seguiram a Força Expedicionária Brasileira desde sua saída até a sua desmobilização, nesse aspecto, eram atributos do povo brasileiro espelhados no Exército ali representado e que, em última instância era a representação do próprio povo brasileiro; eram seus valores identificados na raiz de nossa raça. Nosso povo, o mesmo que expulsou holandeses de Pernambuco; o mesmo que buscou a liberdade nas Revoluções de 1818 e 1824; o mesmo que proclamou a Farroupilha, lutou a Balaiada, Praieira, Cabanagem e tantas outras revoltas que tiveram a participação do povo brasileiro que, independente das causas ou objetivos, são as provas cabais que nosso povo é um povo guerreiro, e que, a célebre frase de Euclides da Cunha, no clássico Sertões: “O sertanejo é antes de tudo, um Forte!”, é extensível para o nosso povo de uma forma geral, sendo a FEB um exemplo da dinâmica na declaração do escritor, pois tenha a certeza que se ele tivesse presenciado, como presenciou em Canudos, nossos soldados lutando contra as excelentes posições alemães em Monte Castello, teria lembrando dessa frase e se orgulhado dos filhos de nossa pátria, sertanejos, sulistas, paulistas e cariocas, que lutaram e morreram em solo estrangeiro.

O nosso soldado, o soldado febiano, não precisou de sorte para desempenhar seu papel, provou seu valor pelo sangue derramado de quase 500 filhos caídos; provando seu valor não apenas pelas vitórias conquistadas, ou pelos números de tropas e equipamentos inimigos capturados, mas principalmente pela bravura, chegando ao Teatro de Operações com a fama de mal preparado, mal equipado e pouco combativo, e no final da guerra, comparada a outras Divisões de mesmo porte, se destacou dentro do Corpo de Exército que se integrou. O Soldado brasileiro mostrou seu valor na Itália, e o soldado brasileiro da FEB será, em última instância, a representação fidedigna do próprio POVO BRASILEIRO.

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  1. 15/06/2012 às 2:26 PM

    Meu pai esteve lá, Voltou vivo e eu nasci.

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