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Espalhados aos Quatro Ventos – O Desperdício de Paraquedistas Aliados – Parte II e III


Tanto os comandantes dos paraquedistas ingleses quanto dos americanos consideravam que essa operação tinha um fator adicional de risco por parte do fogo amigo. Suas rotas de vôo para a Sicília passavam diretamente sobre a frota invasora bem como ao longo das praias a serem invadidas. Só era preciso que um artilheiro naval perdesse a calma para que os C-47 de transporte e os planadores, passando lentamente por cima, fossem destruídos nos céus pela artilharia da marinha. O General Matthew Ridgway, comandante das tropas aerotransportadas americanas, tentou obter a certeza por parte da marinha de que isso não aconteceria.

O Almirante inglês Cunningham se recusou a garantir qualquer coisa. Como ele salientou, nenhuma embarcação de guerra iria permitir que um avião chegasse perto o bastante para que fosse identificado. No momento que um avião inimigo fosse identificado, já seria tarde demais. Tendo lutado nas violentas batalhas navais no Mediterrâneo, o Almirante inglês não ia dar chance ao azar nesta altura da campanha. Se aviões voassem perto demais da frota, a marinha os abateria – e pediria desculpas depois. Desapontado com esta recusa, Ridgway pressionou para que se repensasse em uma outra rota de vôo para as tropas de paraquedistas. Havia uma grande chance de que, se as coisas fossem deixadas como estavam, um desastre poderia acontecer. Ridgway alertou que, a não ser que obtivesse uma garantia sólida, ele aconselharia em abandonar completamente os ataques das tropas aerotransportadas. Sua ameaça aparentemente surtiu efeito. O General George Patton, comandante do 7º Exército, disse a Ridgway que a Marinha estaria preparada para cooperar, mas isso se os transportadores de tropas e os planadores alterassem a sua rota de vôo e voassem a uma distância dos navios de não menos do que 7 milhas (11,2 km). Ridgway ficou aliviado, embora seja difícil entender o porque. Não havia maneira do Almirante Cunningham garantir que todos os seus artilheiros mantivessem a calma. Mais ainda, seria mais seguro se os próprios artilheiros tivessem sido avisados sobre o que esperar. Possivelmente devido a uma confusão administrativa ou – mais provavelmente – por causa da obsessão de algum oficial subalterno com o segredo da operação, a maioria dos artilheiros navais americanos bem como aqueles que manuseavam os canhões nos navios mercantes da frota invasora não foi avisada que haveria um invasão por parte dos paraquedistas de modo que ninguém estava preparado quando do avistar de aviões aliados voando por cima da frota. Para ilustrar a confusão, mesmo o Almirante Hewitt, comandante americano das forças navais, só veio a saber sobre o ataque dos paraquedistas no dia que este estava para acontecer. Não fica difícil entender porque os artilheiros foram os últimos a saberem.

Assim que o sol se pôs na Tunísia em 9 de julho de 1943, a 1ª Brigada Aerotransportada levantou vôo a partir de seis bases aéreas em torno de Kairouan. Ela estava sendo transportada em planadores pilotados pelos homens do 1º Batalhão do Regimento de Pilotos de Planadores. Os planadores estavam sendo rebocados por C-47 americanos pelos homens do 51º Esquadrão de Transporte de Tropas do Coronel Ray Dunn que, apesar de suas perícias e fanfarronices, eram na sua maioria pilotos da aviação civil. Poucos, para não falar ninguém, tinha participado de qualquer tipo de ação ou voado em meio à flak. Era uma aposta – alguém até pode dizer que era um erro grosseiro – confiar tal tropa de elite inglesa para tais pilotos despreparados e instáveis. Seguindo o roteiro, assim que os planadores se aproximaram da Sicília, tudo começou a dar errado. A flak inimiga, um característica comum do combate aéreo, pareceu ter pego os pilotos americanos de surpresa. Eles não gostaram nada do que estava acontecendo e logo se percebeu claramente que não estavam preparados para enfrentá-la. Os pilotos começaram a fazer manobras evasivas violentas e o resultado era de que os planadores eram arrastados e jogados em meio aos fortes ventos. Para piorar a situação a frota aliada, que se encaminhava em direção à Sicília bem abaixo, também abriu fogo contra os C-47. O resultado de tudo isso era de completo pavor por parte dos pilotos americanos dos rebocadores. Muitos tomaram a decisão que se transformaria na morte de centenas de soldados ingleses: eles soltaram os planadores a uma distância de no mínimo 5 milhas (8km) da costa. A razão para esta mudança de planos era óbvia. Os pilotos americanos não iriam enfrentar a flak incessante e assim poderiam dar meia volta e retornar à África. O resultado foi de que muitos homens da 1ª Brigada Aerotransportada morreram afogados ao longo da costa da Sicília naquela noite. Outros pilotos rebocadores simplesmente botaram o rabo entre as pernas e voaram de volta para a Tunísia sem mesmo soltarem os planadores. Logo toda a Brigada estava espalhada aos quatro ventos.

Consequentemente, planadores estavam caindo no mar a quilômetros de distância da costa. O planador que levava o General Hopkinson, comandante da 1ª Divisão Aerotransportada, foi um dos que caiu no mar. Porém, como resultado de uma coincidência curiosa, o General estava com sorte. Ele conseguiu se afastar dos restos do planador e encontrou um pedaço dos destroços para se segurar. Mesmo assim, ele provavelmente estava nos seus últimos suspiros quando foi avistado por um destroier inglês comandado por um velho amigo dos tempos do colégio o qual ele não via há vinte anos desde que competiram juntos em uma prova de remo em Cambridge. A bordo, um prato de ovos com bacon e uma troca de roupas logo revitalizou o General embora a tarefa a qual ele teria de enfrentar, achar o resto dos seus homens, se mostraria impossível.

Crédito: A. Raguenet

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