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Rússia, 1941. Uma Guerra Sem Louros – Parte II


 PARTE 2

A pressão psicológica ia aumentando conforme o soldado se aproximava do front. Na maioria das vezes, o primeiro sinal visível era dos inimigos mortos. Muitos daqueles jovens soldados nunca tinham visto antes um cadáver. Werner Adamczyk, pertencente a uma bateria de artilharia de 150mm perto de Minsk ficou morbidamente fascinado com o resultado do manuseamento dos seus canhões. Ele disse: “A cena repulsiva me causou uma tremedeira; mesmo assim, eu tive estômago suficiente para dar uma caminhada no entorno. O que vi era mais cruel ainda.” A guerra rapidamente eliminava o verniz provocado pela propaganda. As trincheiras em volta dele estavam repletas de soldados soviéticos mortos. “Eu fiquei arrepiado e dei meia volta para retornar ao caminhão” admitindo que “a realidade da morte era demais para se agüentar.” Ele ficou perturbado. Antes ele tinha assistido as instruções sugerindo que o soldado russo era “mal treinado e não muito inclinado a atos de heroísmo.” Na realidade:

“Ficou claro para mim que eles tinham a convicção de lutar até o fim. Se isso não era heroísmo, então o que era? Os comissários comunistas os forçaram a lutar até a morte? Eu não gostava disso. Eu não tinha visto nenhum comissário morto.”

Logo o soldado alemão percebeu que o combatente russo era infinitamente superior se comparado com aquele que os seus oficiais o fizeram acreditar. “Com este entendimento,” admitiu Adamczyk, “o meu sonho de voltar para casa logo retrocedeu.” O soldado alemão Benno Zeiser também foi surpreendido ao avistar os primeiros russos mortos. Ele refeltiu: “Há apenas pouco tempo atrás, ele era um ser humano vivo.” “Eu pensei que, depois disso, nunca iria me livrar deste pensamento.” O Kriegsmaler (artista/pintor oficial de guerra) Theo Scharf, avançando junto com a 97ª Divisão do Grupo de Exército Sul, passou “por um soldado do Exército Vermelho, aparentemente dormindo em uma vala ao lado da estrada, mas coberto no rosto e por todo o corpo por uma grossa camada de poeira.” Era o primeiro de vários corpos que ele encontraria.

Com o passar do tempo, tal familiaridade fez crescer um tipo de indiferença. Benno Zeiser via cada vez mais corpos de russos mortos. “E rapidamente eu me acostumei a encarar como relevos do solo que pertenciam à própria terra onde estavam e que provavelmente estavam ali há muito tempo.” Era bem menos perturbador vê-los como se “praticamente nunca tiveram vida.”

Tradução: A Raguenet – (WebKits)

C O N T I N U A

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