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Archive for 29/12/2012

Iwo Jima – A Batalha Estratégica e Sangrenta do Pacífico

Não meus amigos, me perdoem os antiamericanos, mas não podemos negar que os Estados Unidos na Segunda Guerra Mundial cumpriu seu papel de nação gigante. Assim como o povo soviético cumpriu sei dever com a Guerra Patriótica declarada por Stálin, os americanos conseguiram unir capacidade industrial bélica com soldados acima da média em termos físicos. A prova disso foi a Operação Detachment, mais conhecida como Batalha de Iwo Jima. Os recursos empregados em fevereiro de 1945 eram impressionantes se analisados a partir da Operação Overlord, o Dia D, e Operação Marketing Garden, desencadeadas em junho e setembro do ano anterior. Essa Operação empregou uma força de 70 mil homens contra 20 mil defensores na batalha que é classificada pelos militares como sendo o campo de batalha perfeito, sem civis e com alto poder de fogo atacante e defesas estrategicamente estruturadas para resistir um longo período.

O Tenente-general Tadamichi Kuribayashi sabia o que estava por vir, foi adido militar nos Estados Unidos, e conhecia a poder bélico do inimigo. Por isso tratou de fortificar a pequena ilha vulcânica através de emaranhado de túneis e bunkes com extensão de 27 km. Mas sua missão era árdua e ele sabia qual seria o resultado, para tanto, determinou que para cada soldado japonês morto, dez soldados inimigos deveriam cair.

Quando no dia 19 de fevereiro de 1945, os primeiros navios inimigos começaram a disparar contra a ilha, os soldados japoneses não acreditaram na quantidade de embarcações e aviões que se dirigiam contra as posições japonesas. Mas eles estavam prontos para morrer lutando.

Os americanos facilmente desembarcaram, encontrando pouca resistência nas praias, fazia parte do plano de Kuribayashi, atacar as tropas invasoras a partir do momento que eles estivessem avançando para o interior da Ilha com fogos de armas automáticas, artilharia e morteiros a partir do Monte Suribachi e outras elevações da Ilha. Também patrulhas que eram enviadas para ataca as tropas americanas que se deslocavam por túneis, e depois do ataque retraiam rapidamente.

A estratégia japonesa estendeu o conflito e tornou a batalha a mais sangrenta do Teatro do Pacífico com mais de 7 mil americanos mortos e 19 mil feridos. Apenas em 26 de março, ou seja, mais de um mês depois de iniciado o ataque, as forças japonesas foram praticamente aniquiladas do território de Iwo Jima. Dos 22 mil soldados japoneses que defendiam a ilha, apenas 200 foram feitos prisioneiros, e aproximadamente 21.800 foram mortos na desesperada e sangrenta Batalha.

Iwo Jima é considerada como uma das mais terríveis batalhadas da Segunda Guerra. Uma pequena e estratégica Ilha se tornou o bastião de resistência do Império do Sol Nascente, mas também era fundamental para que os americanos pudessem bombardear toda a Ilha principal do Japão.

Infelizmente caíram naquela ilha quase 30 mil homens, e expressa exatamente o que é a Guerra, sacrifícios de vida por pontos pequenos territórios, mas militarmente estratégicos. Uma pena.

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Mascarenhas de Morais: Um Exemplo de General Brasileiro

 Relato retirado do livro Crônicas de Guerra do Coronel Olívio Gondim de Uzêda, comandante do 1º Batalhão do 1º Regimento de Infantaria, Regimento Sampaio.

Relato:

             O Coronel Mascarenhas de Morais já fora nosso Diretor de Ensino, quando cursávamos a Escola das Armas, já fora nosso comandante, quando éramos instrutores na Escola Militar.

                Tornamos a servir sob o comando do general Mascarenhas de Morais, fora um dos motivos que nos alegraram ao sermos designados para servir na FEB.

                E não erramos: onde quer que nos achássemos tínhamos sempre a nos orientar e a nos estimular o nosso dedicado chefe.

                Estava nosso Batalhão aguardando ordens em Gagio Montano para o nosso primeiro ataque ao Monte Castelo quando aí foi ter ao nosso Posto de Comando o nosso General.

                O inimigo nos vinha bombardeando cerradamente, e foi nesse ambiente que nosso chefe nos veio trazer suas palavras de estimulo.

                As granadas caiam mais amiudamente em torno da casa onde nos achávamos e o nosso comandante em chefe, sereno e imperturbável continuava falando-nos.

        Com o mesmo ardo patriótico o nosso comandante nos telefonou no dia 21-2-45, quando nosso Batalhão atacava pela segunda vez Monte Castelo, concitando-nos, estimulando-nos: que era o nosso dia, o dia do nosso Brasil, e que ele confiava em nós. O ataque estava planejado, apenas sendo montado: ia ser iniciado dentro em breve, mas o fizemos com redobrado entusiasmo ante as palavras do nosso General, o comandante que se lembrou dos subordinados aos quais confiara tão importante missão.

                E foi com o coração cheio de fé que respondemos ao nosso querido chefe: o nosso Batalhão vos dará o Castelo hoje! E deu!

                E o nosso General prosseguiu conosco!

            Um dia achávamo-nos no inverno. A neve prosseguiu caindo impiedosamente, dificultando nossos transportes e deslocamentos, antecipando a explosão de nossas minas, arrebentado nossos fios telefônicos, fazendo ruir a cobertura dos abrigos, recrudescendo a vida nas trincheiras.

                Eis que surge no Post de Comando do Batalhão o nosso General. Queria ver nossas posições. Mostramos-lhe o depósito de rações e o posto de remuniciamento e depois as posições dos morteiros.

                Fomos alguns metros mais à frente de Jeep e dissemos ao nosso General que daí não podíamos prosseguir senão a pé, já porque a neve, muito profunda, dificultava o emprego do jeep, como porque o itinerário, que daí nos conduzia a qualquer elemento de fuzileiros, estava submetido às vistas e fogos inimigos. Em face disso propusemos ao nosso General, apenas mostrar-lhe a posição do canhão de 57mm que havia atirado sobre Pietra Colora e uma metralhadora de calibre 50 em defesa contra a aviação. Ele viu isso tudo e por fim repetiu: quero ver os fuzileiros. O ajudante de ordens do nosso comandante em chefe, por sinal seu genro, lançou-nos um olhar significativo. Ponderamos ao nosso General, apresentamos-lhe as mesmas razões: o itinerário era perigoso e muito cansativo, o inimigo observava nossos movimentos, a neve ali tinha mais de 80 cm de espessura.

                Ele respondeu energicamente, em tom que não admitia réplica: vocês estão me fazendo mais velho do que sou! É meu deve estar com meus soldados onde eles se acharem e eu quero vê-los.

                Arranjamos uma capa branca, para disfarce na neve e uma bengala ferrada para o nosso General. Lembramos-lhe que devíamos marchar distanciados, para dificultarmos os tiros e as observações dos inimigos.

                Partimos à frente para mostrarmos o itinerário, e de quando em vez olhávamos para trás.

                Lá nos seguia, num magnifico exemplo de cumprimento do dever, de tenacidade e de destemor, o nosso querido General!

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