Arquivo

Archive for janeiro \31\America/Recife 2013

Metralhadora: A Temida e Desejada

Mesmo tendo seu projeto inicial apresentado na segunda metade do século XIX, foi durante as duas Grandes Guerras que as metralhadoras foram utilizadas largamente e avançaram tecnologicamente. Apelidada pelos brasileiros na Itália de “Lurdinha”; chamada por Lampião de “matadeira”, essas maravilhas bélicas tiraram a vida de milhares de pessoas nos campos de batalha. Ficaram na memória e nos traumas dos soldados, permeando seus pesadelos noturnos, lembrando das vidas que foram ceifadas por essa arma mortal. Muito desejada e ao mesmo tempo temida.

Categorias:Guerras, História Tags:,

Geli Raubal: Sobrinha e Amante de Hitler!

Sempre esteve presente nos estudos históricos a relação entre  Hitler e Eva Braun, principalmente pelo fato deles se casarem pouco antes de cometeram suicídio em 30 abril de 1945. Contudo Eva Braun não foi a grande obsessão amorosa de Hitler. Muitos pesquisadores, entre eles Marc Vermeeren e a britânica Angela Lambert, sustentam que a sobrinha Angela Geli Raubal tenha sido a mulher que conseguiu canalizar a atenção do líder alemão e foi preponderante para sua conduta política.

Geli era filha da meia-irmã de Hitler, Angela Franziska. Hitler trouxe sua irmã para Berchtesgaden como sua governanta no final da década de 20.  Geli, então com 17 anos, passou a conviver com seu tio. Essa aproximação se tornou um relacionamento em pouco tempo, muito embora o próprio Hitler negasse insistentemente os rumores que já eram públicos.

Historiadores sustentam que Hitler possuía uma obsessão doentia pela sobrinha, inclusive mantendo relações sexuais sadomasoquistas, fato que foi confidenciado pela própria Geli a Otto Strasser. O que é certo é que Hitler mantinha a sobrinha sob rígido controle. Ela morava em uma luxuoso apartamento de Munique, onde fazia aulas de canto e teatro.

Apesar da opressão, Geli se envolveu com Emil Maurice, o motorista particular de Hitler. Geli declarou que seu desejo era casar-se com Emil. Deixando seu tio furioso.

Na manhã do dia 19 de setembro de 1931, a jovem de 23 anos foi encontrada morta no chão de seu quarto. Em cima do divã, a pistola do tio. Nunca se soube exatamente o que aconteceu. Rumores davam conta de que a jovem havia sido assassinada por um namorado ciumento, pela SS (a organização paramilitar do Partido Nazista) ou por Hitler em pessoa, enraivecido por uma possível gravidez ou relacionamentos com outros homens, incluindo seu motorista Emil Maurice, com quem Geli almejava se casar. A polícia, sob pressão do Partido Nazista, encerrou o caso com uma declaração de suicídio feita por um legista.

O tempo passado ao lado de Geli marcou a vida de Hitler. Inclusivamente, depois, ele comparava cada nova mulher que conhecia com a perdida Geli. Sua dor foi tão profunda que encerrou a sua habitação em Prinzregentenstrasse. Durante vários dias, Hitler falou de suas próprias intenções de suicidar-se, e descobriu que já não podia comer carne: “É como comer um cadáver”, afirmava, segundo testemunhas. Algumas fontes afirmam que Hitler se fez vegetariano a partir deste facto, mas a verdade é que, já desde 1924 poucas vezes Hitler comia carne. Este episódio destroçou emocionalmente Hitler, que optou por seguir o mesmo caminho. Hitler tentou suicidar-se por sua morte, mas seu fiel amigo e secretário Rudolf Hess conseguiu tirar-lhe a pistola das mãos no último minuto. Mais tarde, Hitler diria: “É a única mulher que tenho querido”. Segundo os mais experientes historiadores de Hitler, Geli e sua mãe Klara Hitler foram as duas únicas pessoas que tiveram um factor emocional determinante na vida de Hitler.

Hitler fez uma estátua a Geli e, todos os anos, no aniversário de sua morte, fechava-se durante horas no quarto da falecida Geli, onde passava horas, olhando suas roupas, fotos e demais lembranças. Até o princípio da guerra, Hitler também passou as vésperas de Natal sozinho nesse quarto. Sempre na cama de Geli, Hitler depositava flores de forma afectiva . Só Anny Kramer-Winter, a dona-de-casa de Hitler a partir de 1929 até 1945, e ele, entravam naquele quarto. Qualquer outra pessoa tinha o acesso proibido. A cada aniversário de seu nascimento e de sua morte, Hitler depositava um ramo de flores aos pés de um quadro de sua sobrinha. Durante toda a guerra, retratos de Geli se conservaram no Berghof e na Chancelaria do Reich, até o final da guerra. Aquele golpe foi terrível para o futuro líder da Alemanha nazista e, após este facto, virou-se determinadamente para a política, sustentando unicamente relações com Eva Braun, a assistente do estudo fotográfico de Heinrich Hoffmann.

Fontes:

 Marc Vermeeren. “De jeugd van Adolf Hitler 1889-1907 en zijn familie en voorouders”. Soesterberg, 2007, 420 blz. Uitgeverij Aspekt

“A História Perdida de Eva Braun”, Angela Lambert. Ed. Globo. 2007

http//pt.wikipedia.org/wiki/Geli_Raubal

“Hitler’s Women, Guido Knopp. Routledge. 2003

Rússia, 1941. Uma Guerra Sem Louros – Parte XII

PARTE 12

Klein Kindergarten Krieg. Prisioneiros e partisans.

Dezenas de milhares de prisioneiros soviéticos eram mostrados nos cinejornais para as platéias dos cinemas na Alemanha enquanto que os textos se regozijavam diante das vitórias. Mas de cada 100 prisioneiros mostrados, apenas 3 sobreviveriam.

O primeiro problema ao ser feito prisioneiro era, antes de tudo, sobreviver ao combate. A intensidade da luta por muitas vezes excluía esta possibilidade. Por exemplo: na maioria das vezes, as consequências do fracasso no enfrentamento entre infantaria e tanques eram fatais. Um sub-oficial alemão de uma força anti-tanques descreveu o que normalmente acontecia:

“Todos os membros da tripulação eram mortos assim que pulavam para fora (do tanque) e nenhum prisioneiro era feito. Isso era a guerra. Havia ocasiões quando tais coisas aconteciam. Se nós percebêssemos que não poderíamos recolher ou cuidar dos prisioneiros, eles eram mortos durante a ação. Mas eu não estou dizendo que eles eram mortos depois de serem feitos prisioneiros – isso nunca!”

Durante as primeiras semanas do avanço, as duas maiores batalhas envolvendo os cercos de Bialystok e Minsk envolveram a captura de 328.000 prisioneiros com mais 310.000 feitos em Smolensk. O General Von Waldau, chefe do Luftwaffen-Führungsstabes (Equipe de Operações da Luftwaffe) calculou que praticamente 800.000 prisioneiros foram feitos até o final de julho. Tal número iria chegar a 3,3 milhões em dezembro. As estimativas são de que 2 milhões de prisioneiros soviéticos pereceram apenas nos primeiros meses da campanha. O tenente da artilharia Siegfried Knappe ficou impressionado com o inacreditável número de rendições:

“Nós começamos a capturar prisioneiros desde o primeiro dia da invasão. A infantaria os trazia aos milhares, às dezenas de milhares e até às centenas de milhares.”.

CONTINUA

Traduzido Por A.Reguenet

Série: Segunda Guerra Antes de Depois

 Segue mais uma vez o retorno da série antes e depois. O Max3 designer é o principal autor das fotos, muito embora outros apareçam.

Fallschirmjäger – Excelente Tropa, Sem Sorte!

Em maio de 1941 iniciou-se a primeira ação aerotransportada da história das guerras. A Operação Mercúrio visava a tomada da ilha de Creta. A missão ficou a cargo do General Student que já tinha comandado ações com unidades paraquedistas na invasão aos Países Baixos e contava com o apoio de Hitler para dominar pontos estratégicos da Ilha, já que por mar o domínio inglês não permitiria a invasão da Grécia.

Para cumprir a missão foram mobilizados 7ª Divisão Paraquedista e 5ª Divisão de Montanha. A 7ª seriam transportados por 700 aviões de transportes Junkers e, após a tomada de aeroportos a 5ª iria desembarcar.

O que não se esperava era a tenacidade da população de Creta, muito armados de foices, machados e facas atacavam os paraquedistas. As forças aerotransportadas alemãs eram munidas apenas de pistolas, os demais armamentos em enviados de paraquedas em caixas, portanto o paraquedista deveria procurar as caixas com munição e armamento, enquanto isso deveria agir apenas com uma mísera pistola.

A missão de tomar Creta foi concretizada, contudo com um alto custo de vidas. Mais de 3200 militares alemães perderam sua vida na Operação.  E houve retaliação. Vilas foram dizimadas quando se suspeitavam que seus integrantes participaram da resistência.

Depois da Operação Mercúrio os Fallschirmjäger não seriam utilizados novamente em operações aerotransportadas, pelo contrário, iriam combater na Normandia, onde houve outra famosa operação aerotransportada.

Sem dúvida foi uma das melhores e mais bem preparadas tropas da Segunda Guerra, mas que infelizmente não teve sorte nas missões que fora empregada.

Rússia, 1941. Uma Guerra Sem Louros – Parte XI

PARTE 11

Um médico Gefreiter da 125ª Divisão de Infantaria escreveu para casa relatando a extensão da “crueldade judia-bolchevique e que qualquer um acharia difícil de acreditar”:

“Ontem nós atravessamos uma grande cidade e passamos por sua prisão. Ela fedia devido aos cadáveres, mesmo a uma longa distância. Enquanto nós nos aproximávamos, mal dava para suportar o cheiro. Dentro dela estavam os corpos de 8.000 prisioneiros civis, nem todos fuzilados, mas que também foram espancados e assassinados – um banho de sangue produzido pelos bolcheviques um pouco antes de se retirarem.”

Os soldados eram extremamente influenciados por aquilo que viam. Isso afetava tanto a moral quanto a ética. Um sub-oficial escreveu: “Se os soviéticos já assassinaram milhares dos seus próprios cidadãos ucranianos indefesos, mutilando-os de forma brutal e matando-os, o que eles farão então com os alemães?” A sua própria e profética opinião era de que: “se estes animais, nosso inimigo, vierem a entrar na Alemanha, haverá um banho de sangue tal qual o mundo nunca viu antes.”.

A publicidade em torno da atrocidade de Lvov, veiculada nos cinejornais e nos periódicos só fez por aumentar as suspeitas e o mal-estar que já se fazia sentir entre o povo na Alemanha. Suas preocupações eram repassadas para aqueles que serviam no front, aumentando o isolamento e o pessimismo que começava a emergir dentro de cada um diante das perspectivas da campanha se tornar ainda mais longa. Uma dona de casa de Düsseldorf confessou ao seu marido:


“Nós temos uma ideia do que parece estar acontecendo aí no leste a partir do (cinejornal) Wochenschau, e acredite em mim: essas imagens tem produzido tamanho pavor que nós preferimos fechar os olhos enquanto que algumas cenas são projetadas. E essa realidade – o que lhe parece? Eu acredito que nunca nós conseguiríamos imaginar.”

As informações confidenciais do Serviço Secreto da SS sobre os assassinatos dos ucranianos em Lvov confirmam que estes “produziram uma profunda impressão de repugnância” durante a segunda semana de julho. “Muitas vezes era perguntado que destino os nossos soldados podem esperar se eles se tornarem prisioneiros e, de nossa parte, o que estamos fazendo com os bolcheviques os quais nem mais são humanos?”.


C O N T I N U A

Traduzido Por A.Reguenet

Você conhece a Batalha da Floresta de Hurtgen? O Início do Massacre

As operações iniciais em Hurtgen ficaram a cargo da 9ª Divisão de Infantaria comandada pelo Major-General Louis A. Craig. Uma Unidade Veterana da África, Itália, Normandia e Bélgica. Os objetivos iniciais da 9ª iniciar uma ofensiva as cidades circunvizinhas da região, a começar por Zweifall, já na margem da floresta. A resistência alemã estaria centralizada na cidade Aechen.

 Nas primeiras operações de setembro, já com a tentativa de tomar a floresta, a 9ª e a 3ª Divisão Blindada, chegaram a perder 80% de seus efetivos na investida.

Com o fracasso de setembro, o 7º Corpo planejou outra ofensiva. A 9ª DI iria avançar sobre a floresta e atingir rio Roer com a captura das cidades de Vossenack e Schmidt. Houve nesse operação um certo sucesso, mesmo sendo prejudicada pelo mau tempo. O final do mês de outubro a 9ª recebeu ordens para deixar a linha. Nas ofensivas planejadas e executada pela 9ª Divisão de Infantaria teve 4 mil mortos para conquistar míseros 3 quilômetros de terreno.

 O 5ª Corpo foi chamada para substituir o 7ª para conquistar os objetivos aliados, e a 28ª Divisão de Infantaria seria a ponta de lança desse nova ofensiva. A missão era árdua pra a 28ª que estava sob o comando do Norman D. Cota, o oficial que se destacou em Omaha no Dia D. Sabendo das dificuldades que a Divisão de Cota iria enfrentar, o comando aliado forneceu um Batalhão de Tanques, duas unidades de anti-tanques, uma unidade de morteiros, um Batalhão de Engenharia, uma Batalhão de Artilharia Anti-Aérea, um Bateria de Artilharia de 155mm, uma Batalhão de Infantaria e mais 8 Batalhões de Artilharia de Campanha e mais cinco Grupos de Caça-Bombardeios, além de 47 veículos anfíbios M29 Weasel. Todos reforçando a 28ª Divisão de Infantaria.

 Mas, do outro lado, estavam três divisões alemãs  – 89ª, 272ª, 275ª que iriam defender a região de Hurtgen. O comando das operações alemãs tinham total visibilidade das manobras dos aliados, pois estavam sob as áreas elevadas de Brandenbug e Bergstein.

Como segue abaixo na descrição de Reinaldo Theodoro

“A 28ª Divisão foi a única unidade aliada a atacar numa frente de mais de 270 quilômetros, da Holanda a Metz, permitindo assim aos alemães concentrarem suas parcas reservas num único ponto. A 28ª partiu para o ataque às 9:00 h de 02/11/44, após uma forte preparação de artilharia (o mau tempo prejudicou o apoio aéreo). Cada um de seus três regimentos tinha um objetivo distinto e com direções divergentes.

  À esquerda da divisão, o 109º RI (Tenente-Coronel Daniel B. Strickler) iria avançar na direção nordeste, ao longo da estrada Germeter-Hurtgen e conquistar a linha de florestas que dominava Hurtgen. No primeiro dia, o batalhão a oeste da estrada conseguiu atingir a linha de florestas, mas o batalhão na estrada foi detido, após percorrer somente 300 metros. As tentativas de flanqueio realizadas no dia seguinte falharam devido principalmente a dois contra-ataques alemães, que causaram confusão no lado americano. Pelos próximos poucos dias, a situação continuou incerta. Enquanto os americanos haviam forçado um estreito saliente de cerca de 1,5 quilômetro no platô arborizado entre o Weisser Weh e a estrada, os alemães conservavam o outro lado dela. Mesmo o engajamento do batalhão reserva no dia 04/11/44 não provocou nenhuma alteração na situação.”

 À direita, o 110º RI (Coronel Theodore A. Seely) atacaria para o sul, atravessaria a encruzilhada de Raffelsbrand e abriria uma rota alternativa para o Corredor de Monschau. Mas essa parte da floresta era repleta de casamatas e bunkers de troncos e infestada de minas, arame farpado e armadilhas. Os batalhões do 110º RI, após 12 dias de trabalhosas e custosas tentativas de infiltração, não conseguiram quebrar o impasse em Raffelsbrand. O ataque ali acabou cancelado a 13/11/44.

 O 112º RI (Tenente-Coronel Carl L. Peterson), atacando no centro, havia recebido a missão principal. Ele iria atacar para leste a partir de Germeter e capturar Vossenack, para então avançar pelo vale do rio Kall e atingir primeiro Kommerscheidt e, finalmente, Schmidt, objetivo final da divisão. O começo foi bastante promissor: com o apoio de tanques, um batalhão havia conseguido tomar Vossenack no início da tarde e atingiu o fim da cota onde a cidade se situava.

 Mas o batalhão que estava avançando pelo terreno até Schmidt imediatamente caiu sob fogo pesado e foi detido pelo resto do dia. De Vossenack para o sudeste, havia uma trilha estreita de cerca de três quilômetros de extensão, descendo abruptamente até o rio Kall para então subir tortuosamente até a cidade de Kommerscheidt e ao longo de um esporão até Schmidt. As fotos tiradas pelo reconhecimento aéreo não revelaram a situação em toda a sua extensão. Essa trilha, que ficaria conhecida como a “Trilha de Kall”, foi escolhida não somente como eixo de ataque, mas também como principal rota de suprimentos da divisão.

 De fato, a trilha era uma pista de lama, bloqueada com incontáveis árvores derrubadas. Além disso, era estreita demais, em alguns pontos com largura de apenas 2,70 metros, limitada  abruptamente de um lado por um íngreme muro de pedras e de outro por uma profunda   depressão. No fundo do vale, uma ponte de arco de pedras atravessava o gelado e lento rio Kall.

 Bem cedo em 03/11/44, dois batalhões do 112º RI, desceram pela trilha de Kall. Marchando de Vossenack e subindo pela outra vertente, eles conseguiram (para surpresa geral) atingir  Kommerscheidt e então Schmidt. Pelo anoitecer, um batalhão estava posicionado em cada   uma das vilas e organizado defensivamente. Porém, eles não tinham armas anti-tanques além   das suas bazucas e minas e a necessidade de levar blindados através do vale do Kall tornou-se então assunto urgente.

 No final do dia, na mais absoluta escuridão, uma companhia do 707º Batalhão de Tanques iniciou a tentativa de reforçar a infantaria, mas logo descobriria que a trilha era impassável para equipamento pesado. O terreno fofo começou a ceder com o peso do primeiro tanque,  enquanto as rochas que ladeavam a trilha impediam qualquer tipo de manobra. O 20º Batalhão de Engenharia de Combate então recebeu ordens de trabalhar durante a noite para que os   tanques pudessem tentar a travessia novamente pela manhã. Porém, a trilha pouco havia  melhorado ao amanhecer, quando os Shermans fizeram uma segunda tentativa. Prejudicados pelas minas e pelo terreno difícil, apenas três tanques seguiram rumo a Kommerscheidt. Ao todo, cinco tanques ficaram imobilizados na trilha, rota vital de suprimentos, que ficou assim absolutamente interditada até mesmo para os versáteis Weasels.

 continua…

Rússia, 1941. Uma Guerra Sem Louros – Parte X

PARTE 10

Qualquer dúvida sobre o que poderia acontecer ao ser capturado pelo Exército Vermelho foi dissipada pela publicidade que se seguiu após a tomada da cidade polonesa/ucraniana de Lvov pela 1ª Divisão Gerbisjäger em 30 de junho de 1941. Quatro mil corpos foram encontrados em vários estágios de decomposição dentro da prisão de Brygidky (ex-prisão militar de Samarstinov) quando esta ainda ardia em chamas. O NKVD (Comissariado do Povo para Assuntos Internos, mais conhecido popularmente como Serviço Secreto ou Polícia Secreta Soviética – N. do T.) havia começado a executar os detentos (na maioria intelectuais ucranianos) dois dias após o início das hostilidades. Seguiram-se então os progroms (Progrom é um termo de origem russa que significa um ataque violento por parte de grupos populares contra judeus e, mais genericamente, contra grupos étnicos e religiosos. Tais ataques são caracterizados pela violência e pela destruição das propriedades das vitimas – N. do T. ) realizados pelos cidadãos poloneses e ucranianos e dirigidos contra os judeus locais. A contribuição por parte da SD e da SS acabaria por adicionar mais 38 professores poloneses e, pelo menos, 7.000 judeus a este sombrio número final. Porém, inicialmente, o foco público estava centrado no crime perturbador promovido pela polícia secreta russa. Devido à natureza terrível que este fuzilamento perpetrava, a capitalização do evento por parte da propaganda alemã o tornou ainda mais convincente.

O marido de Maria Seniva tinha sido preso pela NKVD. Ela contou que:

“Havia uma mensagem dos alemães no rádio. Dizia: “Esposas, mães, irmãos e irmãs: venham para a prisão.” Eu cheguei na entrada, não me lembro de qual. As pessoas estavam em pé em toda a volta dos portões. Através deles eu podia ver os corpos. Eles estavam no pátio, enfileirados no chão. (…) Eu percorri para cima e para baixo pelas fileiras e parei para olhar um dos corpos que estava coberto. Eu levantei o cobertor e lá estava ele, eu o achei (ela começou a chorar nesta parte). Eu não sei o que tinha acontecido com ele, mas seu rosto estava todo enegrecido. Ele não tinha olhos, não havia nada lá, e estava sem o nariz.”.

Jaroslaw Hawrych, também emocionalmente abalada, se lembra de achar o seu cunhado entre “as centenas de milhares” de corpos dispostos no pátio:

“Eu não o teria reconhecido, ele estava seminu. Havia ferimentos no seu corpo e seu rosto estava inchado, todo preto e azul. Ele levou um tiro na cabeça e suas mãos tinham sido amarradas com um pedaço de corda. Eu só consegui reconhecê-lo quando vi a sua meia. Ele tinha uma meia no seu pé, uma meia com listras coloridas. Eu reconheci aquela meia pois foi tricotada pela minha mãe.”

Traduzido Por A.Reguenet
C O N T I N U A

Causos de Brasileiros na Segunda Guerra Mundial

 Não tem como negar que a característica do povo brasileiro esteve muito presente no Teatro de Operações da Itália. Entre os diversos “causos” há vários relatos, alguns, é verdade, sem a comprovação necessária para tomarmos como verdadeiras. Mas outros realmente encontramos comprovação. Entre tantos relatos, separamos alguns, bastante engraçados.

A Comida Comuflada

Os pracinhas, acostumados às rações reguladas que tinham no Brasil, ficavam surpresos com a abundância servida pelos americanos: carnes, legumes, frutas, uva-passa, sorvetes, mas nem tudo era elogio. Tinha um tal de Pork Lunch (enlatado a base de carne de porco) que eles serviam tantas vezes que todos odiaram – inclusive os americanos. De vez enquanto os cozinheiros punham um molho diferente para enganar o pessoal, mas o primeiro pracinha da fila que via aquela rodela coberta com molho avisava a turma de trás: “Cuidado, pessoal, hoje ela está camuflada!”.

O Ferimento de Neve

No meio de uma saraivada da artilharia alemã, os soldados aprontavam uns com os outros para amenizar o stress do combate como conta o sargento Moacyr Machado Barbosa: “Quando caíam algumas granadas de 88mm, nós jogávamos bolas de neve ou pedra nas costas dos companheiros. Quando o bombardeio acabava, a gente levantava e voltava à normalidade. Aquele que tinha sido atingido pela bola de neve ficava passando a mão no local atingido procurando sangue para ver se tinha sido ferido. Ferimento não dói na hora, só depois. Por isso ficava procurando ferida. Era uma brincadeira de brasileiro”

Tá todo mundo preso!

Numa região onde havia brasileiros, americanos, alemães e italianos indo pra lá e pra cá, só podia acabar em confusão. Certo dia, uma patrulha sob o comando de um sargento gaúcho voltando de uma missão deu de cara com um grupo de alemães. Imediatamente o sargento mandou seus homens cerca-los e desarmá-los. Mas os alemães viam sendo conduzidos como prisioneiros por três americanos. Sendo tantos pracinhas os cercando, os americanos gritaram: -Oh! Brazilian, friends! Mas o sargento não entendia inglês. Não quis saber de conversa foi logo dizendo: – Não tem disso, não! É tudo gringo, vai tudo preso! Só quando chegaram à Companhia é que então se esclareceu quem era “gringo” e que não era.

Bota-fogo!

O Cabo João Batista Moreira, da 5ª Companhia do 11º RI, conta que quando estava na linha de frente o Alto Comando mandou reforço de duas seções de metralhadoras pesadas sob o comando de dois cabos. O 1º RI todo era carioca e as senhas escolhidas do dia foram Flamengo e Botafogo. Informou o Capitão a aproximação de uma patrulha inimiga de 12 a 15 homens. O Capitão mandou esperarem chegar mais perto e desligou. Logo depois tentou contato com a seção de metralhadoras, que não atendeu. Nervoso, o Capitão começou a gritar: “Alô, Botafogo! Botafogo!”. O pracinhas ouviram isso e gritaram para os artilheiros: “O Capitão ordenou: ‘Mete Fogo!’ ‘Mete Fogo!’”. E toda a frente abriu fogo. Quanto mais o Capitão gritava, mais atiravam até que um mensageiro mandou cessar fogo. Então lançaram um very-light que iluminou uma área de 100 metros. Havia apenas um alemão morto, o resto da patrulha fugiu. A confusão gerou telefonemas das companhias e do batalhão querendo saber sobre “o violento ataque alemão…”.

Fontes: Relatos da FEB, História Oral do Exército na Segunda Guerra.

 

O Bravo Oficial R/2 na FEB – Tenente APOLLO MIGUEL REZK

Entre os estudiosos da participação brasileira na Segunda Guerra Mundial, uma argumentação é unânime: A inquestionável bravura dos Oficiais R/2 na Campanha Itália. Para os leigos em assuntos militares, Oficiais/R2 são jovens preparados em Centros de Ensino Militares, tais como CPOR e NPOR, para comandar pelotões em combate. Não é um militar de carreira, mas possui as mesmas prerrogativas e as mesmas funções. A origem do Curso de Formação é de 1927, data em que o Tenente-Coronel Luiz Araújo Correia Lima inaugurou o Centro de Preparação de Oficiais da Reserva do Rio de Janeiro, com o seguinte objetivo: “proporcionar aos jovens universitários a conciliação das atividades acadêmicas com o Serviço Militar Obrigatório” (CNOR – Conselho Nacional de Oficiais R/2 do Brasil).

Forjados para serem comandantes de fração, os Oficiais R/2 tiveram um papel destacado na Força Expedicionária Brasileira, dos quais participaram 433 tenentes, 12 capitães, seis majores e um tenente-coronel, todos formados no CPOR/RJ.

Dentre esses Oficiais destacamos a participação do 1º Tenente APOLLO MIGUEL REZK, que integrou o 1º Regimento de Infantaria em batalhas como Monte Castello e Lá Serra. Estamos falando, simplesmente, do Oficial mais condecorado na Campanha da Itália: Cruz de Combate de 1ª Classe, Medalha Sangue do Brasil, Medalha de Guerra, Medalha de Campanha, Distinguished Service Cross, Silver Star.

O Tenente Sérgio Monteiro, historiador e presidente do Conselho Nacional de Oficiais R/2 do Brasil, entidade máxima do Oficial R/2, é autor do livro “O Resgate do Tenente Apollo”.

Logo após o seu falecimento (1999), o Conselho Nacional de Oficiais R/2 do Brasil publicou um Boletim Especial sobre o nosso herói, onde o Tenente Sérgio Monteiro inseriu um artigo de sua autoria denominado “O Silêncio do Grande Guerreiro” que foi publicado à época, em vários órgãos da mídia, inclusive na Revista do Exército Brasileiro.

 O dia 21 de janeiro de 1999 será sempre lembrado por todos nós, da ativa ou da reserva, como a data em que a pátria, entristecida, viu partir aquele que se constituiu na realização máxima dos ideais do Ten Cel Correia Lima, patrono dos CPOR.    A Nação Brasileira perdeu um dos seus filhos mais ilustres. O Exército, um dos melhores soldados. A Força Expedicionária Brasileira, o mais destacado combatente. Os Oficiais da Reserva , o seu símbolo.

Nosso primeiro contato com o Maj Apollo foi em 1995, por ocasião do cinqüentenário do término da Segunda Guerra Mundial. Reunimos, num encontro memorável, no quartel do CPOR/RJ, cerca de quarenta oficiais R/2 febianos, presente o Gen Ex Gleuber Vieira, na época, chefe do DEP (Nota DefesaNet – Foi Comandante do Exército 2000-2002) . Entre eles, um desconhecido de todos nós, o Major Apollo.Terminado o evento, fomos procurados pelo saudoso Cel Pinto Homem (também febiano), que, emocionado, nos informou que aquele oficial cego e semiparalítico fora o mais destacado combatente da Força Expedicionária Brasileira. De imediato, nos apaixonamos por sua história. Daí em diante, resgatar o nosso herói das sombras do esquecimento passou a ser prioridade. Missão honrosa, mas difícil, neste país sem memória.

Foram muitas as visitas ao Maj Apollo, os encontros, as conversas e pesquisas. Uma verdadeira corrida contra o tempo que, inexorável, ameaçava nos privar daquela vida preciosa. Conquistamos algumas vitórias: o CPOR/RJ abriu suas portas para o seu filho mais ilustre; fizemos palestras para o Corpo de Alunos sobre a atuação da FEB, na campanha da Itália, com ênfase no destacado desempenho do, então, Ten Apollo; por nossa iniciativa, a revista Manchete e o Noticiário do Exército publicaram matérias sobre o bravo oficial R/2.

Em tocante cerimônia, o Maj Apollo inaugurou, dia 21 de abril de 1998, a nova Sede da Associação dos Ex-Alunos do CPOR/RJ e do Conselho Nacional de Oficiais R/2, que levou o seu nome. Foi pouco, muito pouco, quase nada, para quem tanto engrandeceu a sua pátria com ações plenas de heroísmo e coragem.

Como comandante de pelotão foi notável, sendo várias vezes elogiado pelo comando aliado, no teatro de operações da Itália. Recebeu duas condecorações do Governo americano, sendo que, uma delas, somente foi conferida a poucos combatentes da Segunda Guerra. Foi, também, agraciado com todas as medalhas de Guerra brasileiras. Em 1957, aos 39 anos, viu encerrada a carreira militar ao ser reformado no posto de major, em decorrência do agravamento de um problema nos pés.

A sua folha de alterações é referência para qualquer soldado: 20 anos de serviço ativo sem qualquer nota desabonadora, em meio a inúmeros elogios dos mais importantes chefes militares, brasileiros e estrangeiros.

Após deixar o serviço ativo, desenvolveu algumas atividades civis. Mas, lentamente, foi sendo esquecido por seus companheiros de Armas. Assim o encontramos, em seu lar, num recanto da Tijuca, quarenta anos depois de passar para a reserva.

Nos muitos contatos que tivemos com o Major Apollo, ficamos impressionados com o seu perfil de verdadeiro herói: simples, modesto, atencioso e, até mesmo, conformado com o abandono e as injustiças de que foi alvo. Resignado, acalentava, apenas, o desejo de ser promovido a Tenente Coronel, a exemplo do que ocorreu com vários outros ex-combatentes, que conquistaram a promoção por decisão judicial. Tentou, por via administrativa, mas não conseguiu. Quem sabe, o Exército e o Governo brasileiro, como tardia e derradeira homenagem, reconhecendo seus méritos, concedam-lhe, ainda que em caráter excepcional, a tão sonhada promoção, por merecimento e bravura em combate.

Nossa missão não terminou com o silêncio do grande guerreiro. Seus feitos heróicos precisam ser passados às novas gerações de oficiais R/2. Como um símbolo. Suas ações ultrapassaram os limites da existência física. Elas não mais lhe pertenciam. Na verdade, são páginas gloriosas da História Militar de uma Nação que teima em não cultuar seus heróis.

Quanto a nós, qual pássaros que tentam apagar o incêndio da grande floresta, continuaremos a fazer a nossa parte, tendo como paradigma o saudoso Major Apollo Miguel Rezk, que tão bem soube cumprir o seu dever.

CITAÇÕES

Citação de Combate (tradução) – Medalha “Distinguished Service Cross” (Cruz por Serviços Notáveis) – APOLLO MIGUEL REZK (1G – 153466) – Primeiro Tenente, de Infantaria, da Força Expedicionária Brasileira. Por heroísmo extraordinário na ação de vinte e quatro de fevereiro de mil novecentos e quarenta e cinco, em La Serra, Itália. Foi confiada ao Primeiro Tenente Rezk a missão de comandar o seu Pelotão no ataque e ocupação de La Serra, na frente de determinada resistência inimiga. À despeito de campos de minas desconhecidos, terreno excessivamente difícil e forte oposição, o Primeiro Tenente Rezk conduziu galhardamente os seus homens através uma cortina de fogo de metralhadoras, morteiros e artilharia para assaltar e arrebatar o objetivo inimigo. Embora gravemente ferido quando dirigia o ataque, o Primeiro Tenente Rezk nunca hesitou; pelo contrário, continuando firmemente o avanço. Depois de colocar o seu Pelotão em posição, repeliu três fortes contra-ataques, infligindo pesadas perdas aos alemães pela sua habilidade na direção do tiro. Depois, embora em posição vulnerável ao fogo das casamatas do inimigo circundante e a despeito das bombas que caíam e da gravidade dos seus ferimentos, o Primeiro Tenente Rezk defendeu resolutamente La Serra, contra todas as tentativas fanáticas dos alemães para retomar a posição. Pelo seu heroísmo, comando inspirado e persistente coragem, o Primeiro Tenente Rezk praticou feitos que refletem as mais altas tradições do Serviço Militar. Prestou o serviço militar vindo do Rio de Janeiro. Quartel General do V Exército – Oficial.

Citação de Combate (tradução) – Medalha “Silver Star” (Estrela de Prata) – APOLLO MIGUEL REZK (1G – 153466),  Primeiro Tenente, Infantaria, Força Expedicionária Brasileira. Por bravura em ação, em 12 de dezembro de 1944, em Monte Castelo, Itália. Comandando o seu Pelotão, através de intenso fogo de metralhadoras e morteiros, o Tenente APOLLO chegou até uma posição alemã, assaltou-a e continuou o seu avanço. Chegando a Fornelo, seu Pelotão recebeu intenso fogo de frente, de flanco e da retaguarda, porém o Ten APOLLO tenazmente manteve a posição até ser forçado a se retrair, em virtude de pesadas perdas. O seu bravo comando no combate reflete as elevadas tradições dos Exércitos aliados. Entrou para o serviço militar no Rio de Janeiro, Brasil. (Tradução feita pela Seção Especial do Comando da F.E.B.).

Citação de Combate – Primeiro Tenente de Infantaria APOLLO MIGUEL REZK – 1O R.I. – “em 23-II-1945:- O seu Pelotão integrava a 6a Cia. No ataque à Linha La Serra – Cota 958, e, no conjunto da Subunidade, cabia-lhe apossar-se de La Serra. Na primeira parte da noite se lança na ação. Não obstante o violento bombardeio de artilharia e de morteiros que cai sobre o terreno, o Pelotão progride: alcança o objetivo, investe contra a posição e nela se instala sumariamente. Não terminou, porém, o esforço do Pelotão do Tenente APOLLO. Imediatamente – os alemães contra-atacam, sem resultado, porém, uma vez que a resistência dos brasileiros é forte e tenaz. O Tenente APOLLO é ferido, e só na manhã seguinte pôde ser evacuado por causa dos constantes bombardeios e dos contra-ataques inimigos. A personalidade forte, o espírito de sacrifício, a combatividade, a tenacidade, o destemor do Tenente APOLLO constituem belos exemplos dignos da tropa brasileira”. Gen Div J.B. Mascarenhas de Moraes – Cmt do 1o Esc. da FEB e da 1a D.I.E.

DEPOIMENTOS

“… esta magnífica ação, das mais expressivas e brilhantes da campanha da FEB , transcorreu na noite de 23 para 24 de fevereiro, a partir de 21:15 horas… cerca de 24 horas, era a vez de La Serra, onde o bravo e excepcional Ten Apollo chegara de surpresa a assaltava a posição…” (Marechal Floriano de Lima Brayner, ex-Chefe do Estado-Maior da FEB).

“A promoção se justifica, sobretudo, em virtude da conduta excepcional desse oficial no teatro de operações na Itália, onde, entre diversas condecorações recebidas por bravura, lhe foi conferida a medalha “Distinguished-Service Cross” do Exército americano, por heroísmo extraordinário em ação, distinção máxima somente concedida a este combatente brasileiro”. (Gen Newton Estillac Leal, Ministro da Guerra – 1951).

“…é um bravo, conceituado e admirado por todos, tendo se destacado em todas as ações da Unidade. Disciplinado, muito bem educado, dedicado e capaz. Pode servir de modelo pela sua bravura e exata noção do cumprimento do dever”. (Gen Aguinaldo Caiado de Castro, ex-Comandante do 1o R I, na Itália).

“… por se tratar de oficial de ilibada conduta moral e de valor profissional fartamente evidenciado e reconhecido na paz como na guerra… como também pelo evidente imperativo de zelar por valioso patrimônio moral, que longe de ser exclusivamente pessoal, deve pertencer ao Exército e por ele cultuado”. (Cel Silvino Castor da Nóbrega, ex-Comandante do Batalhão de Guardas).

“… mesmo ferido, contra-atacado e cercado, em momento algum pensou em retrair. Revelou bravura, firmeza e acerto de decisão, excepcional calma em presença do inimigo, exata noção de seus deveres em combate, a par de elevado sentimento de honra militar e superior capacidade de sacrifício…” (Cap Wolfango Teixeira de Mendonça, Comandante da 6a Cia/II Btl/1o R I – 1945).

“Todavia um dos seus pelotões bateu o recorde do ataque: o do tenente Apollo… que foi de todos o que mais se adentrou pelo dispositivo inimigo. E foi verdadeiramente agressiva a atuação do seu comandante”. (Ten Cel Nelson Rodrigues de Carvalho, ex-Febiano).

DADOS BIOGRÁFICOS

INFORMAÇÕES GERAIS

¨      Nome: Apollo Miguel Rezk.
¨      Nascimento: 09 de fevereiro de 1918, Rio de Janeiro.
¨      Filiação: Miguel Jorge Rezk e Suraia Miguel Rezk.
¨      Estado civil: Viuvo. Foi casado com Ivette Antunes Rezk. Teve dois filhos: Nelson e Nádia.
¨      Formação militar: CPOR/RJ.
¨      Formação civil: Ciências e Letras, Colégio Pedro II;
Perito-Contador, Escola Superior de Comércio do Rio de Janeiro; Economista, Faculdade de Economia e Finanças.

INFORMAÇÕES MILITARES

§  Aspirante a Oficial da Reserva, Arma de Infantaria, em 29/11/1939, classificando-se 10o/70;
§  Promovido a 2o Tenente em 31/09/1941; Promovido a 1o Tenente em 10/12/1943;
§  Embarcou para a Itália em 20/09/1944, no segundo escalão da FEB;
§  Comandou um pelotão de fuzileiros, nos ataques a Monte Castelo em 12/12/1944 e em 21/02/1945;
§  Conquistou as posições inimigas em La Serra – 24/02/1945;
§  Retornou ao Brasil, terminada a querra, partindo de Nápoles, com o 1o R I, em 11/08/1945;
§  Transferido para o Batalhão de Guardas, em 04/12/1947;
§  Escalado Oficial de Dia ao Ministério da Guerra, em 25/08/1949, apresentou a Guarda ao Presidente
Dutra por ocasião da inauguração do Panteon de Caxias;
§  Promovido a Capitão em 03/09/1951;
§  Transferido em 13/08/1952 para a Diretoria Geral de Pessoal do Exército;
§  Transferido em 28/11/1955 para a 5a Região Militar (Curitiba) onde foi designado Ajudante-de-
     
Ordens do General Mário Perdigão;
§  Transferido em 22/08/1956 para Departamento Geral de Pessoal do Exército;
§  Promovido a Major  e reformado em 09/12/1957.

CONDECORAÇÕES

v  “Distinguished-Service Cross”, EE UU;
v  “Silver Star”, EE UU;
v  Sangue do Brasil,
v  Cruz de Combate de Primeira Classe;
v  Medalha de Campanha;
v  Medalha de Guerra;
v  Medalha Mal Hermes;
v  Medalha Mal Caetano de Farias;
v  Medalha Honra ao Mérito;
v  Medalha de Bronze.

INFORMAÇÕES COMPLEMENTARES

ü Diretor-Tesoureiro da Cia. de Empreendimentos Comercial e Industrial São Leopoldo (1958/1966);
ü  Assistente da Divisão de Estudos e Pesquisas da Sunab (1967/1976);
ü  Diabético, perdeu a visão no final dos anos 80;
ü  Falecido em 21 de janeiro de 1999, aos 81 anos.

Mais Informações e Fontes:

http://www.cnor.org.br/

http://www.cporr.ensino.eb.br/

http://www.exalunoscporrecife.org.br/

Rússia, 1941. Uma Guerra Sem Louros – Parte IX

PARTE 9

A escuta das transmissões dos rádios russos bem como a captura de documentos fornecem uma ampla diversidade de razões para a eliminação dos prisioneiros de guerra alemães. Aqueles soldados inimigos que lutavam ao invés de se renderem bem como os prisioneiros problemáticos eram, na maioria das vezes, sumariamente executados. O desenrolar de situações táticas não previstas e/ou a falta de transporte para os prisioneiros poderiam contribuir para selar o seu destino. Execuções sumárias durante o interrogatório poderiam acontecer como resultado diante da recusa de fornecer informações militares ou para encorajar que outros falassem. Em resumo, os excessos praticados pelos alemães sofriam uma resposta paga na mesma moeda. Alimentação sempre era escassa e, sendo assim, não disponível prontamente para os prisioneiros. Recompensas também eram oferecidas para aqueles que provocassem o maior número de baixas entre o inimigo. A execução dos oficiais alemães e dos nazistas também acontecia, manifestando uma indignação por parte dos soviéticos e que era expressa através da matança do tipo “olho por olho”. De qualquer maneira, o enfrentamento contra o soldado alemão deveria ser levado até o fim. Um documento do 5º Exército Soviético datado de 30 junho revelou:

“Tem acontecido freqüentemente o fato de soldados do Exército Vermelho e seus comandantes, afetados pela crueza dos porcos fascistas (…) não fazerem nenhum soldado alemão ou oficial prisioneiro, mas sim o executarem ali mesmo no local.”.

Tal prática era criticada devido à perda de informações para o serviço de inteligência bem como pelo fato de desencorajar a deserção por parte do inimigo. O major general Potapov, comandando o 5º Exército Soviético, ordenou que seus comandados explicassem aos soldados de que matar os prisioneiros de guerra “é prejudicial aos nossos interesses.”. Ele enfatizava que os prisioneiros deveriam ser tratados adequadamente. Ele ordenou: “Eu categoricamente proíbo qualquer iniciativa individual de fuzilamento.”. Outro documento capturado e proveniente do 31º Corpo Soviético, assinado pelo Comissário Chefe do departamento de propaganda e datado de 14 de julho de 1941, revelava que “prisioneiros tem sido enforcados e esfaqueados até a morte.”. Tal ordem argumentava que “tais comportamentos para com os prisioneiros de guerra são um prejuízo político para o Exército Vermelho e apenas aumentam a vontade do inimigo em lutar (…) O soldado alemão, quando capturado, deixa de ser um inimigo.”. O objetivo era de “fazer tudo o que for necessário para capturar soldados e, especialmente, oficiais.”.

Porém, a realidade em nível de tropa era de que o soldado russo – da mesma maneira que o seu adversário – tinha sido igualmente e rapidamente brutalizado pela natureza de uma luta ideológica e impiedosa. Os interrogatórios dos prisioneiros de guerra soviéticos conduzidos pelos alemães em Krzemieniec no mês de julho de 1941 descobriu que:

“Nenhuma ordem definitiva havia sido dada para que se executasse todos os oficiais, sub-oficiais e soldados alemães quando da sua captura. Os oficiais, comissários e médicos soviéticos capturados explicam que os fuzilamentos e as torturas até a morte dos militares alemães são oriundos de iniciativas individuais ou por ordens especiais. Estas eram repassadas por oficiais, comissários ou ambos. Um comissário afirmou que tais ordens, na sua maioria, são dadas pelos comandantes de regimentos e de batalhões e por quem os comissários são responsáveis.”.

C O N T I N U A

Traduzido Por A.Reguenet

Você conhece a Batalha da Floresta de Hurtgen? Os Desesperados Defensores!

A região de Hurtgen estava inicialmente sendo defendida pelo 7º Exército do General Erich Brandenberger. No contexto geral as tropas defensoras não tinham noção quais os objetivos dos aliados, mas sabiam da importância das represas do Roer, e do início da implementação da Unternehmen Wacht am Rhein (“Operação Vigília sobre o Reno“), que iria concentrar tropas atrás do Reno.

Graças as características da floresta, já citadas anteriormente, um pequeno força poderia impedir o progresso de um grande contingente, principalmente com o apoio de sua artilharia, já que todos os pontos dominantes, estavam sob o domínio alemão. As vantagens que os americanos tinham de nada valiam na tomada da floresta. O terreno lamacento impedia a progressão motorizada, enquanto que a visibilidade praticamente inutilizava a artilharia.

Mesmo os soldados alemães que defenderam a região, não fossem tropas de primeira linha, basicamente sobreviventes de outras frentes, a proteção de casamatas, a falta de mobilidade blindada do inimigo, assegurou vantagens incomuns sobre os americanos na campanha europeia.

Mais um trecho do livro Soldados Cidadãos – Stephen Ambrose – Bertrand Brasil

Para os alemães, a situação era igualmente terrível. Um comandante alemão, o general Hans Schmidt, 275ª Divisão de Infantaria, chamou a floresta de um lugar “estranho e selvagem”, no qual “os pinheiros escuros e as densas copas dão à floresta, mesmo durante o dia, um aspecto sombrio, capaz de deprimir as pessoas mais sensíveis”. O general Paul Mahlmann, comandante da 353ª Divisão de Infantaria, disse que suas tropas “estavam lutando diariamente, sem repouso, recebendo pouco apoio de sua própria artilharia, com as roupas encharcadas pela chuva e sem a possibilidade de trocá-las”.

Para os soldados americanos, aquilo era uma calamidade. Em sua operação de setembro, a 9ª de Infantaria e a 2ª de Blindados chegaram a perder 80% de seus efetivos na linha de frente e não ganharam quase nada com isso. No dia 9 de outubro, reforçada, fez outra tentativa, mas, pelos meados do mês, tornou a cair em apertos e sofreu terrivelmente. Suas baixas chegaram a perto de 4.500 homens para cada três mil metros de avanço. As perdas alemães eram um pouco menores: cerca de 3 mil.

Curiosidade:

No último dia de outubro, os oficiais da 9ª Divisão emitiram um relatório de cinco páginas, intitulado “Notas sobre Combates em Florestas”. instruía os homens a comprimirem o corpo contra um tronco de árvore quando tiros de barragem começassem, aconselhava jamais se mobilizarem pela floresta sem bússola e que nunca avançassem reforços em meio à batalha ou a uma barragem.

Perguntas sobre a Segunda Guerra? blogchicomiranda@gmail.com

Passagem de Comando do CPOR/Recife – 2013

No último dia 14 de janeiro, o Tenente Coronel Mário Antônio Medeiros Vidal passou o comando do CPOR/Recife para o Coronel Paulo Cícero Jacinto de Menezes. Estiveram presentes a solenidade o General de Divisão Marcelo Flávio Oliveira Aguiar (Comandante da 7ª Região Militar/7ª Divisão de Exército), General de Divisão Fernando Vasconcellos Pereira (Diretor de Educação Superior Militar) e o General de Brigada Antônio Carlos de Souza (Comandante da 10ª Brigada de Infantaria Motorizada). Participaram também da passagem de comando antigos comandantes do CPOR/Recife, a Diretoria da Associação dos Oficiais da Reserva do Estado de Pernambuco (AORE-PE) e antigos alunos deste Estabelecimento de Ensino, além do Veterano da Força Expedicionária Brasileira Josias Araújo representando a ANVFEB-PE.

O CPOR/Recife é uma das mais antigas e tradicionais Unidades Militares do Estado de Pernambuco, possui uma carga histórica que testifica o seu brado: “Escola de Fazer Heróis”, e tem cumprido com galhardia a missão de formar líderes na mais pura concepção da palavra.

Desejamos ao novo comandante, Coronel de Infantaria Paulo Cícero Jacinto de Menezes, um excelente comando!

Este slideshow necessita de JavaScript.

Você conhece a Batalha da Floresta de Hurtgen? Então Vamos Lá!

As primeiras tropas a chegarem a região Hurtgen foi o 1º Exército americano do Tenente-General Courtney H. Hodges, quando na eclosão da Operação Market Garden, a missão era cobrir o flanco-direito dos britânicos. Com o fracasso da operação, os aliados resolveram manter a pressão sobre os alemães antes da chegada do inverno.

É importante salientar o espírito de confiança que dominava a ofensiva aliada. Todos acreditavam que Berlim cairia antes do natal. E uma das possibilidades estratégicas era justamente fechar um cerco ao inimigo próximo ao Reno. Na composição do avanço sobre o Reno, o 1º Exército iria tomar a cidade de Aachen, muito bem defendida pelos alemães, e avançar pelo conhecido “Corredor de Stolberg”, situada entre a cidade e a Floresta de  Hurtgen. O comando americano, contudo temia um ataque de tropas reservas inimigas posicionadas na floresta. O 7º Corpo de Exército ficou responsável pelo avanço, utilizando 1º e 19º Divisão para tomar Aachen; a 3ª Divisão Blindada iria avançar sobre o Corredor, com a 9ª Divisão de Infantaria avançando para tomar a Floresta de Hurtgen.

Em uma análise rápida, o objetivo realmente era o avanço sobre o Reno, mas estrategicamente o domínio da represa do Rio Roe, que corria a margem oriental da Floresta, eram imprescindível para os avanço americano, pois, na prática, os alemães que controlavam a represa, poderiam, no caso de perder o domínio da Floresta, perfeitamente abrir as comportas da represa e inundar toda a região, dando fim a qualquer tentativa de avanço. Ou seja, de nada valia o controle da Floresta de Hurtgen, enquanto a represa do Rio Roe estivesse sob o controle alemão. Dai o motivo dos alemães não entenderem a insistência americana de dominarem essa região.

Segue abaixo trecho do livro Soldados Cidadãos – Stephen Ambrose – Bertrand Brasil.

A batalha foi travada sob as piores de todas as condições que os americanos tiveram que enfrentar, piores mesmo do que as batalhas que se travaram no Mosa e na Floresta de Argone.

Em 19 de setembro, a 3ª Divisão de Blindados e a 9ª Divisão de Infantaria começaram a atacar. Os tenentes e capitães aprenderam rapidamente que ali o controle de unidades maiores que pelotões era impossível. Soldados a mais de alguns metros separados uns dos outros, não conseguiam ver-se. Não havia clareiras, apenas aceiros estreitos e trilhas. Os mapas eram quase inúteis. Quando os alemães, seguros em suas casamatas, viam os soldados americanos avançando, solicitavam às suas forças de apoio tiros de artilharia previamente assentados, a qual usava projéteis com detonadores regulados para acionar o explosivo ao contato com a copa das árvores. Portanto, quando os homens se atiravam ao chão para se proteger, como reação do treinamento que tinham recebido e conforme lhes ditava o instinto, expunham-se a uma chuva de estilhaços de metal quente e lascas de árvores. Mas aprenderam que, para sobreviver aos projéteis de Hurtgen, podiam recorrer ao tronco das árvores, abraçando-se a eles. Dessa forma, expunham somente o capacete de metal.

Os tanques mal podiam mover-se pelas poucas estradas, já que estas eram muito lamacentas , estreitas demais e densamente minadas. E, de jeito nenhum, podiam sair delas. Os aviões não podiam decolar. A artilharia podia ser utilizada, mas não eficazmente, já que os oficiais superiores não conseguiam enxergar além de dez metros na linha de combate. Os americanos não podiam usar seus trunfos – força aérea, artilharia, mobilidade. Estavam obrigados a travar combate na lama e em campos minados, escaramuças em que a infantaria se envolvia e avançava pela floresta adentro, com metralhadoras e morteiros leves como seus únicos elementos de apoio.

 

Curiosidade:

 Os americanos não gostam de citar essa batalha, pelo erros grosseiros cometidos durante a campanha. Vidas de soldados foram desperdiçadas, inclusive tropas de elite, como os Ranges e Paraquedistas.

Perguntas sobre a Segunda Guerra? blogchicomiranda@gmail.com

Rússia, 1941. Uma Guerra Sem Louros – Parte VIII

PARTE 8

“De repente os russos começaram a atirar contra nós” conta o soldado Michael Beer. Rajadas de armas automáticas e de metralhadoras varriam através dos grupos separados de prisioneiros alemães amarrados e seminus. Karl Jäger, conduzido pela estrada no sentido norte, de início ficou surpreso com o tiroteio que acontecia entre os grupos que vinham atrás. Segundo ele, “O pânico se instaurou logo após os primeiros tiros e então eu consegui fugir.”. Granadas de mão foram lançadas entre os grupos compostos de sub-oficiais e oficiais que tinham sido separados para um tratamento especial. Eles sofreram ferimentos graves.

Na manhã seguinte, soldados e tanques da 25ª Divisão (alemã) fizeram um pente fino pelo campo: 153 corpos seminus foram encontrados, suas peles brancas e pálidas fazendo um contraste patético contra um fundo de verde exuberante. Um grupo de 14 soldados teve os órgãos genitais arrancados. Entre os corpos estava o de Hermann Heiss, gravemente ferido. Ele foi reconfortado pelos soldados alemães. Olhando em volta em uma cena de completa devastação, ele viu “que a cabeça do meu camarada” que tinha urrado de dor “estava completamente aberta (…) A maioria dos soldados estava morta” ou acabaram morrendo devido aos ferimentos. Apenas 12 sobreviveram.

Caminhões abertos foram trazidos e os corpos seminus empilhados até em cima. Eles formavam uma mistura de membros emaranhados e grotescamente enrijecidos devido ao rigor mortis. A luz do sol reluzia nas tachas das botas espalhadas por sobre os lados dos caminhões que tiveram as suas abas abaixadas de modo a poder acomodá-los. Um cemitério militar foi criado na parte externa da igreja em Broniki. Pode-se imaginar o efeito causado aos soldados da 25ª Divisão, obrigados a limpar a cena do massacre. Em silêncio eles prometeram vingar a morte de seus companheiros.

Durante os estágios iniciais da campanha, as mutilações nos olhos e nos órgãos genitais dos prisioneiros alemães eram infligidos com tal freqüência que acabaram por aumentar ainda mais o desconforto diante da perspectiva de uma possível captura pelo inimigo. A rapidez da Blitzkrieg por muitas vezes cobrava seu preço em razão dos avanços imprudentes de modo que prisioneiros de guerra não eram apenas um fenômeno russo. Mais de 9.000 alemães foram dados como desaparecidos em julho, 7.830 em agosto, e perto de 4.900 em setembro de 1941. Embora mais tarde a taxa de mortalidade dos alemães capturados pelos russos viesse a cair, mesmo assim ainda nesse estágio entre 90 e 95% morreriam nas mãos dos seus captores. Esses números são insignificantes se comparados com o destino dos milhões de prisioneiros soviéticos, porém eram suficientes para criar um receio considerável entre os soldados alemães. Um relatório da 26ª Divisão (russa) datada em 13 de julho de 1941 mencionou que 400 inimigos foram deixados mortos no campo de batalha a oeste de Slastjena e “uns 80 alemães se renderam e foram executados.”. Um outro relatório – também capturado – de uma companhia apresentado pelo capitão Gediejew em 30 de agosto fazia referência aos inimigos mortos, aos canhões e morteiros capturados e a “15 feridos que foram fuzilados.”.

C O N T I N U A

Traduzido Por A.Reguenet

Você conhece a Batalha da Floresta de Hurtgen?

A Segunda Guerra Mundial foi um conflito de números inimagináveis até hoje. Quando Eisenhower comentou em 1969 a quantidade de tropas e material bélico estacionado na Inglaterra aguardando a Operação Overlord, explicou que seria inviável, em tempos armamento nuclear, manter uma quantidade de exército estacionados nestas condições. No contexto geral o recursos humanos e de material empregados nas centenas de operações do conflito sempre surpreende, e isso é proporcional a quantidade de vidas perdidas, tanto em combate como na população civil.

Devido a quantidade de eventos bélicos que formataram a o sangrento quadro da Segunda Guerra, é natural que uma ou outra batalha receba mais ou menos destaque nos estudos históricos. A mesma regra é válida para unidades militares, pessoas, operações, e regiões envolvidas nos conflitos. Quem já estudou e ficou impressionado com o Dia D? A Operação Overlord é um estudo obrigatório para qualquer aspirante a pesquisador da Segunda Guerra, assim como Kusk, Barbarossa, Bagration, Cobra, Bulge, Iwo Jima, Gualdacanal, Midway e tantas outras decisivas batalhas da guerra, mas quem lembra Ofensiva da Primavera na Itália? Quem sabe como foi a batalha pelas ilhas de Aleutas? pois é!

Contudo, no contexto desse conflito, dezenas de outras operações foram importantes; dezenas de outros cenários exigiram vidas de soldados e civis, e envolveram dezenas de Exércitos, Corpos de Exército, Divisões e Batalhões que tiveram perdas consideráveis em operações de “segundo plano” nos estudos históricos. E isso é uma grande pena, pois geralmente seus países não lembram as datas que esses soldados caíram. Não fazem paradas militares, não fazem monumento aos seus mortos.

Hoje gostaria de lembra a Batalha da Floresta de Hurtgen, a batalha mais sangrenta do Teatro de Operações da Europa que o Exército americano enfrentou. Isso mesmo, esqueçam Dia D, Bulge, Cobra e Market Garden! Cerca de 33 mil militares americanos e 28 mil alemães pereceram próximo a fronteira da Bélgica e Alemanha, em uma floresta concebida para ser uma fortificação impenetrável e estratégica para a Wermarcht, inclusive para apoiar o planejamento da Ofensiva das Ardenas, em dezembro de 1944.

A Batalha da Floresta de Hurtgen é o nome dados aos diversos combates ocorridos próximos a floresta da cidade alemã de Hurtgen entre 13 de setembro de 1944 a 10 de fevereiro de 1945. O Exército Americano enviou para a região seis divisões de infantaria, duas blindadas e uma paraquedista, sendo que todas foram praticamente dizimadas ou saíram com severas baixas.

A floresta possuía árvores que mediam 20 a 30 metros de altura, em algumas regiões nem mesmo o sol chegava até o solo. No início da campanha, o solo alternava entre congelado e lamacento, com uma lama que afundava até os joelhos, com pouca mobilidade para tráfego motorizado. As condições do tempo tão pouco ajudavam nesse período, variando entre chuva de granizo, neve, frio e névoa. A linhas de suprimento eram quase inacessíveis e custosas. Um terrível cenário, onde a vantagem que o Exército americano tinha sob o Alemão de nada valia.

As próximas publicações trarão as unidades empregadas e seus comandantes e, principalmente, como aconteceu essa custosa operação em termos de vida humana.

Esse assunto já há muito estava para ser abordado pelo BLOG, mas resolve publicar a partir de um documento muito bem elaborado do Club SOMNIUM produzido pelo escritor Reinaldo Theodoro e enviado por Neto para o blogchicomiranda@gmail.com, cujo o email transcrevo abaixo:

  “Bom dia caro amigo Francisco Miranda. Meu nome é Odílio (mas pode me chamar de Neto), moro em Araçatuba-SP e sou fã e seguidor do seu blog, pois sou apaixonado por assunto relacionado a 1ª e 2ª Guerra Mundial. Vi no seu blog que se quiséssemos mandar perguntas, poderíamos. Então gostaria de pedir, se você puder é claro, postar no seu blog alguma coisa sobre a Batalha da Floresta de Hürtgen, pois pesquisando fiquei sabendo que foi uma batalha esquecida, ofuscada pelo início da Batalha do Bulge, mas que infelizmente muitas vidas foram perdidas[…] Deixo aqui um grande abraço à você Francisco, se precisar de alguma coisa é só pedir, pois tenho algumas coisas que possa servir a seu blog. Fica com Deus.”

Para o nosso amigo Neto, espero que as publicações que virão possam lhe agradar.

Perguntas sobre a Segunda Guerra? blogchicomiranda@gmail.com

Morte nos Campos de Batalha – Ainda não Aprendemos com Nossos Erros!

Dizem que a inocência de um homem acaba nos primeiros minutos de batalha, e com o decorrer da guerra sua humanidade também se desfaz. O mundo como conhecemos, foi forjado a partir da guerra, e apesar de sempre presente, a guerra é a degradação maior que o individuo pode enfrentar.

A Segunda Guerra foi o primeiro grande flagelo a ser documentado e registrado de forma industrial. Porquanto a quantidade de registros de jovens que pereceram em combate e outros que sobreviveram fisicamente, mas que deixaram suas mentes nos campos de batalha permite termos a exata dimensão do que um conflito de grandes proporções pode causar a um homem sadio.

E continuamos criando nossas guerras ao longo das décadas até os dias atuais, mesmos cientes das consequências devastadoras, deixamos que o ódio entre povos e nações continuem a produzir mais mortes. Não entendemos nossa própria história e continuamos a repetir os mesmos erros do passado.

Rússia, 1941. Uma Guerra Sem Louros – Parte VII

 PARTE 7

O soldado russo, o qual previamente não tinha quase que nenhum respeito por parte dos alemães, virou em um objeto a ser temido. Ele respondia, nos mesmos termos, aos excessos praticados contra ele e contra o seu povo. “Eu sempre tive medo dos russos” admitiu o soldado alemão Erhard Schaumann, pertencente ao Grupo de Exército Centro, “não apenas pelo grande número, mas também pelo fato deles estarem tão ligados à natureza.”. Os soldados russos eram mestres na relação com o meio ambiente, com as florestas, com os pântanos e eram particularmente adeptos ao combate noturno. Schaumann relata: “Por outro lado nós, por força da nossa cultura, éramos incapazes e dificilmente conseguíamos reagir como um animal acuado, tão identificado com a natureza.” A ignorância para com o inimigo fomentava o medo que, por sua vez, estimulava o comportamento desumano: de acordo com o relato do soldado das divisões Panzer Hans Becker, “bestialidade produz mais bestialidade.” Para ele, “não há nada que justifique as enormes atrocidades as quais nós cometemos contra a sua raça.” Roland Kiemig, outro soldado alemão, fez a seguinte reflexão após a guerra:

“Se eu fosse atacado, como foram os russos atacados pela “hordas germânicas” (e para eles nós éramos apenas “hordas fascistas” – comportamento justificado em parte por nós mesmos), então eu teria lutado até o fim.”

Em 1º de julho de 1941, nove dias após o início da campanha, 180 soldados alemães entre artilheiros e infantes pertencentes ao 35º Regimento e ao 119º Regimento foram capturados durante um contra-ataque repentino na estrada entre Klewan e Broniki na Ucrânia. Eles pertenciam a duas formações de infantaria motorizada as quais inadvertidamente se depararam contra uma força soviética superior composta de 1 divisão mais a metade de outra e foram prontamente dominados. Os prisioneiros, a maioria composta de feridos, foram conduzidos para um campo ao longo de uma estrada e ordenados para que se despissem. O Gefreiter Karl Jäger começou a apressadamente a tirar a sua túnica além de “ser obrigado a entregar todos objetos valiosos incluindo tudo que tínhamos em nossos bolsos.”. Nesta fase inicial após a captura, os prisioneiros geralmente obedeciam pois estavam ainda em estado de choque e preocupados com as suas vidas. Os soldados feridos tiveram dificuldades para se despirem. Jäger se lembra de um sub-oficial conhecido, Gefreiter Kurz, lutando para tirar o cinto devido à sua mão ferida. Para o seu horror, Jäger viu “ele ser apunhalado por trás, na nuca, de modo que a baioneta saiu pelo pescoço.”. Impressionados, os outros soldados desesperadamente removeram as suas túnicas. Outro soldado, ferido gravemente, foi chutado e espancado na cabeça com as coronhas dos rifles. Completamente intimidados, os prisioneiros alemães foram sendo encaminhados para o norte da estrada em grupos de 12 a 15 homens. Muitos estavam seminus e “outros completamente nus” lembra Jäger. O Oberschütze Wilhelm Metzger disse: “os russos (…) levavam tudo o que tínhamos: anéis, relógios, sacos de dinheiro, insígnias dos uniformes, e então eles começaram a pegar nossas jaquetas, camisas, sapatos e meias.”. O soldado Hermann Heiss teve as suas mãos amarradas para trás de maneira bem tosca como a maioria dos soldados. Eles então foram forçados pelos soldados russos a deitarem sobre um campo verdejante de trevos. Heiss descreveu quando:

“Um soldado russo me apunhalou no peito com sua baioneta. Neste momento eu me virei. Eu então fui apunhalado por sete vezes nas costas. Eu não me mexia. Evidentemente que os russos acharam que eu estava morto (…) Eu podia ouvir os gritos de dor dos meus companheiros e então eu desmaiei.”

C O N T I N U A
Traduzido Por A.Reguenet

Segunda Guerra Mundial: Perguntas Complicadas & Suas Respostas – Parte III

Vamos fazer diferente aqui. Não vou postar uma pergunta, mas uma afirmativa que achei pertinente comentar, já que estava em uma rede social:

“Para todos os estudiosos da 2ª GM sempre é bom lembrar que a segunda guerra começou em 28 de junho de 1919, quando Hermann Müller assinou e em 10 de janeiro de 1920 quando foi ratificado o famigerado Tratado de Versalhes. As condições vexatórias do tratado para a Alemanha e a perda de território iniciaram a 2ª GM. Mesmo não sendo Hitler no poder, bastaria um governo forte e que desejasse a soberania alemã e a guerra estaria decretada.”

Chico Miranda:

Existem duas perspectivas que devem ser analisadas para a afirmação acima. A primeira é a indicação do Tratado de Versalhes ter sido vexatório. Quem poderia negar? Quando penso no Tratado de 1919, gosto da opinião exposta por John Maynard Keynes em seu clássico “As Consequências Econômicas da Paz”. Keynes foi o principal representante do Departamento do Tesouro que compôs a delegação Inglesa, e que negociou os termos do Tratado. Não concordou com os termos do relatório final e criticou duramente os objetivos dos aliados. No livro, publicado em 1919, Keynes imputou a França as principais insustentáveis imposições do Tratado, argumentou que o valor das reparações eram impagáveis, porquanto acusou seu país, a Inglaterra, de omissão, exaltando o espírito separatista que existia entre a Europa continental e as ilhas de sua majestade. Outra característica do livro são as referências pouco elogiosas que são dispensadas aos principais articulares do Tratado: Clemenceau, Wilson e Lloyd George, segue abaixo uma afirmativa dada pelo próprio Keynes:

“Essas eram as personalidades de Paris […] Clemenceau, esteticamente o mais nobre; o presidente (Wilson), moralmente o mais admirável; Lloyd George, intelectualmente o mais sutil. O tratado nasceu de suas disparidades e fraquezas, filho dos menos valiosos atributos de seus pais: sem nobreza, sem moralidade, sem intelecto”

Keynes, 1919

A outra perspectiva da afirmativa do enunciado não deve ser usada para justificar as ações de Hitler e os desdobramentos da Segunda Guerra Mundial. Para tanto, em 1935, ou seja, dois anos depois da assunção do nazismo, já não havia qualquer tipo de obrigação do Tratado de Versalhes sobre a Alemanha, exceto o Corredor Polonês. Pelo contrário, o regime nazista já colocava em prática o Lebensraum (Espaço Vital). A compreensão das políticas externas e a visão de Hitler da posição que a Alemanha deveria ter em relação aos outros povos é que determinou os caminhos que o regime tomou a partir de 1939.

Faço ressalvas a afirmativa “bastaria um governo forte e que desejasse a soberania alemã e a guerra estaria decretada”, já que o governo alemão de Hitler empreendeu conquistar reparações muito além dos parâmetros iniciais impostos pelo Tratado. A guerra foi uma opção, dentre outras possíveis. Outra característica do nazismo era não cumprir os diversos acordos diplomáticos que se seguiram por toda a década de 30 e preterir os meios negociados, buscando o empreendimento bélico. Esse é o ponto! O Führer era um belicista por natureza. Desde o princípio, a sua ideologia já demonstrava claramente de que forma iria colocar a Alemanha onde o nacional socialismo entendia que ela deveria estar, e os meios eram bélicos. Prova? Em discurso no Reichstag em 1938, o próprio Führer declara que as fronteiras antes do Tratado de Versalhes de nada interessam para III Reich. O que ele queria?

 Evidente que os aliados foram os expoentes na preparação do terreno para a Segunda Guerra Mundial, contudo, o totalitarismo, somado a uma ideologia radical e convicta do regime, que se estabeleceu na Alemanha a partir de 1933, contribuíram de forma decisiva para a abrangência do conflito.

Haveria guerra, mesmo sem Hitler? É possível! Mas a dimensão, consequências e, principalmente, o resultado para a Alemanha, são méritos exclusivos do Líder alemão e seus aliados.

Perguntas Complicadas? blogchicomiranda@gmail.com

Passagem de Comando da 10ª Brigada de Infantaria Motorizada

 Ontem tive o prazer de participar a Passagem de Comando da 10ª Brigada de Infantaria Motorizada. O General de Brigada Lima Neto foi substituído pelo General de Brigada De Souza.

O General Lima Neto enquanto esteve no Comando da 10ª Brigada, apoiou e incentivou as atividades da ANVFEB-PE, por isso os Veteranos da FEB agradecem imensamente toda a consideração desse Oficial General.

O General De Souza, ainda como Coronel comandante do CPOR/Recife, também já tem serviços prestados à memória da FEB, tanto que foi agraciado com a Medalha Aspirante Mega, por coincidência, juntamente com o esse humilde blogueiro.

 Todos os integrantes da Associação Nacional dos Veteranos da FEB – Region