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Rússia, 1941. Uma Guerra Sem Louros – Parte IV


PARTE 4

Essa era a maior pressão sobre cada um dos soldados. Não apenas em morrer, mas em se tornar uma estatística oficial que logo seria esquecida. Zeiser explica:

“Isso acontece quando você depara com os horrores e, depois disso, existe sempre o pesadelo; ele nunca, mas nunca para; o medo real de ser varrido da face da terra, o medo da impiedosa inexistência, o medo de pensar que, a qualquer momento, você pode ser um daqueles que nunca foram criaturas.”

Medo de se tornar uma baixa era acentuado pela “estranheza” da própria terra que a Wehrmacht tinha invadido. As famílias alemãs no seus lares não tinham ideia de onde era e de como era a terra na qual seus familiares morriam. O correspondente de guerra, Felix Lützkendrof, servindo em uma unidade da SS, escreveu:

“Esta terra não tem fim, sob um céu infinito e com estradas se espalhando numa distância incalculável. Cada vila e cidade parecem iguais àquelas que as precederam. Todas elas tem as mesmas mulheres e crianças, de pé em silêncio ao longo das estradas, os mesmos poços de água, as mesmas fazendas… Se uma coluna sai de uma estrada e se desloca pelos campos através das leituras das bússolas, nós mais parecemos circunavegadores de um mundo perdido à procura de novas costas para além desse oceano.”

Para muitos soldados alemães cujo o conhecimento do mundo se restringia a ir andando ou de bicicleta para a cidade vizinha mais próxima, a guerra se transformou em um tipo de pseudo-turismo. Um soldado descreveu as suas experiências na campanha da França em 1940 como sendo de uma viagem de “Força através do Prazer”, comparável aos passeios promovidos pelo partido nazista antes da guerra. Outro soldado, escrevendo de uma área de agrupamento antes do início da campanha na Rússia, descreveu como a sua “longa viagem até o limiar da fronteira russa” tinha permitido que ele conhecesse metade da Europa sem ter de se esforçar e nem gastar dinheiro. Porém a Rússia oferecia pouquíssimas atrações. Em três semanas de campanha, um Gefreiter reclamou: “Aqui não é como na França. Lá nós tínhamos tudo o que queríamos; aqui há praticamente nada.” Outro soldado observou enigmaticamente que eles tinham trocado os anteriores “barracões polacos (poloneses) por canis russos.”

“Ontem nós mudamos de nossos bonitos alojamentos e agora estamos jogados em um barraco nojento e desgraçado, mais sujo do que qualquer outra coisa.”

C O N T I N U A

Tradução: A.Raguenet
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  1. Paulo Roberto de Oliveira
    04/01/2013 às 9:06 AM

    Francisco com sempre seus artigos são sensacioais!! Parabéns mais uma vez, agora me diga lá, veja se pode me ajudar…tenho algumas duvidas a anos:

    Pode ser que eu esteja desatualizado, se for caso desculpe-me.

    1-Qual foi a area em Km2 em que se desenvolveu a Segunda Guerra (Europa e Africa do Norte) ou seja o palco das invasões da Alemanha Nazista?

    2-Porque só se comenta que os soldados alemães ficavam “atordoados” com a tal distancia Berlim-Moscou ( pouco mais de 2.000 km) não é isso?
    Bem como com a “vastidão” do tamanho da area sovietica anexada?

    Eu concordo que os soldados alemães circulavam pouco dentro de seu proprio pais, antes do conflito, mas isso precisa ser tão frisado pelos historiadores?

    3- Nada se fala dos soldados sovieticos que também em sua grande maioria eram simples aldeões, e fizeram o mesmo percurso na contra ofensiva e ou soldados norte americanos que se embrenhavam nas florestas da Asia na luta contra o exercito japones?

    4-Se houve problemas de lojistica devido a “Lama” nos pós invernos de 41/42, para a Wehrmacht tambem não aconteceu o mesmo com o exercito vermelho, mesmo com a enorme quantdade de material bélico fornecido pelos americanos?

    Me dá impressão que só temos fatos do ponto de vista dos aliados, será que a superioridade tecnológica e a melhor qualidade de treinamento militar Alemão (nos primeiros anos do conflito) não deveria ser mais divulgada aualmente?

    Fora o seu blog que já comentou tal artigo, pouco se vê nos livros, ou internet ou seja a divulgação da História real é minima!

    Abraços

    Paulo Roberto de Oliveira

    • 04/01/2013 às 4:10 PM

      Paulo,

      Suas perguntas me motivaram a abrir um novo tópico para respondê-las. A primeira e segunda já foram respondidas, espero que o ajude.

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