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Rússia, 1941. Uma Guerra Sem Louros – Parte VII


 PARTE 7

O soldado russo, o qual previamente não tinha quase que nenhum respeito por parte dos alemães, virou em um objeto a ser temido. Ele respondia, nos mesmos termos, aos excessos praticados contra ele e contra o seu povo. “Eu sempre tive medo dos russos” admitiu o soldado alemão Erhard Schaumann, pertencente ao Grupo de Exército Centro, “não apenas pelo grande número, mas também pelo fato deles estarem tão ligados à natureza.”. Os soldados russos eram mestres na relação com o meio ambiente, com as florestas, com os pântanos e eram particularmente adeptos ao combate noturno. Schaumann relata: “Por outro lado nós, por força da nossa cultura, éramos incapazes e dificilmente conseguíamos reagir como um animal acuado, tão identificado com a natureza.” A ignorância para com o inimigo fomentava o medo que, por sua vez, estimulava o comportamento desumano: de acordo com o relato do soldado das divisões Panzer Hans Becker, “bestialidade produz mais bestialidade.” Para ele, “não há nada que justifique as enormes atrocidades as quais nós cometemos contra a sua raça.” Roland Kiemig, outro soldado alemão, fez a seguinte reflexão após a guerra:

“Se eu fosse atacado, como foram os russos atacados pela “hordas germânicas” (e para eles nós éramos apenas “hordas fascistas” – comportamento justificado em parte por nós mesmos), então eu teria lutado até o fim.”

Em 1º de julho de 1941, nove dias após o início da campanha, 180 soldados alemães entre artilheiros e infantes pertencentes ao 35º Regimento e ao 119º Regimento foram capturados durante um contra-ataque repentino na estrada entre Klewan e Broniki na Ucrânia. Eles pertenciam a duas formações de infantaria motorizada as quais inadvertidamente se depararam contra uma força soviética superior composta de 1 divisão mais a metade de outra e foram prontamente dominados. Os prisioneiros, a maioria composta de feridos, foram conduzidos para um campo ao longo de uma estrada e ordenados para que se despissem. O Gefreiter Karl Jäger começou a apressadamente a tirar a sua túnica além de “ser obrigado a entregar todos objetos valiosos incluindo tudo que tínhamos em nossos bolsos.”. Nesta fase inicial após a captura, os prisioneiros geralmente obedeciam pois estavam ainda em estado de choque e preocupados com as suas vidas. Os soldados feridos tiveram dificuldades para se despirem. Jäger se lembra de um sub-oficial conhecido, Gefreiter Kurz, lutando para tirar o cinto devido à sua mão ferida. Para o seu horror, Jäger viu “ele ser apunhalado por trás, na nuca, de modo que a baioneta saiu pelo pescoço.”. Impressionados, os outros soldados desesperadamente removeram as suas túnicas. Outro soldado, ferido gravemente, foi chutado e espancado na cabeça com as coronhas dos rifles. Completamente intimidados, os prisioneiros alemães foram sendo encaminhados para o norte da estrada em grupos de 12 a 15 homens. Muitos estavam seminus e “outros completamente nus” lembra Jäger. O Oberschütze Wilhelm Metzger disse: “os russos (…) levavam tudo o que tínhamos: anéis, relógios, sacos de dinheiro, insígnias dos uniformes, e então eles começaram a pegar nossas jaquetas, camisas, sapatos e meias.”. O soldado Hermann Heiss teve as suas mãos amarradas para trás de maneira bem tosca como a maioria dos soldados. Eles então foram forçados pelos soldados russos a deitarem sobre um campo verdejante de trevos. Heiss descreveu quando:

“Um soldado russo me apunhalou no peito com sua baioneta. Neste momento eu me virei. Eu então fui apunhalado por sete vezes nas costas. Eu não me mexia. Evidentemente que os russos acharam que eu estava morto (…) Eu podia ouvir os gritos de dor dos meus companheiros e então eu desmaiei.”

C O N T I N U A
Traduzido Por A.Reguenet
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