Início > Guerras, História > Rússia, 1941. Uma Guerra Sem Louros – Parte VIII

Rússia, 1941. Uma Guerra Sem Louros – Parte VIII


PARTE 8

“De repente os russos começaram a atirar contra nós” conta o soldado Michael Beer. Rajadas de armas automáticas e de metralhadoras varriam através dos grupos separados de prisioneiros alemães amarrados e seminus. Karl Jäger, conduzido pela estrada no sentido norte, de início ficou surpreso com o tiroteio que acontecia entre os grupos que vinham atrás. Segundo ele, “O pânico se instaurou logo após os primeiros tiros e então eu consegui fugir.”. Granadas de mão foram lançadas entre os grupos compostos de sub-oficiais e oficiais que tinham sido separados para um tratamento especial. Eles sofreram ferimentos graves.

Na manhã seguinte, soldados e tanques da 25ª Divisão (alemã) fizeram um pente fino pelo campo: 153 corpos seminus foram encontrados, suas peles brancas e pálidas fazendo um contraste patético contra um fundo de verde exuberante. Um grupo de 14 soldados teve os órgãos genitais arrancados. Entre os corpos estava o de Hermann Heiss, gravemente ferido. Ele foi reconfortado pelos soldados alemães. Olhando em volta em uma cena de completa devastação, ele viu “que a cabeça do meu camarada” que tinha urrado de dor “estava completamente aberta (…) A maioria dos soldados estava morta” ou acabaram morrendo devido aos ferimentos. Apenas 12 sobreviveram.

Caminhões abertos foram trazidos e os corpos seminus empilhados até em cima. Eles formavam uma mistura de membros emaranhados e grotescamente enrijecidos devido ao rigor mortis. A luz do sol reluzia nas tachas das botas espalhadas por sobre os lados dos caminhões que tiveram as suas abas abaixadas de modo a poder acomodá-los. Um cemitério militar foi criado na parte externa da igreja em Broniki. Pode-se imaginar o efeito causado aos soldados da 25ª Divisão, obrigados a limpar a cena do massacre. Em silêncio eles prometeram vingar a morte de seus companheiros.

Durante os estágios iniciais da campanha, as mutilações nos olhos e nos órgãos genitais dos prisioneiros alemães eram infligidos com tal freqüência que acabaram por aumentar ainda mais o desconforto diante da perspectiva de uma possível captura pelo inimigo. A rapidez da Blitzkrieg por muitas vezes cobrava seu preço em razão dos avanços imprudentes de modo que prisioneiros de guerra não eram apenas um fenômeno russo. Mais de 9.000 alemães foram dados como desaparecidos em julho, 7.830 em agosto, e perto de 4.900 em setembro de 1941. Embora mais tarde a taxa de mortalidade dos alemães capturados pelos russos viesse a cair, mesmo assim ainda nesse estágio entre 90 e 95% morreriam nas mãos dos seus captores. Esses números são insignificantes se comparados com o destino dos milhões de prisioneiros soviéticos, porém eram suficientes para criar um receio considerável entre os soldados alemães. Um relatório da 26ª Divisão (russa) datada em 13 de julho de 1941 mencionou que 400 inimigos foram deixados mortos no campo de batalha a oeste de Slastjena e “uns 80 alemães se renderam e foram executados.”. Um outro relatório – também capturado – de uma companhia apresentado pelo capitão Gediejew em 30 de agosto fazia referência aos inimigos mortos, aos canhões e morteiros capturados e a “15 feridos que foram fuzilados.”.

C O N T I N U A

Traduzido Por A.Reguenet
Anúncios
  1. Pimentel
    15/01/2013 às 9:25 PM

    Sou fascinado por relatos , esses então estão excelentes, venho acompanhando-os desde o primeiro , um verdadeiro achado , parabéns .

  1. No trackbacks yet.

Deixe um comentário

Preencha os seus dados abaixo ou clique em um ícone para log in:

Logotipo do WordPress.com

Você está comentando utilizando sua conta WordPress.com. Sair / Alterar )

Imagem do Twitter

Você está comentando utilizando sua conta Twitter. Sair / Alterar )

Foto do Facebook

Você está comentando utilizando sua conta Facebook. Sair / Alterar )

Foto do Google+

Você está comentando utilizando sua conta Google+. Sair / Alterar )

Conectando a %s

%d blogueiros gostam disto: