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Archive for 22/01/2013

Rússia, 1941. Uma Guerra Sem Louros – Parte X

PARTE 10

Qualquer dúvida sobre o que poderia acontecer ao ser capturado pelo Exército Vermelho foi dissipada pela publicidade que se seguiu após a tomada da cidade polonesa/ucraniana de Lvov pela 1ª Divisão Gerbisjäger em 30 de junho de 1941. Quatro mil corpos foram encontrados em vários estágios de decomposição dentro da prisão de Brygidky (ex-prisão militar de Samarstinov) quando esta ainda ardia em chamas. O NKVD (Comissariado do Povo para Assuntos Internos, mais conhecido popularmente como Serviço Secreto ou Polícia Secreta Soviética – N. do T.) havia começado a executar os detentos (na maioria intelectuais ucranianos) dois dias após o início das hostilidades. Seguiram-se então os progroms (Progrom é um termo de origem russa que significa um ataque violento por parte de grupos populares contra judeus e, mais genericamente, contra grupos étnicos e religiosos. Tais ataques são caracterizados pela violência e pela destruição das propriedades das vitimas – N. do T. ) realizados pelos cidadãos poloneses e ucranianos e dirigidos contra os judeus locais. A contribuição por parte da SD e da SS acabaria por adicionar mais 38 professores poloneses e, pelo menos, 7.000 judeus a este sombrio número final. Porém, inicialmente, o foco público estava centrado no crime perturbador promovido pela polícia secreta russa. Devido à natureza terrível que este fuzilamento perpetrava, a capitalização do evento por parte da propaganda alemã o tornou ainda mais convincente.

O marido de Maria Seniva tinha sido preso pela NKVD. Ela contou que:

“Havia uma mensagem dos alemães no rádio. Dizia: “Esposas, mães, irmãos e irmãs: venham para a prisão.” Eu cheguei na entrada, não me lembro de qual. As pessoas estavam em pé em toda a volta dos portões. Através deles eu podia ver os corpos. Eles estavam no pátio, enfileirados no chão. (…) Eu percorri para cima e para baixo pelas fileiras e parei para olhar um dos corpos que estava coberto. Eu levantei o cobertor e lá estava ele, eu o achei (ela começou a chorar nesta parte). Eu não sei o que tinha acontecido com ele, mas seu rosto estava todo enegrecido. Ele não tinha olhos, não havia nada lá, e estava sem o nariz.”.

Jaroslaw Hawrych, também emocionalmente abalada, se lembra de achar o seu cunhado entre “as centenas de milhares” de corpos dispostos no pátio:

“Eu não o teria reconhecido, ele estava seminu. Havia ferimentos no seu corpo e seu rosto estava inchado, todo preto e azul. Ele levou um tiro na cabeça e suas mãos tinham sido amarradas com um pedaço de corda. Eu só consegui reconhecê-lo quando vi a sua meia. Ele tinha uma meia no seu pé, uma meia com listras coloridas. Eu reconheci aquela meia pois foi tricotada pela minha mãe.”

Traduzido Por A.Reguenet
C O N T I N U A
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