Início > Curiosidades, FEB > Causos e Contos da Força Expedicionária Brasileira – IV

Causos e Contos da Força Expedicionária Brasileira – IV


O “Nabisco”

O jantar que serviam no navio de transporte de tropas que levava a FEB à Europa era tipicamente brasileiro mas, o almoço era genuinamente americano, cheio de produtos que a maioria dos nossos pracinhas nunca haviam visto ou provado o sabor. No primeiro almoço a bordo, nos serviram um certo “Nabisco Shereddee Wheat”, uma espécie de biscoito de farinha de trigo, que se apresentava sob a forma de um fio enrolado sobre si mesmo, muito seco e duro, parecendo com a forma de palha de aço. Logo surgiram os comentários,não só quanto ao nome “Nabisco”(iniciais da National Biscuit Company), que ficou célebre, tanto com relação ao gosto, como apresentação e o modo de ser comido.

O Doutor Sá Nogueira( 1º Tenente Médico do Batalhão de Saúde), que era médico em São Paulo, atrapalhou-se seriamente com o famoso “Nabisco”. Ao abrir o pacote, deu com o rolo de palha seca e, não teve dúvida, salpicou açúcar e provou. Não gostou. Então, experimentou outra porção com manteiga e sal. Também não aprovou o sabor. Tentou comê-lo puro, enfiando um bocado na boca. Cada vez pior. Quando já estava por desistir de comer esta iguaria, o Capitão  Médico Dr. Álvaro Pais,que já havia estado nos EUA, explicou-lhe que aquele produto deveria ser embebido em leite, que se transformaria em uma papa saborosa.

“A passagem da linha do Equador”

 

Embora a FEB viajasse em um transporte de guerra, um acontecimento foi bastante comemorado por nossos soldados, a passagem pela linha do Equador, que rendeu homenagens ao Rei Netuno, que veio a bordo batizar os seus súditos.

Passava das 2 horas da tarde do dia 27 de Setembro de 1944, quando foi anunciado pelos alto falantes da presença do Rei Netuno e sua corte e, a frente seguia o embaixador de sua majestade( o Capitão de Corveta Paulo Antônio T. Bardy, vestido de pirata) abrindo alas para que os Rei dos Mares, que era outro senão o próprio Comandante Raul Reis. O Major Saldanha da Gama e o Capitão Amador Cisneiros, envoltos nas cortinas dos camarotes dos oficiais e usando perucas feitas de cordas desfiadas, eram o advogado de defesa e o promotor da corte, respectivamente. O Major Médico era o médico de sua Majestade,enquanto o Capelão de bordo era também o sacerdote, além de vários outros oficiais, marinheiros e soldados compunham o restante da corte.

Após os cumprimentos do General Cordeiro de Farias e das “altas autoridades”, houve uma ligeira confusão e, o Rei Netuno se aborreceu e mandou prender várias pessoas, que de imediato foram levados a julgamento, que ao final acabou por absolver todos réus.

Prosseguindo às brincadeiras, vários soldados foram batizados e, em homenagem aos fatos o Comandante do navio mandou distribuir dez maços de cigarro a cada soldado e, aos oficiais foram entregues diplomas, pelos quais adquiriam o direito de serem respeitados por baleias, serpente do mar, golfinhos, tubarões, lagostas e caranguejos, que eles guardaram como recordação desta histórica travessia.

O General Falconiére, que viajava no outro navio, telegrafou ao General Cordeiro de Farias nos seguintes termos: “Cumprimentando pela passagem do Equador, comunico situação e disciplina tropa ótima. Somente os artilheiros de bordo tiveram que ser amarrados em suas camas, com receio de grande choque de encontro à linha do Equador”.

No dia anterior o Comandante Raul Reis havia anunciado que daria um prêmio de cem dólares ao soldado que primeiro avistasse a linha do Equador.

Para mostrar o espírito esportivo que os soldados americanos possuíam em relação à nossa tropa, pode-se citar o boletim de bordo, documento oficial, assinado pelo Comandante e Imediato, que publicou o seguinte:

“Item 2 – Passagem do Equador – avisamos à tropa em geral que amanhã o navio atravessará a linha do Equador. Devem ser tomadas precauções especiais, pois muitas vezes se sente um choque muito violento, podendo até mesmo a hélice embaraçar-se na referida linha, se a passagem não for feita com muito cuidado”.

Texto extraído do Livro “A Epopéia dos Apeninos” de José de Oliveira Ramos

Anúncios
  1. Luiz H. S. Valente
    09/03/2013 às 12:11 AM

    Que estranho! Será que as pessoas eram todas retardadas antigamente ou esta ingenuidade era inerente no ser humano desta época? Homens treinados para matar impiedosamente o inimigo proporcionando este espetáculo infantil e ingênuo! Será que nossos soldados impunham respeito e levavam terror ao coração dos inimigos? Acho que não!

  1. No trackbacks yet.

Deixe um comentário

Preencha os seus dados abaixo ou clique em um ícone para log in:

Logotipo do WordPress.com

Você está comentando utilizando sua conta WordPress.com. Sair / Alterar )

Imagem do Twitter

Você está comentando utilizando sua conta Twitter. Sair / Alterar )

Foto do Facebook

Você está comentando utilizando sua conta Facebook. Sair / Alterar )

Foto do Google+

Você está comentando utilizando sua conta Google+. Sair / Alterar )

Conectando a %s

%d blogueiros gostam disto: