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Archive for 25/03/2013

Rússia, 1941. Uma Guerra Sem Louros – Parte XXII

Parte 22

Desumanizar o inimigo fornecia algo como um salvo-conduto emocional. Se o inimigo não era gente e sim Untermenschen (sub-humano), então o que acontecia com eles não tinha tanta importância. Soldados à deriva em um mar de violência dentro de um ambiente letal apenas respondiam aos comandantes de suas unidades, aos responsáveis que se encontravam por perto e a mais ninguém. Talvez seja pouco realista exigir que tropas de combate façam escolhas morais. Diante de dilemas humanos impossíveis, é bem mais fácil obedecer ordens. Aqueles incapazes de reconhecer que havia uma escolha eram ideologicamente e frequentemente absolvidos de forma oficial da sua responsabilidade.

O doutro Paul Linke, um oficial e médico da infantaria, sempre acreditou que executar os comissários russos era boato de caserna até que o comandante do batalhão ordenou que um amigo próximo, tenente Otto Fuchs, executasse um. Fuchs, um advogado na vida civil, teve o seu protesto gaguejante interrompido pelo seu oficial superior. Este disse: “Tenente Fuchs, eu não quero ouvir mais nenhuma palavra. Saia e cumpra a ordem!” O médico, com um pensamento rápido, ofereceu-se para acompanhar o seu infeliz amigo na sua sombria obrigação e prontamente o levou ao corpo de um soldado russo que havia previamente descoberto em uma vala próxima. O comissário russo foi incentivado a trocar o uniforme e enterrar o corpo agora com o uniforme de comissário. Depois foi solto para que pudesse voltar às linhas russas. Dois tiros de pistola contra o chão disfarçaram a encenação. Linke “esperava que tinha ficado bem claro para o comissário que ambos seríamos executados se o truque viesse a ser descoberto.” O russo, agradecido, sumiu na noite. O jovem médico, “percebia que valia a pena manter sua honra como oficial – nós não executamos prisioneiros indefesos” disse ele. Fuchs teve de se apresentar ao comandante do batalhão e confirmar que a ordem de execução tinha sido executada. Este admitiu: “Me desculpe Fuchs. Eu também não queria fazê-lo. Em uma análise final, eu deleguei a responsabilidade desta ordem para você.” A integridade em comum era, em última instância, uma questão de escolha pessoal. Alguns soldados na verdade tinham apreço pela violência mas, para a maioria, o principal fator que os unia era a solidariedade do grupo no qual eles viviam. Sobrevivência dependia do companheiro. Certo ou errado não era a questão. Na realidade, havia variações dentro do “errado”.

O tenente Peter Bamm, outro oficial médico do Grupo de Exército Sul, observou que os massacres de judeus depois da tomada da cidade de Nikolaev não eram aprovados pelos soldados da linha de frente. Estes achavam que suas vitórias “ganhas após uma batalha cruel e prolongada” estavam sendo usadas pelos “outros” – a SS e a SD. “Mas não era uma indignação que vinha do coração.” Depois de sete anos de domínio pela SS e pela SD, a corrupção moral “já tinha feito muito progresso, mesmo entre aqueles que a teriam negado veementemente.” Tais protestos poderiam ser silenciados através de ações contra as famílias que estavam na Alemanha como foi o caso de um Oberst na sua divisão. As atrocidades russas também tiveram um impacto sobre a perpetuação de sua integridade moral. Os soldados faziam qualquer coisa necessária para sobreviver. “Não havia uma indignação feroz” admitiu o tenente Bamm. “O vírus já estava inoculado há muito tempo.” Neste momento, não havia como voltar. Caso o inimigo conseguisse alcançar o Reich, o ajuste de contas deveria ser feito diretamente com o diabo.

C O N T I N U A

Traduzido Por A.Reguenet

A Política de Repressão da Alemanha nos Territórios Ocupados

Quando se analisa os motivos da Alemanha perder a guerra sempre observamos várias teorias e motivações. Argumentos que explicam a partir da perspectiva estratégica militar, das decisões políticas do regime e até mesmo dos erros pessoais de Hitler. Pouco ou quase nenhum valor é dado para a política de ocupação implementada pela Alemanha nazista. Cada território ocupado havia uma máquina repressão que se instalava, e isso era extremamente custoso para os dominadores. Não por acaso, vários Polizeibattaillon foram criados para ordenar a nação ocupada.

Países como Bélgica, Holanda e França, foram obrigados a manter um governo militar alemão instalado, e mesmo que a França tivesse no sul um Estado sob a administração francesa, na prática era subordinada ao governo militar central e pouca autonomia era dado a administração local. Em muitas regiões da União Soviética os alemães foram recebidos como libertadores, mas a apatia não durou muito. Assim que a repressão iniciou e os movimentos de libertação iniciaram (partisans), os alemães responderam com mais violência. E isso não há como negar, historicamente não há margem para discussões, pois a política externa sob as nações ocupadas era tipicamente de julgo.

Nações como a Polônia estavam sob uma ocupação policial constante. Grande contingentes policiais identificavam, monitoravam e prendiam qualquer um, em qualquer lugar do dia e da noite. Não apenas judeus e outras minorias, mas qualquer um que demonstrasse qualquer ação suspeita.

Mas tudo tem o seu preço. A Alemanha mobilizou milhões de soldados para manter sua máquina repressiva em atividade nos territórios ocupados. Não permitiam que nada não passasse pelo crivo do governo alemão.

No final da contas, Hitler utilizou a guerra para dominar nações, e não soube mantê-las a não ser pelo uso dos mesmos métodos. E isso deve ser observando também para avaliar os motivos da sua queda.

Segue abaixo, uma sequência de fotos que mostrar exatamente o registro de uma ação policial repressiva da SS. Tudo muito bem documentado…

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