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Série: A Hora “H” – Parte III


O momento em que o soldado vira herói. O momento da covardia, da derrota ou da vitória. O momento em que a guerra acaba, pelo menos para aqueles que caem em combate. Tudo isso é chamado de HORA ‘H’.

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  1. Francisco Bendl
    12/04/2013 às 6:40 PM

    A hora que a onça bebe água;
    A hora que a porca torce o rabo;
    A hora que a cobra fuma;
    A hora da verdade.
    A guerra proporciona que o medroso se transforme em valente e, o corajoso, em covarde.
    A natureza humana ainda desconhece a si mesma, suas reações, percepções, determinações.
    Em confrontos onde a vida corre seus riscos, o instinto de sobrevivência prevalece sobre os demais, muitas vezes levando a pessoa a atos heróicos para se salvar, sabendo que ou assume a disposição de um feito diferente ou poderá morrer em combate.
    Em conversa anos atrás com um coreano que esteve na Guerra da Coréia, em 1950 até 1952, ele me havia confidenciado que diante do pavor do ribombar dos canhões, da queda das bombas e das balas zunindo pelos ouvidos, corajosos e covardes se igualavam, e quem sobrevivia era o “sortudo”, aquele que estava onde as balas e artefatos não lhe alcançaram.
    Não deixa de ter razão, haja vista que cultuamos a imagem de heróis … mortos!
    Tal contradição tem um claro significado: a guerra não poupa ninguém. Homens, mulheres, crianças, jovens, idosos, animais, todos são aniquilados pela bestialidade humana, pela vaidade de déspotas e falsos líderes, pela ganância, pela conquista em ampliar territórios e a economia de seu país, mesmo que tal iniciativa custe a vida de milhões de pessoas.
    Assim, heróis e traidores têm as suas existências ceifadas porque estavam na hora e local inapropriados, pois se localizavam exatamente onde a bomba os matou ou as balas lhes trespassaram os corpos.
    A vida civil não foge aos riscos de uma guerra, atualmente.
    Quantos são mortos por assaltantes, os “inimigos”, quando vão para o trabalho?
    Quantos são assassinados pelos bandidos quando voltam para casa?
    Quantos foram trucidados dentro de suas residências?
    Quantos estão tendo as suas vidas dilapidadas pelas drogas?
    Quantos estão morrendo sem esperança?
    Enfim, a nossa História pode ser medida não pelos acontecimentos bélicos, mas porque o homem sempre foi o maior inimigo do próprio homem, a começar que temos muito mais formas de matar que salvar uma pessoa; há mais maneiras de torturar que satisfazer; os presídios se equiparam aos mais cruéis campos de concentração em tempos de guerra que já vimos ou, por acaso, esquecemos de Carandirú e de outras dezenas de revoltas de presos que vivem sem qualquer condição em depósitos de vidas humanas sem que nos preocupemos com esta situação?
    E as mortes no trânsito a cada fim de semana?
    A “guerra” entre torcidas de futebol?!
    O descaso pelos idosos em asilos?
    O menosprezo de nossos governantes pela Saúde Pública e Segurança?!
    Quem disse que a guerra terminou?!
    Quem é capaz de me apontar um covarde nesta vida?
    E, alguém, poderia me dizer quem são os nossos heróis hoje em dia?!
    Duvido muito, pois nós somos os heróis de nós mesmos porque sobrevivemos as catástrofes diárias, ao desemprego, sem dinheiro, sem perspectivas de melhoras na vida, de desenvolvimento pessoal, sem estudos, muitas vezes sem um amor para dividir alegrias e tristezas.
    A vida na suposta “paz” não é diferente da guerra, ao contrário, é muito mais difícil porque não podemos matar, temos de seguir regras, obedecer leis, acatar ordens dos chefes e responsabilidades concernentes à cidadania.
    E qual seria a obrigação e heroíosmo maiores que sustentar uma família?!
    O que não temos na vida civil são as medalhas que são colocadas no peito dos que se mostraram valentes em batalhas, medido pela quantidade de gente que seu fuzil abateu.
    Não temos galardões pelas vidas que salvamos, pelos que trouxemos a este mundo frutos de um casamento bem feito, pelo pai e mãe que honram e cumpriram com suas funções de forma exemplar, não, não há prêmio e nem reconhecimento pela devoção e amor distribuídos aos seus filhos, genros e noras, netos e netas.
    No entanto, somos rodeados de ladrões, incompetentes, incapazes e corruptos, que se protegem na casamata inexpugnável da política onde não há como destruí-la; não existem heróis para se imolar em nome da honestidade; não temos tropas devidamente preparadas para enfrentá-los em seu terreno e, assim, vão vencendo o grande combate que se trava entre o cidadão de bem e comum, entre o indivíduo oportunista, fiel a um partido político em detrimento de sua própria Pátria e de seus irmãos!
    Lamento discordar, mas os heróis são as populações exploradas, enganadas, ludibriadas, espoliadas por governos ideológicos, traidores, que jamais se preocuparam em nos proteger frente ao inimigo feroz: a miséria, a fome, a derrota de uma vida que se foi embora sem ter construído algo para si e sua família por falta de recursos na Educação que os governos omitiram covarde e criminosamente aos que frequentavam a mesma trincheira!
    Esta é a verdadeira guerra porque invisível, haja vista que o inimigo ora se identifica como aliado ora se mostra de fato como adversário, mas, neste momento, somos tomados de surpresa e nossas defesas são insuficientes para impedir que sejamos destruídos, que é exatamente o que acontece conosco, com os brasileiros em geral, diante da falta de condições para se aprimorar em batalha, de estudar, de crescer, de perceber os movimentos do inimigo, no caso, a ignorãncia, a falta de um diploma do Ensino Médio, Superior, que poderia nos levar para patamares mais elevados, que os governos não querem para continuar nos usando como simplesmente “buchas de canhão”!
    Agradeço o tema postado por ser atual, adequado e pertinente ao momento que o nosso Brasil atravessa, de indefinições, de se manter na mesma posição de sempre, de não avançar e obrigar que o inimigo desocupe a área que é sua, justamente porque não temos armas e soldados devidamente equipados!
    Um abraço, Chico Miranda, meu colega de PE!

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