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Montese: Há 68 Anos Brasileiros Perdiam a Vida Por Esta Cidade!


Sabe que dia é hoje? Não é dia de Futebol! Pelo menos para História do Brasil! Tem ideia de quantos brasileiros foram mortos ou feridos há exatos 68 anos atrás? Mais de 400!! E sabe quem foram eles? Pois é!!

Montese, a mais dura das batalhas para os brasileiros!

A AGO (Ordem Geral de Operações) nº 15, de 12 de abril de 1945, do IV Corpo, determinada à 1ª DIE a seguinte missão: cobrir permanentemente o flanco esquerdo (ocidental) da 10º Divisão de Montanhas, conquistar Montese, explorando o êxito até o corte do Rio Panaro, e ficar em condições de progredir na direção Rocca-Vignola. A conquista de Montese se impunha para permitir o franco avançado da 10º Divisão de Montanha para o norte. A ação teve início às 10h15 de 15 de abril, pelo lançamento de fortes patrulhas sobre objetivos delimitados. Às 13h30 desencadeia-se o ataque propriamente dito. E às 15h o 1º/11 RI (Batalhão Major Lisboa) entrava em Montese apoiado pela 2ª Companhia do 9º Batalhão da Engenharia de Combate. Houve grande e tenaz resistência dos alemães, que à 18h ainda se mantinham em pontos de resistência dentro da cidade. A reação inimiga foi extraordinária. A limpeza total da cidade e a conquista das elevações que a dominavam foram outras verdadeiras ações de combate, que se prolongaram pelos dias 15 e 16 de abril. Para se uma ideia do que foi o combate em Montese, basta cita que sobre aquela cidade somente no dia 15 caíram 3200 granadas de vários calibres da artilharia alemã e que sobre as posições inimigas lá existentes a nossa artilharia fez 9660 disparos. A ação sobre Montese foi exclusivamente brasileira e nela tivemos 426 baixas. A partir de 19 de abril entrava a 1ª DIE francamente na exploração do êxito rumo ao vale do Rio Panaro e por ele a planície do vale do Rio Pó em extraordinário lances diários que chegaram a alcançar 80km.

Relato do Tenente Iporan

Eram 12 horas e estávamos bastante preocupados com a possibilidade de recebermos tiros pela retaguarda vindos de Montaurigola. Saímos para o ataque. Mal o pelotão transpôs em linha a crista, partiram de Montese foguetes de sinalização com estrelas vermelhas, denunciando nosso ataque.

A tropa ultrapassou os pontos mais elevados com grande rapidez, facilitada em muito pelo terreno íngreme. Após o pelotão ter vencido um terço da elevação, sua retaguarda foi batida por densa e compacta barragem de artilharia, que cortou o fio telefônico em vários ponto e colocou fora de combate um soldado da equipe de minas e outro da Saúde. No terço inferior da elevação, aproveitando-se de uma estrada carroçável, que oferecia boa proteção, o pelotão reajustou o sei dispositivo e lançou à frente o 3º Grupo de Combate (Sargento Celso Racioppi); os outros GCs apoiaram o avanço trocando tiros dispersos com as primeiras resistências inimigas, mal definidas no terreno.

O 3º Grupo, após um pequeno deslocamento, para e assinala a existência de minas. O comandante do pelotão, ao chegar no ponto assinalado pelo sargento, constatou, com satisfação, que não se tratava de um campo minado e sim de boody-trap (armadilhas) ligadas a minas antipessoais. Neutralizamos as minas, pois conhecíamos o manuseio daqueles artefatos. Mandamos o 3º G.C. continuar a progressão, ao mesmo tempo em que determinamos o avanço do 2º G.C. (Sargento José Matias Júnior), passando a marchar com este.

O grupo mais avançado começou a galgar as elevações de Montese, favorecido pelo terreno, que assemelhava-se a grandes escadas; ao chegar ao topo, o grupo foi detido por fogos oriundos das residências colocadas na frente de uma casa de grande porte. Juntamo-nos ao grupo para estudarmos a situação e constatamos que as posições inimigas estavam a cerca de 150 metros e o espaço que nos separava era formado por uma espécie de bacia, com encostas suaves e vegetação rasteira. Determinamos então ao comandante do G.C manter a posição após o avanço do 2º G.C., que seria empregado à esquerda, enquanto o primeiro G.C. (Sargento Rubens) foi puxado para a frente. Naquela oportunidade, o pelotão tinha perdido toda a ligação com a companhia e o rádio deixou de transmitir devido à distância e ondulações do terreno, e ainda não havíamos conseguido estabelecer nenhuma ligação com o pelotão de Ary Ranen, que deveria estar atuando à direita. Preocupados com a falta de comunicação, enviamos um mensageiro ao comandante da companhia dando ciência de nossa posição e da situação.

O 2º G.C. teve seu avanço sustado por fogos vindos do flanco direito da casa e de duas outras colocadas à esquerda. Sua situação era análoga ao do outro, ou seja, no topo das escadas, separados do inimigo por curtas distâncias, tendo de permeio um terreno limpo. Competia ao comandante do pelotão empregar o último grupamento, mas achamos melhor conservá-lo, pois isso poderia levar à vitória.

Depois de estudarmos detalhadamente o terreno e o inimigo, chegamos à conclusão de que atuando pela esquerda seria melhor, porque os degraus seguiam quase juntos às casas da esquerda. Depois disso, mandamos que o sargento Rubens avançasse como o último G.C.. Para ficarmos com as nossas atenções inteiramente voltadas para a ofensiva deste grupo, determinamos que o segundo-sargento auxiliar Nestor comandasse o apoio de fogos dos detidos em proveito do atacante. Inicialmente a progressão foi feita com relativa facilidade, mas, à proporção que se aproximava as casas, diminuía o seu ímpeto; constatamos, em dado momento, que o ataque estava parado. Resolvemos então impulsioná-lo; deslocamo-nos pra a frente, passando a atuar tal qual um comandante de grupo. O sargento ponderou, achando que o tenente estava fazendo “loucuras”, mas passou a atuar com mais energia e denodo, e avançamos ouvindo o pipocar das granadas de mão dos alemães, que explodiam nas proximidades.

O grupo, com o tenente à frente, quando se aproximava do topo das escadarias do terreno, a cerva de 40 metros das casas, e se preparava para tomar o dispositivo para o ataque recebeu denso bombardeio da nossa Artilharia, que envolveu juntamente com o inimigo. Num relance verificamos que não havia nenhuma baixa e bradamos “Avante às casas!!”.

O grupo atingiu as posições inimigas enquanto não havia se dissipado a fumaça da artilharia. Os alemães permaneceram no fundo de seus abrigos quando as nossas ultrapassavam as suas posições camufladas. Tentaram então reagir, mas foram postos fora de combate. O comandante de pelotão procurou imediatamente reconhecer o terreno em frente e, quando o fazia, foi metralhado de um das janelas laterais da casa grande. Não foi atingido, mas teve a calça chamuscada. Procurou então refúgio no interior da casa. Logo conseguimos restabelecer as ligações pelo rádio com o comandante da companhia, que foi informado que havíamos introduzido uma cunha na defesa adversária, porém, precisávamos de ajuda para manter a posição e que suspendessem o bombardeio que começara momentos antes.

Um úlitmo mensageiro foi enviado pelo Tenente Iporan informava o seu comandante de companhia que havia atingido o seu primeiro objetivo Montese.

Fonte:

Diário de Paisano na Segunda Guerra Mundial – Rudemar Marconi Ramos

Montese, Marco Glorioso de uma Trajetória  – Coronel Adhemar Rivermar de Almeida

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  1. 14/04/2013 às 9:34 PM

    Os Italianos devem ter ficado agradecidos por isso, e bravo aos nossos valiosos soldados da FEB

  2. ana maria
    29/01/2014 às 7:54 AM

    verdade os italianos ficaram muitos agradecidos, tratavam os brasileiros muito bem, relato de meu pai que participou das batalhas em solo italiano

  3. 15/09/2016 às 9:18 PM

    Olá! Vocês possuem registros da autoria dessas imagens?

    • 16/09/2016 às 12:31 PM

      Existem imagens que são de domínio público e imagens que pessoais que foram cedidos para publicação no BLOG.

      • 16/09/2016 às 9:32 PM

        Sim, sem problemas, mas gostaria de saber os fotógrafos. Vcs possuem registro?

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