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O Que Representa para Nossa História a FEB?


“A participação do Brasil não é mais exaltada do que deveria?”, “A participação do Brasil foi medíocre”, “O Brasil foi bucha de canhão!”, “Tirando algum vigilância no litoral, a Segunda Guerra Mundial passou desapercebida no Brasil”. Essas frases foram proferidas por professores e estudantes de História.

Incrível como há um grande equívoco no estudo desse período. Ainda não percebi se proposital ou não. Uma extrema ignorância e incorreta interpretação histórica de alguns acadêmicos, que de forma escancarada, estupram e deturpam fatos históricos que não só mancham o sangue dos quase 500 brasileiros mortos nos campos de batalha e dos mais de 1000 homens, mulheres e crianças que perderam suas vidas nos mares, bem como difamam a própria História do Brasil.

Em uma perfeita colocação sobre a visão da análise histórica do envolvimento do Brasil na Segunda Guerra, o doutor Roney Cytrynowicz, em sua obra, Guerra Sem Guerra – a mobilização e o cotidiano de São Paulo durante a Segunda Guerra Mundial –, realiza uma concludente análise sobre o estudo deste período:

O lugar da Segunda Guerra Mundial na história e na memória coletiva da população do São Paulo, e do Brasil [grifo nosso], tem sido, no entanto, marcado muito mais pela ausência do que por uma presença efetiva e consistente, A guerra, episódio central da História do século 20, não está presente na memória da cidade de São Paulo; ela não é celebrada coletivamente, não é lembrada. Os soldados que lutaram e os mortos não são referenciados a não ser por pequenos grupos diretamente ligados a eles.

[…] a referência à guerra parece mais como um constrangimento obrigatório, na historiografia e na memória, dada sua magnitude na história do século 20, do que uma elaboração “interna” à história do país e ao testemunho dos seus contemporâneos. Mas não se estabelecem os nexos causais com a história brasileira neste período.  […] (Roney CYTRYNOWICZ, 2000).

Os fatos históricos e sua interpretação isenta e voltado apenas para uma historiografia afastada da ideologia tendenciosa aponta para uma colaboração estratégica, registrando a participação popular em todo o processo de envolvimento do Brasil, inclusive com perdas significativa de brasileiros.

Saliente do Nordeste – Estratégico: Em qualquer circunstância histórica, o Brasil se destaca quando se fala em Atlântico Sul. Não há como negar a importância estratégica do Saliente do Nordeste. Portanto, com as operações de UBoots ocorrendo em todo o Atlântico Norte é mais que compreensível que as nações beligerantes voltassem seus olhares para as Rotas Marítimas do Sul. Por esse motivo os Estados Unidos, antes mesmo de qualquer tipo de envolvimento do Brasil, já negociava a defesa dessa região, ou sua conquista (Operação Pote de Ouro). Em qualquer aspecto, em 1941, o país já estaria envolvido do conflito, pois a Alemanha domina a África do Norte e o receio dos Aliados de um bloqueio no Atlântico Sul era grande. Vargas era pressionado para se posicionar a todo instante.

 

Envolvimento do povo:  Os ataques à embarcações brasileiras em suas linhas de cabotagem, ou seja, de transporte de passageiros, pelo submarino U507, vitimou mais de 600 brasileiros, entre homens, mulheres e crianças. Isso causou uma revolta popular em todos os grandes centros urbanos do país. O governo se reúne sob pressão para declarar estado de beligerância contra a Alemanha.

Dificuldades para formação de uma Força Expedicionária: Quando questionado sobre a formação de Tropas para lutar no Teatro de Operações fora do Brasil, Vargas não hesitou, pois o interesse inicial era a modernização do Exército Brasileiro. Contudo não podemos negar que um exército é o espelho de seu povo. O Exército Brasileiro não conseguiria cumprir as exigências mínimas necessárias para um combatente moderno, e os principais motivos era a pouca instrução, pouca nutrição e principalmente despreparado para o esforço de guerra. A previsão inicial de formar um Corpo de Exército com 90 mil homens, esbarrou nas dificuldades físicas e logísticas do nosso Brasil, claro. Apenas pouco mais de 25 mil homens aptos para lutar até o final da guerra.

Ninguém acreditava na FEB: Depois da euforia inicial, a FEB foi formada por Decreto em 23 de novembro de 1943. Em termos de convocação, preparação e transporte, foram necessários quase oito meses para o primeiro combatente embarcar para um Teatro de Operações. Esse período tranformou desacreditou a FEB, muitos acreditavam que o país não enviaria tropas para lutar. Nasce o estigma popular “É mais fácil a cobrar fumar do que o Brasil ir à guerra…” . A Cobra Fumou!

O tamanho da importância militar da participação brasileira: É possível afirmar que o Brasil teve uma grande importância no Teatro de Operações da Itália? Claro que não! O país atuou com uma única Divisão, enquanto os americanos e ingleses atuavam com mais de 50 Divisões! Como podemos ter sidos decisivos? Agora, tivemos um papel importante quando somos analisados segundo as conquistas de uma Divisão. Se pensarmos em termos de missões, a Força Expedicionária Brasileira defendeu a maior frente do setor do X Exército Americano. Esteve na vanguarda de patrulhas durante os meses de dezembro de 1944 a fevereiro de 1945, em um dos mais rigorosos invernos já registrados do século XX. Levando em consideração soldados oriundos dos sertões nordestinos ou das amenas temperaturas do sudeste do Brasil. Conseguiu um feito militar improvável para uma Divisão. A rendição incondicional de duas Divisões, a 148ª Divisão Alemã e Divisão italiana Bersaglieri com um efetivo total 14.779 militares das duas nacionalidades, além de munição, canhões, armas de vários calibres. Um feito único entre as Divisões que atuavam na Itália. Se o Brasil chega com um soldado desacreditado e com problemas básicos, ao final da guerra o soldado brasileiro é apontado como um bravo combatente.

Esses são alguns dos motivos que todos os brasileiros devem ter, pelo menos o respeito pela participado do Brasil na Segunda Guerra Mundial. Não exaltando em demasia, nem tão pouco desprezando o esforço e o sacrifício de jovens que lutaram e morreram na Itália, e lembrando das vitimas da agressão nazista em nossas águas e ao nosso território.

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  1. Marco Massière
    18/11/2013 às 4:09 PM

    Parabéns, pela excelente explanação de um pedaço importante da nossa historia, que além de não ser cultivada entre os mais jovens, vai se tornando cada vez mais uma lembrança não cultivada.

  2. HORÁCIO JOSÉ VIARD
    20/11/2013 às 11:41 AM

    Parabéns pelo assunto e pelo texto. Os membros da FEB foram, são e serão sempre heróis de nossa História!!! Este exemplo de heroísmo deveria ser ensinado nas escolas!

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