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Serviço de Intendência. Onde a Vitória ou a Derrota Inicia!


Quando falamos em guerra, ou mais especificamente sobre a Segunda Guerra Mundial, logo alguém se levanta e fala sobre a revolução da guerra na utilização de blindados ou a importância da artilharia como força intimidadora nos campos batalha, ou até mesmo as novas formas doutrinárias para aplicação da infantaria. Mas, nenhuma outra arma ou serviço, passou a ser tão importante para o contexto de grandes operações militares, quanto o emprego da Intendência. O Serviço de Intendência Militar é o mais importante elemento para o contexto de uma guerra. A partir dela e para ela, os exércitos se configuram nos campos de batalha. Seus soldados, com as mais diversas qualificações profissionais que o Serviço exige, são empregados em áreas tão diferentes, tão distintas, que o conjunto destes, pode determinar o resultado de uma guerra.

A Alemanha quando se aventurou pelo vasto território russo, sabia que a sua logística seria o fato preponderante para a vitória ou para derrota. Erich von Manstein, alegou que a Wehrmacht deveria alcançar esmagar o inimigo em algumas semanas, do contrário, estaria enfadado ao fracasso, dado as linhas de suprimentos estarem fragilizadas. Neste mesmo contexto, quando Liddell Hart, historiador do Exército Inglês, perguntou a Wilhelm Guderian quais os motivos da derrota da Alemanha na União Soviética, ele, criador da doutrina do emprego de blindados Segunda Guerra, apontou para o Serviço de Intendência, que não fora capaz apoiar de perto as tropas mais avançadas.

Os Oficiais da Força Expedicionária Brasileira, ao chegar ao Teatro de Operações da Itália, foram matriculados em um estágio de combate, em um dos centros de treinamento Aliado. Ao final do estágio, o Coronel americano, comandante do Centro, solicitou a presença do General Mascarenhas de Morais, acompanhado do Coronel Lima Brayner, Chefe do Estado Maior, que registrou a conversa em suas memórias. “General”, disse o Comandante do Centro, “Os seus oficiais são extremamente dedicados e com grande vocação à liderança”. Chamou um dos Oficias que estava em forma e começou a inspecionar o militar brasileiro. “Mas esse material que eles estão usando é de péssima qualidade. Esse sapato, não aguentará mais do que alguns dias na linha…Esse capa, não tem nada de impermeável…Seus uniformes não são apropriados para esta guerra, General….”. A FEB, no primeiro contato na Itália, já tinha a certeza que seu Serviço de Intendência, teria que se superar.

Este Artigo é dedicado ao Presidente da Associação dos Oficiais da Reserva do Recife (AORE) 1º Tenente Int. Rogério Vasconcelos Júnior aos Alunos e instrutores do Curso de Intendência do CPOR/Recife e ao Aspirante  Int. Torreão do 7ºDSup, neto do Veterano da Força Expedicionária Brasileira Rigoberto de Souza.

Amanhã, 17/abril, publicaremos um artigo sobre o Serviço de Intendência da FEB.

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  1. Rogério
    20/04/2014 às 3:01 AM

    Bela homenagem à Rainha da Logística, Miranda!
    Obrigado pela dedicatória, a qual divido com todos os meus companheiros (de todos os postos e graduações) que tanto me ensinaram sobre gestão de suprimentos em Almoxarifado, Aprovisionamento e Tesouraria (em Expediente ou em Campanha) na breve carreira de 1 ano como Aluno, 1 ano como Aspirante e 7 anos como Oficial de Intendência do nosso Exército Brasileiro. Bela experiência de como se administrar recursos disponíveis para melhor se alcançar objetivos. Útil para a vida (em nossas ‘guerras’ do cotidiano)…
    Intendência – mais que uma Arma, um Serviço. A logística que conduz as vitórias.
    SUPRIR!! BITTENCOURT!

  2. Mauro Moriarty
    09/02/2015 às 2:15 AM

    Pois é em relação à Alemanha logo no inicio de minhas leituras, (Há muito tempo), em que a mesma era apresentada como uma força altamente superior e virtualmente invencível eu como muitos acreditamos num serviço de intendência Alemão completamente mecanizado (Isso na época foi o resultado de uma supervalorização do Exercito Alemão com vistas a valorizar sua derrota pelos Aliados). Mas o tempo passa e a verdade aparece de uma forma ou de outra (Na história quanto mais afastado os acontecimentos no tempo, mas próximo da verdade eles nos “podem” nos ser apresentados, isso nos livros de história).

    E assim nas publicações posteriores que tive a oportunidade de adquirir fui informado de outra realidade a respeito da intendência Alemã que desmentia em muito as afirmações da “História oficial”, e não, a intendência Alemã não era isenta de problemas e nem funcionava perfeitamente conforme o mito que se tentou defender por muito tempo.

    O seu programa de rearmamento não estava nem próximo da conclusão, a conquista da Polônia, Escandinávia, Países-Baixos, França, Balcãs e Grécia, não impôs a Wermarcht nenhuma dificuldade que ela não pudesse superar, sobretudo com as condições dos próprios países conquistados, a Europa era o continente mais desenvolvido do seu tempo e durante o seu avanço nesses países os Alemães puderam contar com grandes quantidades de Estradas, Portos, Aeroportos e Ferrovias todas a disposição dos conquistadores, todas com boas estruturas que os nazistas puderam usar a seu favor a medida em as conquistavam.

    Contudo o verdadeiro teste para o exercito Alemão começaria a partir de 1941, com a decisão de Hitler de atacar a URSS, hoje sabemos que Stalin embora avisado não quisesse por conveniência acreditar no ataque Alemão, Estava preparando-se o mais rápido que podia, mas ainda era cedo, quanto a Hitler atacou sem saber que não estava totalmente preparado, superestimando os poucos recursos que tinha.

    Durante algum tempo tudo transcorreu bem, a experiência da Wermarcht com a guerra na Europa e as distancias razoáveis que percorrera ainda estavam sob controle da capacidade administrativa da Wermarcht, mas tudo mudaria quando fosse mais exigida, não pelo inimigo que caia diante do avanço nazista, mas pelos delírios de Hitler que passa a considerar-se vitorioso e a fixar objetivos cada vez mais distantes para a sobrecarregada Wermarcht.

    Os problemas da intendência: Quando a Wermarcht avançou através da extensa fronteira da URSS ela encontrou o equivalente a um país subdesenvolvido, sem estradas secundárias e poucas Estradas principais, bem diferente daquilo com que conviveram nas campanhas anteriores, o sucesso da Blitzkrieg dependia da velocidade e a falta de estradas dificultava tudo, os Alemães estavam acostumados a utilizar sua rede Ferroviária para apoio logístico, mas desde o inicio as coisas ficaram difíceis, primeiro não havia trens suficiente e era sempre necessário adaptar a bitola dos trilhos Soviéticos para os Alemães o que demandava muito tempo e esforço, quanto aos veículos os Alemães também enfrentaram o problema na prática de utilizar caminhões civis modificados para fins militares para atender pelo menos em parte a lacuna da escassez motorizada, eles não se mostraram adequados. A única alternativa ficou por conta do uso de tração animal para complementar a demanda cada vez maior de abastecimento à medida que as tropas se afastavam e as distâncias tornavam-se cada vez maiores.

    Os nazistas usaram aproximadamente 250,00 mil cavalos na Barbarossa, confiscados na maioria dos países ocupados, a importância dos cavalos na logística aumentava cada vez mais, isso porque à medida que os Soviéticos recuavam extraviavam grupos de soldados na retaguarda que se convertiam em guerrilheiros cujos alvos principais passaram a ser a sabotagem das linhas ferroviárias, houve grandes perdas por parte dos Nazistas, por esses atrasos ataques foram adiados e a organização de pontos defensivos ficou deficientes diante de contra-ataques Soviéticos, as represálias nazistas foram pesadas, mas pouco eficientes, assim os cavalos ganharam importância cada vez maior, também merece destaque a política de “Terra arrasada” Adotada pelo Ditador Soviético, que privava a Wermarcht de recursos capturados ao inimigo.

    As desvantagens dos cavalos era a lentidão a pouca capacidade de carga e a necessidade de descansos regulares, mas eram mais confiáveis que os trens, contudo eles também participariam do calvário do exercito nazista na União Soviética primeiro enfrentando a lama da rasputiza do outono Russo, milhares morreram de exaustão, depois como os homens eles ficaram expostos às baixas temperaturas e morreram aos milhares, esse era o anuncio do fim dos avanços Alemães, doravante os Nazistas resolveriam seus problemas de abastecimento com o recuo, cada vez mais imposto as suas debilitadas forças pelos aliados, e os problemas dos abastecimentos seriam herdados pelos aliados que avançavam.

    É digno de menção a pior catástrofe Logística sofrida pelos Alemães durante a guerra, o grande erro de Herman Göering ao afirmar que poderia manter o sexto exercito abastecido pelo ar durante o cerco de Stalingrado, não foi possível atender as necessidades do exercito de Von Paulus que se rendeu e a Luftwaffen sofreu perdas inaceitáveis durante a ponte aérea fracassada.

    Também na África do Norte temos como maior contribuição para a derrota do Afrika Korps de Rommel a incapacidade de abastecimento por parte das Logísticas Italianas e Alemãs, Rommel foi obrigado a travar a batalha de El Alamein privado de tudo, incluindo combustível para suas forças mecanizadas, e reforços de todo o tipo, (O deserto era conhecido como o paraíso dos estrategistas e o inferno do abastecimento).

    Em relação aos aliados os Ingleses realizavam seu abastecimento estritamente pelo mar em virtude da superioridade da sua marinha de guerra capaz de proteger seus navios mercantes, quando os EUA, entraram na guerra definitivamente, as duas marinhas passaram a dominar totalmente as rotas marítimas e a abastecer regularmente a URSS.

    O maior problema de logística enfrentado pelos Aliados foi durante a invasão da França (Operação Overlord), depois de vencer a resistência inicial dos nazistas nas praias e próximo delas eles realizaram um grande avanço França adentro ate próximo as fronteiras Alemãs, a Logística estendeu-se ate bem próximo ao colapso total o que fez os aliados paralisarem o avanço afim de resolverem o problema de abastecimento das tropas de linha de frente e ao mesmo tempo acumularem grandes quantidades para o avanço final na Alemanha. Parece que Hitler foi bem informado dos problemas logísticos dos Aliados, pois planejou uma ofensiva com vistas a infligir uma derrota estratégica aos Aliados reconquistando o Porto Belga de Antuérpia utilizado pelos Aliados para o grosso do seu abastecimento, a famosa ofensiva das Ardenas, para isso ele retirou importantes forças da crítica frente Oriental. Todavia Hitler superestimou a própria capacidade Logística da Wermarcht e as forças nazistas passaram a sofrer de grande escassez de munição e, sobretudo combustível para as unidades na fase intermediaria da Batalha o resultado foi o fracasso em conquistar Antuérpia ou manter as posições conquistadas.

    A seguir alguns caminhões pesados produzidos pela Wermarcht para apoio militar e Logístico: Büssing-Nag caminhão pesado, Maultier Meia-Largata, Opel Blitz Caminhão pesado, Raupenschlepper Ost, construído especificamente para lidar com as difíceis condições da frente oriental, foi um sucesso sobretudo por ser um caminhão que usava apenas lagartas foi construído em grandes quantidades e para diversos fins, Schewerer Wehrmachtsschlepper (Trator pesado do exército) Meia-Lagarta projetado para atender as da infantaria de abastecimento geral e transporte de pessoal, SdKfz 7 veículo meia-lagarta para transportar homens e suprimentos foi um sucesso os aliados tentaram copia-lo para utilização própria.

    Mauro

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