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Uma pequena (e diferente) visão Sobre a Segunda Guerra Mundial


Diferentemente do que se imaginava quando na eclosão da Segunda Guerra Mundial em 1939, todos os países do mundo, de uma forma ou de outra, sofreram os impactos desse conflito que, inicialmente localizado, vai tomando proporções à medida que o Exército alemão se reposicionava para novos objetivos. Precisamos compreender as reais condições que propiciaram o maior conflito bélico do século passado, vislumbrando ponderações mais profundas sobre seus reflexos nos dias atuais; compreender quais as consequências desse conflito para o mundo contemporâneo, os motivos que levaram o mundo a esse estágio apocalíptico em uma perspectiva diferente daquela que foi disseminada pelos vencedores ao término da guerra. A palavra de ordem, na máxima da ciência histórica, é descontruir para construir.

Em uma visão mais abrangente, geral do conflito, há perguntas que devem contribuir para uma perspectiva mais apurada sobre a guerra, abrindo o leque de debates históricos, tais como: Podemos avaliar crimes de guerra cometidos por nações aliadas? Antissemitismo e outros tipos de segregação racial foram apenas características do regime alemão? A Segunda Guerra, na visão simplista, foi uma guerra do bem contra o mal? A culpa da Segunda Guerra foi da Alemanha? A primeira vista pode parecer que estamos evocando posições defensivas em favor do regime constituído por Hitler. Mas é uma mera impressão. As perguntas visam qualificar mais criticamente a disseminação das informações muito bem disseminada no pós-guerra. Quando perguntamos se a Segunda Guerra foi culpa da Alemanha, queremos que o leitor identifique a culpabilidade do povo alemão frente ao conflito iniciado em 1939; queremos analisar o contexto histórico que permitiu a ascensão de um regime totalitário e segregacionista como o Nacional Socialismo em uma das sociedades mais cultas e civilizadas do mundo. Tais perguntas que devem nortear muitos argumentos e são insumos para formar um leitor critico. Evidentemente a premissa para a argumentação histórica é explorar as questões mais controversas a partir de embasamento sustentável historicamente, sem a exposição filosófica ou ideológica que exponha pretensões tendenciosas.

Mas qual é o ganho com esse revisionismo? Muito! Primeiro a palavra “Revisionismo” deve ser empregada de forma correta. Atualmente essa palavra tem se prostituído quando o assunto é Segunda Guerra, já que tem servido de “bandeira” para a exposição de ideias e pensamentos que ferem os fatos históricos e sua interpretação por grupos antissemitas e outros pseudo-pesquisadores que não tem o compromisso com a análise histórica isenta. O grande problema é que esquecemos que estamos sujeitos, como humanidade, a repetir os nossos próprios erros. Quando distorcemos, relativamos ou ignoramos sérias condutas e erros de gerações anteriores, estamos sujeitos a repeti-las. Não à toa ao verbete: “A História sempre se repete”, tem assombrado uma humanidade que volta e meia cai nesta velha retórica. Uma interpretação equivoca da Segunda Guerra pode mascarar o retorno de uma ideologia segregadora, permissividade populista ao totalitarismo, expansionismo territorial de nações, desrespeitos a organismos internacionais ou outros tipos de elementos que fomentaram e esteve na gênese da Segunda Guerra Mundial. Se pararmos para pensar, esses itens já estão sendo recorrentes em muitos países neste início de século XXI. Se o entendimento do nosso passado não objetivar a evolução do pensamento humano para que possamos entender os fatos que contribuíram para a eclosão da Segunda Guerra Mundial, e termos a exata noção que ainda há reflexos extremistas que são espelhados nos movimentos ultranacionalistas da década de 30, estaremos sujeitos a testemunhar criminosos como Anders Behring Breivik, que em 2011, executou friamente 69 pessoas na ilha de Utoya, na Noruega, além de outras 08 em uma explosão em Oslo. Antes do ato terrorista ele publicou na internet em uma coleção de textos, chamada de “2083 – Uma declaração de Independência”, expressando sua “singela” visão de mundo, recheada de ideologia de extremo nacionalismo, racismo e cultura radical. Alguma semelhança com fenômenos ideológicos que tornaram a Segunda Guerra possível?

 Segue a galeria do sofrimento da Segunda Guerra Mundial

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  1. Francisco Bendl
    03/08/2015 às 7:46 PM

    Meu caro irmão de arma, Francisco Miranda,
    A tua proposta para um debate sobre a Segunda Guerra Mundial e suas consequências no mundo de hoje é pretensiosa, respeitosamente.
    O comentário de quem a sofreu na pele será um;
    Daquele que apenas leu a respeito será outro;
    Do historiador, uma terceira opinião;
    Das nações envolvidas e invadidas pelos nazistas um brado de alerta;
    Dos aliados quem venceram o maior conflito da história da humanidade, livros à disposição em larga escala.
    Extrair uma causa somente e que sirva aos entraves atuais entre países, religiões, políticas, revoluções, posso afirmar quase que impossível esta tarefa.
    Mesmo assim, eu arriscaria apenas uma circunstância, e que foi decisiva à preparação dos nazistas e que ocasionou a grande guerra do século passado, e que a torna um pouco semelhante aos problemas de hoje em nível internacional:
    O aspecto econômico mundial após a quebra da bolsa nos Estados Unidos em 1929, que impulsionou a Alemanha a rasgar o Tratado de Versailhes porque não tinha mais como pagar a dívida atribuída pelos aliados aos alemães na Primeira Guerra Mundial, traça atualmente um paralelo que está sendo causa da quebra de vários países europeus e espalhados pelo mundo, que foi a explosão da bolha imobiliária em 2008, cujos reflexos ainda não resolvidos, ao contrário, poderão nos levar a conflitos maiores e, quem sabe, para outra guerra de grandes proporções.
    Se, no passado, os nazistas perseguiram os judeus para tirar-lhes os bens materiais e matá-los em campos de concentração, a Europa não age diferente com os refugiados dos países africanos, que tentam salvar as suas vidas fugindo dos conflitos tribais e políticos, impedindo que entrem na Itália, França, Inglaterra, e aumentando os problemas com relação aos Direitos Humanos, absolutamente negados e nos mesmos moldes da Alemanha nazista em 1933, quando Hitler se tornou chanceler.
    Sobre o mundo árabe e o quanto foram explorados pelos europeus, que propiciaram revoltas em vários países islâmicos e o surgimento de um movimento mais radical que qualquer outro, o Estado Islâmico, a questão indefinida sobre a Palestina e a falta de entendimento entre israelenses e iranianos, também podem ser catalogados como possíveis causas de um alastramento em futuro próximo, e envolver o resto do mundo que também sofre pelas dificuldades econômicas causadas pelos poderosos, os mesmos vencedores de sempre, a mesma elite que vem sugando o sangue da humanidade há séculos, o sistema financeiro, os especuladores, os bancos!
    Desta forma, se o dinheiro ou a falta dele foi o pontapé inicial na Segunda Guerra, poderá acontecer o mesmo agora, também ocasionado pela falta de recursos aos países vítimas dos lucros inadmissíveis, imorais, avassaladores e causadores da miséria do homem neste planeta, enquanto meia dúzia se lambuza com fortunas obtidas da exploração do ser humano, da morte de milhões de crianças, homens, mulheres e idosos, que permanecem impunes pelos crimes cometidos contra o próximo, até o dia que os oprimidos se rebelarem mundo afora, e quem sobrar que comece uma nova era e, tomara, com o dinheiro sendo definitivamente cremado e suas cinzas jogadas ao mar!
    Quanto às demais dificuldades, Chico, devemos atribuí-las à falta de caráter desse homem, da sua vaidade, arrogância, prepotência, falta de solidariedade e consideração pela própria espécie.
    Um forte abraço, meu caro amigo e irmão PE.

    • 03/08/2015 às 10:14 PM

      Quero fazer um aprimoramento da proposta de uma análise mais abrangente sobre a Segunda Guerra Mundial, em relação ao post anterior. Tomando por base a exposição realizada pelo meu amigo pessoal, Chico Bendl, homem de um intelecto acima dos padrões, que realizou algumas observações bem pertinentes.

      Usando suas palavras na integra:
      “O comentário de quem a sofreu na pele será um; Daquele que apenas leu a respeito será outro; Do historiador, uma terceira opinião; Das nações envolvidas e invadidas pelos nazistas um brado de alerta; Dos aliados quem venceram o maior conflito da história da humanidade, livros à disposição em larga escala. Extrair uma causa somente e que sirva aos entraves atuais entre países, religiões, políticas, revoluções, posso afirmar quase que impossível esta tarefa. ”
      Sabe meu nobre irmão Policial do Exército, esse é o problema. O estudo do passado, sua consequência para a humanidade e sua relação com o mundo em que vivemos, eleva-o como elemento científico; como objeto de estudo, portanto, deve ser desprovido de paixões e envolvimento pessoal. Não poderíamos considerar uma análise da Revolução Russa de 1917, levando em consideração o registro de historiadores bolchevistas, correto? Como entender a Revolução Francesa através dos registros oficiais do governo revolucionário? Digo ainda, como entender a Revolução Farroupilha apenas com os registros oficiais da Corte carioca? Isso não é história!
      Entender a Segunda Guerra, sua dimensão e suas consequências através da análise de historiadores partidários, pesquisadores ideologicamente e patologicamente constituídos, em nada acrescenta o entendimento do maior conflito bélico do século passado.
      Citando um estadista do século XIX, quando perguntado qual a influência da Revolução Francesa para humanidade, ele respondeu: “Ainda é muito pouco tempo para termos certeza”, mas de 100 anos já haviam passado. E é isso mesmo. Para a História, enquanto ciência, os 70 anos da Segunda Guerra Mundial ainda não foram suficientes para uma análise profunda dos seus impactos.

      • Francisco Bendl
        04/08/2015 às 9:04 AM

        Caríssimo Francisco Miranda,
        Com base no teu pedido neste artigo em tela sobre uma nova visão da Segunda Guerra e paralelos que poderemos estabelecer com os dias de hoje, apontei o sistema financeiro como extremamente parecido à época com o modo que atualmente tem deixado povos e nações à míngua.
        A Alemanha encontrava-se falida, na miséria, hiperinflação, a ponto de ter confeccionado a maior nota do mundo, que valia CEM MILHÕES DE MARCOS, e se comprava com ela um pequeno pedaço de pão!
        Os americanos experimentaram também o sofrimento causado pela quebra da bolsa em 1929, com altíssimo desemprego, suicídios, famílias que se desintegravam, um enorme e poderoso país que se viu à mercê de papeis que nada valiam.
        Pois, em 2008, o mundo sentiu mais uma vez – principalmente os Estados Unidos e Europa – a mesma sensação do final da década de vinte com o estouro da bolha imobiliária, ainda com reflexos poderosos na Grécia, Portugal, Espanha, Irlanda, que estão custando se levantar, situação que se fugir do controle pode levar o planeta para outro conflito idêntico à Segunda Guerra, e com outros ingredientes que não havia em 1939 quando foi deflagrada, o Oriente Médio.
        A meu ver, meu caro amigo, este é um componente – o sistema financeiro – que sempre dará as cartas em quaisquer situações, e será o responsável permanentemente pelos conflitos bélicos, mesmo aqueles que aparentemente estiverem pintados com as cores religiosas ou políticas, não importa, a questão que prevalecerá será a econômica.
        Não podemos esquecer que mesmo antes de a Segunda Guerra começar, o Japão havia invadido a China em busca de mais terras para ampliar o seu império, nada diferente que fizeram Inglaterra, Holanda, Espanha, Portugal, Bélgica, França, com suas colônias espalhadas pelo mundo no início do século passado, e que após o término do conflito mundial desandou uma sequência de independências desses países explorados, sendo um deles a Índia e a confirmação do Estado de Israel, exatamente porque o Império Britânico não tinha mais como arcar com as despesas de manutenção dessas terras que lhe “pertenciam”.
        Em seguida a Indochina, que aplicou nos franceses outra grande derrota em 1954.
        Logo adiante a independência da Argélia, outra colônia francesa, e assim por diante, sempre com o sistema financeiro como motivo principal dessas lutas até o momento presente.
        Naturalmente sei que entendeste a expressão que usei sobre pretensão, que não foi uma crítica à tua proposta, por favor, e sim a dificuldade que haveria de se descobrir algo que tanto influenciou a guerra em questão quanto possíveis características atuais que podem servir como paralelos à deflagração de outra parecida com aquela, inclusive, Miranda, com nações que hoje se tornaram as mesmas colônias que no passado, mesmo independentes, porém atreladas como satélites às mais ricas, às mais poderosas:
        Estados Unidos, Alemanha, China (que se ressente de idênticos problemas dos americanos em 2008, então a queda vertiginosa das ações na Ásia), Reino Unido, que não pertence à zona do euro, e que refletem suas crises às nações mais pobres, gerando às suas populações imensos sacrifícios porque assim determinou o sistema, que deseja o dinheiro emprestado e de qualquer maneira, pouco se importando pelas vítimas que vai deixando pelo caminho!
        Outro abraço forte, meu irmão de PE!

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