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Desvendando Adolf Hitler Parte I: O garoto da mamãe!


         No dia 7 de junho de 1837, em uma pequena aldeia na fronteira austríaca com a Baviera chamada Strones, nascia Aloys Schicklgruber, filho ilegítimo de Maria Anna Schicklgruber, então com 41 anos de idade. A família de Anna morava na cidade de Waldviertel, uma região pobre a noroeste da Áustria. Para o rigor do tradicionalismo germânico, conceber um filho fora do casamento era ter a certeza da completa rejeição social, mas Anna teve sorte. Cinco depois, já estaria casada com Georg Hiedler e, mesmo depois da morte do seu marido em 1852, seu cunhado Johann, não deixou que nada faltasse para o sustento do jovem Aloys.

          O que um nascimento indesejado em uma pequena cidade do interior da Áustria interessa tanto? A identidade do pai de Aloys foi estudada e pesquisada de forma exaustiva, infelizmente nenhuma resposta conclusiva foi efetivamente apresentada. Três teorias foram formuladas a partir do início dos anos de 1930 e, posteriormente, colocada em evidência no pós-guerra, até os nossos dias. Vamos a elas:

  1. Teoria da paternidade de Johann Georg Hiedler: Segundo os registros oficias, Georg casou-se com Anna Schicklgruber em 1842, quando Aloys tinha cinco anos de idade, tornando-se seu padrasto. Em 1876, o próprio Aloys declarou que o padrasto era na verdade seu pai e que, desejava em vida, realizar o reconhecimento. O padre da paróquia de Döllersheim, aceitou o pedido. O fato é defendido como real por historiares contemporâneos como Kershaw, reforçados por Alan Bullock e William Shirer.

 

  1. Teoria da paternidade de Johann Nepomuk Hiedler: A teoria de que o pai de Aloys teria sido o irmão de Georg foi apresentada por Werner Maser. Johann tivera u m caso extraconjugal com a senhora Anna e pediu para que o irmão, assumisse o relacionamento. Após a morte de Georg, o garoto foi criado pelo “tio” e recebeu parte de sua herança. Essa teoria é rechaçada pelo biógrafo J. Fest.
  1. Teoria da paternidade de Johann Frankenberger: Essa teoria foi inicialmente muito bem aceita, principalmente para aqueles que interessavam o resultado dela. Sustenta que a senhora Anna trabalha para uma importante e tradicional família israelita chamada de Frankenberger, na cidade de Glaz. Seria fruto de um relacionamento com o filho do patriarca, Leopoldo Frankenberger. Segundo H. Frank, em sua obra publicada em 1953, o pai de Leopoldo passou a pagar as despesas de Anna quando ela retornou a sua cidade natal. O que mais contra essa teoria é que os judeus foram expulsos de Graz no século XV só retornando em 1860, portanto década depois do nascimento de Aloys. Kershaw e Joachim Fest consideram a teoria difamatória.

               Por que essa gravidez indesejada é importante? Simplesmente pelo fato de estarmos tratando do pai de Adolf Hitler. O fato foi tão controverso e traumático para Hitler que, em maio de 1938, ele determinou que Waldviertel, cidade natal de sua família, fosse usada como campo de treinamentos e manobras do Exército. Três meses depois, aldeias como Strones e Döllersheim (local de batismo do seu pai), foram totalmente destruídos, nada sobrou, o cemitério local fora revolto e arado no cumprimento de determinações particulares de Hitler. Não sobrou pedra sobre pedra, e todas as considerações sobre a genealogia de Hitler ficaram no campo da teoria.

             O certo é que Aloys, o garoto pobre a indesejado, cresceu e ascendeu socialmente. Em 1855, então com 18 anos, tinha um emprego modesto no Ministério das Finanças austríaco. Em 1861 já supervisionava um posto de serviços alfandegários e em 1871 mudou-se para Braunau, onde chegou ao cargo de Inspetor Alfandegário em 1875.

           Funcionário público respeitado, em 1876, solicitou oficialmente a mudança de seu nome. Aloys Schicklgruber. A alegação para mudança de nome, se deu pelo reconhecimento de seu padrasto Johann Georg Hiedler como pai legítimo, um detalhe é que Johann já tinha morrido há décadas. A autorização final ocorreu em 1877. Aloys resolveu usar uma variação menos antiquada de “Hiedler”, passando a assinar a partir de então como Alois Hitler.

Curiosidade:

                O nome “Hitler” possui variações, tais como: Hytler, Hiedler, Hütler, Hüttler que traduzido quer dizer: “pequeno proprietário”. A árvore genealógica compilada em 1934 pelos peritos nazistas faz remotar ao século XV o aparecimento da família Hitler: um certo Mattheux Hydler figuraria nos registros da Abadia de Hurzemberg , em 1445, como comprador de uma propriedade agrícola, mais tarde o nome se difundiu em várias grafias.

                Segundo Konrad Heiden, “o raro e pouco estranho sobrenome Hitler encontra-se mais frequentemente entre os judeus orientais do que entre os alemães, e precisamente na Galícia, Bucovina, Romênia e Polônia

           Alois tem uma vida amorosa conturbada, casa-se inicialmente com Anna Glasserl, uma mulher muito mais velha, que se separou em 1880. Logo encontrou Franziska Matzelberg de apenas 21 anos de idade. O matrimônio com a jovem Franziska, onde teve dois filhos Alois e Angela. A primeira grande tragédia para Alois, aconteceu quando Fraziska, conhecida como Fanni, contraiu tuberculose. Alois convidou Klara Pölzl filha de Johann Nepomuk Hiedler, portanto prima de Alois, para cuidar de sua jovem esposa. Contudo, Fanni morreria pela doença em agosto de 1884. Não demorou muito para que Alois buscasse novo casamento, dessa vez em definitivo com sua prima, Klara. Os dois estariam juntos até a morte de Alois em janeiro de 1903.

           Gravidez seguidas geraram três filhos com Alois, infelizmente não tardou para que tragédia se abatesse sobre a vida do casal. O último dos três filhos, Otto, morreria logo depois do nascimento e Gustav e Ida, os mais velhos, morreriam de difteria alguns meses depois. A jovem Klara nunca se recuperou totalmente da tragédia.

           Em 1888 Klara estava novamente grávida. Às 18h30 de 20 de abril de 1889, um sábado de Páscoa, nascia no Hotel Gashof zum Pommer, Vasrtadt nº 219, o filho mais esperando de Klara Pölzl e Alois Hitler, e aquele mudaria a história do século XX: Adolf Hitler.

  1. Desvendando Adolf Hitler Parte I: O garoto da mamãe!
  2. Desvendando Adolf Hitler II: A Infância!
  3. Desvendando Adolf Hitler III: Viena, o início de Hitler!

Fontes:

Hitler / Kershaw, Ian – tradução Pedro Maia Soares, São Paulo: Companhia das Letras, 2010

Hitler, pró e contra – O julgamento da História – edições melhoramentos, 1975.

A. Hitler, Mein Kampf, Zentralverlag, NSDAP, 1936

H. Frank, Im Angesicht des Galgens, Munique, 1953

Hitler, das Leben eines Diktators, Konrad Heiden,  – Europa, Verlag, Zurique, 1936-37.

Conversas Secretaria de Hitler, Richter, 1954.

Maser, Werner Hitler: Legend, Myth and Reality Penguin Books

Fest, Joachim C. Hitler Verlag Ullstein, 1973

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  1. 18/10/2015 às 12:23 PM

    INTERESANTE INFORMACION. MUCHAS GRACIAS CHICO MIRANDA !

  2. 19/10/2015 às 7:15 PM

    Hitler era um homem tão bom quanto o Lula do Brasil…

  3. M. Moriarty
    17/11/2015 às 11:43 PM

    Não obstante o titulo que a meu ver apela para uma indução injusta afirmando indiretamente que os filhos excessivamente amados pelos pais podem vir a tornarem-se desajustados sociais como o exemplo citado, no caso Hitler, a postura do artigo consegue ser isenta e demostrar o verdadeiro caráter da história, a meu ver, muito mais especulativo do que científico.

    Miranda conseguiu tocar no nervo exposto de todos aqueles que estudam a segunda guerra mundial, a questão controversa da paternidade de Hitler, muito especulada, mas sem posicionamentos definitivos por parte de autoridades competentes nesses estudos, esse é precisamente um daqueles casos em que sempre afirmo que existem muitos fatos, mas poucas explicações plausíveis e que qualquer posicionamento definitivo será sempre suspeito, mesmo porque o principal envolvido nessa questão, Hitler, aparentemente não nutria nenhum orgulho pelas suas raízes, procurou ao contrário apagar qualquer vestígio dela, e nem fez como Himmler e muitos outros do partido, tentando construir um passado mentiroso que o enaltecesse, para si mesmo.

    Miranda não considera uma teoria mais plausível que as outras tentando se focar apenas nela, ele é esclarecedor cita as três e que todas merecem atenção por que todas igualmente se equivalem, por nenhuma mostrar-se com evidências relevantes o suficiente para ser considerada definitiva, mesmo a mais moderna, dando a entender que mais esse assunto histórico pertence à esfera da opinião do leitor que tomando o conhecimento de todas e baseado numa leitura que deve ser ao mesmo tempo responsável, considerável e comparada, toma a liberdade de posicionar-se pela mais verossímil, mas com o cuidado consciente de respeitar as outras opiniões sobre o assunto pelas razões que expusemos antes.

    Quanto à questão da escolha do nome do pai de Hitler me parece que Miranda também não errou, ele evita o que muitos com espirito de Jornal sensacionalista de terceira fazem, se apossam da suposta natureza judia do nome Hitler e afirmam que seu pai era Judeu pelo nome. Mas Miranda demonstra fielmente que o nome Hitler foi uma escolha tardia por parte de Aloys e não um nome que teriam herdado naturalmente, deixando claro uma confusão que sempre persistira sobre esse assunto também, aqui deixo uma contribuição minha ao que Miranda afirma quando diz: “Aloys depois da autorização resolveu usar uma versão menos antiquada de Hidler, passando a assinar com Aloys Hitler”, Li de alguns autores, Miranda, que Alois pretendia sim usar o nome Hidler, mas que durante o registro do novo nome o notário é que teria errado na grafia do nome a rigidez da época não permitia conserto e Aloys não teriam escolha senão assumir o erro, mas essa é apenas mais uma das tantas especulações que chegaram até nós sobre isso.

    E finalmente parece que o Miranda nos esclarece mais objetivamente e a meu ver sem necessidade de especulações o amor intenso de Klara Hitler, pelo filho, que deixa de ser um suposto capricho e assume ares de trauma ocasionado pela perda de seus três filhos anteriores, numa demonstração inequívoca de instinto de sobrevivência maternal, diante da cria sempre ameaçada na sua sobrevivência pelo destino.

    E pessoalmente não acredito que esse amor maternal tenha moldado a natureza vingativa e cruel do futuro ditador da Alemanha, a meu ver sua visão de mundo e a maneira como era influenciado por seus sentimentos e os acontecimentos da sua vida, era o que verdadeiramente moldaria a sua conduta o tornando o único responsável por ela em toda a sua vida.

    vida longa a todos!

    • 19/11/2015 às 9:47 AM

      Mauro, obrigado por sua análise. Faço apenas a ressalva que o título não tem por objetivo levar a interpretação de que filhos mimados ou queridos por suas mães podem ocasionar distúrbios comportamentais nestes. O título está mais para expor o contraste entre o amor maternal que Hitler desfrutava em contrapartida a sua natureza dura que sua imagem produziu antes, durante e depois da guerra.

      Meus posicionamentos pessoais são convictos, mas minha missão (incluído o BLOG) é dar a oportunidade para que os leitores possam tirar suas próprias conclusões sobre as questões mais polêmicas (quando for cabível), tendo em vista que historiadores divergem do fato. Muito embora não poderia assim fazê-lo quando abordamos a fatos consagrados na historiografia, como por exemplo, a morte de Hitler em Berlim, sobre esse fato, não há margem séria para argumentação.

  4. M. Moriarty
    19/11/2015 às 7:28 PM

    Chico por favor delete o segundo comentário repetido, muito obrigado.

  1. 24/10/2015 às 8:39 PM
  2. 07/11/2015 às 6:05 PM
  3. 22/12/2015 às 9:41 AM

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