Arquivo

Archive for the ‘Batalhas Decisivas’ Category

A Invasão da Polônia em 1939: Aspectos para Refletir

“Abrisse-se as portas do inferno”. Essa é primeira frase que se verificou nos jornais ocidentais quando Hitler, a despeito de todas as advertências inglesas e francesas, lança suas tropas contra a indefesa Polônia. Mais de 75 anos depois daquela fatídica sexta-feira, no distante 1º de setembro de 1939, ainda há muita controvérsia sobre o início do conflito e as causas que levaram o mundo a escuridão da guerra por anos. O próprio Hitler, já derrotado seis anos mais tarde, em seu bunker nos arredores da devastada Berlim, registra em seu testamento político que, ao contrário do que possam falar, ele não desejava a guerra em 1939. Se ele não desejava a guerra, então quais os motivos que levou ele ao conflito? Vejamos uma pequena análise das circunstâncias da eclosão da guerra.

Em 1938, líderes ocidentais se reúnem em Munique para discutir as investidas Nazistas contra a região dos Sudetos, de minoria germânica. Hitler recebeu os lideres da França, Inglaterra e da Itália para estabelecer as condições para evitar à guerra. As nações assinaram o Acordo Munique, mesmo sem a presença da Tchecoslaváquia, a região dos Sudetos foi anexado a Alemanha. Era a política da “paz a qualquer custo”, protagonizado pelo Premier Britânico Neville Chamberlain.

Não demorou muito, em 10 de março de 1939, Hitler ocupa toda a Tchecoslaváquia,  o encontro de Munique era mais estratégia de Hitler para ganhar tempo. Inglaterra e França, perplexos nada fazem, exceto uma promessa do Führer de que a ânsia territorial da Alemanha se encerrara. Não há guerra por isso, mas não por muito tempo.

Quando o “Cabo Austríaco” afirma: “As fronteiras de 1918 nada representam para a Nova Alemanha”, alusão clara que as imposições das condições territoriais de Versailhes não seriam mais toleradas, começa a planejar o próximo passo militar: a Polônia. Não antes sem estruturar uma estratégia que deixou o mundo estupefato, um pacto de não agressão com sua inimiga ideológica desde os tempos do Mein Kampf, os soviéticos. Ele queria uma fronteira comum e a certeza do não envolvimento da União Soviética, por isso considerou a divisão de influência e territorial do Leste Europeu com os Vermelhos. Sem se preocupar em abrir uma frente de combate indesejada em 1939, o caminho para Polônia estava assegurado.

A principal argumentação de Hitler era com relação à cidade Livre de Danzig, considerado uma aberração pelo Líder alemão. A partir de 23 de agosto, depois de assinado o Pacto Molotov-Ribbentrop que chocou o mundo mais do que a ineficiência dos políticos ingleses de entender as ações Hitler, nada mais impediria a Nova Alemanha a teoria nazista do Espaço de Vital (Lebensraum) .

Evidências históricas apontam para um planejamento detalhado das atividades alemãs para se voltar para a Polônia, sem a interferência Russa e com a o aval inicial da Itália. A ineficácia dos franceses e a indisposição inglesa tornou possível uma vitória militar em poucas semanas, mesmo com a bravura polaca, nada poderia ser feito com a primeira demonstração real do poderio militar da Alemanha, colocando em prática uma doutrina de avanço nunca antes vista, era a Blitzkrieg em sua versão mais letal.

Apesar das demonstrações de indignação e a Declaração de Guerra da Inglaterra e França e, posteriormente, pequenas incursões e ataques à fronteira franco-alemã, nada mais foi feito para impedir que em 06 de outubro a Alemanha anexasse à Polônia.

Em 17 de setembro a União Soviética invade a Polônia pelo norte, argumentando proteger os poloneses de origem soviética, evidentemente já alicerçados pela cláusula secreta do Pacto Molotov-Ribbentrop que dividia a Polônia entre as duas potências militares e que só seria conhecida no pós-guerra.

Uma Questão Histórica

Se a Alemanha invade a Polônia e a União Soviética também executa a mesma manobra 16 dias depois, qual o motivo da Declaração de Guerra das potências ocidentais ser apenas contra a Alemanha?

Essa é uma pergunta que muitos ideólogos fazem até hoje. Isso é uma retórica extremamente frágil de argumentação histórica.

França e Inglaterra (todo o domínio inglês) Declaram guerra em 03 de setembro, ou seja, 48 horas depois do início da invasão alemã. Dia 17, data da invasão do Exército Vermelho, a guerra já estava praticamente decidida, o Governo polaco praticamente já estava no exilio e a Polônia lutava uma guerra desesperada. Os diplomatas e políticos não entendiam a invasão dos soviéticos como uma questão territorial em 39, mas uma estratégia de impedir que o avanço alemão chegasse à fronteira soviética e, em última instância, não queriam uma escalada da guerra aos moldes de 1914. Portanto, compreensível que não houvesse uma Declaração formal de guerra aos soviéticos.  Importante essa concepção histórica para entendimento do conflito.

Por fim

                Mesmo à revelia da argumentação do Líder Alemão em seu Testamento Político, todos os indícios que se seguem desde que Hitler assumiu o poder plenamente em 1934, apontam para a conquista territorial através da intervenção militar, fato que concretizou com a Guerra Total em 1939 e a capitulação da Polônia, Bélgica, Países Baixos, Luxemburgo e finalmente a própria França.

                   Em 1941, a Nova Alemanha chegava ao ápice do Reich de Mil Anos, que duraria apenas mais quatro anos, com o Líder supremo alemão se matando com sua amante em seu último reduto nos arredores da devastada Berlim.

Qualquer outra afirmativa distante dessa argumentação é de difícil sustentação.

Fonte:

Kershaw, Ian – Hitler; tradução Pedro Maia Soares – São Paulo: Companhia das Letras, 2010

Jordan, David – A chronology of World War II – the ultimate guide to biggest conflict of the 20th century. Grange Books Ltd,  2007.

Anúncios

O Que A Invasão da Polônia Pode Nos Ensinar?

O quadro se redesenha para a História. Impressiona como ainda não sabemos olhar para trás e verificar o que a História nos ensina. Apesar de contextos diferentes, a retórica de acontecimentos explode em nossas caras, e mesmo assim não conseguimos perceber a semelhança dos fatos e acontecimentos e as decisões erradas tomadas no passado, não servem de referência para as tomadas de decisões hoje.

Em uma época não muito distante, uma nação com poucos recursos, tanto econômicos, quanto militares, valia-se do apoio de grandes potências para existir como nação. Possuía uma região autônoma e estava na fronteira de influências de nações opositoras! Qualquer semelhança é mera consciência, será?

Em 01 de setembro de 1939, a Alemanha invade à Polônia! As potências ocidentais enviam ultimato a Hitler para desocupar o território polaco. A Alemanha argumenta que o motivo da invasão é a proteção da população de origem alemã (outra consciência?). As potências que, inicialmente, protestam, ameaçam enviar tropas e aplicar sanções econômicas a Alemanha, nada fazem. Assistem de camarote a Polônia capitular em 06 de outubro daquele mesmo ano.  O país inteiro é anexado a Nova Alemanha e a região Livre da Danzig deixa de existir. Este evento marca o início de seis longos anos de morte e destruição para toda a Europa.

Certamente estamos em contextos diferentes. Não estamos comparando a Rússia com a Alemanha nazista. Estamos relacionando fatos históricos ocorridos e que levaram o mundo a beira do apocalipse. Os atores são diferentes, mas os resultados podem ser os mesmos. Temos que pensar que as consequências de um conflito mundial terá o cenário descrito por Albert Einstein:

“Eu não sei com que armas a Terceira Guerra Mundial acontecerá, mas a Quarta Guerra será lutada com paus e pedras.”

 

A União Soviética Invade a Polônia e Ninguém Diz Nada!

A Segunda Guerra Mundial sempre será objeto de estudo de professores, estudantes, pesquisadores e entusiastas em vários aspectos, o motivo principal é que o período fascina pela complexidade.  Um repositório de fatos que se não for tratado com a devida clareza, dará margens para dúbias e constrangedoras inverdades históricas. De certo que nem sempre será possível atingir esta clareza, pelo contrário, as especulações e interpretações são ferramentas de estimulo ao estudo do período, mas é necessário critério e, principalmente, sensatez ao especular fatos, já que a ideologia contamina e torna tendenciosa a análise dos fatos relacionados a este conflito que permeia a mente humana há mais de 70 anos.

Não por acaso, a eclosão da guerra em setembro de 1939 foi apenas o estouro de uma bomba relógio ativada assim que o Tratado de Versalhes foi assinado. Falando sobre isso, Hans von Seeckt, um dos mais proeminentes militar da Alemanha e o idealizador da utilização de Blindados, declara: “aceitamos uma paz de 20 anos” (LIDDELL HART, 1980), e exatamente 20 depois, a guerra volta a assombrar o Velho Continente. Não poderia haver profecia mais segura.

01 de setembro de 1939 a Alemanha inicia a invasão da Polônia. Aviões alemães atacam a cidade polonesa de Wielun, matando cerca de 1.200 pessoas. São as primeiras vitimas de milhões que estariam por vir. A principal característica dessa invasão era a certeza de que a Alemanha estaria com as fronteiras da própria Polônia, a leste, assegurada por um esdrúxulo tratado de não-agressão com a União Soviética, portanto militarmente, já se estabelecia o cenário a ser imposto por Stálin e Hitler para a Polônia. O tratado colocava no mesmo lado inimigos naturais aquela altura. A União Soviética, poucos meses antes, tentaram um acordo com as potências ocidentais contra a própria Alemanha, mas que não foi estabelecidas graças as chamadas “zonas de influência” (frase muito utilizada durante o pós-guerra), e a liberdade da União Soviética de entrar com tropas em território polaco e nos Estados Bálticos, caso se sentisse ameaçada.

Em 23 de agosto de 1939 o Pacto Molotov-Ribbentrop é assinado e o mundo não entende como dois sistemas de governo antagônicos e de ódio mútuo poderiam agora selarem a paz. Mas a profundidade das negociações eram muito mais acentuadas do que a composição ideológica dos regimes. O tratado foi negociado já levando em consideração as áreas de influência (os aliados não aceitaram, mas o regime de Stálin e Hitler souberam negociar essas áreas), dividindo os países Bálticos, România e a própria Polônia a partir das intervenções militares que estariam por vir. E aconteceu!

 Quando a invasão teve início todos aguardavam uma resposta contundente da Inglaterra e França. A própria Alemanha mobilizou Divisões da Wehrmacht para a linha Siegfrield esperando uma ofensiva francesa que nunca chegou. No dia 03 de setembro, após o ultimado, a França e a Inglaterra declaram guerra a Alemanha. A batalha na Polônia prossegue e o Exército polonês tenta desesperadamente manter a defesa do país. O governo polaca clama pela intervenção dos aliados. A Inglaterra prepara um Força Expedicionária, enquanto a França não se entende quanto o emprego do seu Exército e resolve estacionar nas suas próprias fronteiras protegidos pela Linha Maginot.

O que realmente intriga e é objeto de questionamento por parte dos adeptos pró-Alemanha no estudo da Segunda Guerra, ocorre quando a União Soviética invade a Polônia dia 17 setembro, ou seja, 14 dias após a Declaração de Guerra contra a Alemanha, mas nem mesmo cessam as relações diplomáticas entre os aliados e os soviéticos.

Vamos argumentar alguns perspectivas para fornecer o cenário dessa situação inicial da guerra.

Primeiro a União Soviética sustenta que invadiria a Polônia para proteger os bielorrussos e ucranianos estabelecidos na fronteira russo-polonesa. Esse embasamento foi divulgado através de telegramas as embaixadas da Alemanha, Inglaterra e França1 em 10 de setembro, em seguida,  no dia 17, o governo da Polônia também é informado2. O que podemos observar é que, apesar de encobertar as suas verdadeiras intenções, o governo soviético tenta justificar a ação.

Enquanto a reação dos aliados frente a atitude soviética?

Politicamente o governo francês passava por um quase ridículo momento, e o presidente Albert Lebrun não conseguia um acordo nem mesmo para mobilizar seu exército. Uma declaração de guerra a União Soviética era injustificável politicamente e o governo francês não tinha condições internas para fazê-lo. Enquanto a Inglaterra mobilizou e enviou suas tropas para o continente, mas não poderia declarar guerra contra a União Soviética, tendo em vista que aquela altura não poderia contar com apoio francês. As justificativa soviética e as dificuldades de lutar contra dois grandes países por um Estado que, aquele momento, já não subsistia, era considerado como impensado. Tudo isso somado ao receio de Chamberlain de eclodir o mesmo cenário da Grande Guerra.

Do ponto de vista militar e político em nada acrescentaria a declaração de guerra, pelo contrário, o cenário diplomático ainda tentava atuar para evitar que o conflito se estendesse. Com isso, podemos concluir que, dado as condições da política interna da França e o perfil hesitante do Primeiro-ministro Chamberlain, é claro que a declaração de guerra contra os soviéticos foi cogitada mas nunca levado à cabo. Todos temiam que o guerra se estendesse, mas em 17 de setembro de 1939 aquilo já era inevitável.

1. The Avalon Project, Yale Law School. Supostamente de 14 de Novembro de 2006.

2. (Nota do governo soviético para o Governo polaco em 17 de Setembro de 1939, recusada pelo Embaixador polaco Wacław Grzybowski). obtido q 15 de Novembro de 2006; Degras, pp. 37–45.

Eu Comandei o Ataque a Pearl Harbor

“Desejamos que o senhor comande a nossa força aérea, na hipótese de atacarmos Pearl Harbor”.

Fiquei quase sem fôlego. Eram fins de setembro de 1941 e, se a situação internacional continuasse a agravar-se, o plano de ataque teria de ser executado em dezembro. Não havia tempo a perder para essa importantíssima missão.

Em meados de novembro, após o mais rigoroso treinamento, foram levados os aviões para bordo dos respectivos porta-aviões que, a seguir, aproaram para as ilhas Curilas, viajando isolados e seguindo rotas diferentes para não despertar atenção. Depois, às seis horas da manhã, uma manhã escura e nublada, em 26 de novembro, nossa força-tarefa de 28 navios, incluindo seis porta-aviões, deixou as Curilas.

O Vice-Almirante Nagumo comandava a Força de Ataque a Pearl Harbor. As instruções por ele recebidas, diziam: “No caso de as negociações com os Estados Unidos chegarem a conclusão satisfatória, a força-tarefa retornará imediatamente à pátria”. Desconhecendo o fato, entretanto, as tripulações, lançando o que talvez fosse seu último olhar ao Japão, gritavam: “Banzai!”. Podia-se perceber seu ardente entusiasmo e espírito combativo. Malgrado isso, eu não podia deixar de alimentar dúvidas quanto à confiança com que o Japão se lançava à guerra.

Nossa rota devia passar entre as ilhas Aleutas e a Ilha de Midway, de maneira a ficar fora do alcance de patrulhas aéreas americanas, que, em alguns casos, segundo se supunha, abrangiam uma extensão de 1.000 quilômetros. Enviamos à frente três submarinos para informar da presença de quaisquer navios mercantes, a fim de podermos alterar a rota e evitá-los. Mantínhamos um alerta permanente contra submarinos americanos.

Nossos rádios permaneciam em absoluto silêncio, mas ouvíamos as transmissões de Tóquio e Honolulu procurando alguma palavra sobre o início da guerra. Em Tóquio, uma conferência de coordenação do governo e do Alto Comando esteve em sessão, diariamente, de 27 a 30 de novembro, para discutir a proposta feita pelos EUA no dia 26. Chegou-se à conclusão de que a proposta era um ultimato destinado a subjugar o Japão e a tornar a guerra inevitável, mas que se deveria insistir nos esforços pela paz até o último momento.

A decisão a favor da guerra foi tomada na Conferência Imperial, realizada a 1º de dezembro. No dia seguinte, o Estado-Maior Geral deu a ordem: “O dia do ataque será 8 de dezembro (7 de dezembro no Havaí e nos Estados Unidos)”. A sorte estava lançada: rumamos diretamente para Pearl Harbor.

Por que foi escolhido aquele domingo para o ataque? Porque estávamos informados de que a Esquadra Americana regressava a Pearl Harbor nos fins de semana, após um período de instrução no mar. E também porque o ataque deveria ser coordenado com nossas operações em Malaca, onde estavam previstos ataques e desembarques aéreos para a madrugada naquele dia.

De Tóquio foram-nos retransmitidos relatórios do Serviço de Informações sobre atividades da Esquadra Norte-Americana.

7 de dezembro (6 de dezembro, hora do Havaí): “Não há balões nem redes antitorpedos em torno dos encouraçados fundeados em Pearl Harbor. Todos os encouraçados estão na baía. Não há indicações, na atividade do rádio inimigo, de que estejam sendo feitos vôos de patrulha oceânica na região do Havaí. O Lexington deixou o porto ontem. Supõe-se que o Enterprise também esteja operando”.

Nessa ocasião é que recebemos a mensagem do Almirante Yamamoto: “O apogeu ou declínio do Império depende desta batalha; todos devem dar o máximo de seu esforço no cumprimento do dever”.

Estávamos a 230 milhas do norte de Oahu, onde está situada Pearl Harbor, pouco antes do alvorecer do dia 7 de dezembro (hora do Havaí), quando os porta-aviões manobraram na direção do vento norte. A bandeira de combate tremulava no topo de cada mastro. O mar estava muito agitado, o que nos fez hesitar quanto à decolagem no escuro. Achei que era viável. Os conveses de vôo vibraram com o ronco dos motores dos aviões acabando de aquecer.

Uma lâmpada verde foi agitada em círculos. “Decolar!”. O rugido do motor do primeiro caça foi crescendo até que ele se elevou no ar, são e salvo. Havia grande aclamação cada vez que um avião decolava.

Dentro de 15 minutos, 183 caças, bombardeiros e torpedeiros tinham decolado dos seus porta-aviões e estavam entrando em formação no céu ainda escuro, guiados apenas pelas luzes de sinalizações dos aviões-guia. Após circularmos por cima da esquadra, tomamos a rota sul, para Pearl Harbor. Eram 6:15 h.

Sob meu comando imediato, havia 49 aviões de bombardeiro horizontal. À minha direita, e um pouco abaixo, estavam 40 aviões torpedeiros, à minha esquerda, cerca de 200 metros acima, 51 bombardeiros de mergulho; protegendo a formação, havia 43 caças.

Às 7:00 h calculei que deveríamos chegar à Oahu em menos de uma hora. Mas, voando por cima das espessas nuvens, não víamos a superfície do mar e, portanto, não podíamos controlar nossa deriva. Liguei o radiogoniômetro para a estação de Honolulu e não tardei a ouvir música. Girando a antena, encontrei a direção exata de onde vinha a transmissão, e corrigi nossa rota. Tivéramos uma deriva de cinco graus.

Ouvi então um boletim metereológico de Honolulu: “Nublado em parte, principalmente sobre as montanhas. Boa visibilidade. Vento norte, dez nós”.

Que sorte a nossa! Não se poderia ter imaginado situação mais favorável. Devia haver brechas nas nuvens, sobre a ilha.

Cerca de 7:30 h as nuvens se abriram de repente e apareceu uma longa linha branca de litoral. Estávamos sobre a extremidade norte de Oahu. Era a hora de desdobrarmos a nossa formação.

Chegou um relatório de um dos dois aviões de reconhecimento que tinha ido à frente, dando a localização de dez encouraçados, um cruzador pesado e dez cruzadores leves. O céu ia ficando mais limpo à proporção que avançávamos para o alvo, e comecei a estudar nossos objetivos com auxílio do binóculo. Os navios estavam lá. “Dê ordem de ataque a todos os aviões”, ordenei ao meu rádio-operador. Eram 7:49h.

As primeiras bombas caíram no aeródromo de Hickam, onde havia fileiras de bombardeiros pesados. Os pontos atingidos a seguir foram as ilhas Ford e o aeródromo de Wheeler. Em pouco tempo, imensos rolos de fumaça subiam dessas bases.

Meu grupo de bombardeiro horizontal manteve-se a leste de Oahu, para lá da extremidade sul da ilha. No ar só havia aviões japoneses. Os navios, na baía, pareciam ainda adormecidos. A estação de rádio de Honolulu continuava normalmente sua transmissão. Conseguíramos a surpresa!

Sabendo que o Estado-Maior Geral devia estar ansioso, ordenei que fosse enviada à esquadra a seguinte mensagem: “Conseguimos realizar ataque de surpresa. Peço retransmitir esta informação para Tóquio”.

Começaram a aparecer esguichos de água em torno dos encouraçados. Eram os nossos aviões torpedeiros em ação. Era tempo de desencadearmos nossos bombardeios horizontais. Ordenei ao meu piloto que inclinasse o avião abruptamente. Era o sinal de ataque para o nosso grupo. Os meus dez esquadrões formaram em coluna por um, com intervalos de 200 metros – uma bela formação.

Enquanto meu grupo fazia a corrida para o bombardeio, a artilharia antiaérea americana, tanto de bordo dos navios, como as baterias terrestres, entrou subitamente em ação. Aqui e ali viam-se explosões de cor cinza-escura, até que o céu se encheu de abalos de tiros quase certeiros que faziam nossos aviões estremecer. Fiquei surpreendido com a rapidez do contra-ataque, que veio menos de cinco minutos depois de lançada a primeira bomba. A reação japonesa não teria sido tão pronta – o caráter japonês é apropriado à ofensiva, mas não se ajusta facilmente à defensiva.

Meu esquadrão dirigia-se para o Nevada, que estava fundeado na extremidade norte do cais dos encouraçados, na parte leste da ilha Ford. Estava quase no momento de soltar as bombas quando penetramos numa formação de nuvens. Nosso bombardeador-guia abanou as mãos para trás e para frente para indicar que teríamos que passar em branco, e demos uma volta sobre Honolulu para aguardar outra oportunidade. Nesse ínterim, outros esquadrões fizeram suas corridas, tendo alguns realizados três tentativas antes de lograrem êxito.

Repentinamente, colossal explosão verificou-se no cais dos encouraçados. Uma imensa coluna de fumaça se elevou a uns 300 metros, e uma violenta onda de choque atingiu o nosso avião. Devia ter explodido um paiol de pólvora. O ataque estava no auge; a fumaça dos incêndios e explosões enchia quase todo o céu de Pearl Harbor.

Observando com o binóculo o cais dos encouraçados, vi que a grande explosão havia sido no Arizona. Este continuava ardendo furiosamente, e como a fumaça cobria o Nevada, alvo do meu grupo, procurei algum outro navio para atacar. O Tennessee já estava pegando fogo, mas junto dele encontrava-se o Maryland. Dei ordem para mudar, tomando o Maryland como alvo, e voamos em direção ao fogo antiaéreo.

Quando o bombardeador do nosso avião-guia largou sua bomba, os pilotos observadores e radioperadores dos demais aviões gritaram: “Lançar!” e lá se foram as nossas bombas. Imediatamente me deitei de bruços no chão para observar através de uma fresta. Quatro bombas, formando um desenho perfeitamente simétrico, caíam a prumo como demônios da destruição. Foram diminuindo de tamanho até se transformarem em pontinhos, e finalmente desapareceram, dando lugar a quatro minúsculos clarões no navio e perto dele.

De grande altitude, os tiros perdidos são mais perceptíveis que os impactos diretos, pois produzem ondas circulares na água, fáceis de ver. Percebendo duas dessas ondas e mais dois pequenos clarões, bradei: “Dois certeiros!”. Tive a convicção de que havíamos produzido danos consideráveis. Dei ordens aos bombardeiros que haviam completado suas missões que retornassem aos porta-aviões. O meu, porém, permaneceu sobre Pearl Harbor para observar e dirigir as operações ainda em curso.

Pearl Harbor e arredores estavam convertidos num caos. O Utah havia emborcado. O West Virginia e o Oklahoma, com os cascos quase arrancados pelos torpedos, adernavam perigosamente em meio a uma inundação de óleo grosso. O Arizona estava muito adernado e ardia furiosamente. Os encouraçados Maryland e Tennessee ardiam também. O Pennsylvannia, que estava no dique, ficara intacto – evidentemente o único encouraçado que não fora atacado.

Durante o ataque, muitos dos nossos notaram os valentes esforços dos pilotos americanos para decolar com seus aviões. Apesar da grande inferioridade numérica, voaram diretamente sobre nossos aparelhos para travar combate. Os resultados foram ínfimos, mas sua coragem impôs admiração e respeito.

Os aviões de nosso primeiro ataque levaram uma hora para concluir sua missão. Quando iniciaram o regresso aos porta-aviões, após terem perdido três caças, um bombardeiro de mergulho e cinco aviões torpedeiros, entrou em cena a nossa segunda vaga de 171 aviões.

O céu agora estava tão coberto de nuvens e de fumaça que era difícil localizar os alvos. Para dificultar ainda mais a missão, o fogo da artilharia antiaérea, naval e terrestre tornara-se intensíssimo.

O segundo ataque conseguiu excelente dispersão, atingindo os encouraçados menos danificados, bem como cruzadores, e contratorpedeiros não atingidos anteriormente. Durou também cerca de uma hora, mas, em virtude da intensificação do fogo da defesa, houve novas baixas, seis caças e 14 bombardeiros de mergulho.

Depois que a segunda onda iniciou a viagem de retorno aos porta-aviões, dei novamente uma volta sobre Pearl Harbor para observar e fotografar os resultados. Contei quatro encouraçados positivamente afundados, três seriamente avariados. Outro encouraçado parecia consideravelmente desmantelado, e haviam sido destruídos numerosos navios de outros tipos. A base de hidraviões da ilha Ford estava presa das chamas, bem como os aeródromos, especialmente o de Wheeler.

Densa cortina de fumaça tornava impossível determinar os estragos sofridos pelos aeródromos. Era evidente, todavia, que boa percentagem do poderio aéreo da ilha fora destruído: nas três horas em que meu avião permaneceu naquela região, não encontramos um único avião inimigo. No entanto, vários hangares estavam ilesos, e era possível que alguns deles contivessem aviões utilizáveis.

Meu avião foi talvez o último a voltar para a esquadra, onde outros aparelhos, reabastecidos e rearmados, estavam-se alinhando, preparando-se para outro ataque. Fui chamado sem demora à ponte de comando. O Estado-Maior do Almirante Nagumo, enquanto aguardava meu relatório, estivera entretido em uma discussão intensa sobre a conveniência de lançar novo ataque.

– Quatro encouraçados positivamente afundados – informei. – Alcançamos elevado grau de destruição nas bases aéreas e nos aeródromos. Há, contudo, muitos alvos por atingir.

Insisti por novo ataque. O Almirante Nagumo, porém – numa decisão que desde então tem sido alvo de muita crítica por parte de peritos navais – preferiu voltar à base. Imediatamente foram alçadas as bandeirolas de sinais e nossos navios aproaram para o norte a grande velocidade.

Fonte deste artigo: História Secreta da Última Guerra – M. Fuchida – Seleções

Era Uma Vez em Creta…

 Os primeiros dias da invasão alemã em Creta, segundo as anotações no diário do médico militar grego Théodore Stéphanides.

O alvorecer do dia 20 de maio anuncia um dia brilhante. Às 7:30 da manhã já me levantei e reúno-me com alguns oficiais junto à barraca de campanha que funcionava como refeitório. Conversamos despreocupadamente, à espera de que nos sirvam o café da manhã, quando, de repente, o ruído dos tiros da artilharia antiaérea nos interrompe. Precipitamo-nos para as trincheiras, convencidos de que se tratava de um desses reides vulgares a que nos habituamos. Desta vez, porém, trata-se de outra coisa. Antes de termos consciência da situação, vemos o céu invadido por aviões alemães que parecem surgir de um alçapão mágico. Centenas deles lançam-se em vôo picado, elevam-se novamente, fazem ziguezagues, enquanto cai sobre nós um dilúvio de bombas e rajadas de metralhadoras. Logo a seguir , uma formação de grandes aparelhos prateados voa a baixa altitude, procedentes do sudoeste e em direção a Canéia; como se fossem fantasmas, rasgam o ar com um sussurro que nada se assemelha ao habitual zumbido dos motores; as suas asas são muito longas e estreitas. Compreendo que se trata, na realidade, de planadores – e acaba de ser desencadeada uma ofensiva de grande importância sobre Creta. As granadas da antiaérea explodem em torno dos planadores e das suas escoltas; mas há tal desproporção entre o número dos aviões e nossas nobres baterias que não causamos grandes danos ao inimigo. Vejo, apesar disso, que um dos planadores se inclina para um lado com uma sacudida brusca e vai cair detrás das árvores, quase verticalmente; esse, pelo menos, atingimos. A maioria, porém (uns trinta segundo calculo), continuam a deslizar serenamente em direção a Canéia. Avançam com muito maior lentidão do que um avião normal e imagino o estrago que poderiam causar-lhes alguns dos nossos Hurricanes, se os tivéssemos aqui.

Enquanto observo um bombardeiro alcançado pela nossa defesa antiaérea, oscilando e deixando atrás de si uma coluna de fumaça preta, ouço o Capitão Fenne gritar:

– Olhem, paraquedistas!

As pequenas corolas brancas abrem-se quase no mesmo instante e desaparecem atrás das árvores. Alguns desses paraquedistas devem estar salpicados de castanho e verde, mas a distância é grande demais (felizmente!) para termos certeza. Entre eles há alguns que se distinguem pelo seu maior tamanho e a sua curiosa forma oval. Vim a saber mais tarde que eram paraquedistas tríplices utilizados para transportar morteiros ligeiros, caixotes de munição e material diverso.

Entretanto o sinistro concerto aumenta com novos ruídos: tiros de canhão, de fuzil e de fuzil-metralhadora unem-se ao troar da artilharia antiaérea, as explosões das bombas, ao ronco agudo dos aviões em vôo picado e ao crepitar das suas metralhadoras. O barulho é incrível.

A nossa inquietação aumenta porque não conseguimos saber exatamente qual a situação e faltam-nos instruções para esta eventualidade; quase todos os nossos soldados carecem de armas e ninguém é capaz de calcular, por entre as árvores, a distância que nos separa dos alemães.

Nisto chega um correio dos fuzileiros navais, portador de uma mensagem para o Capitão Longridge: o seu oficial subalterno e todos os homens armados de sua companhia devem unir-se às tropas (não recordo de que unidade) a que fora confiada a missão de improvisar uma frente que detenha a invasão alemã. No que diz respeito ao Capitão Longridge, deve deslocar-se até Suda com aqueles dentre nós que estejam desprovidos de armas e ali esperar novas instruções.

Marchamos para Suda, a cujos arredores chegamos às 11 da manhã. É-nos dada nova ordem: unir-nos ao Comandante Murray, no seu setor, que está localizado em um olival.

Depois de uma trégua, os bombardeiros e os tiros de metralhadora voltam a retumbar mais e melhor, pelas 14:30. O ataque das forças aéreas tem, desta vez, por objetivo a Canéia, que não se encontra longe. Durante várias horas os aviões fazem evoluções incessantemente sobre nossas cabeças, alguns a tão pouca altura que podemos ver, num instante, o rosto do piloto por detrás do pára-brisa da sua carlinga. As balas de metralhadoras silvam por todos os lados, crivando o solo ou cravando-se, com um ruído surdo, nos troncos das árvores.

Fervemos de raiva ao ver a tranquila indolência com que os atacantes realizam sua operação; consideram-na como um jogo infantil e gozam perversamente com ela. Em vez de lançarem as suas bombas e regressarem logo às suas bases, como os italianos na Líbia, demoram nas nossas próprias barbas, traçando círculos no céu…

Entretanto, caído no solo, contra o qual me aperto o mais que posso, fui escavando a terra mole com as mãos e os bicos dos meus sapatos até ficar enterrado no chão.

Cerca das 16:30, produz-se uma brusca trégua e observamos, com alívio, que todos os aviões se dirigem ao norte. Mas, dentro de poucos minutos, o ar estremece com um zumbido surdo; quase imediatamente surge uma nova onda de aviões – e voltamos ao inferno. O ataque prolonga-se por muito tempo e deixa-nos totalmente atordoados, quando, por fim, cai a noite; só então o inimigo nos concede uma trégua verdadeira. Verifico se há vítimas, mas, apesar de tanto estrondo, só dois homens foram feridos ligeiramente com uns arranhões – e não houve um morto sequer.

Principia a clarear e, às 6:30 em ponto, ouvimos ao longe o bem conhecido zumbido que, pouco a pouco, vai crescendo de intensidade até encher todo o céu; e mais uma vez recomeça aquele silvo infernal. O Comandante Murray convida-me para o café da manhã com ele em seu QG. Informam-me que desceram paraquedistas exatamente a oeste de nossa posição, e se dirigem para nós.

Uns cinquenta ou sessenta civis – todos os que possuem uma espingarda – recebem ordens de se manter em guarda e disparar sobre qualquer inimigo que apareça. Mas não surge um só alemão. De repente chega-nos o eco de uma dupla e violenta explosão; dois relâmpagos vermelhos iluminam o céu, enquanto se levanta uma coluna de fumaça negra. Outras explosões se seguem, acompanhadas igualmente de idênticos penachos, até que ficamos isolados a oeste e sudoeste por uma negra e gigantesca muralha de fumaça. Acabam, evidentemente, de ir pelos ares um ou vários depósitos de gasolina e o vento empurra, na nossa direção, a fumaça. Forma a princípio como que um dossel, tão espesso e gigantesco que nos mergulha em uma penumbra. Depois vai baixando até o chão em ondas sucessivas, envolvendo-nos numa névoa nauseante, suficientemente grossa em alguns pontos para deixar a visibilidade reduzida a poucos metros de distância. Penso que devem ter sido assim os últimos dias de Pompéia. Há momentos em que realmente me sinto em perigo de morrer asfixiado, de tal maneira a fumaça se agarra à minha garganta.

Enquanto nos afogamos nesta fumarada, chega um mensageiro a cavalo anunciando-nos que os alemães prosseguem no seu avanço, protegidos pela fumaça, e lançando mais paraquedistas. Devemos estar, portanto, duplamente alertados. Ao chegar a noite, o incêndio não pode ser dominado em toda a parte e alguns depósitos continuam pegando fogo. Os aviões inimigo afastam-se, como na noite anterior, mal cai a noite.

No dia seguinte de manhã, a 22 de maio, o Comandante Murray recebe ordens de conduzir seus homens para Chikalaria, junto ao casario situado no planalto, por detrás de Suda. É um povoado encantador que tem uns 500 habitantes, no flanco norte de uma colina, a dois quilômetros a noroeste de Suda.

Os seus habitantes não se mexeram. A vida desenrola-se ali de maneira quase normal. As mulheres vão à fonte para encher seus cântaros ou dedicam-se às suas tradicionais conversas de comadres. É surpreendente a calma com que estes pequenos povoados suportam o estrondo que sobe do vale. Dir-se-ia considerar isso tudo como as manifestações de um mundo tão diferente do seu que em nada lhes diz respeito. Ou procuram, talvez, como o avestruz, fugir da realidade. A sua aldeia não foi bombardeada ainda; para que antecipar as preocupações? Elas certamente virão a seu tempo.

A primeira noite que passo em Chikalaria é relativamente tranqüila, mas, a 24 de maio, pouco depois de o Sol se levantar, começa a sessão habitual. Um camponês vem correndo me buscar e conta que um civil fora ferido por uma bala de metralhadora. Leva-me a uma gruta calcária situada um pouco mais acima, na colina, onde estão escondidos uns trinta habitantes de Suda: homens, mulheres e crianças, apertados uns contra os outros e vivendo em condições totalmente insalubres. Refugiaram-se ali com medo dos bombardeios e apenas trouxeram algumas mantas e utensílios de cozinha que usam em comum.

O ferido é um homem de sessenta anos. A bala de metralhadora atravessou-lhe o cano de uma bota, mas felizmente a ferida só requer um bom curativo. Além do mais, aceita o seu caso com muita filosofia. Conta que fez as duas guerras dos Balcãs, a guerra de 1914-1918 na Rússia e na Ásia Menor, e que já foi ferido duas vezes. Não parece sentir muito entusiasmo pelo General Metaxas, o ditador grego. Eis, mais ou menos, os termos em que expressa sua opinião:

– Nós, os cretenses, sempre tivemos o costume de andar armados. Cada um de nós possuía uma espingarda e cuidava dela mais do que das meninas dos seus olhos. E esse velho porco do Metaxas, receando que nos revoltássemos contra sua ditadura, decreta, da noite para o dia, que é um crime possuir armas de fogo! Veja agora o senhor o resultado. Atacam-nos em nossa própria terra, nas nossas próprias casas e nem sequer temos com o que nos defender. Se ao menos tivéssemos nossas espingardas, juro-lhe que esses porcos dos alemães já teriam sido empurrados para o mar.

Todos os companheiros aprovaram calorosamente este ato de fé. Mais tarde os oficiais britânicos me confirmaram que os naturais de Creta resistiram ferozmente ao invasor, infringindo-lhes graves perdas, tanto durante a batalha propriamente dita, como depois. Por toda a parte as autoridades britânicas ou gregas foram assediadas por cretenses que reclamavam armas.

Os alemães começaram a lançar grande quantidade de panfletos sobre a ilha. Tive a oportunidade de examinar alguns. Estão redigidos em inglês e grego e neles o Alto-Comando alemão diz que a população local fez crueldades contra suas tropas aerotransportadas, chegando inclusive a matar alguns paraquedistas; acrescenta que a população se expõe a toda espécie de represálias no caso de tais incidente se repetirem. Aos olhos de um alemão, o maior crime da sua vítima é ousar defender-se…

Fonte: Grandes Crônicas da Segunda Guerra – Théodore Stéphanides – Seleções

Bunker – As Fortificações do Dia D e Outras

 A propaganda alemã divulgou a ideia de que havia construído uma barreira intransponível no litoral de toda a França iniciando na fronteira com a Espanha até a Noruega, dando-lhe o nome de Muralha do Atlântico. Durante os anos de 1942/1943 o sentimento de inexorável aumentou quando no segundo semestre de 1942 uma tentativa de desembarque em Dieppe na França foi violentamente repelida pelas unidades alemãs ali dispostas. A propaganda exultava em relação as grandes unidades de artilharia de costa disponíveis em toda a extensão da Muralha, bem como o contingente de um milhão de soldados prontos para serem colocado em ação em caso de um desembarque.

 Entre as concepções de guerra estática estavam bunkers interligados e fortes o suficiente para resistirem a grandes ataques aéreos e dos fogos de artilharia vindo do mar. Essas fortificações interligadas entre si por túneis e vielas, se estendiam por toda a costa até os grandes centros urbanos e locais mais afastados, onde a artilharia alemã poderia atacar com certa segurança os possíveis desembarques.

 No início de 1944, o Marechal de Campo Erwin Rommel, nomeado para a repelir uma possível investida aliada, realizou uma visita por toda a extensão da Muralha do Atlântico, constatando “inexorável” era mais um pomposo adjetivo de propaganda do que algo realmente real. E a partir de sua visita melhorias nas fortificações e nos dispositivos de defesa foram realizados para concretizar sua frase que caracterizaria o dia da invasão como “O MAIS LONGO DOS DIAS”.

 Segue abaixo uma demonstração dos Bunkers erguidos pelos alemães. Na verdade arguidos pelos nativos por ordem dos alemães

Dunquerque – Cronologia de Uma Fuga

1940 – 20 de Março

                Churchill pede ao Almirantado para preparar uma frota de embarcações adequadas para a evacuação da BEF da costa francesa. Em Paris, o General Maxime Weygand assume o posto de General Maurice-Gustave Gamelin como supremo comandante das forças Aliadas na França.

 24 de maio

             Hitler ordena que as forças Panzer não ultrapassem a linha de Lens-Béthune-St Omer-Gravelines. As razões para o impedimento não são claras, mas de qualquer forma isto dá um tempo precioso para que as tropas inglesas e francesas retiradas de Dunkirk alcancem a costa.

             A Luftwaffe inicia um intenso bombardeio contras as posições Aliadas nas imediações de Dunkirk, esse bombardeio permaneceria até 4 de junho, contudo perdem mais de 200 aviões para a RAF que chega de surdina pelo sul da Inglaterra.

 25 maio

Hitler reverte a ordem de parar, mas a demora fez com que as forças alemãs não pudessem chegar a Dunkirk antes da retirada Aliada. Às 18h57, a Operação Dínamo, a evacuação das forças inglesas de Dunkirk, começa oficialmente. Mais de 850 barcos ingleses civis participam, levando os soldados da beira da praia até os navios da Marinha que ficam à espera no mar, ou carregando os soldados eles mesmos até o Reino Unido.

28 de maio

             O Exército belga que protegia o flanco direito dos Aliados se rende diante da investida do 18º e 16º Exércitos da Alemanha. A Bélgica foi derrotada em apenas 18 dias, embora sua ação tenha dados aos Aliados a oportunidade de escapar. No final do dia 28, 25.473 soldados ingleses tinham sido evacuados.

 29 maio

            Mais 47 mil soldados aliados evacuam das praias de Dinkirk. O número inclui 6 mil soldados franceses.

31 maio

150 mil soldados aliados – incluindo 15 mil franceses – são transportados para o Reino Unido.

1º de junho

A defesa do perímetro de Dunkirk passa para o XVI Corps francês.

4 de junho

            A Operação Dínamo é encerrada oficialmente. No total, 338.226 soldados Aliados foram resgatados e salvos de aprisionamento ou morte nas mãos das forças alemãs. No total, estão incluso 113 mil franceses. Cerca de 40 mil soldados franceses, entretanto tornaram-se prisioneiros de guerra quando as tropas alemãs tomaram Dunkirk.

5 de junho

            A Operação Vermelha alemã tem início – o objetivo final é quebrar a resistência francesa ao longo dos rios Somme, Seine, Aisne e Moselle e seguir até Paris. Em 12 de junho, o exército alemão Grupo B, comandado pelo General Gerd Von Rundstedt que as defesas francesas.

10 a 25 de junho

            Os Aliados conduzem mais operações de evacuações ao longo da costa francesa. Antes de 15 de junho, as evacuações são concentradas nos portos do norte, tais como Le Havre e St. Valery, mas no lançamento da Operação Ariel no dia 15, portos do sul em Biscay também são usados. Perto de 250 mil soldados Aliados são resgatados durante essas operações.

14 de junho

            As forças alemãs entram em Paris, depois da cidade ter sido declarada cidade livre. As defesas francesas através do país entram em colapso com a ofensiva final alemã.

22 de junho

O General francês Charles Huntzinger assina um armistício de acordo com os alemães. A humilhação é maior para os franceses por ter de assinar um armistício na mesma ferrovia de transporte usada para a assinatura da rendição alemã no final da Grande Guerra.

Eventos Internacionais

22 de maio

            Decifradores ingleses de códigos, trabalhando em Bletchley Park, quebram o código “Vermelho” da Luftwaffe da máquina de codificar Enigma. Eles conseguiram isso usando um instrumento de computar mecânico, conhecido como “Bombe”.

26 maio

O governo inglês começa a requisitar sobras e restos de metal para serem utilizados pela indústria bélica.

10 de junho

            A Itália declara guerra à Inglaterra e França. Mussoline declara: “Tomamos partido contra as democracias plutocráticas e reacionárias que têm bloqueado a marcha e frenquentemente tramado contra a existência do povo italiano”.

11 de junho

A Ilha de Malta experimenta sei primeiro ataque aéreo alemão, iniciando uma das campanhas de bombardeio mais fortes de guerra.

12 de junho

A Royal Air Force bombardeia Milão e Gênova, em resposta a Declaração de Guerra da Itália contra Inglaterra e França.

14 de junho

Na Polônia, o campo de concentração de Auschwitz recebe seus primeiros internos, 728 prisioneiros de Tarnow.

20 de junho

            No extremo oriente, o Japão adverte os governantes franceses da Indochina contra o apoio dado a ações anti-japão realizadas pelo governo da China Nacionalista em Chungking.

%d blogueiros gostam disto: