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Archive for the ‘História’ Category

27 de Setembro de 2014 – Um Dia Memorável!!

Pernambuco sempre se orgulhou de seu passado de lutas. Não por acaso, a célula inicial dos preceitos pátrios de nosso País tem sua origem nas “terras dos altos coqueiros”, com expulsão dos flamengos nas memoráveis Batalhas dos Guararapes de 1648. Este mesmo ímpeto de luta e senso de justiça social retorna nas revoluções de 1817 e 1824, com objetivos de formar uma nova nação, um novo País, sendo um dos primeiros movimentos separatista a declarar independência do Império que se formava.  Esse é o povo pernambucano, sempre disposto a lutar por sua terra e defender sua gente.

Em 1943, quando na formação da Força Expedicionária Brasileira, divisão militar que iria ser enviada para o Teatro de Guerra, nosso Estado contribuiu com 681 militares pernambucanos compondo a Divisão do General  Mascarenhas de Morais. E eles lutaram bravamente. Infelizmente 13 perecerem em combate ou em decorrência da guerra.

Infelizmente, assim como todos os outros soldados da Força Expedicionária Brasileira, o esquecimento foi o flagelo que a política impôs a geração que lutou na Itália. Os 13 pernambucanos mortos na Itália, não teriam seus nomes assemelhados aos nomes como Felipe Camarão, Fernandes Vieira ou Frei Caneca, seus nomes estavam destinados ao esquecimento, estavam…

No meio do mar do esquecimento eis que surge uma lâmpada de esperança para o Brasil. Desde 2010 a Associação Nacional dos Veteranos da Força Expedicionária Brasileira (ANVFEB-PE) vem estruturando um projeto de reforma e destaque do único memorial para os pernambucanos que morreram na campanha da Itália. Esse monumento foi inaugurado em 1971 no Parque 13 de maio, no centro do Recife, na gestão do Prefeito Geraldo Magalhães. Década depois, não havia qualquer referência ao monumento, anos de abandono e descaso. As placas que foram afixadas por ocasião da inauguração inexistem, e ninguém da administração pública sabia informar do que se tratava. Realizamos um projeto de resgate histórico e, com o apoio irrestrito do Comando Militar do Nordeste, a Prefeitura do Recife entrou no processo de restruturação do monumento.

Hoje, 27 de setembro de 2014, os mesmos veteranos que participaram da inauguração em 1971, puderam presenciar em vida a lembrança dos companheiros que tombaram na guerra que insistimos em esquecer.

Que outros 27 de setembro cheguem para iluminar nosso povo e nossa passado, para um futuro que possa sempre valorizar as gerações que viveram e morreram por nossa terra.

NATAL, TRAMPOLIM DA VITÓRIA: UMA AULA DE CIDADANIA HISTÓRICA – FUNDAÇÃO RAMPA

Muitos textos e artigos foram publicados aqui no BLOG para expressar a indignação quando o abandono histórico que o Brasil relega sua participação na Segunda Guerra Mundial. Infelizmente, nenhum é tão gritante quando a completa ausência de informações sobre o que americanos consideravam ser o “Trampolim da Vitória”.  A bela cidade de Natal figura como a cidade que mais sentia os efeitos da guerra, simplesmente pelo fato dela ser a principal rota aérea para apoio e suprimento das operações ocorridas em todo Teatro do Mediterrâneo que sustentavam os bombardeios ao sul da Alemanha, além de operações do Pacífico. Era a maior Base Aérea Americana fora  dos Estados Unidos, por isso, a importância das operações do Pernamirim Field serem consideradas como cruciais para o esforço de guerra dos Aliados.

Os impactos sociais com a presença de centenas de americanos mudou a cara da cidade de Natal e transformou a vida de milhares de cidadãos. Para aqueles americanos, vivenciar as terras tropicais durante a guerra foi a melhor experiência que se poderia ter em um conflito de sofrimento humano inenarrável.

Tudo ficou em um passado obscuro e sem qualquer tipo de ligação com o presente. Não há mais paralelo histórico que possa trazer à luz a riqueza e importância da presença dos Aliados no importantíssimo e estratégico Saliente do Nordeste, exceto pela batalha individual de heróis contemporâneos como Augusto Maranhão e Marcos Sedin, aliando esforços para manter a História de sua cidade com a Fundação Rampa.

Aos Diretores da Fundação Rampa, nossa humilde continência.

http://www.fundacaorampa.com.br

 O Tenente Mário Messias, secretário da Associação Nacional dos Veteranos da FEB/Regional Pernambuco, enviou um conjunto de fotografias que orgulharia qualquer pesquisador. São fotos de Ivan Dmitri/Michael Ochs Archives / Getty Images.

Recife e Seus Estrangeiros na Segunda Guerra Mundial

 Enquanto Natal recebia um contingente considerável de americanos, por ser uma impontante via aérea para os Aliados, Recife serviu de Base para 4ª Frota Naval, responsável pelas Operações Marítimas de defesa e escolta de comboios no Teatro de Operações do Atlântico Sul durante todo o decurso da guerra. O Governo de Agamenon Magalhães cedeu um edifício comercial, recém construído, para acomodar todo o QG da 4ª Frota Naval.

 Os pernambucanos viram chegar a sua, ainda provinciana capital, centenas de estrangeiros que estavam em trânsito ou estacionados em Recife. Eles participavam da vida social e eram incetivados a desfrutarem da hospitalidade pernambucana. Restaurantes importantes a época, como o Restaurante Leite, recebia marinheiros prontos a se alegrarem e a gasteram seus doláres na companhia das pernambucanas. Essa quantidade de dinheiro estrangeiro circulando, causou um inflacionamento de vários produtos e serviços, como por exemplo, os preços dos aluguéis aumentaram consideravelmente, principalmente em pensões próximos ao Porto do Recife. Outra curiosidade é que os bares e prostíbulos locais, tinham dois cardápios, um em inglês e outro em português, alguns mais refinados e exigentes não mais aceitavam “locais” como clientes, atendiam apenas a estrangeiros e só recebiam em moedas estrangeiras.

 A 4ª Frota permaneceu em atividade até 1946, quando foi desativada, e com isso, o comércio nos arredores do Porto do Recife entrou em declínio e por muitas décadas foi conhecido por ser o maior centro de prostituição do Estado, com alto índice de criminalidade. Na década de 90 foi reestruturada e recebeu incentivos para se transformar em um Polo de Tecnologia do país e receber várias empresas de tecnologia, formando o Porto Digital.

 Os impactos sociais e econômicos da presença dos estrageiros ainda deve ser objeto de estudo, pois Recife deixou de ter a influência francesa, para ser uma cidade que respirava a cultura americana, passando a se despedir com um BYE!

Pernambuco: Guerra no Mar, no Ar e nas Ruas.

A história da atuação dos nazistas no Nordeste traz grupos que se reuniam uniformizados, espiões que atuavam na Base Americana em Natal e partidários que tentaram viabilizar uma rádio de ondas curtas em Pernambuco.
Quando estoura a 2ª Guerra Mundial, no dia 1º de Setembro de 1939, Mussolini tem mais adeptos em Pernambuco do que Hitler. Em parte, graças à propaganda que o consulado italiano vinha fazendo desde a década de 1920, quando o “Duce“ assumiu o poder. Além disso, o fascismo conta com muitos simpatizantes entre os integralistas que, um ano antes, tentaram assassinar o presidente Getulio Vargas e sua família, no Palácio Guanabara, no Rio de Janeiro. Os italianos são mais presentes em várias atividades: comércio, mecânica leve, funilaria, música e na fabricação de alimentos e refrigerantes (a Fratelli Vita, na Boa Vista, que foi depredada em Agosto de 1942), depois do afundamento dos navios mercantes brasileiros.
A colônia alemã era menor, porém mais influente, especialmente nos meios industriais e, a propaganda alemã também foi mais eficiente, especialmente após a ascensão do Nazismo – que adotou um tom anticomunista: “ A Segunda Guerra Mundial empolgou a população de Pernambuco que logo se dividiu entre partidários do Eixo e dos Aliados. No Recife, havia uma velha tradição de admiração pela Alemanha em que Tobias Barreto introduziu o germanismo no Estado, o que era reforçado pela admiração que muitas pessoas tinham pela decantada inteligência, competência e dedicação ao trabalho do povo alemão, herdada da Primeira Guerra Mundial. Esta colônia era expressiva sobretudo nos meios industriais e, esta admiração aumentou na década de 1930, quando o Consulado alemão fez uma intensa divulgação entre os estudantes e profissionais, da propaganda contra o comunismo russo, procurando amedrontar a população com a hipótese de os comunistas um dia chegarem ao poder no Brasil”(Manuel Correia de Andrade – em Pernambuco Imortal).
O Partido Nazista existiu em Pernambuco, entre meados da década de 30 até Getúlio Vargas proibir [partidos estrangeiros em 1937]. Até o momento, os nazistas nunca precisaram agir na clandestinidade: seus integrantes, na maioria absoluta eram funcionários da Fábrica Lundgren, na cidade de Paulista, que iam às reuniões uniformizados(inclusive com a braçadeira com a suástica), e até assinavam atas. Não foi apenas em Pernambuco que os Nazistas foram ativos, pois haviam núcleos importantes em outros estados – Paraná, Santa Catarina, São Paulo, Rio de Janeiro e Minas Gerais, sendo que estas representações foram criadas por Hans Hanning Von Consul, que era oficialmente adido cultural na Embaixada da Alemanha no Brasil.

Foram ao todo 83 células com 2.822 militantes, o maior número de filiados ao Partido nazista fora da Alemanha (os Landesgruppe). Estes militantes, mesmo depois da proibição de fazer política, continuaram na ativa, tanto na espionagem como na propaganda. O Recife interessava à espionagem por causa do movimento do Porto, que passa a ser base da 4ª Frota Naval Americana e, da proximidade com a base aérea de Natal, montada pela Força Aérea Americana.
Uma parte considerável da história da atuação dos nazistas no Nordeste está nos arquivos do extinto DOPS (Departamento de Polícia Política e Social de Pernambuco). Este órgão, depois que o Brasil entrou na guerra ao lado, entre outros da União Soviética, pararam de caçar comunistas, para caçar nazistas e fascistas. Uma das maiores descobertas nestes arquivos foi feitas pela historiadora Susan Lewis, foi que houve na cidade de Igarassu, durante a 2ª Guerra Mundial, um campo de confinamento, para onde foram mandadas, cerca de 400 famílias de alemães e japoneses, mas em condições que em nada lembravam os campos de extermínio nazistas, onde foram executados milhões prisioneiros, a maioria judia.
Até o final da guerra, em todo o país, foram presos 47 espiões, todos condenados pelo Tribunal de Segurança do Estado Novo e, em Recife o DOPS teve muito trabalho com espiões alemães, inclusive dois processos – ambos assinados pelo delegado Pedro Corrêa, sendo um de espionagem e outro por propaganda, que ilustram bem a situação que aqui se passava.
O processo por propaganda indiciou Evaldo Stalleiken, que, se hoje fosse vivo seria considerado um designer de primeira: ele fez o desenho da carteira de cigarros Nacionaes, de modo que a junção de 4 carteiras, formava a suástica e, as mesmas postas em outra posição, formavam a Cruz de Ferro, uma das maiores condecorações do Exército Alemão. Ao ser chamado pelo delegado para se explicar, ele disse que fez o desenho de múltipla utilidade sem querer…

O segundo inquérito, referente à espionagem, foi sobre a tentativa de montar uma rádio de ondas curtas, para aproveitar a posição geográfica do saliente nordestino, chamado de Trampolim do Atlântico Sul, que acusou Hans Heinrich Sirvet e Herbert Friedich Julius Von Heyer, que ofereceram dinheiro para que o técnico Walter Grapetim faça as instalações desta rádio, que já estava montada. O técnico Grapetim, procurou o alemão Oscar Shiler, responsável pela parte técnica da Rádio Clube de Pernambuco, que o aconselha a “não se meter em tal assunto”, que foi seguido à risca por ele.

Artigo enviado pelo Pesquisador Rigberto de Souza Júnior

Texto extraído da “Revista Continente Documento Ano III nº 33/2005”

Recife Precisa de Respeito!

Sou recifense. Cresci e testemunhei as mudanças de minha cidade. Presenciei o quanto ela teima, quase que naturalmente, a se manter bela, mesmo com a insistência de alguns governantes em “modernizá-la”, ignorando seus contornos acolhedores. Recife é muito maior que as expressões culturais, ricas expressões, diga-se de passagem. Ela brilha não apenas no Carnaval. Ela brilha o ano inteiro. Cidade que tem em sua história a pluralidade de nomes, de Maurícia; dos mascates; dos arrecifes, são as provais irrefutáveis das transformações de nossa cidade. Apesar do tempo, nunca deixou de lado seu belo jeito de cidade elegante e acolhedora.

De certo, muitos irão pensar e refletir sobre seus problemas; de certo que eles existem. Mas qual o grande centro que não os tem?  O verdadeiro filho dessa Terra enxerga a cidade como se olhasse para a mulher amada, pois pensa que suas qualidades são o suficiente para fazê-lo esquecer de qualquer defeito. O coração sempre bate mais forte quando estamos olhando para ela.

Portanto, políticos e homens públicos, respeitem esta cidade!

Quando a Estupidez Humana Alcança as Crianças

Quando o fim da guerra chegou na Alemanha, as forças soviéticas que atacam implacavelmente Berlim desde 21 de abril de 1945 tinham uma missão: achar Hitler, vivo ou morto! Todos queriam os louros de encontrá-lo. Finalmente encontraram o bunker onde ele se protegeu desde o início da ofensiva contra a capital alemã, mas não foi possível, pelo menos no primeiro momento, encontrar o corpo do ditador. Infelizmente, uma triste imagem chocou aqueles soldados cansados de presenciarem o horror da guerra. Os corpos de seis crianças, intactas em suas camas, como se estivessem dormindo. Era os filhos de Joseph e Marta Goebbels. Em um último ato de extrema estupidez Marta e o marido, envenenaram todas os seus filhos enquanto eles dormiam.. Cometeram suicídio depois. Uma cena horrível, mesmo no meio daquele caótico mundo. As crianças Helga Susanne, Hildegard, Helmut Christian, Hedwig Johanna, Holdine Kathrin e Heidrun Elisabeth, todas entre 04 e 13 anos de idade. Essa bestialidade foi confessada por Magda, não fazia sentido os filhos viverem em um mundo que não fosse o nacional-socialismo, declarou poucas horas antes.

Na semana e que o Brasil comemora o Dia das Crianças, que possamos refletir sobre as crianças levadas pela estupidez, brutalidade, imbecialidade  humana quando, ao invés de protegermos as crianças, somos agentes de suas desgraças.

O Dia da Vitória – Mais Uma Reflexão

No último dia 08 comemoramos o Dia da Vitória. Depois de 68 anos parece algo tão distante para o povo brasileiro quanto qualquer outro evento perdido no tempo e no espaço. Em Pernambuco a Associação Nacional dos Veteranos da Força Expedicionária Brasileira se fez representar com quatro veteranos da FEB. Participamos do evento com o Grupamento Histórico Aspirante Francisco Mega. Uma simples, mas significante formatura na 7ª Região Militar / 7ª Divisão de Exército. Em comum com a FEB, a 7ª RM/7ª DE foi comandada pelo General Mascarenhas de Morais no período de 1940 a 1943, do rompimento das relações diplomáticas com a Alemanha até a declaração de guerra.

Quando encerrou a formatura percebi um olhar triste da esposa de um Veterano, não me contive e perguntei se havia algum problema. Ela respondeu que não havia problema, mas que há alguns anos o desfile contava com dezenas de febianos, todos orgulhosos comemorando o Dia da Vitória, e, hoje, apenas quatro desfilavam. Não respondi, apenas concordei com a cabeça. Mas pensei, assim como o Dia da Vitória vai ficando no passado pela consecução dos dias, a vida segue o mesmo rumo, vai seguindo, como um rio segue seu curso, e muitos vão “desembarcando” para ficarem no passado. Muito embora suas vidas sejam motivo de orgulho para aqueles que entendem o sacrifício da geração que presenciou o Dia da Vitória naquele 08 de maio de 1945.

Pernambuco: Sua História Em Fotos

O povo atinge um alto grau de civilidade quando ele embasa suas ações nas experiências de sua história. Diferentemente, ainda há povos que não respeitam sua própria história, não se dignificam com o sacrifício de seus antepassados, e não vislumbram honrar a memória daqueles que forjaram a nação.

O Brasil ainda não atingiu esse grau de civilidade, ainda não deu provas cabais de que realmente se importa com seu passado, ainda não aprendeu com seus erros.

Pernambuco nasceu a partir da experiência das Capitanias Hereditárias e permeou a História do Brasil em todas as suas fases. Foi invadida no século XVII e sua insurreição deu origem ao Exército Brasileiro, na pragmática Batalha dos Guararapes, em 17 de abril de 19 de abril de 1648, e foi partícipe de todas as demais sublevações do Brasil colônia a república.

Contudo, muitos dos seus habitantes não reconhecem o peso histórico do seu Estado, não reconhecem o importante papel de suas cidades, da “Veneza Brasileira”, se é que alguém sabe o que é a “Veneza Brasileira”.

Mas isso não é apenas culpa dessa geração, isso já vem sendo enraizado na cultura política e cultural dos pernambucanos há década e décadas. Monumentos históricos foram destruídos, casas centenárias são derrubadas, cenários históricos são invadidas ou saqueadas. Portal de Santo Antônio, Arco da Conceição e tantos outros monumentos foram, simplesmente, derrubados, para a construção de uma cidade moderna, se é que para ser moderna é preciso esquecer seu passado.

Crédito: Gustavo Arruda

Então vamos imagina um pouco de Pernambuco à antiga:

Major John Buyers Visita a ANVFEB-PE

A Associação Nacional dos Veteranos da Força Expedicionária Brasileira – Regional Pernambuco recebeu a visita do Major Jonh W. Buyers. O veterano da Força Aérea Americana, integrante do 350th Fighter Group, no Teatro de Operações do Mediterrâneo foi o Oficial de Ligação do 1º Grupo de Caça Brasileiro – Senta Pua!

Foi uma honra para os Veteranos e colaboradores da ANVFEB-PE, receber uma lenda viva da trajetória da Força Aérea Brasileira nos campos de Batalha da Itália, sendo testemunha da coragem do aviador brasileiro. Integrante da USFA falou das dificuldades da guerra e de suas experiências pessoais, sempre conversando com os mais jovens, nos agraciou com informações preciosas que não constam em livros, mas apenas nos testemunhos daqueles que fizeram parte desse conflito. Confidenciou que teve o privilégio de conhecer pessoalmente dois grandes brasileiros, o Comandante da Força Expedicionária Brasileira, Marechal Mascarenhas de Morais, e o “Pai da Aviação”, Santos Dumont. Ao contar como conheceu nosso Santos Dumont , se emocionou, e com os olhos cheios de lágrimas, declarou: “Tenho muito orgulho de ter conhecido esse homem!”.

O Major Buyers criou raízes profundas com nosso país, estando neste momento de passagem por Pernambuco. Por isso, a oportunidade de encontra-lo é motivo de orgulho, pois a memória e a bravura de uma geração não podem ser largada ao esquecimento.

Sequência de um Ataque Antiaéreo Alemão Contra Paraquedistas!

Quando li a primeira vez a obra de Stephen E. Ambrose, O Dia D, fiquei fascinado por sua descrição no capítulo que abordava as Operações Aerotransportadas. Logo no início, ele já avisa que não há registro fotográfico dos saltos no território francês. Contudo, o relato das baterias antiaéreas abrindo fogo contra os Dakotas, que tentavam desviar dos tiros traçantes aumentando ou diminuído a altitude e tornando o salto dos paraquedistas um verdadeiro inferno. Isso aguçava a imaginação.

Já na Operação Market Garden houve sim registro fotográfico, mas são poucos os registros do lado alemão das operações antiaéreas contra as tropas aliadas. Por isso, o registro fotográfico abaixo é extremamente importante para termos noção como as baterias antiaéreas alemãs atuavam contra uma invasão do porte da Market Garden.

Bombardeio Sobre Tóquio: Triste e Esquecido – Parte II

PARTE 2

Em 1937, quando o Japão bombardeou “homens, mulheres e crianças indefesas” nas cidades chinesas, Franklin Roosevelt, presidente dos EUA, chamou tal ação como “cruel” e disse que “era repugnante aos corações de cada homem e mulher civilizados.” Em 1939, a Alemanha chocou o mundo ao bombardear Varsóvia. Então, em 1940, a Luftwaffe bombardeou Roterdã, Londres e Coventry. Roosevelt “de novo apelou que todos os lados evitassem o bombardeamento de civis e continuou ‘lembrando com orgulho que os Estados Unidos continuamente tem assumido a liderança no desejo de que tal prática inumana seja proibida’.” O Ministério de Relações Exteriores britânico condenou tais “métodos inumanos usados pela Alemanha em outros países” e declarou que “O Governo de Sua Majestade deixa bem claro que não faz parte de sua política bombardear alvos não-militares, independente de qual seja a política do Governo Alemão.”

Mesmo assim, quando os americanos e os ingleses entraram na guerra aérea de forma integral, eles provaram ter poucos escrúpulos sobre a matança de civis alemães e japoneses.

Em 8 de julho de 1940, o primeiro-ministro Winston Churchill escreveu: “Quando eu olho em volta e vejo como podemos ganhar essa guerra, eu percebo que há apenas um caminho seguro e esse é o ataque completamente devastador e exterminador feito por bombardeiros pesados desse país contra a pátria nazista.” Apesar disso, a habilidade de uma aeronave viajar centenas de milhas por hora e localizar com precisão algo pequeno como uma fábrica ou depósitos de munição se provou impossível. “Um relatório arrepiante de agosto de 1941 mostrou que apenas uma bomba em cinco caiu a uma distância de um raio de cinco milhas (8 km) do alvo em questão.” Então, se a Real Força Aérea (Royal Air Force – RAF) não podia bombardear os alvos que queria, eles iriam bombardear aqueles que podia.

C O N T I N U A

Traduzido Por A.Reguenet

Na Guerra, Um Cigarro Era Tudo!

Na preparação para o Dia D, todos os soldados receberam um  maço de cigarros para consumo durante a Operação Overlord. Quando estava na fila para receber o seu material individual que acompanhava o tal maço, um dos soldados não quis receber seu maço.

 – Desculpe Sargento, mas eu não fumo – disse o soldado

O veterano Sargento da campanha da África, disse:

 – Filho, pegue o cigarro e leve com você, quando chegar do outro lado do Canal você estará fumando!

 O Soldado da 116 Ranges iria desembarcar no setor Dog Red na praia de Omaha.

Ao final daquele dia 06 de junho, o Soldado já tinha praticamente fumado todo o seu maço.

O cigarro e o cachimbo entrou para Rol das necessidades básicas do soldado na Segunda Guerra Mundial. Diferentemente de outros conflitos posteriores, tais como o Vietnã, onde o consumo de maconha era muito alto, na Segunda Guerra Mundial o cigarro era o único instrumento que visava relaxar o controle emocional para o soldado em campanha. Usado não apenas dos Aliados mais de todos os países envolvidos.

Foi a guerra do Lucky Strike

* Os malefícios do cigarro não eram totalmente conhecidos, pelo contrário, o cigarro era considerado agente que tranquilizava e relaxava os fumantes. Felizmente hoje sabemos da ação devastadora do uso do cigarro.

Wehrmacht : Da Glória da Vitória a Humilhação da Derrota

Em 1939, quando eclodiu a Segunda Guerra Mundial, o mundo estava prestes a testemunhar uma força militar jamais vista até aquele momento. As Forças Armadas da Alemanha estavam preparadas para confirmar uma teoria de combate que permitira vitórias esmagadoras sobre nações, que ainda tinham o pensamento combativo fincado nas trincheiras da Primeira Guerra Mundial.

A Wehrmacht foi uma máquina de guerra incomparável até 1943, quando Stalingrado provou que não existe Exército invencível. Depois desta batalha, a Alemanha jamais tomou a ofensiva.

Em 1945 o Exército do III Reich não era nem sobre do que fora anos antes. Milhões de vidas foram perdidas, excelentes soldados tinham perecidos nas campanhas e a Wehrmacht contava com garotos de 12 e 13 anos de idade em suas fileiras.

Quando derrotado, o soldado alemã mantinha a disciplina, marchava em forma sem qualquer tipo de rebeldia. Eles estavam cansados, eles só queriam voltar pra casa.

Bombardeio Sobre Tóquio: Triste e Esquecido

 Publicaremos mais uma série do excelente tradutor A. Raguenet (webkits) que também traduz a série de publicações: Rússia, 1941. Uma Guerra Sem Louros. Desta vez ele trabalha o livro Flyboys do autor James Bradley, que trata um assunto de extrema importância histórica, os bombardeios sobre a cidade de Tóquio que utilizavam B29 e arrasaram com a cidade. Vale a pena acompanhar:

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Amigos, traduzo aqui também um dos capítulos do livro Flyboys do autor James Bradley, mesmo autor do livro Flags of our Fathers.

O capítulo trata sobre o bombardeio incendiário da cidade de Tóquio entre a noite do dia 9 e a madrugada do dia 10 de março de 1945. Uma história de arrepiar.

PARTE 1

Na noite de 9 de março de 1945, foi possível ouvir sobre a ilha de Chichi Jima, pertencente ao mesmo arquipélago que Iwo Jima no Pacífico Sul, um som completamente diferente vindo da escuridão. Durante horas, um longo feixe de bombardeiros americanos B-29, 334 no total, voava em direção norte a uma baixa altitude. Geralmente os aviões voavam em pequenos grupos, mas dessa vez era diferente. O som concentrado dos motores cortava a noite avisando que havia algo fora do normal.

O médico japonês Mitsuyoshi Sasaki, lotado na ilha, disse: “Enquanto os aviões passavam por sobre nós para bombardear o Japão, os homens em Chichi Jima começaram a lembrar dos seus irmãos, irmãs e mães e sentiam como se aquele som fosse o de suas mortes.” O oficial Fumio Tamamura contou que “Nós enviamos mensagens por rádio para Tóquio de que os B-29 estavam a caminho. Nós sabíamos o que estava por vir.”

Mas na realidade, ninguém sabia. Ninguém podia imaginar o que aconteceria durante as horas daquela noite de 9 de março e nas primeiras horas da manhã do dia 10 de março. A maior carnificina de seres humanos na história do mundo estava para acontecer. A aeronave, a qual algumas décadas antes era apenas uma frágil junção de pedaços de madeira e que a maioria dos especialistas militares acreditava que nunca seria um fator decisivo na guerra, iria provar a todos como sendo uma das mais eficientes máquinas de matar da história.

C O N T I N U A

Fontes:

http://www.saladeguerra.com.br/2012/03/horror-esquecido-o-grande-bombardeio-de.html

Rússia, 1941. Uma Guerra Sem Louros – Parte XVI

Parte 16

Milhares de prisioneiros pereceram durante as marchas forçadas vindos do front, sendo os feridos os primeiros a sucumbirem. Mais para o final da campanha (Barbarossa), perto da cidade de Vyazma, tantos foram fuzilados que o comandante desta área na retaguarda ficou preocupado com o impacto junto à propaganda do inimigo. O 16º Exército (Alemão) instruiu às suas unidades em 31 de julho para que não transportassem os prisioneiros de guerras nos trens que vinham vazios do front devido ao receio de que poderia “contaminar e sujar” os vagões. A 18ª Divisão Panzer avisou às suas unidades em 17 de agosto de 1941 que não permitissem que prisioneiros de guerra contaminassem os veículos com piolhos. O Schütze Zeiser contou:

“Nós dávamos a eles tudo aquilo que sobrava. Havia ordens rigorosas para nunca dar a um prisioneiro qualquer comida, mas que se dane. Nós mal tínhamos para nós mesmos. O que nós dávamos era como uma gota d’água em um forno quente.”

As condições no início de novembro de 1941 poderiam ser descritas como catastróficas. A unidade de segurança de retaguarda, Korück 582, que apoiava o 9º Exército (Alemão), assumiu o Centro de Processamento de Prisioneiros 7 em Rzhev ao final do mês. Cada bloco de alojamento era composto por uma construção medindo 12 por 24 metros e que abrigava 450 prisioneiros. As doenças eram endêmicas porque havia apenas duas latrinas para 11.000 prisioneiros. Estes rapidamente acabaram por consumir toda a vegetação no perímetro marcado pelo arame farpado. Os prisioneiros subsistiam comendo cascas de árvores, folhas, grama e urtiga até que, ao final, foram relatados caso de canibalismo. Os cães de guarda recebiam 50 vezes mais comida do que um prisioneiros russo. A conseqüência inevitável foi o surto de tifo durante o outono de 1941. O Departamento de Saúde do Comissariado Geral da Rússia Branca (Weissruthenien), recomendou que todos os prisioneiros infectados fossem fuzilados. Esta foi rejeitada pelas autoridades responsáveis da Wehrmacht “baseado na quantidade de trabalho que isso acarreta.”.

Tais tratamentos não ocorriam sem implicações morais para os seus captores. Eles acentuavam a “desumanização” do inimigo o que tornava as execuções de tais excessos mais toleráveis. O soldado Roland Klemig explicou após a guerra:

“Nos disseram que os russos eram bolcheviques sub-humanos e que deviam ser eliminados. Mas quando vimos os primeiros prisioneiros de guerra percebemos que eles não eram sub-humanos. Quando os despachamos e, mais tarde, quando os utilizamos como Hiwis (ajudantes) vimos que eles eram como qualquer pessoa normal.”

C O N T I N U A

Traduzido Por A.Reguenet

Rússia, 1941. Uma Guerra Sem Louros – Parte XV

PARTE 15

Uma ordem do OKW datada em 8 de julho de 1941 com relação ao tratamento de prisioneiros de guerra preconizava que “as equipes médicas russas, bem como seus doutores e suprimentos médicos devem ser utilizados primeiramente” antes que o material alemão fosse requisitado. Os transportes da Wehrmacht não deveriam estar disponíveis. Duas semanas mais tarde, o OKH sancionou mais limitações de modo a “prevenir que a pátria sofra uma enxurrada de feridos russos.”. Apenas os prisioneiros levemente feridos e que ainda fossem capazes de andar depois de uma espera de quatro semanas é que teriam permissão para serem evacuados. Os remanescentes deveriam ser condicionados em “hospitais improvisados para os prisioneiros” administrados “essencialmente” por equipes russas usando “apenas” suprimentos médicos soviéticos. Tais diretivas eram obedecidas sem nenhum questionamento. A 18ª Divisão que fazia parte do 2º Panzergruppe do Generaloberst Guderian, ordenou que “sob nenhuma circunstância os prisioneiros russos deverão ser tratados, acomodados ou transportados juntamente com prisioneiros alemães. Eles deverão ser acondicionados em carroças ‘Panje’ (movidas a cavalo).”.

Os prisioneiros soviéticos capturados após as batalhas nos bolsões de resistência, estavam não apenas em estado de choque; muitos estavam feridos e machucados. Neste estágio inicial e sendo gratos por ainda estarem vivos, eles na maioria das vezes estavam tão exaustos e intimidados que não cogitavam a possibilidade de fugir. Estando em um nível tão baixo tanto em termos psicológicos quanto físicos, eles dependiam do sustento a partir de quem os tinha capturado. Era este fenômeno que fazia com que as enormes colunas de prisioneiros se mantivessem coesas. O tenente Hubert Becker, um apaixonado cinegrafista amador, filmou tais concentrações de prisioneiros e descreveu as imagens após a guerra:

“Eles foram reunidos em um vale e receberam tratamento para as feridas. As enfermeiras se moviam de um lado para outro. A maioria estava gravemente ferida e em um estado lamentável, moribundos devido à sede e resignados com o seu destino. A falta de água em um calor reluzente, seco e abrasador da estepe era terrível. Prisioneiros lutavam até mesmo por uma gota de água. Alguns deles, mantendo um sentimento forte de disciplina, evitavam que os mais saudáveis (aqueles que tinham as melhores condições para caminhar) não bebessem toda a água. Desse modo, aqueles que mais precisavam poderiam ainda pegar algumas das gotas que sobrassem. Estas pessoas estavam tão inertes e felizes por terem escapado do inferno que eles mal percebiam a minha câmera. Eles nem mesmo tinham me visto!”

Becker, ponderando ironicamente sobre o destino daquela multidão de humanos que enchia as suas lentes, admitiu que “o que afinal aconteceu com tantos e tantos soldados eu realmente não sei e é melhor que ninguém saiba.”. Alguns faziam o que podiam. Um médico trabalhando junto ao Ponto de Coleta do 9º Exército (9AG SSt) falou sobre “ilhas de humanidade dentro de um mar intransponível de miséria dos prisioneiros de guerra.”. Ninguém estava disposto a cooperar. Requisições de suprimentos, comida e remédios eram completamente ignorados. Em um campo perto de Uman em agosto de 1941, entre 15.000 e 20.000 prisioneiros soviéticos encontravam-se a céu aberto. O Schütze Benno Zeiser, vigiando este campo, deu uma ideia sobre o que tal negligência podia acarretar:

“Praticamente todos os dias homens morriam por fadiga. Outros levavam os seus mortos para o campo para enterrá-los lá. Eles carregavam os corpos em turnos e nunca pareciam estar ao mínimo emocionados pela situação. O cemitério do campo era muito grande; o número de homens sob o solo deveria ser bem maior do que o número dos que ainda estavam vivos.”.

C O N T I N U A

Traduzido Por A.Reguenet

Cão Pastor Alemão: O Mais Empregado da Segunda Guerra

Propagandeados como mensageiros, batedores e carregadores, serviram ao exército alemão na Primeira Guerra Mundial, chamando a atenção dos exércitos inimigos, que levaram alguns exemplares consigo ao fim da guerra.

Apesar do nome esse valente cão atuou em todos os exércitos da Segunda Guerra Mundial e em diversas missões, desde arma antitanque até soldado da Polícia do Exército. Essa raça proveniente do noroeste da Alemanha é também conhecida como lobo-da-alsácia.

Fontes:

pt.wikipedia.org/wiki/Pastor-alem%C3%A3o

http://www.dogtimes.com.br

Carnaval de 1945 e a Guerra pelo Carnaval!

 O Artigo abaixo foi retirado e adaptado da obra As Fornalhas de Março – História das Eleições no Recife – Volume 1, de Romildo Maia Leite – Edições Bagaço, 2002. Uma excelente e obrigatória leitura para aqueles que querem entender como a Segunda Guerra Mundial afetou o cotidiano do brasileiro, mas especificamente do recifense.

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Como se justificar que, nestes dias de dor, de luto e miséria para a humanidade, se leve a efeito a realização de um carnaval já condenado pela sadia opinião pública do país. Esse foi o protesto do jornal A Gazeta, um jornal católico conservador da cidade do Recife que circulou na década de 40.

Alguns jornais e personalidades da vida social pernambucana defendiam que o Carnaval de 1945 não se realizasse, alegando que o clima era de consternação pelos mortos no conflito, inclusive vidas brasileiras, que se arrastava há mais de cinco anos.  O rigor do protesto viria contra a festividade via em apoio a proibição do Chefe de Polícia do Distrito Federal (então na cidade do Rio de Janeiro), que proibia carnaval de rua, e apenas autorizava o carnaval em clubes e sem máscaras. O objetivo economizar gasolina e evitar a ação de agentes subversivos. Declara o Chefe de Polícia do Distrito Federal: “Os clubes de fechassem ao Frevo, pois se trata de uma dança muito violenta, que tem dado lugar a muitos incidentes”.

Em protesto, outras personalidades se levantaram em defesa da tradição da festa de rua mais popular do país. O jornalista Mário Melo em sua coluna no Jornal Pequeno, jornal tradicional da capital pernambucana, consolidou a defesa:

“Todos os anos, o inimigos do carnaval põem a máscara de fora, procurando pretexto que impeça e entretenimento popular. Um, o mais batido, já não provoca efeito: o carnaval tem suas origens no paganismo. No ano passado, não tínhamos soldados em guerra e não era possível fazer-se carnaval de rua, podendo, no entanto, ser permitido nos clubes. Traduzindo: a gente de colarinho branco e gravata, que bebe champanhe e gim, pode embriagar-se nos clubes, mas os pés raspados, que trabalham no duro, não!”

Muitos alegavam que não era certo que, não admitiam que o povo se atirasse no Frevo, enquanto no front de guerra nossos irmãos se batem denodadamente pela causa das Nações Unidas.

No dia 9 de janeiro de 1945, Mário Melo entra em um dos mais tradicionais Cafés do Recife com sua Crônica  do Jornal do Commercio, bate no balcão e grita: “Por acaso, e em qualquer canto, deixou de haver algum banquete ou recepção festiva às altas personalidades por motivo de guerra?”

Em seguida o Cônego Jerônimo Assumpção, Vigário da paróquia da Boa Vista escreve:

  – São Paulo, que é o Estado mais civilizado do país, está acabando com o carnaval: de ano para ano, cresce o ânimo das pessoas que dão as costas ao tumulto carnavalesco, procurando refúgio nos campos e nas praias. E a mesma coisa vem ocorrendo com a população carioca.

 

No dia 2 de fevereiro acabou a polêmica. A esquina do Lafayete presenciou o desmentido de que o carnaval era incompatível com a guerra. Ancorados no porto do Recife, Marinheiros do encouraçado São Paulo organizaram a troça Mimosas na Folia. E desfilam ruidosamente, cantando Carnaval da Vitória, de Nelson Rodrigues Ferreira e Sebastião Lopes.

 Pela primeira vez vestidos de mulher. Musculosos e atléticos, os marinheiros de guerra do Brasil introduziram no carnaval pernambucano um hábito até então absolutamente carioca.

 No porto da resistência democrática, ancoravam também frevo e povo. Alegres prostitutas, de braços dados com suados estivadores e marinheiros, desceram do cais.

No final sai nos principais jornais:

– Houve carnaval. A derrota do quinto-colunismo foi absoluta. Houve carnaval dos mais animados, o povo divertiu-se e está pronto para receber a notícia da derrota de Hitler…

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A galeria de fotos abaixo é de autoria do Pierre Verger de sua coleção do Carnaval de Pernambuco. É de 1947, mas não é muito diferente do Carnaval de Rua defendido por Mário Melo dois anos antes.

As fotos foram enviadas pelo poliglota, pesquisador, historiador, atleta da voz e contador de causos, Tenente Silvio Mário Messias.

Serie: Causos de Brasileiros na Segunda Guerra Mundial – Parte II

 A pedidos. Vamos mais um vez contar alguns “causos” dos nossos pracinhas. Desta vez, fiz questão de incluir alguns casos que os pracinhas da Regional Pernambuco nos relataram através de depoimento. Alguns casos eu preservo os nomes já que o teor é um pouco…digamos…Forte!

Jeitinho Brasileiro

Quando a 10ª Divisão de Montanha se instalou próximo ao acampamento brasileiro, os nossos pracinhas começaram a sentir a falta de vários objetos de uso pessoal, uniformes e mantimentos. Então os soldados se reuniram e foram falar com o Comandante de Companhia, este, ouvindo as queixas prometeu entrar em contato com o pessoal da 10ª Divisão.

Então lá vai o Capitão brasileiro falar com o Capitão americano sobre os pequenos “desaparecimentos”.

O americano escutou atentamente as ponderações do brasileiro e no final, disse que não iria se preocupar com esse tipo de problema, que estava em zona de guerra, e que, para ele, isso era normal e não deveria ser uma censura para seus homens.

Retornando, o Comandante brasileiro reúne sua Companhia e diz o seguinte:

– Pessoal! Está tudo liberado! Nem o comando americano e nem o brasileiro irão punir qualquer tipo de conduta em relação aos furtos que acontecem entre nossas Unidades.

Algumas semanas depois o Capitão americano pede para falar com o brasileiro.

Pede desculpas pelo mal entendido e leva-o até o pátio onde há três caminhões carregados de todo tipo de objetos pessoais e mais outras coisas. E fala o seguinte:

– Entendemos que erramos quando não nos preocupamos com essa conduta, creio que essa carga supre todo o material desaparecido de sua tropa…Agora, veja se consegue restituir os 05 caminhões, 8 jeeps e um tanque da nossa Companhia.

Da noite para o dia as Companhias brasileiras apareciam com novos veículos com o Cruzeiro do Sul desenhado e tudo, inclusive alguns pracinhas juravam que tinham chegado do Rio de Janeiro de navio com eles desde o início da guerra.

Senha? P…Nenhuma!

O Comando americano sempre enviava senhas e contrassenhas em inglês, e o comando brasileiro, em operações em conjunto, tinha que manter as senhas. Na prática o pracinha não queria saber de senha, que passava a ser os xingamentos.

Conta o sargento Rigoberto do 2º Batalhão do 11º RI, Companhia anti-carros, que posteriormente foi revertida em companhia de fuzileiros. Estava em uma patrulha para detectar um corte na linha de transmissão da companhia. No caminho acabou chegando em  uma casinha, e se instalou por alguns instante ali. Quando viu um grupamento se aproximando, um dos soldados gritou – quem vem lá? A resposta veio da seguinte forma:

Tá me reconhecendo não Filho da p… Manda tua mãe pra cá! Seu filho da p…

Em resposta ele escuta:

 – Tu num tem mãe, pois mãe que manda o filho para a guerra é melhor parir um rolo de arame farpado!

 E assim nossos soldados iam se entendendo do jeito brasileiro de se comunicar!

Soldado de Engenharia que é “Pau pra toda Obra”

 Certa vez o soldado Geraldo recebeu uns dias de descanso em Florença e para lá seguiu. Chegando em um Hotel administrado pelos americanos, foi longo procurando um lugar onde tivesse algumas mulheres para desfrutar suas moedas de ocupação. O militar que o acomodou informou que, para manter a integridade física da tropa, ele tinha que escolher dentre as mulheres escaladas para esse tipo de atividade e que mandaria a escalada em um horário determinado.

Chegando no horário, uma bela senhoria passou a lhe fornecer informações importantes quanto a saúde sexual e sobre a discrição do seu trabalho. Fez recomendações quanto a limpeza e a sua identificação. Depois partiram para o ato sexual.

Ao final, a jovem pediu para que ele esperasse até que viesse um soldado para ajudá-lo no asseio. Mesmo estranhando, ele esperou! Chegou um enfermeiro que iniciou um processo de “higienização” de suas partes íntimas, acompanhado de um banho com produtos farmacológicos misturados na água.

Isso o deixou impressionado e feliz pelo tratamento VIP recebido.

Esse mesmo soldado, ao voltar para sua cidade, no interior de Minas, foi recebido com direito a banda de música, discurso em praça pública ao lado do prefeito e tudo que tinha direito.

Depois das festividades, ele recebeu um convite para ir à noite ao Bordel local. Evidentemente, o nosso vigoroso pracinha não baixou a guarda.

Ao chegar no “baixo meretrício”, a dona do Bordel deixou claro que seria tudo por conta da casa, mas ele tinha que discursar. E lá vai mais um vez nosso eloquente pracinha!

Segundo o próprio, o discurso pátrio no Bordel foi tão fervoroso que no outro dia pela manhã, todos na cidade sabiam o teor do discurso do nosso soldado.

Esse é nosso Veterano “pau para toda obra!”

Fotografias Mais Engraçadas e Sem Noção da Segunda Guerra: Voltando do Retorno!

 Segue mais uma série de fotos engraçadas e sem noção da Segunda Guerra.

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