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Archive for the ‘Pernambuco’ Category

Recife e Seus Estrangeiros na Segunda Guerra Mundial

 Enquanto Natal recebia um contingente considerável de americanos, por ser uma impontante via aérea para os Aliados, Recife serviu de Base para 4ª Frota Naval, responsável pelas Operações Marítimas de defesa e escolta de comboios no Teatro de Operações do Atlântico Sul durante todo o decurso da guerra. O Governo de Agamenon Magalhães cedeu um edifício comercial, recém construído, para acomodar todo o QG da 4ª Frota Naval.

 Os pernambucanos viram chegar a sua, ainda provinciana capital, centenas de estrangeiros que estavam em trânsito ou estacionados em Recife. Eles participavam da vida social e eram incetivados a desfrutarem da hospitalidade pernambucana. Restaurantes importantes a época, como o Restaurante Leite, recebia marinheiros prontos a se alegrarem e a gasteram seus doláres na companhia das pernambucanas. Essa quantidade de dinheiro estrangeiro circulando, causou um inflacionamento de vários produtos e serviços, como por exemplo, os preços dos aluguéis aumentaram consideravelmente, principalmente em pensões próximos ao Porto do Recife. Outra curiosidade é que os bares e prostíbulos locais, tinham dois cardápios, um em inglês e outro em português, alguns mais refinados e exigentes não mais aceitavam “locais” como clientes, atendiam apenas a estrangeiros e só recebiam em moedas estrangeiras.

 A 4ª Frota permaneceu em atividade até 1946, quando foi desativada, e com isso, o comércio nos arredores do Porto do Recife entrou em declínio e por muitas décadas foi conhecido por ser o maior centro de prostituição do Estado, com alto índice de criminalidade. Na década de 90 foi reestruturada e recebeu incentivos para se transformar em um Polo de Tecnologia do país e receber várias empresas de tecnologia, formando o Porto Digital.

 Os impactos sociais e econômicos da presença dos estrageiros ainda deve ser objeto de estudo, pois Recife deixou de ter a influência francesa, para ser uma cidade que respirava a cultura americana, passando a se despedir com um BYE!

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Pernambuco: Guerra no Mar, no Ar e nas Ruas.

A história da atuação dos nazistas no Nordeste traz grupos que se reuniam uniformizados, espiões que atuavam na Base Americana em Natal e partidários que tentaram viabilizar uma rádio de ondas curtas em Pernambuco.
Quando estoura a 2ª Guerra Mundial, no dia 1º de Setembro de 1939, Mussolini tem mais adeptos em Pernambuco do que Hitler. Em parte, graças à propaganda que o consulado italiano vinha fazendo desde a década de 1920, quando o “Duce“ assumiu o poder. Além disso, o fascismo conta com muitos simpatizantes entre os integralistas que, um ano antes, tentaram assassinar o presidente Getulio Vargas e sua família, no Palácio Guanabara, no Rio de Janeiro. Os italianos são mais presentes em várias atividades: comércio, mecânica leve, funilaria, música e na fabricação de alimentos e refrigerantes (a Fratelli Vita, na Boa Vista, que foi depredada em Agosto de 1942), depois do afundamento dos navios mercantes brasileiros.
A colônia alemã era menor, porém mais influente, especialmente nos meios industriais e, a propaganda alemã também foi mais eficiente, especialmente após a ascensão do Nazismo – que adotou um tom anticomunista: “ A Segunda Guerra Mundial empolgou a população de Pernambuco que logo se dividiu entre partidários do Eixo e dos Aliados. No Recife, havia uma velha tradição de admiração pela Alemanha em que Tobias Barreto introduziu o germanismo no Estado, o que era reforçado pela admiração que muitas pessoas tinham pela decantada inteligência, competência e dedicação ao trabalho do povo alemão, herdada da Primeira Guerra Mundial. Esta colônia era expressiva sobretudo nos meios industriais e, esta admiração aumentou na década de 1930, quando o Consulado alemão fez uma intensa divulgação entre os estudantes e profissionais, da propaganda contra o comunismo russo, procurando amedrontar a população com a hipótese de os comunistas um dia chegarem ao poder no Brasil”(Manuel Correia de Andrade – em Pernambuco Imortal).
O Partido Nazista existiu em Pernambuco, entre meados da década de 30 até Getúlio Vargas proibir [partidos estrangeiros em 1937]. Até o momento, os nazistas nunca precisaram agir na clandestinidade: seus integrantes, na maioria absoluta eram funcionários da Fábrica Lundgren, na cidade de Paulista, que iam às reuniões uniformizados(inclusive com a braçadeira com a suástica), e até assinavam atas. Não foi apenas em Pernambuco que os Nazistas foram ativos, pois haviam núcleos importantes em outros estados – Paraná, Santa Catarina, São Paulo, Rio de Janeiro e Minas Gerais, sendo que estas representações foram criadas por Hans Hanning Von Consul, que era oficialmente adido cultural na Embaixada da Alemanha no Brasil.

Foram ao todo 83 células com 2.822 militantes, o maior número de filiados ao Partido nazista fora da Alemanha (os Landesgruppe). Estes militantes, mesmo depois da proibição de fazer política, continuaram na ativa, tanto na espionagem como na propaganda. O Recife interessava à espionagem por causa do movimento do Porto, que passa a ser base da 4ª Frota Naval Americana e, da proximidade com a base aérea de Natal, montada pela Força Aérea Americana.
Uma parte considerável da história da atuação dos nazistas no Nordeste está nos arquivos do extinto DOPS (Departamento de Polícia Política e Social de Pernambuco). Este órgão, depois que o Brasil entrou na guerra ao lado, entre outros da União Soviética, pararam de caçar comunistas, para caçar nazistas e fascistas. Uma das maiores descobertas nestes arquivos foi feitas pela historiadora Susan Lewis, foi que houve na cidade de Igarassu, durante a 2ª Guerra Mundial, um campo de confinamento, para onde foram mandadas, cerca de 400 famílias de alemães e japoneses, mas em condições que em nada lembravam os campos de extermínio nazistas, onde foram executados milhões prisioneiros, a maioria judia.
Até o final da guerra, em todo o país, foram presos 47 espiões, todos condenados pelo Tribunal de Segurança do Estado Novo e, em Recife o DOPS teve muito trabalho com espiões alemães, inclusive dois processos – ambos assinados pelo delegado Pedro Corrêa, sendo um de espionagem e outro por propaganda, que ilustram bem a situação que aqui se passava.
O processo por propaganda indiciou Evaldo Stalleiken, que, se hoje fosse vivo seria considerado um designer de primeira: ele fez o desenho da carteira de cigarros Nacionaes, de modo que a junção de 4 carteiras, formava a suástica e, as mesmas postas em outra posição, formavam a Cruz de Ferro, uma das maiores condecorações do Exército Alemão. Ao ser chamado pelo delegado para se explicar, ele disse que fez o desenho de múltipla utilidade sem querer…

O segundo inquérito, referente à espionagem, foi sobre a tentativa de montar uma rádio de ondas curtas, para aproveitar a posição geográfica do saliente nordestino, chamado de Trampolim do Atlântico Sul, que acusou Hans Heinrich Sirvet e Herbert Friedich Julius Von Heyer, que ofereceram dinheiro para que o técnico Walter Grapetim faça as instalações desta rádio, que já estava montada. O técnico Grapetim, procurou o alemão Oscar Shiler, responsável pela parte técnica da Rádio Clube de Pernambuco, que o aconselha a “não se meter em tal assunto”, que foi seguido à risca por ele.

Artigo enviado pelo Pesquisador Rigberto de Souza Júnior

Texto extraído da “Revista Continente Documento Ano III nº 33/2005”

Pernambuco: Sua História Em Fotos

O povo atinge um alto grau de civilidade quando ele embasa suas ações nas experiências de sua história. Diferentemente, ainda há povos que não respeitam sua própria história, não se dignificam com o sacrifício de seus antepassados, e não vislumbram honrar a memória daqueles que forjaram a nação.

O Brasil ainda não atingiu esse grau de civilidade, ainda não deu provas cabais de que realmente se importa com seu passado, ainda não aprendeu com seus erros.

Pernambuco nasceu a partir da experiência das Capitanias Hereditárias e permeou a História do Brasil em todas as suas fases. Foi invadida no século XVII e sua insurreição deu origem ao Exército Brasileiro, na pragmática Batalha dos Guararapes, em 17 de abril de 19 de abril de 1648, e foi partícipe de todas as demais sublevações do Brasil colônia a república.

Contudo, muitos dos seus habitantes não reconhecem o peso histórico do seu Estado, não reconhecem o importante papel de suas cidades, da “Veneza Brasileira”, se é que alguém sabe o que é a “Veneza Brasileira”.

Mas isso não é apenas culpa dessa geração, isso já vem sendo enraizado na cultura política e cultural dos pernambucanos há década e décadas. Monumentos históricos foram destruídos, casas centenárias são derrubadas, cenários históricos são invadidas ou saqueadas. Portal de Santo Antônio, Arco da Conceição e tantos outros monumentos foram, simplesmente, derrubados, para a construção de uma cidade moderna, se é que para ser moderna é preciso esquecer seu passado.

Crédito: Gustavo Arruda

Então vamos imagina um pouco de Pernambuco à antiga:

Major John Buyers Visita a ANVFEB-PE

A Associação Nacional dos Veteranos da Força Expedicionária Brasileira – Regional Pernambuco recebeu a visita do Major Jonh W. Buyers. O veterano da Força Aérea Americana, integrante do 350th Fighter Group, no Teatro de Operações do Mediterrâneo foi o Oficial de Ligação do 1º Grupo de Caça Brasileiro – Senta Pua!

Foi uma honra para os Veteranos e colaboradores da ANVFEB-PE, receber uma lenda viva da trajetória da Força Aérea Brasileira nos campos de Batalha da Itália, sendo testemunha da coragem do aviador brasileiro. Integrante da USFA falou das dificuldades da guerra e de suas experiências pessoais, sempre conversando com os mais jovens, nos agraciou com informações preciosas que não constam em livros, mas apenas nos testemunhos daqueles que fizeram parte desse conflito. Confidenciou que teve o privilégio de conhecer pessoalmente dois grandes brasileiros, o Comandante da Força Expedicionária Brasileira, Marechal Mascarenhas de Morais, e o “Pai da Aviação”, Santos Dumont. Ao contar como conheceu nosso Santos Dumont , se emocionou, e com os olhos cheios de lágrimas, declarou: “Tenho muito orgulho de ter conhecido esse homem!”.

O Major Buyers criou raízes profundas com nosso país, estando neste momento de passagem por Pernambuco. Por isso, a oportunidade de encontra-lo é motivo de orgulho, pois a memória e a bravura de uma geração não podem ser largada ao esquecimento.

Carnaval de 1945 e a Guerra pelo Carnaval!

 O Artigo abaixo foi retirado e adaptado da obra As Fornalhas de Março – História das Eleições no Recife – Volume 1, de Romildo Maia Leite – Edições Bagaço, 2002. Uma excelente e obrigatória leitura para aqueles que querem entender como a Segunda Guerra Mundial afetou o cotidiano do brasileiro, mas especificamente do recifense.

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Como se justificar que, nestes dias de dor, de luto e miséria para a humanidade, se leve a efeito a realização de um carnaval já condenado pela sadia opinião pública do país. Esse foi o protesto do jornal A Gazeta, um jornal católico conservador da cidade do Recife que circulou na década de 40.

Alguns jornais e personalidades da vida social pernambucana defendiam que o Carnaval de 1945 não se realizasse, alegando que o clima era de consternação pelos mortos no conflito, inclusive vidas brasileiras, que se arrastava há mais de cinco anos.  O rigor do protesto viria contra a festividade via em apoio a proibição do Chefe de Polícia do Distrito Federal (então na cidade do Rio de Janeiro), que proibia carnaval de rua, e apenas autorizava o carnaval em clubes e sem máscaras. O objetivo economizar gasolina e evitar a ação de agentes subversivos. Declara o Chefe de Polícia do Distrito Federal: “Os clubes de fechassem ao Frevo, pois se trata de uma dança muito violenta, que tem dado lugar a muitos incidentes”.

Em protesto, outras personalidades se levantaram em defesa da tradição da festa de rua mais popular do país. O jornalista Mário Melo em sua coluna no Jornal Pequeno, jornal tradicional da capital pernambucana, consolidou a defesa:

“Todos os anos, o inimigos do carnaval põem a máscara de fora, procurando pretexto que impeça e entretenimento popular. Um, o mais batido, já não provoca efeito: o carnaval tem suas origens no paganismo. No ano passado, não tínhamos soldados em guerra e não era possível fazer-se carnaval de rua, podendo, no entanto, ser permitido nos clubes. Traduzindo: a gente de colarinho branco e gravata, que bebe champanhe e gim, pode embriagar-se nos clubes, mas os pés raspados, que trabalham no duro, não!”

Muitos alegavam que não era certo que, não admitiam que o povo se atirasse no Frevo, enquanto no front de guerra nossos irmãos se batem denodadamente pela causa das Nações Unidas.

No dia 9 de janeiro de 1945, Mário Melo entra em um dos mais tradicionais Cafés do Recife com sua Crônica  do Jornal do Commercio, bate no balcão e grita: “Por acaso, e em qualquer canto, deixou de haver algum banquete ou recepção festiva às altas personalidades por motivo de guerra?”

Em seguida o Cônego Jerônimo Assumpção, Vigário da paróquia da Boa Vista escreve:

  – São Paulo, que é o Estado mais civilizado do país, está acabando com o carnaval: de ano para ano, cresce o ânimo das pessoas que dão as costas ao tumulto carnavalesco, procurando refúgio nos campos e nas praias. E a mesma coisa vem ocorrendo com a população carioca.

 

No dia 2 de fevereiro acabou a polêmica. A esquina do Lafayete presenciou o desmentido de que o carnaval era incompatível com a guerra. Ancorados no porto do Recife, Marinheiros do encouraçado São Paulo organizaram a troça Mimosas na Folia. E desfilam ruidosamente, cantando Carnaval da Vitória, de Nelson Rodrigues Ferreira e Sebastião Lopes.

 Pela primeira vez vestidos de mulher. Musculosos e atléticos, os marinheiros de guerra do Brasil introduziram no carnaval pernambucano um hábito até então absolutamente carioca.

 No porto da resistência democrática, ancoravam também frevo e povo. Alegres prostitutas, de braços dados com suados estivadores e marinheiros, desceram do cais.

No final sai nos principais jornais:

– Houve carnaval. A derrota do quinto-colunismo foi absoluta. Houve carnaval dos mais animados, o povo divertiu-se e está pronto para receber a notícia da derrota de Hitler…

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A galeria de fotos abaixo é de autoria do Pierre Verger de sua coleção do Carnaval de Pernambuco. É de 1947, mas não é muito diferente do Carnaval de Rua defendido por Mário Melo dois anos antes.

As fotos foram enviadas pelo poliglota, pesquisador, historiador, atleta da voz e contador de causos, Tenente Silvio Mário Messias.

7ª Companhia de Comunicações: Uma das Companhias Mais Tradicionais do Nosso Exército

No último dia 25 de janeiro o Major Marcelo Santos Gonçalves passou o comando da 7ª Companhia de Comunicações para o Capitão Glauber Juarez. Gostaria de fazer duas referências ao antigo comandante da 7ª CiaCom e a própria Companhia. Primeiro o Major Marcelo teve uma estreita relação com a Associação de Veteranos da Força Expedicionária Brasileira – Regional Pernambuco, enquanto esteve no comando da Companhia, e essa aproximação se deu justamente por se tratar de um Oficial de extremo zelo com a importância histórica de sua Unidade, trabalhando arduamente na manutenção dessa história. Inaugurando um Espaço que conta um pouco a história dessa Organização Militar, portanto entramos na segunda referência, o peso histórico da 7ª Companhia de Comunicações. Fundada há 71 anos, a CiaCom cedeu nada menos do 12 valentes militares dos seu contingente para Força Expedicionária Brasileira, pode parecer pouco, mas estamos falando de uma Companhia, portanto foi uma número expressivo de integrantes que ingressaram na FEB. O motivo? A Arma de Comunicações sofreu um novo emprego, deixando de ser uma simples especialização da Arma de Engenharia para fazer parte do Serviço de Comunicações com a 1ª Cia de Transmissões, portanto militares experientes foram deslocados para esse novo e importante Serviço, por isso, a aclamação como Arma do Comando.

Ao amigo Major Marcelo, um profissional dedicado e altamente capacitado, nossos votos de felicidades e sucesso nas suas próximas missões. Ao Capitão Glauber, nossas boas vindas, pois temos a certeza que a ANVFEB-PE e a 7ª Cia Com continuarão a ser guardiães da História da Força Expedicionária Brasileira.

Passagem de Comando da 10ª Brigada de Infantaria Motorizada

 Ontem tive o prazer de participar a Passagem de Comando da 10ª Brigada de Infantaria Motorizada. O General de Brigada Lima Neto foi substituído pelo General de Brigada De Souza.

O General Lima Neto enquanto esteve no Comando da 10ª Brigada, apoiou e incentivou as atividades da ANVFEB-PE, por isso os Veteranos da FEB agradecem imensamente toda a consideração desse Oficial General.

O General De Souza, ainda como Coronel comandante do CPOR/Recife, também já tem serviços prestados à memória da FEB, tanto que foi agraciado com a Medalha Aspirante Mega, por coincidência, juntamente com o esse humilde blogueiro.

 Todos os integrantes da Associação Nacional dos Veteranos da FEB – Regional Pernambuco desejam todo o sucesso do mundo para os generais sucessor e sucedido nas respectivas caminhadas.

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