Desvendando Adolf Hitler II: A Infância!

“Jamais senti por Dolfie aquele carinho que existe de costume entre irmão e irmã. Ele era tão distante, como se não fizesse parte de nossa vida…Era eu que sempre devia me ocupar dele, era para ele babá e empregada; devia satisfazer cada um de seus pedidos, mas não obstante isto, ele nunca pôde me suportar,… Lembro-me que, para fazer com que ele se levantasse de manhã, mamãe só tinha de me dizer: “Vá dar-lhe um beijo”: logo pulava da cama, não podendo suportar a ideia de ser beijado por uma mulher.” (Entrevista realizada com Paula Hitler, irmã mais nova de Adolf Hitler em 1958, dois anos antes de sua morte).

                Quando a família chegou a cidade de Liz em novembro de 1898, graças a mais uma transferência de Alois Hitler, Adolf tinha apenas 9 anos de idade. Ele consideraria Liz, a cidade mais “alemã” do Império Austríaco, como sua cidade natal. Ali, passaria o que chamou de “os anos mais felizes de sua existência”. Chegou para cursar o terceiro ano da escola primária. Logo estava com amigos e brincava alegremente nos campos ao redor da cidade. Nesse período teve os primeiros encontros com algumas literaturas que marcariam sua vida, curiosamente, uma delas era as aventuras de Karl May, contos do Velho Oeste americano, que ele iria nutrir um fascínio até o final da vida. Segundo Ian Kershaw:

“A maioria dos jovens deixaria para trás as aventuras de Karl May e as fantasias infantis depois que cresciam. Para Adolf, no entanto, o fascínio por esse autor nunca se apagou. No comando do país, ainda lia as histórias de May e as recomendava aos seus generais, aos quais acusava de falta de imaginação” (Kershaw, 2001).

                Até aquele momento, o próprio Adolf declarava aquele período escolar como ridiculamente fáceis, permitindo-lhe tempo livre. Contudo, nem tudo eram flores, pois o seu irmão, Alois Jr., deixara a casa da família para tentar a vida longe da rigidez paterna, e Adolf passou a ser o alvo das atenções do pai para continuidade da família. Alois Hitler achava que Adolf deveria se preparar para uma promissora vida no serviço público austríaco. Já Adolf não suportava a ideia de passar a vida atrás de uma mesa. Ele mesmo declara:

“Não tinha ainda 11 anos quando pela primeira vez em minha vida me rebelei… Não queria tornar-me um empregado…Não não! Tinha comigo conversas sem fim, cheias de entusiasmo e elogios para com esta profissão, mostravam-me como exemplo a carreira de meu pai; mas todas as tentativas tinham exatamente o efeito contrário…Um dia, de repente, percebi claramente qual era minha verdadeira aspiração: ser pintor. Artista!” (Hitler, 1926)

                Em 17 de novembro de 1900, Adolf inicia seus estudos na Realschule, uma escola técnica. Essa mudança foi a primeira grande dificuldade na vida do futuro líder alemão. Para frequentar a escola, tinha que enfrentar uma hora de viagem de Liz para Lambach. Não foi um período de sucessos, seu rendimento escolar variava entre medíocre para péssimo. Alguns comentários dos professores do jovem Hitler era que tratava-se de um garoto introspectivo e de poucos amigos. Seus professores deixaram algumas impressões ainda no período entre guerra, como por exemplo, o Professor Karl Mittelmaier, da Escola de Lambach: “Era um rapaz distraído, mas sensato. Trazia frequentemente um espelho, que usava para brincar com o sol”. Professor Eduard Hümer, professor de francês em Linz: “Era sem dúvida dotado, mesmo se só em algumas matérias. Mas não sabia controlar-se: o mínimo que dele se dizia é que era briguento, teimoso, presunçoso, sempre mal-humorado, incapaz de submeter-se a qualquer tipo de disciplina”.

Curiosidade – O primeiro amor

                Hitler nutriu na infância, segundo seu amigo August Kubzek, simpatia e grande amor juvenil por uma moça de família chamada Stephanie, com dois anos a mais que o jovem Hitler, muito provavelmente notou seus olhares furtivos. Para ela, Hitler escreveu várias poesias, nunca vistas pela moça, apenas pelo amigo Kubizek. Stephanie apareceria em seus poemas vestida de azul, montada em um cavalo branco em meio a campos cheios de flores.

                Nesse momento da história pessoal de Adolf Hitler observa-se uma virada, um garoto feliz e com bom relacionamento em Liz, passou a ser apático, distante e problemático nos anos seguintes.

                Na fria manhã de 03 de janeiro de 1903, Alois Hitler morria de causas naturais em sua casa. Foi o início de uma nova jornada. Nada mais poderia segurar Adolf nas exigências sobre seu futuro. Ele agora seria o senhor do seu futuro e, por consequência, determinaria também o futuro de outros milhões.

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A Wehrmacht: Sem Julgamentos! Em Ação!

  Abrindo uma nova fase, vamos apresentar sempre vídeos reais da Segunda Guerra Mundial! Começando com o Exército Alemão, do ponto de vista militar, sem o julgamento pós-conflito, um grande Exército.

Desvendando Adolf Hitler Parte I: O garoto da mamãe!

         No dia 7 de junho de 1837, em uma pequena aldeia na fronteira austríaca com a Baviera chamada Strones, nascia Aloys Schicklgruber, filho ilegítimo de Maria Anna Schicklgruber, então com 41 anos de idade. A família de Anna morava na cidade de Waldviertel, uma região pobre a noroeste da Áustria. Para o rigor do tradicionalismo germânico, conceber um filho fora do casamento era ter a certeza da completa rejeição social, mas Anna teve sorte. Cinco depois, já estaria casada com Georg Hiedler e, mesmo depois da morte do seu marido em 1852, seu cunhado Johann, não deixou que nada faltasse para o sustento do jovem Aloys.

          O que um nascimento indesejado em uma pequena cidade do interior da Áustria interessa tanto? A identidade do pai de Aloys foi estudada e pesquisada de forma exaustiva, infelizmente nenhuma resposta conclusiva foi efetivamente apresentada. Três teorias foram formuladas a partir do início dos anos de 1930 e, posteriormente, colocada em evidência no pós-guerra, até os nossos dias. Vamos a elas:

  1. Teoria da paternidade de Johann Georg Hiedler: Segundo os registros oficias, Georg casou-se com Anna Schicklgruber em 1842, quando Aloys tinha cinco anos de idade, tornando-se seu padrasto. Em 1876, o próprio Aloys declarou que o padrasto era na verdade seu pai e que, desejava em vida, realizar o reconhecimento. O padre da paróquia de Döllersheim, aceitou o pedido. O fato é defendido como real por historiares contemporâneos como Kershaw, reforçados por Alan Bullock e William Shirer.

 

  1. Teoria da paternidade de Johann Nepomuk Hiedler: A teoria de que o pai de Aloys teria sido o irmão de Georg foi apresentada por Werner Maser. Johann tivera u m caso extraconjugal com a senhora Anna e pediu para que o irmão, assumisse o relacionamento. Após a morte de Georg, o garoto foi criado pelo “tio” e recebeu parte de sua herança. Essa teoria é rechaçada pelo biógrafo J. Fest.
  1. Teoria da paternidade de Johann Frankenberger: Essa teoria foi inicialmente muito bem aceita, principalmente para aqueles que interessavam o resultado dela. Sustenta que a senhora Anna trabalha para uma importante e tradicional família israelita chamada de Frankenberger, na cidade de Glaz. Seria fruto de um relacionamento com o filho do patriarca, Leopoldo Frankenberger. Segundo H. Frank, em sua obra publicada em 1953, o pai de Leopoldo passou a pagar as despesas de Anna quando ela retornou a sua cidade natal. O que mais contra essa teoria é que os judeus foram expulsos de Graz no século XV só retornando em 1860, portanto década depois do nascimento de Aloys. Kershaw e Joachim Fest consideram a teoria difamatória.

               Por que essa gravidez indesejada é importante? Simplesmente pelo fato de estarmos tratando do pai de Adolf Hitler. O fato foi tão controverso e traumático para Hitler que, em maio de 1938, ele determinou que Waldviertel, cidade natal de sua família, fosse usada como campo de treinamentos e manobras do Exército. Três meses depois, aldeias como Strones e Döllersheim (local de batismo do seu pai), foram totalmente destruídos, nada sobrou, o cemitério local fora revolto e arado no cumprimento de determinações particulares de Hitler. Não sobrou pedra sobre pedra, e todas as considerações sobre a genealogia de Hitler ficaram no campo da teoria.

             O certo é que Aloys, o garoto pobre a indesejado, cresceu e ascendeu socialmente. Em 1855, então com 18 anos, tinha um emprego modesto no Ministério das Finanças austríaco. Em 1861 já supervisionava um posto de serviços alfandegários e em 1871 mudou-se para Braunau, onde chegou ao cargo de Inspetor Alfandegário em 1875.

           Funcionário público respeitado, em 1876, solicitou oficialmente a mudança de seu nome. Aloys Schicklgruber. A alegação para mudança de nome, se deu pelo reconhecimento de seu padrasto Johann Georg Hiedler como pai legítimo, um detalhe é que Johann já tinha morrido há décadas. A autorização final ocorreu em 1877. Aloys resolveu usar uma variação menos antiquada de “Hiedler”, passando a assinar a partir de então como Alois Hitler.

Curiosidade:

                O nome “Hitler” possui variações, tais como: Hytler, Hiedler, Hütler, Hüttler que traduzido quer dizer: “pequeno proprietário”. A árvore genealógica compilada em 1934 pelos peritos nazistas faz remotar ao século XV o aparecimento da família Hitler: um certo Mattheux Hydler figuraria nos registros da Abadia de Hurzemberg , em 1445, como comprador de uma propriedade agrícola, mais tarde o nome se difundiu em várias grafias.

                Segundo Konrad Heiden, “o raro e pouco estranho sobrenome Hitler encontra-se mais frequentemente entre os judeus orientais do que entre os alemães, e precisamente na Galícia, Bucovina, Romênia e Polônia

           Alois tem uma vida amorosa conturbada, casa-se inicialmente com Anna Glasserl, uma mulher muito mais velha, que se separou em 1880. Logo encontrou Franziska Matzelberg de apenas 21 anos de idade. O matrimônio com a jovem Franziska, onde teve dois filhos Alois e Angela. A primeira grande tragédia para Alois, aconteceu quando Fraziska, conhecida como Fanni, contraiu tuberculose. Alois convidou Klara Pölzl filha de Johann Nepomuk Hiedler, portanto prima de Alois, para cuidar de sua jovem esposa. Contudo, Fanni morreria pela doença em agosto de 1884. Não demorou muito para que Alois buscasse novo casamento, dessa vez em definitivo com sua prima, Klara. Os dois estariam juntos até a morte de Alois em janeiro de 1903.

           Gravidez seguidas geraram três filhos com Alois, infelizmente não tardou para que tragédia se abatesse sobre a vida do casal. O último dos três filhos, Otto, morreria logo depois do nascimento e Gustav e Ida, os mais velhos, morreriam de difteria alguns meses depois. A jovem Klara nunca se recuperou totalmente da tragédia.

           Em 1888 Klara estava novamente grávida. Às 18h30 de 20 de abril de 1889, um sábado de Páscoa, nascia no Hotel Gashof zum Pommer, Vasrtadt nº 219, o filho mais esperando de Klara Pölzl e Alois Hitler, e aquele mudaria a história do século XX: Adolf Hitler.

  1. Desvendando Adolf Hitler Parte I: O garoto da mamãe!
  2. Desvendando Adolf Hitler II: A Infância!
  3. Desvendando Adolf Hitler III: Viena, o início de Hitler!

Fontes:

Hitler / Kershaw, Ian – tradução Pedro Maia Soares, São Paulo: Companhia das Letras, 2010

Hitler, pró e contra – O julgamento da História – edições melhoramentos, 1975.

A. Hitler, Mein Kampf, Zentralverlag, NSDAP, 1936

H. Frank, Im Angesicht des Galgens, Munique, 1953

Hitler, das Leben eines Diktators, Konrad Heiden,  – Europa, Verlag, Zurique, 1936-37.

Conversas Secretaria de Hitler, Richter, 1954.

Maser, Werner Hitler: Legend, Myth and Reality Penguin Books

Fest, Joachim C. Hitler Verlag Ullstein, 1973

Série Desvendando Adolf Hitler – Apresentação

              Quem não conhece Hitler? Qualquer jovem que passa pelo Ensino Médio deve, indiscutivelmente, conhecer o principal personagem da Segunda Guerra Mundial. Adolf Hitler é a figura mais presente nos estudos históricos do século XX e continuará a ser, sem sombra de dúvida, por centenas de anos. Mas quem é de fato Adolf Hitler? Quem era Hitler, antes de Hitler? Ele tinha o sangue judeu? Como ele chegou a ser o Fürher da Alemanha? Como ele chegou ao apogeu do sucesso político e militar e, pouco tempo depois, cravou um tiro na cabeça encerrando sua existência? Teria ele morrido realmente naquele bunker em abril de 1945? Hitler fez alguma coisa boa para a humanidade? O messias alemão de sua época ou a besta encarnada? São perguntas que balizam a pesquisa e não as respostas.

                Toda a composição histórica desse personagem possui centenas e centenas de variáveis e interpretações, que foram exaustivamente estudadas por dezenas e dezenas de pesquisadores, mas muita ideologia do pós-guerra tornou a imagem histórica do austríaco de bigode engraçado turva e sem a transparência exigida pela ciência. Contudo, passado 70 anos do fim do conflito, uma nova geração de pesquisadores tem provido substanciais pesquisas sobre a figura de Hitler, desprovida do ideologismo faceiro dos vencedores da Segunda Guerra Mundial. O mito da besta bíblica encarnado passa a dar lugar à figura histórica que foi produto do seu tempo.

                Levando em consideração todos os elementos que compõem a recente visão histórica de Hitler, vamos criar um Especial Semanal sobre Adolf Hitler, desde sua infância como filho de um funcionário alfandegário, passando pela sua tentativa de ganhar a vida em Viena; seu alistamento no Exército até o início de sua carreira política, ascensão e queda. Nosso objetivo, bastante audacioso, diga-se de passagem, é considerar Hitler enquanto figura histórica, desprovida de qualquer tipo de motivação ideológica ou política para defender ou condená-lo. Deixaremos para você julgá-lo de forma definitiva.

                Todo sábado, uma publicação sobre Desvendando Adolf Hitler:

  1. Desvendando Adolf Hitler: O garoto da mamãe!

Contradições Históricas da FEB: Os Três Heróis Brasileiros, quem são?

Já em vários momentos buscamos lançar luz sobre a obscuridade histórica, que é crônica em nosso país. Parece-nos que há um plano orquestrado de esquecimento, quando se trata do estudo do envolvimento do Brasil na Segunda Guerra Mundial. Longe de ser objeto de estudo dos nossos cientistas da ciência História, a campanha da FEB é referenciada unicamente dentro dos círculos das associações ou dos grupos de interesse.

Um problema também muito sério ocasionado pela falta de pesquisa abrangente, é o risco que corremos em transformar um mito em fato histórico consagrado. Não podemos admitir que qualquer fato envolvendo a FEB seja diminuído, aumentado ou alterado para satisfazer o apetite verossímil daqueles que adoram desvirtuar os acontecimentos para atender uma demanda cinematográfica ou apenas para vender livros, desapegado da realidade histórica. É a velha mania hollywoodiana e seus personagens quase semideuses da guerra.

A História da FEB e do Brasil deve considerar novas interpretações, baseada em pesquisas sérias, para que o fato histórico possa evoluir; mudando segundo a exposição de novas evidências. Isso é importante para corrigir injustiças, trazer à luz personagens históricos injustiçados ou esquecidos. A História ela é elemento vivo em constante evolução.

Com o objetivo de contribuir para o aprimoramento do Fato Histórico, observamos algumas contradições em determinados acontecimentos que envolveram a atuação da FEB e seus integrantes. Um dos mais conhecidos:

 

OS TRÊS HERÓIS:

                Em 14 de abril de 1944, durante uma patrulha nas proximidades do Montese, três soldados Geraldo Baêta da Cruz, então com 28 anos, natural de Entre Rios de Minas; Arlindo Lúcio da Silva, de 25, de São João del-Rei; e Geraldo Rodrigues de Souza, de 26, de Rio Preto, morreram como heróis em Montese, Itália, palco de uma das mais sangrentas batalhas do conflito com a participação da FEB

Integrantes de uma patrulha, os três pracinhas mineiros se viram frente a frente com uma companhia alemã inteira. Receberam ordens para se render, mas continuaram em combate “até o último cartucho”, como se diz na caserna. Metralhados em 14 de abril de 1945, receberam, em vez da vala comum, as honras especiais do exército alemão.

              Admirado com a coragem e resistência dos mineiros, o comandante mandou enterrá-los em cova rasa e pôs uma cruz e uma placa com a inscrição: Drei brasilianische helden, que em bom português significa “três heróis brasileiros”. Acabada a guerra, eles foram trasladados para o cemitério de Pistóia, na Itália, e depois para o Monumento aos Pracinhas, no Aterro do Flamengo, Rio de Janeiro.

                O fato é registrado aqui, no próprio BLOG, e já motivou livros, séries e filmes.

Explicando algumas contradições.

                A questão que queremos abordar, que fique bem claro, não se trata de desmerecer ou duvidar dos méritos dos nossos soldados, pelo contrário, buscamos entender os fatos e tornar justo os personagens que estiveram envolvidos.

Vamos para alguns problemas:

                O Coronel Adhemar Rivermar de Almeida, então Chefe da 3º Seção, do 1º Batalhão do 11º Regimento de Infantaria registrou o que segue em seu livro: Montese – marco glorioso de uma trajetória:

              O inimigo desencadeou uma terrível barragem de fogos de Infantaria e Artilharia entre as encostas Sul de Montese, e suas orlas Leste e a base de partida (Montaurígola), conseguindo deter a ação do Pelotão Ary Rauen, que seu heroico comandante ferido mortalmente na cabeça, quando tentava neutralizar uma incômoda “lurdinha” que barrava o avanço de seu pelotão causando grande baixas em seu efetivo, cujos remanescentes ficaram detidos, sem se moverem, em meio a terrível campo minado

               Tomando conhecimento das pesadas baixas ocorridas naquele Pelotão, o Dr. Yvon, acompanhado do Tenente Ary, de padioleiros e do 1º Sargento Alfeu, sargenteante de minha Companhia e que se apresentara como voluntário, iniciaram a sua longa e perigosa caminhada, cortada de campos minados e varrida incessantemente pelo fogo alemão, em busca de elementos daqueles elementos, até alcançar estreita e rala ravina, entre Motaurígola e faldas de Montese, quando foram também detidos por fortes rajadas de “lurdinhas”, morteiros e artilharia.

               Logo explodiu uma granada sobre o padioleiro Geraldo Baeta da Cruz, de nossa seção de saúde, que morreu no mesmo instante. (ADHEMAR, 1985, pag. 146).

                Nos registros de embarque da FEB, consta o soldado Geraldo Baeta como padioleiro, integrante do Seção de Saúde do 11º Regimento de Infantaria, o que reforça a tese de que ele estaria, conforme relato do Coronel Adhemar, indo em direção ao socorro do pelotão do Tenente Rauen. Outra evidência, é que o militar foi agraciado com a Medalha de Cruz de Combate de 2ª Classe, mérito de bravura em combate (coletivo), diferentemente do Arlindo Lúcio da Silva, recebendo o Cruz de Combate de 1ª Classe, mérito de bravura em combate (individual). Se eles participaram da mesma ação, quais os motivos da diferença nas honrarias?

                Sobre o Geraldo Rodrigues de Souza, o interessante é que o local da morte do soldado é identificado como Natalina e não Montese, como os demais.

Classe 1919. 11º Regimento de Infantaria. Embarcou para além-mar 20 de setembro de 1944. Natural do Estado de Minas Gerais, filho de Josino Rodrigues de Souza e Maria Joana de Jesus, residente à rua Cajurú nº 4, Serra Azul, SP. Faleceu em ação no dia 14 de abril de 1945, em Natalina [crivo nosso], Itália, e foi sepultado no Cemitério Militar brasileiro de Pistóia, na quadra B, fileira 9, sepultura nº 98, marca: lenho provisório.

Sobre o Arlindo, temos o relato do Decreto que lhe concedeu a medalha:

“Foi agraciado com as Medalhas de Campanha, Sangue do Brasil de Combate de 1ª Classe. No decreto que lhe concedeu esta última condecoração, lê-se: No dia 14 de abril, no ataque a Montese, seu Pelotão foi detido por violenta harragem de morteiros inimigos, enquanto uma Metralhadora alemã, hostilizava violentamente o seu flanco esquerdo, obrigando os atacantes a se manterem se manterem colados ao solo. O Soldado Arlindo, atirador de F.A, num gesto de grande bravura e desprendimento, levanta-se, localiza a resistência inimiga e sobre ela despeja seis carregadores de sua arma, obrigando-a a calar-se nessa ocasião, é morto por um franco-atirador inimigo”. (Decreto de Concessão da Medalha)

                Os detalhes da descrição da ação não se referem a três soldados lutando bravamente por suas vidas em combate contra uma Companhia, se referem a um ataque sobre um ponto fortificado e, com testemunhas dos fatos, que relataram posteriormente.

                Por mais surpreendente que seja, outro acontecimento idêntico como o relato dos três soldados brasileiros mortos em Montese. Em janeiro daquele mesmo ano, uma cruz fora encontrada durante o avanço brasileiro, com fantástica similaridade. Portanto, as covas de Montese não seriam as únicas a guardar os corpos de bravos brasileiros que foram honrados pelo inimigo. Assim registra Joaquim Xavier da Silveira em seu livro A FEB por um Soldado:

Ao conquistarem Castelnuovo, as tropas de depararam com um testemunho da coragem do soldado brasileiro. Desde janeiro, três soldados do Regimento Sampaio figuravam na lista dos desaparecidos em combate: Cabo José Graciliano Carneiro da Silva, Soldado Clóvis Paes de Castro e Aristides José da Silva. Em Castelnuovo havia uma tosca cruz de madeira com a dística em alemão: 3 Tapfere – Brasil – 24.01.1945 (Três bravos – Brasil – 24.01.1944). Essa singular homenagem feita pelo inimigo é uma eloquente demonstração da coragem do soldado brasileiro. (SILVEIRA, 2001, pag. 177).

Conclusão

                Não são respostas que movem o mundo, mas as perguntas.

                Ocorreu o fato dos três heróis brasileiros em Montese?

                               Pelo relato oral dos integrantes do 11º RI, não há dúvidas sobre o fato ocorrido em Montese, contudo, não podemos afirmar de forma concludente que os personagens envolvidos no fato são aqueles consagrados pela historiografia militar. Novamente, isso não tira o mérito do sacrifício dos militares do Regimento Tiradentes mortos, seja no caso da patrulha perdida; seja em outras condições de morte violenta.

                               O importante seria para a História Militar Brasileira a análise dos acontecimentos e a busca por respostas; ou confirmando o nome dos bravos soldados que morreram naquele confronto, sendo sepultados por seus inimigos, ou trazendo a justiça histórica para aqueles que efetivamente estiveram nessa ação de bravura.

                Trata-se de um único episódio Montese /Castelnuovo?

                Como anteriormente citado, não há dúvida que trata-se de acontecimentos distintos. Contudo, é necessário que possamos expor evidências que não possibilite margem para debates e interpretações histórica erradas sobre os acontecimentos, objetivando que futuras gerações tenha a possibilidade de vivenciar a clareza histórica do passado de nosso Brasil e saber quem são seus heróis.

Quem foram os três heróis brasileiros em Montese?

                               De certo que há dúvidas bibliográficas levantadas sobre quem foram os três brasileiros que morreram conforme a descrição relatada do episódio: “Os três Heróis Brasileiros”. O que na prática deverá despertar o interesse de pesquisadores e de pessoas e instituições que possam financiar essas pesquisas para trazer para luz a verdade histórica sobre o fato. Os nomes desses bravos soldados brasileiros devem ser registrados de forma justa, seja os três mineiros atualmente apontado como protagonistas, ou outros que por ventura a História revele de forma inquestionável.

Novidades do BLOG – Atualização e Outros

 O BLOG está com um projeto de migração para outro domínio que ainda está em processo de construção.Por esse motivo estamos com poucas publicações, já que a capacidade de UPLOAD do WordPress.com chegou ao limite. Para resolver as questões técnicas, estamos iniciando uma reformulação do BLOG a partir desta semana com as seguintes mudanças:

          – Utilização do Canal do YouTube do BLOG publicação de imagens e vídeos

                Vamos investir em nosso Canal dando-lhe conteúdo exclusivo, com análises de visões históricas de batalhas, personagens de dicas de livro sobre a Segunda Guerra e a participação do Brasil no Conflito.

                 Transferência de parte do conteúdo de imagens (mais de 20 mil) e vídeos para o Canal do Youtube do BLOG com o objetivo de liberar espaço no Servidor do WordPress.com, dando condições de novas publicações.

          – Atualização do BLOG e diversificação de publicações

                 Com o objetivo de tornar o BLOG mais atrativo e interativo vamos realizar pelos três atualizações semanais, no mínimo. O conteúdo será mais diversificando. Nosso principal objetivo é trazer uma acervo fotográfico rico e adicionar questões importantes sobre a análise da Segunda Guerra do ponto de vista histórico.

           – Outras áreas de Conhecimento Histórico

                  Mesmo o BLOG tendo como tema principal o estudo da Segunda Guerra Mundial vamos fazer a análise de outros eventos históricos, principalmente na História do Brasil, em especial os séculos XIX e XX, pois nosso objetivo é considerar o acervo fotográfico como elemento de destaque nas publicações e na análise histórica.

  Como vocês perceberam, um dos elementos principais de nosso BLOG será o CANAL DO YOUTUBE. Portanto, ajude-nos a divulgar, assine e compartilhe o Canal com sua rede de amigo! ASSINE NOSSO CANAL

Uma pequena (e diferente) visão Sobre a Segunda Guerra Mundial

Diferentemente do que se imaginava quando na eclosão da Segunda Guerra Mundial em 1939, todos os países do mundo, de uma forma ou de outra, sofreram os impactos desse conflito que, inicialmente localizado, vai tomando proporções à medida que o Exército alemão se reposicionava para novos objetivos. Precisamos compreender as reais condições que propiciaram o maior conflito bélico do século passado, vislumbrando ponderações mais profundas sobre seus reflexos nos dias atuais; compreender quais as consequências desse conflito para o mundo contemporâneo, os motivos que levaram o mundo a esse estágio apocalíptico em uma perspectiva diferente daquela que foi disseminada pelos vencedores ao término da guerra. A palavra de ordem, na máxima da ciência histórica, é descontruir para construir.

Em uma visão mais abrangente, geral do conflito, há perguntas que devem contribuir para uma perspectiva mais apurada sobre a guerra, abrindo o leque de debates históricos, tais como: Podemos avaliar crimes de guerra cometidos por nações aliadas? Antissemitismo e outros tipos de segregação racial foram apenas características do regime alemão? A Segunda Guerra, na visão simplista, foi uma guerra do bem contra o mal? A culpa da Segunda Guerra foi da Alemanha? A primeira vista pode parecer que estamos evocando posições defensivas em favor do regime constituído por Hitler. Mas é uma mera impressão. As perguntas visam qualificar mais criticamente a disseminação das informações muito bem disseminada no pós-guerra. Quando perguntamos se a Segunda Guerra foi culpa da Alemanha, queremos que o leitor identifique a culpabilidade do povo alemão frente ao conflito iniciado em 1939; queremos analisar o contexto histórico que permitiu a ascensão de um regime totalitário e segregacionista como o Nacional Socialismo em uma das sociedades mais cultas e civilizadas do mundo. Tais perguntas que devem nortear muitos argumentos e são insumos para formar um leitor critico. Evidentemente a premissa para a argumentação histórica é explorar as questões mais controversas a partir de embasamento sustentável historicamente, sem a exposição filosófica ou ideológica que exponha pretensões tendenciosas.

Mas qual é o ganho com esse revisionismo? Muito! Primeiro a palavra “Revisionismo” deve ser empregada de forma correta. Atualmente essa palavra tem se prostituído quando o assunto é Segunda Guerra, já que tem servido de “bandeira” para a exposição de ideias e pensamentos que ferem os fatos históricos e sua interpretação por grupos antissemitas e outros pseudo-pesquisadores que não tem o compromisso com a análise histórica isenta. O grande problema é que esquecemos que estamos sujeitos, como humanidade, a repetir os nossos próprios erros. Quando distorcemos, relativamos ou ignoramos sérias condutas e erros de gerações anteriores, estamos sujeitos a repeti-las. Não à toa ao verbete: “A História sempre se repete”, tem assombrado uma humanidade que volta e meia cai nesta velha retórica. Uma interpretação equivoca da Segunda Guerra pode mascarar o retorno de uma ideologia segregadora, permissividade populista ao totalitarismo, expansionismo territorial de nações, desrespeitos a organismos internacionais ou outros tipos de elementos que fomentaram e esteve na gênese da Segunda Guerra Mundial. Se pararmos para pensar, esses itens já estão sendo recorrentes em muitos países neste início de século XXI. Se o entendimento do nosso passado não objetivar a evolução do pensamento humano para que possamos entender os fatos que contribuíram para a eclosão da Segunda Guerra Mundial, e termos a exata noção que ainda há reflexos extremistas que são espelhados nos movimentos ultranacionalistas da década de 30, estaremos sujeitos a testemunhar criminosos como Anders Behring Breivik, que em 2011, executou friamente 69 pessoas na ilha de Utoya, na Noruega, além de outras 08 em uma explosão em Oslo. Antes do ato terrorista ele publicou na internet em uma coleção de textos, chamada de “2083 – Uma declaração de Independência”, expressando sua “singela” visão de mundo, recheada de ideologia de extremo nacionalismo, racismo e cultura radical. Alguma semelhança com fenômenos ideológicos que tornaram a Segunda Guerra possível?

 Segue a galeria do sofrimento da Segunda Guerra Mundial

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