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Desvendando Adolf Hitler III: Viena, o início de Hitler!

                    Augusto Kubizek, conhecido como Gustl, um jovem que sonhava ser músico famoso, foi um dos poucos que conviveram com Hitler nos últimos anos em Linz, depois da morte do seu pai. Já nesse período, Hitler estava convencido que os estudos convencionais não mais eram importantes, falando abertamente para sua mãe. Passou a viver uma vida entre o teatro lírico as horas de conversas com o seu amigo, Gustl. Era um fervoroso apaixonado por Wagner. Esse período Ian Kershaw considera que Hitler vivia no “mundo de fantasia”:

“[…] episódio, que se passou por volta de 1906, ilustra bem o mundo de fantasia que Adolf vivia. Depois de comprar com o amigo um bilhete de loteria, ele teve tanta certeza de que ganhariam o primeiro prêmio, que desenhou com visão detalhada como seria a futura residência deles. Os dois moços levariam uma existência artísticas, cuidados por uma senhora de meia-idade que cumprisse as exigências artísticas de ambos[..]” (Kershaw, 2001)

                   As custas da mãe, em 1906, realizou a primeira viagem para Viena, acreditava que ele iria estudar a galeria de quadros do Museu das Cortes. Durante duas semanas ou mais, permaneceu na capital do império, fascinado com quantidade de atrações culturais. O interesse de Hitler em ingressar para a Academia Vienense de Belas Artes nasceu nesta viagem.

                 Um ano depois, aos 18 anos, Adolf sofria pressão da família para trabalhar. Todos eram unânimes que ele deveria mudar de vida e achar algum objetivo. Hitler convenceu Klara que seu futura estava na pintura. A mãe, já diagnosticada com câncer, já direcionava quase todos os recursos da família para seu tratamento. Para não decepcionar o sonho de Adolf, sua tia Johanna , fez um empréstimo de 924 coras para financiar o sobrinho. Era tudo que Hitler precisava.

                 A saúde de Klara já estava bastante comprometida. Com câncer de mama, tinha sido operada em janeiro, por um médico judeu, Dr. Bloch, mas os custos do tratamento da matriarca eram cada vez mais pesados e os resultados cada vez menores, ela estava morrendo. Mesmo com doença da mãe os planos de Hitler não foram alterados, em setembro de 1907, estava em Viena realizando as provas de admissão para Academia de Belas Artes.

               Os testes iniciais da Escola de Belas Artes de Viena eram realizados com a apresentação de obras pessoais, essa era a primeira fase. De todos os candidatos, Hitler fora um dos 133 candidatos aceitos, sendo que 33 candidatos foram excluídos imediatamente. Em outubro, novamente outra e decisiva etapa na admissão. Cada um iria realizar desenhos sobre temas específicos e apresenta-los a banca julgadora. Apenas 28 candidatos foram aceitos, Hitler não estava entre os aprovados. No parecer da Escola, constava: “Exame de desenho insatisfatório. Poucas aptidões”. Em sua obra, Hitler confirma a decepção:

“Convencido que seria brincadeira de criança passa no exame[…] Eu estava tão certo que teria êxito que, quando recebi minha rejeição, foi como se caísse um raio do céu sobre mim. ” [Hitler, 1926]

               Em outubro retorna para perceber que sua mãe não resistiria mais tempo. Em 21 de dezembro de 1097, morreria Klara Pölzl Hitler. A realidade dura se abate sobre Hitler. Sem mais o que fazer em Linz, Hitler retorna para Viena, desta vez para permanecer lá por alguns anos . “Eu queria me tornar arquiteto” – disse Hitler anos depois – “obstáculos não existem para que nos rendamos a ele”.

                Hitler chega para morar em Viena com 25 coroas mensais, pensão para órfãos, e cerca de mil coras como herança deixada pela mãe. Já a herança deixada pelo pai só teria acesso quando completasse 24 anos. De qualquer forma, Hitler poderia viver aproximadamente um ano em Viena sem se preocupar com trabalho.

                Diferentemente do que tenha dito anteriormente, nada Hitler fez em Viena para ser arquiteto. Ele retomou a ociosidade desinteressada que estava acostumado, mas, não se tratava de uma pequena província do Império Austríaco como Linz, a cosmopolita Viena fervilhava em vários aspectos, conforme explicou Kershaw:

“[…] o deslocamento do provincianismo aconchegante em Linz para o caldeirão político e social de Viena marcou uma transição crucial. As experiências na capital austríaca deixariam uma marca indelével no jovem Hitler e moldariam de modo decisivo a formação de seus preceitos e fobias” (Kershaw, 2001)

 

Hitler começava a tomar forma.

 

Série Desvendando Adolf Hitler – Apresentação

              Quem não conhece Hitler? Qualquer jovem que passa pelo Ensino Médio deve, indiscutivelmente, conhecer o principal personagem da Segunda Guerra Mundial. Adolf Hitler é a figura mais presente nos estudos históricos do século XX e continuará a ser, sem sombra de dúvida, por centenas de anos. Mas quem é de fato Adolf Hitler? Quem era Hitler, antes de Hitler? Ele tinha o sangue judeu? Como ele chegou a ser o Fürher da Alemanha? Como ele chegou ao apogeu do sucesso político e militar e, pouco tempo depois, cravou um tiro na cabeça encerrando sua existência? Teria ele morrido realmente naquele bunker em abril de 1945? Hitler fez alguma coisa boa para a humanidade? O messias alemão de sua época ou a besta encarnada? São perguntas que balizam a pesquisa e não as respostas.

                Toda a composição histórica desse personagem possui centenas e centenas de variáveis e interpretações, que foram exaustivamente estudadas por dezenas e dezenas de pesquisadores, mas muita ideologia do pós-guerra tornou a imagem histórica do austríaco de bigode engraçado turva e sem a transparência exigida pela ciência. Contudo, passado 70 anos do fim do conflito, uma nova geração de pesquisadores tem provido substanciais pesquisas sobre a figura de Hitler, desprovida do ideologismo faceiro dos vencedores da Segunda Guerra Mundial. O mito da besta bíblica encarnado passa a dar lugar à figura histórica que foi produto do seu tempo.

                Levando em consideração todos os elementos que compõem a recente visão histórica de Hitler, vamos criar um Especial Semanal sobre Adolf Hitler, desde sua infância como filho de um funcionário alfandegário, passando pela sua tentativa de ganhar a vida em Viena; seu alistamento no Exército até o início de sua carreira política, ascensão e queda. Nosso objetivo, bastante audacioso, diga-se de passagem, é considerar Hitler enquanto figura histórica, desprovida de qualquer tipo de motivação ideológica ou política para defender ou condená-lo. Deixaremos para você julgá-lo de forma definitiva.

                Todo sábado, uma publicação sobre Desvendando Adolf Hitler:

  1. Desvendando Adolf Hitler: O garoto da mamãe!

30 De Abril de 1945 – A Humanidade Celebrou Uma Morte. Hitler!

 A História julga cruelmente a construção de um personagem. Hitler ficou personificado como a imagem do mal para a História Oficial, apesar de ser celebrado como um revolucionário por meia-dúzia de seguidores modernos. Sem levar isso em consideração, se o ditador alemão tivesse morrido antes de setembro de 1939, teria entrado para História como sendo um dos maiores símbolos da Alemanha, por devolver o orgulho e fortalecer a Alemanha economicamente. Porém, para o curso da História não há “SE”, há fato. Ele deflagrou o maior conflito armado da História da Humanidade e tornou o mundo moderno o que conhecemos hoje.

   Impressiona como as desventuras das notícias podem criar mitos e desvirtuar a verdade histórica. Isso quer dizer que um fato histórico pode ser diretamente influenciado por boatos e inverdades que circulam ao longo dos anos. É como se alguém lançasse um boato sobre alguma coisa e, depois de cem anos, aquele boato fosse testificado por pessoas como sendo um fato histórico, e isso, por mais incrível que possa parecer, acontece de forma muito contundente nos meios de comunicação, principalmente na internet.

   Um acontecimento histórico que tem sido vitima latente dos boatos e lendas urbanas recai sobre a Morte de Hitler. Desde o dia 01 de maio de 1945 (um dia após a sua morte) até os dias atuais, são constantes os boatos sobre a sorte do destino que envolve a morte, sepultamento e o corpo do homem que mudou o século XX e a história da humanidade.

   Berlim começou a sofrer os primeiros ataques da Primeira Frente Bielo-russa, em 21 de abril de 1945, e a cada dia os avanços eram maiores, enquanto a Wehrmacht lutava desesperadamente para manter a capital. Hitler se transferiu para o Bunker, que ficava próximo a Chancelaria, no dia 22 de abril e de lá não saiu mais. Todos os colaboradores do líder nazista também foram transferidos para lá. Outro fator importante era a saúde de Adolf Hitler, que desde o atentado, ocorrido em julho de 1944, deixou-o com sequelas no ouvido e, desde então, ele andava cada vem mais curvado. Todos os dias seu médico particular aplicava doses cada vez maiores de adrenalina para lhe dar ânimo.

   Esse era o cenário que se encontrava Berlim. Um Líder que nem mesmo de longe lembrava aquele homem que os guiou em 1939 para vitórias militares avassaladoras, enquanto o avanço dos “Ivans” sobre sua capital, o coração do “Reich de Mil Anos” , ocorria violentamente.

Um Relato inicial:

Uma das principais testemunhas dos acontecimentos ocorridos no bunker em 30 de abril de 1945 é Otto Günsche membro da SS-Sturmbannführer, juntamente com Heinz Linge forma um importante testemunho oral:

                Em 21 de abril, Hitler foi acordado cerca de 09h30m e informado de que Berlim estava na linha de fogo da artilharia russa. Burgdorf, bem como outros ajudantes, esperaram por ele na antecâmara. Como de costume fez sua própria barba. Nem mesmo seu barbeiro pessoal, August Wollenhaupt, tinha permissão de barbeá-lo; ele dizia que não suportava ter alguém com uma navalha encostada à sua garganta.

                Na antecâmara, esperavam por Hitler Burgdorf, Schaub, Below e Günsche.

                – O que está acontecendo? De onde vem o tiroteio? – perguntou. Burgdorf informou que o centro de Berlim estava sob pesado fogo de artilharias russas, aparentemente postadas a noroeste de Zossen. Hitler empalideceu. – os russos estão assim tão perto?

                Às primeiras horas da manhã de 22 de abril o fogo da artilharia russa aumentou…

                As bombas russas frequentemente explodiam em Tiergarten e por vezes mesmo nos jardins que circundavam os ministérios da Wilhelmstrasse (Chancelaria). O seu estrondo arrancou Hitler do sono às nove da manhã.

                Tão logo se vestiu chamou Linge e perguntou nervosamente: “Qual o calibre?” Para acalmar Hitler, Linge respondeu que o fogo vinha de baterias antiaéreas no Tiergarten e de canhões russo isolados, de longo alcance. Após o café em seu gabinete, Hitler voltou ao quarto, onde Morell lhe aplicou como de costume uma injeção estimulante.

                A conferência militar foi convocada para o meio-dia. Por volta de meio-dia reuniram-se no bunker de Hitler e as seguintes pessoas: Doenitz, Keitel, Jodl, Krebs, Burgdorf, Winter, Christian, Voss Fegelein, Bormann, Hewel, Lorenz, Below, Günsche, Johannmeyer, John von Freyend e Von Freytag-Loringhover.

                Foi a conferência militar mais rápida de toda a guerra. Muitos rostos estavam transfigurados. Em vozes abafadas a mesma pergunta era repetida várias vezes: “Por que não pode o Führer se decidir por abandonar Berlim?”

                Hitler chegou dos seus aposentos particulares e parecia mais curvado do que nunca. Laconicamente saudou os membros da conferência e deixou-se cair na cadeira. Krebs começou a relatar os fatos. Comunicou um considerável agravamento da situação das tropas alemães que defendiam Berlim. Os tanques russos tinham conseguido avançar para o sul, via Zossen, e alcançado os arredores de Berlim. Nos subúrbios leste e norte havia violenta luta. As tropas alemãs postadas no Óder ao sul de Stettin estavam inapelavelmente cercadas. Os tanques russos tinham-se infiltrado através de uma brecha e penetrado profundamente nas posições defensivas alemãs.

                Hitler se levantou e curvou-se sobre a mesa. Pôs-se a apontar algo no mapa, suas mãos tremendo. Subitamente empertigou-se e jogou seu lápis de cor sobre a mesa. Inspirou profundamente, sua face ficou rubra, seus olhos esbugalhados. Recuou um passo da mesa e numa voz brusca gritou: “É o fim! Em tais circunstâncias não posso comandar! A guerra está perdida! Mas vocês estão enganados, cavalheiros, se pensam que vou deixar Berlim! Daria antes um tiro na cabeça! ”

                Todos fixaram os olhares horrorizados sobre ele. Mal levantou a mão. “Obrigado senhores”. Então, abandonou a sala.

 Texto Extraído do Livro: A Morte de Adolf Hitler – Lev Bezymenski – 1968

O Que a História Ensina Sobre Julgamentos Com Parcialidade

Um determinado Grupo populista se levantou com propostas radicais e nacionalistas em país em crise. Sua propaganda enfatizava uma Nova Ordem, por sinal, segundo eles, a única que poderia obter sucesso na solução dos problemas e anseios do povo.  Esse Grupo investia na imagem de um homem. Apesar de pouca cultura, era a referência política e ideológica em que se baseavam os demais integrantes. Certa vez, dotado de um espírito revolucionário, este Grupo tentou tomar o poder a força. Não conseguiram. Durante a ação, fizeram prisioneiros, destruíram jornais locais e roubaram uma quantia expressiva em moeda. A ação foi controlada por tropas legalistas e foi encerrada com um saldo total de 18 mortos e vários feridos. Todos os principais líderes do Grupo foram presos, inclusive o “chefe”.

 

Depois de alguns meses de prisão, iniciou o julgamento do “chefe”. Ele ameaçou abrir a boca para e dizer quem foram às personalidades que apoiaram a tentativa de Golpe. Começam os acertos políticos para um julgamento ameno. Primeiro o “chefe” seria transferido para um Foro “privilegiado”, pois o julgamento seria realizado na sua própria cidade, ao invés do julgamento ocorrer na capital, como previa a forma jurídica. Evitava-se um tribunal sem controle.

 

Iniciado o julgamento e com ampla cobertura jornalística, deu-se amplo direito de defesa para o “chefe”, ele discursa por quatro horas sobre sua motivação política e ideológica. Alguém ouve o juiz declarar em baixo tom: “fantástico esse senhor!”.  Depois do início do julgamento, um próprio juiz é pressionado para condená-lo, pressão popular e de vários setores da sociedade. Sem embasamento jurídico que o absorva, o parcial magistrado resolve condená-lo a cinco anos de prisão. Pena essa que seria revertida facilmente em liberdade assistida. Ignorando completamente as argumentações jurídicas da gravidade do fato para uma condenação certa, o magistrado nem mesmo se esforçou para embasar sua decisão, que segue abaixo:

“Hitler é um austro-alemão. Ele se considera alemão. Na opinião do tribunal, o sentido e a intenção dos termos da seção 9, parágrafo II da Lei de Proteção da República não se aplicam a um homem como Hitler, que pensa e sente como alemão, que serviu como voluntário durante quatro anos e meio no Exército alemão em guerra, que alcançou altas honras militares graças à notável bravura diante do inimigo, foi ferido, sofreu danos a saúde e foi dispensado das Forças Armadas em controle do Comando do Distrito de Munique ”

(Kershaw, 2010)

Isso mesmo, o “Chefe” em questão é Adolf Hitler e a tentativa de Golpe ocorreu em Monique em 08 de novembro 1923 e ficou conhecido como Putsch da Cervejaria, as primeira tentativa

Berlim, A Última Fronteira – Parte II

Sempre que penso na Batalha de Berlim, em abril de 1945, não consigo deixar de analisar duas perspectivas.

Primeiro, a da população civil. O que fazer? O que se ouvia da Besta Vermelha que destruía e matava tudo e todos no leste, causava um medo terrível, um desespero. Por isso, muitos migraram para sul com o objetivo de se entregar a forças ocidentais. E levavam o que podiam, o que tinham condições de carregar em carroças e animais de tração, afinal, combustível era um luxo impensado. Essa mesma população de Berlim estava exaurida pelo bombardeios sistemáticos, pelo desabastecimento, pela falta de estruturas públicas básicas. Claro, em comparação com outras cidades destruídas e ocupadas, nada de extraordinário. Há muito ninguém mais acreditava naquela guerra, quase todos os berlinenses perderam parentes nos diversos fronts que a nação alemã lutou. A Lebensraum (Espaço Vital), tanto difundida nas doutrinas nazistas, para uma população alemã pura, se tornou um paradoxo a partir do 21 de abril, quando as forças soviéticas chegam a cidade e nenhum alemão sairia da cidade até tudo ter acabado.

 A segunda foram os soldados restantes que defenderam Berlim e lutaram até o fim. Sem nominar unidades militares ou comandantes, mas pontuando apenas soldados inexperientes recrutados entre crianças que nunca tiveram formação militar ou veteranos mutilados com velhos soldados da Primeira Guerra. Muitos, obrigados a lutar ou a morrerem enforcados. E não foram os poucos que foram dependurados em postes para intimidar aqueles que ousassem não defender o último bastião nazista.

E assim. milhares de homens, mulheres e crianças tiveram que conviver por anos, não apenas com a derrota, mas com as consequências do resultado de uma guerra que, na sua maioria, eles não entendiam e não participaram.

Geli Raubal: Sobrinha e Amante de Hitler!

Sempre esteve presente nos estudos históricos a relação entre  Hitler e Eva Braun, principalmente pelo fato deles se casarem pouco antes de cometeram suicídio em 30 abril de 1945. Contudo Eva Braun não foi a grande obsessão amorosa de Hitler. Muitos pesquisadores, entre eles Marc Vermeeren e a britânica Angela Lambert, sustentam que a sobrinha Angela Geli Raubal tenha sido a mulher que conseguiu canalizar a atenção do líder alemão e foi preponderante para sua conduta política.

Geli era filha da meia-irmã de Hitler, Angela Franziska. Hitler trouxe sua irmã para Berchtesgaden como sua governanta no final da década de 20.  Geli, então com 17 anos, passou a conviver com seu tio. Essa aproximação se tornou um relacionamento em pouco tempo, muito embora o próprio Hitler negasse insistentemente os rumores que já eram públicos.

Historiadores sustentam que Hitler possuía uma obsessão doentia pela sobrinha, inclusive mantendo relações sexuais sadomasoquistas, fato que foi confidenciado pela própria Geli a Otto Strasser. O que é certo é que Hitler mantinha a sobrinha sob rígido controle. Ela morava em uma luxuoso apartamento de Munique, onde fazia aulas de canto e teatro.

Apesar da opressão, Geli se envolveu com Emil Maurice, o motorista particular de Hitler. Geli declarou que seu desejo era casar-se com Emil. Deixando seu tio furioso.

Na manhã do dia 19 de setembro de 1931, a jovem de 23 anos foi encontrada morta no chão de seu quarto. Em cima do divã, a pistola do tio. Nunca se soube exatamente o que aconteceu. Rumores davam conta de que a jovem havia sido assassinada por um namorado ciumento, pela SS (a organização paramilitar do Partido Nazista) ou por Hitler em pessoa, enraivecido por uma possível gravidez ou relacionamentos com outros homens, incluindo seu motorista Emil Maurice, com quem Geli almejava se casar. A polícia, sob pressão do Partido Nazista, encerrou o caso com uma declaração de suicídio feita por um legista.

O tempo passado ao lado de Geli marcou a vida de Hitler. Inclusivamente, depois, ele comparava cada nova mulher que conhecia com a perdida Geli. Sua dor foi tão profunda que encerrou a sua habitação em Prinzregentenstrasse. Durante vários dias, Hitler falou de suas próprias intenções de suicidar-se, e descobriu que já não podia comer carne: “É como comer um cadáver”, afirmava, segundo testemunhas. Algumas fontes afirmam que Hitler se fez vegetariano a partir deste facto, mas a verdade é que, já desde 1924 poucas vezes Hitler comia carne. Este episódio destroçou emocionalmente Hitler, que optou por seguir o mesmo caminho. Hitler tentou suicidar-se por sua morte, mas seu fiel amigo e secretário Rudolf Hess conseguiu tirar-lhe a pistola das mãos no último minuto. Mais tarde, Hitler diria: “É a única mulher que tenho querido”. Segundo os mais experientes historiadores de Hitler, Geli e sua mãe Klara Hitler foram as duas únicas pessoas que tiveram um factor emocional determinante na vida de Hitler.

Hitler fez uma estátua a Geli e, todos os anos, no aniversário de sua morte, fechava-se durante horas no quarto da falecida Geli, onde passava horas, olhando suas roupas, fotos e demais lembranças. Até o princípio da guerra, Hitler também passou as vésperas de Natal sozinho nesse quarto. Sempre na cama de Geli, Hitler depositava flores de forma afectiva . Só Anny Kramer-Winter, a dona-de-casa de Hitler a partir de 1929 até 1945, e ele, entravam naquele quarto. Qualquer outra pessoa tinha o acesso proibido. A cada aniversário de seu nascimento e de sua morte, Hitler depositava um ramo de flores aos pés de um quadro de sua sobrinha. Durante toda a guerra, retratos de Geli se conservaram no Berghof e na Chancelaria do Reich, até o final da guerra. Aquele golpe foi terrível para o futuro líder da Alemanha nazista e, após este facto, virou-se determinadamente para a política, sustentando unicamente relações com Eva Braun, a assistente do estudo fotográfico de Heinrich Hoffmann.

Fontes:

 Marc Vermeeren. “De jeugd van Adolf Hitler 1889-1907 en zijn familie en voorouders”. Soesterberg, 2007, 420 blz. Uitgeverij Aspekt

“A História Perdida de Eva Braun”, Angela Lambert. Ed. Globo. 2007

http//pt.wikipedia.org/wiki/Geli_Raubal

“Hitler’s Women, Guido Knopp. Routledge. 2003

Rússia, 1941. Uma Guerra Sem Louros – Parte VI

PARTE 6

O artilheiro de tanques Karl Fuchs da 7ª Divisão Panzer, proporcionou para sua esposa uma visão também difamatória dos prisioneiros de guerra russos:

“Dificilmente você poderá ver um pessoa com um rosto que pareça racional e inteligente. Todos eles parecem definhados e o olhar meio louco e selvagem faz com que pareçam uns imbecis. E esses canalhas, guiados por judeus e criminosos, querem carimbar a sua marca na Europa bem como no mundo. Graças a Deus que nosso Führer, Adolf Hitler, está evitando que isto aconteça.”

O cinejornal alemão Wochenchau, exibido em julho, abordou as imagens feitas dos prisioneiros de guerras mongóis e outros asiáticos. O comentário ridicularizava sobre “a pequena amostragem destes tipos particularmente horríveis de bolcheviques sub-humanos.” Tais sentimentos estavam refletidos nas cartas enviadas do front para as suas casas. Um operador de rádio comentou:

“Nós estamos bem no interior da Rússia, no “paraíso” para o qual irão os soldados (alemães) que decidirem desertar. Uma miséria terrível impera aqui. Pessoas tem sido oprimidas de forma inimaginável por dois séculos. Nós todos preferimos morrer do que aceitar o tormento e a miséria que o povo daqui é obrigado a conviver.”.

Ao encontrar um inimigo alegadamente “inferior” durante os primeiros estágios da campanha, a soberba baseada em um conceito puramente racista deu lugar a um desprezo. Mas este logo seria punido.

Ao final de junho de 1940, o III/IR9 participava de uma operação para liberar um bosque em torno da estrada a nordeste da cidade de Bialystok, perto do vilarejo de Krynki. Um jovem tenente de Panzerjäger, apesar de ser aconselhado a não fazê-lo, arrogantemente insistiu em avançar à frente para além do trecho liberado e através de uma parte do bosque provavelmente infestada de soldados russos. O pelotão de Panzerjäger prosseguiu e assim que ficou longe da vista da infantaria alemã que o apoiava, ouviu-se que os veículos haviam parado. Gritos desumanos de dor logo rasgaram os céus intercalados com berros de ordem em russo. O Major Haeften, comandante da companhia de infantaria, ordenou que um ataque se formasse rapidamente para resgatar o pelotão anti-tanque que sofrera a emboscada. O pelotão líder, comandado pelo Feldwebel Gottfried Becker se deparou com um cenário de carnificina o qual eles “só poderiam aceitar de forma gradual e muito lentamente”. Eles ficaram enojados com o que viram. “Aqui e ali um corpo se contorcia convulsivamente ou se remexia sobre o seu próprio sangue.” Quanto mais a tropa de resgate se aproximava da cena macabra, maior era a magnitude das atrocidades cometidas contra os infelizes Pazerjägers.

“A maioria dos soldados alemães teve os seus olhos arrancados, outros tiveram as suas gargantas dilaceradas. Alguns tiveram a sua baioneta enfiada no próprio peito. Dois soldados tiveram a jaqueta e a camiseta do uniforme rasgadas, seus estômagos nus foram abertos, as vísceras brilhantes dependuradas sobre uma massa ensangüentada. Dois outros tiveram os seus órgãos genitais cortados e colocados sobre o peito.”

Os soldados alemães (do resgate) “tropeçavam como se estivessem em transe” pela estrada enquanto contemplavam aquela cena de completa desolação. “Esse porcos” murmurou um soldado enquanto que outro vomitava na estrada; um terceiro homem de pé olhava fixamente, seu corpo tremendo enquanto ele silenciosamente chorava. As notícias rapidamente se espalharam pela Divisão. O comandante do regimento contestava a Ordem dos Comissários (A Ordem dos Comissários, conhecida na língua alemã como Komissarbehelf, foi uma determinação direta de Hitler instituída alguns dias antes da invasão da União Soviética. Ela estabelecia que qualquer comissário político soviético que fosse preso deveria ser imediatamente executado – N. do T.) mas assim que um comissário político foi capturado, ele foi entregue sem nenhum escrúpulo para a polícia militar e prontamente executado.

C O N T I N U A

Por A Raguenet
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