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Final de 1944: Hitler Acreditava em Vitória Militar?

No final de 1944, a Alemanha não tinha nem mesmo a sombra das forças que tivera três anos antes. Neste período, a Wehrmacht tinha passado de uma guerra ofensiva para um dispositivo estático defensivo em todos os fronts. Em dezembro de 44, as forças alemães se preparavam para última ação ofensiva da guerra para eles. A Unternehmen Wacht am Rhein (“Vigília sobre o Reno”). A questão é: o que Hitler queria afinal?

Esquecendo a formação estratégica dessa operação, mas tentando entender o que uma ofensiva no ocidente iria proporcionar para a Alemanha naquela fase da guerra, levando em consideração que os soviéticos já avançavam sobre território alemão.

Uma pista interessante que pode lançar uma luz a mentalidade do Führer é a argumentação do autor Lev Bezymenski (1968). Sua análise é embasada nos contatos que alta cúpula nazista, com o aval de Hitler, mantiveram com empresários suíços para realizarem um elo com altos funcionários do governo inglês para uma paz negociada. Segundo o autor, os contatos foram realizadas no segundo semestre de 1944 e nos termos da paz, proposto pela Alemanha, o governo alemão ratificava a permanência do sistema de governo atual, inclusive com a manutenção de Hitler no poder. Esse era o principal medo da União Soviética, uma paz negociada dos ocidentais em separado. Embora cogitada,  os anglo-americanos não admitiam a manutenção do governo nazista na Alemanha, nem tão pouco a permanência do líder alemão. Hitler ao saber da completa rejeição dos ocidentais afirma: “Eles vão saber que não podem realizar a paz sem mim!”.

Portanto, levando em consideração a análise de Bezymenski, a Ofensiva das Ardenas foi uma tentativa de provar aos ingleses e americanos que a Alemanha ainda tinha condições de resistir e abrir ofensivas contra os Aliados, forçando uma saída negociada, pelo menos no ocidente, para então, se concentrar na luta contra os soviéticos.

Hitler jogou, apostou e perdeu. Sua atitude enfraqueceu o leste, e desperdiçou excelentes tropas; tropas que seriam imprescindíveis na contenção dos exércitos soviéticos. Tudo que ele queria aquele momento era parar o avanço sobre a Alemanha, cessando bombardeios e, se possível, jogar os americanos e ingleses contra os soviéticos.

Mas, no final das contas, nem mesmo ele acreditava em uma vitória militar.

Berlim, A Última Fronteira – Parte I

No final do ano de 1944, a Alemanha estava prestes a desencadear a ofensiva das Ardenas, a última tentativa de Hitler conseguir neutralizar o avanço Aliado pelo ocidente ou, como é sustentando por muitos estudiosos, uma desesperada saída negociada com os anglo-americanos. Muito embora Hitler acreditasse em uma reviravolta no cerco que se formava sobre ele, ninguém mais em Berlim contava com uma vitória completa da Alemanha.

Berlim, desde o final de 1944, já se preparava para o pior. O racionamento e os bombardeios sistemáticos sobre a capital alemã tornava a vida dos berlinenses triste e dura. Mas nada assustava mais do que as notícias que viam do leste. Os vermelhos avançavam com uma voraz sede de destruição. E o objetivo final era Berlim, e os alemães que moravam na capital sabiam disso.

 No início de 1945 foram formadas forças combativas para defender a cidade. O objetivo era defender suas casas e suas famílias, pelo menos esse era o argumento. Crianças foram recrutadas, velhos e mutilados de guerra, todos que pudessem empunhar uma arma deveria combater o inimigo que estava cada vez mais próximo. Treinamentos e treinamentos eram dados aos civis para manusear armamentos leves e outros mais adequados aos combates contra os tanques, como os panzerfausts, de fácil manuseio, ele seria a principal arma para destruir o inimigo.

Mas era uma missão perdida, todos sabiam disso, tanto sabiam que muitos se recusaram a lutar, muitos tentaram se refugiar assim que as investidas contra a cidade iniciaram. Estes, considerados covardes, quando eram pegos, eram enforcados.

Nada adiantou, os arredores de Berlim são alcançados pela artilharia russa na segunda semana de abril, bastaria mais duas semanas para que ela caísse juntamente com toda a cúpula nazista. Era o fim da última fronteira a ser conquistada pelos Aliados na Europa.

Rússia, 1941. Uma Guerra Sem Louros – Parte IX

PARTE 9

A escuta das transmissões dos rádios russos bem como a captura de documentos fornecem uma ampla diversidade de razões para a eliminação dos prisioneiros de guerra alemães. Aqueles soldados inimigos que lutavam ao invés de se renderem bem como os prisioneiros problemáticos eram, na maioria das vezes, sumariamente executados. O desenrolar de situações táticas não previstas e/ou a falta de transporte para os prisioneiros poderiam contribuir para selar o seu destino. Execuções sumárias durante o interrogatório poderiam acontecer como resultado diante da recusa de fornecer informações militares ou para encorajar que outros falassem. Em resumo, os excessos praticados pelos alemães sofriam uma resposta paga na mesma moeda. Alimentação sempre era escassa e, sendo assim, não disponível prontamente para os prisioneiros. Recompensas também eram oferecidas para aqueles que provocassem o maior número de baixas entre o inimigo. A execução dos oficiais alemães e dos nazistas também acontecia, manifestando uma indignação por parte dos soviéticos e que era expressa através da matança do tipo “olho por olho”. De qualquer maneira, o enfrentamento contra o soldado alemão deveria ser levado até o fim. Um documento do 5º Exército Soviético datado de 30 junho revelou:

“Tem acontecido freqüentemente o fato de soldados do Exército Vermelho e seus comandantes, afetados pela crueza dos porcos fascistas (…) não fazerem nenhum soldado alemão ou oficial prisioneiro, mas sim o executarem ali mesmo no local.”.

Tal prática era criticada devido à perda de informações para o serviço de inteligência bem como pelo fato de desencorajar a deserção por parte do inimigo. O major general Potapov, comandando o 5º Exército Soviético, ordenou que seus comandados explicassem aos soldados de que matar os prisioneiros de guerra “é prejudicial aos nossos interesses.”. Ele enfatizava que os prisioneiros deveriam ser tratados adequadamente. Ele ordenou: “Eu categoricamente proíbo qualquer iniciativa individual de fuzilamento.”. Outro documento capturado e proveniente do 31º Corpo Soviético, assinado pelo Comissário Chefe do departamento de propaganda e datado de 14 de julho de 1941, revelava que “prisioneiros tem sido enforcados e esfaqueados até a morte.”. Tal ordem argumentava que “tais comportamentos para com os prisioneiros de guerra são um prejuízo político para o Exército Vermelho e apenas aumentam a vontade do inimigo em lutar (…) O soldado alemão, quando capturado, deixa de ser um inimigo.”. O objetivo era de “fazer tudo o que for necessário para capturar soldados e, especialmente, oficiais.”.

Porém, a realidade em nível de tropa era de que o soldado russo – da mesma maneira que o seu adversário – tinha sido igualmente e rapidamente brutalizado pela natureza de uma luta ideológica e impiedosa. Os interrogatórios dos prisioneiros de guerra soviéticos conduzidos pelos alemães em Krzemieniec no mês de julho de 1941 descobriu que:

“Nenhuma ordem definitiva havia sido dada para que se executasse todos os oficiais, sub-oficiais e soldados alemães quando da sua captura. Os oficiais, comissários e médicos soviéticos capturados explicam que os fuzilamentos e as torturas até a morte dos militares alemães são oriundos de iniciativas individuais ou por ordens especiais. Estas eram repassadas por oficiais, comissários ou ambos. Um comissário afirmou que tais ordens, na sua maioria, são dadas pelos comandantes de regimentos e de batalhões e por quem os comissários são responsáveis.”.

C O N T I N U A

Traduzido Por A.Reguenet

Suástica – Um Símbolo que Representa Um Regime!

Não há outro símbolo que cause tanto medo e perplexidade ao longo do século XX. A suástica, simbologia máxima do nazismo alemão não é um invenção do nacional socialismo, pelo contrário, é um símbolo que foi usado por século em vários povos e nações, tais como celtas, chineses, malteses e povos islâmicos. Contudo foi na Alemanha que a suástica entrou para história como símbolo da crueldade do regime, portanto temido e odiado por gerações.

Nos anos anteriores a guerra a suástica era usada largamente mundo a fora, inclusive usado em aviões aliados durante a I Guerra Mundial e em muitos produtos consumidos no ocidente e no oriente  – fotos de exemplos de utilização da suástica,

Atualmente muitos grupos radicais e racistas adotam a suástica, mas não sabem a origem ou a mensagem que o símbolo representa

Os Loucos Condenados do Dia D

O Exército Alemão realizou uma pequena campanha de difamação das tropas americanas quando a invasão da Europa era dada como certa. Era comum circular entre os soldados que protegiam a França, que o governo americano iria enviar criminosos condenados para lutarem contra eles. A ideia era não intimidar os soldados, mas fazer com que eles entendessem que estariam lutando contra não contra soldados ou uma força regular, mas com homens que não tinham nada a perder, por isso os alemães deveriam lutar pelas suas vidas e não se renderem.

Quando souberam dos rumores, os soldados aliados passaram a raspar suas cabeças com penteados moicanos, principalmente os paraquedistas. O objetivo era demonstrar que eles, pela menos na aparência, estavam bem próximos de condenados, e estavam dispostos a acabar com qualquer resistência inimiga.

Coitado de Hitler…

 Realmente, Adolf para a propaganda americana apanhou o correspondente a 3 Segundas Guerras Mundiais. Em várias publicações de Revistas em Quadrinhos, os conhecidos Comics, ele foi o alvo preferencial de todos os tipos de super-heróis da criativa mentalidade americana. Dentre os preferidos da população o famoso Superman, Batman e Capitão América, mas temos aliados menos conhecidos como o Soldado Desconhecido e o Espinhão Destruidor entre outros. Conheça essas figuras que povoaram a mente dos americanos e a de outros povos, mesmo depois da guerra:

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Iwo Jima – Uma das Batalhas Mais Sangrentas da História

A Operação Detachment, nome dado pelo Comando das Operações do Pacífico a invasão a praia vulcânica de Iwo Jima, foi travada entre os meses de fevereiro e março de 1945. A operação tinha como principal objetivo consegue o controle dos Aliados dos campos de pouso da ilha, dando a possibilidade para ser utilizada como base de bombardeios no ataque a Ilha principal do Japão.

A Ilha esteve sob preparação defensiva desde 08 de junho de 1944, quando assumiu o Comando das tropas na ilha o general Tadamichi Kuribayashi  e o total de tropas japonesas ficou em torno de 22 mil homens quando no início do ataques, destes apenas 200 foram feitos prisioneiros. Kuribayashi   determinou a construção de mais de 60 quilometros de túneis que se estendia por toda a ilha. Em uma mudança de tática sempre empregada pelos japoneses, não realizou grande resistência nas praias, pelo contrário, deixou que as tropas americanas desembarcassem para oferecer uma resistência voraz no interior.

Do lado americano foram utilizados Fuzileiros Navais com experiência nesse tipo de combate. Em 7 de Outubro de 1944, o almirante Chester Nimitz e a sua equipe publicaram um estudo para planejamento preliminar, que claramente listava os objetivos da Operação Detachment. O principal motivo da missão da operação era o de manter pressão militar contra o Japão e o de estender o controle norte-americano ao Pacífico Oeste. Nas mãos norte-americanas, Iwo Jima poderia ser convertida numa base da qual poderiam ser lançados ataques aéreos contra as ilhas principais do Japão, proteger base nas Marianas, apoiar forças navais, conduzir operações de reconhecimento, e fornecer escolta através de caças a operações de longa distância. Três tarefas especialmente visionadas no estudo eram: a redução da força naval e aérea, e industrial no Japão; a destruição da força naval e aérea japonesa nas Ilhas Bonin, e a captura, ocupação, e subsequente defesa de Iwo Jima.

Às 02:00 da manhã de 19 de Fevereiro, navios de guerra assinalaram o início do Dia D. Em breve 100 bombardeiros atacaram a ilha, em seguida outra rajada de artilharia naval. Às 08:30, os primeiros dos eventuais 30.000 fuzileiros da , e divisão de fuzileiros, sobre a V Corporação Anfíbia, desembarcaram na ilha Japonesa de Iwo Jima, e a batalha pela ilha começou.

Os fuzileiros foram recebidos com fogo pesado proveniente da montanha de Suribachi, ao sul da ilha, e combateram em péssimo terreno; cinza vulcânica áspera que não permitia nenhum movimento seguro ou escavação de uma trincheira. Não obstante, por essa noite a montanha tinha sido cercada e 30.000 fuzileiros navais tinham desembarcado. Aproximadamente 40.000 mais estavam por vir.

O movimento acima de Suribachi foi combatido por cada metro. A artilharia era ineficaz contra os Japoneses, mas os atiradores, lança-chamas e granadas limpavam os bunkers. Finalmente, a 23 de Fevereiro, o cume foi alcançado. O fotógrafo Joe Rosenthal da Associated Press tirou a famosa foto “Raising the Flag on Iwo Jima” (Hasteando a Bandeira em Iwo Jima) da bandeira estado-unidense sendo colocada no cume da montanha.

Com a área de desembarque segura, mais Fuzileiros e equipamento pesado chegaram à costa e a invasão procedeu para norte, para capturar as bases aéreas e o resto da ilha. Com a sua bravura habitual, muitos soldados Japoneses combateram até à morte. De mais de 21.800 defensores, apenas 200 foram feitos prisioneiros.

As forças Aliadas sofreram mais de 26.000 baixas, com mais de 7.000 mortos. Mais de um quarto das Medalhas de Honra que foram atribuídas a fuzileiros durante a Segunda Guerra Mundial foram dadas pela sua conduta em Iwo Jima.

A ilha de Iwo Jima foi declarada segura em 26 de Março de 1945.

A marinha americana atribuiu o nome de USS Iwo Jima a vários barcos.

O memorial da Corporação da Marinha, nos arredores de Washington, guarda o nome de todos os fuzileiros na estátua da famosa fotografia.

A Incrível História dos Homens-Torpedo italianos – Parte I

Numa noite sem lua, em setembro de 1941, um submarino, com a coberta à flor d’água, penetrou na Baía de Cadiz, na costa sudoeste da Espanha, e ancorou ao longo do navio-tanque italiano Fulgor. O submarino era o Scirè da Marinha Italiana; seu comandante, o Príncipe Junio Valerio Borghese; sua missão, organizar tripulações de torpedos-humanos, para o ataque a navios ingleses fundeados em Gibraltar, a 80 milhas de distância, apenas.
Naquela noite teve início, dentro da guerra maior, uma guerra que durou dois anos, travada em silêncio sob a superfície da Baía de Gibraltar. Contra um passivo de três homens mortos e três capturados, os torpedos-humanos italianos puseram a pique ou danificaram, em sete operações, 14 navios aliados. Cada uma dessas operações exigia dos atacantes um arrojo que honraria qualquer marinha do mundo.
Quando a Itália entrou na guerra, em 1940, o navio-tanque Fulgor, de 6.500 toneladas, refugiara-se na Baía de Cadiz. Dentro de poucos meses estava transformado num posto secreto de abastecimento para submarinos italianos. Agora, a seu bordo, aguardando o Scirè, achavam-se seis operadores de torpedos-humanos que haviam atravessado a Espanha com passaportes falsos.
Minutos depois, o Scirè punha-se de novo em movimento com eles no bojo. Deslizava, periscópio apenas submerso, em direção ao extremo sudoeste da Baía de Gibraltar, em águas espanholas, distante quatro milhas do porto inglês. Enquanto se mantinha ainda abaixo da superfície, seis homens — vestindo macacões de borracha, inteiriços, com aparelhamento respiratório-subiram pela escotilha de acesso para o convés. Aí, presos em berços, estavam três torpedos de 6 metros e 70 de comprimento, com ogivas ou cabeças de combate destacáveis, para dois homens cada um. Os tripulantes—um oficial e um suboficial para cada torpedo—escarrancharam-se em seus torpedos, acionaram as alavancas de lançamento e subiram à superfície. Começava o ataque.
Os ITALIANOS chamavam ao torpedo maiale (porco), pois ele lembrava de fato um porco—e um porco nadando não seria mais difícil de manobrar… Em seu bojo o torpedo tinha reservatórios de ar comprimido para regular a profundidade e baterias para a propulsão da hélice dupla. O máximo de velocidade dos torpedos usados em 1941 era de três nós: uma velocidade maior arrebataria de seus lugares os operadores. Seu raio de ação era de dez milhas.
Os tripulantes iam escarranchados como cavaleiros. O oficial da dianteira controlava a velocidade, a direção, o mergulho, e encarregava-se ainda da sonda e bússola luminosas para uso abaixo da superfície. Normalmente os tripulantes viajavam com água até ao queixo, mas se havia barcos-patrulha por perto, prosseguiam em sua rota submersos.
Um operador de torpedo-humano narra assim um ataque:
“A gente vê a silhueta do navio-alvo contra o céu. A uns 50 metros de distância orientamo-nos, enchemos o tanque de imersão e a água se fecha sobre as nossas cabeças. Em baixo é frio, escuro e silencioso.”
“Quando atingimos profundidade suficiente, fechamos a válvula de imersão, acionamos o motor e avançamos lentamente. Passamos da escuridão para uma escuridão mais profunda: estamos debaixo do navio. Paramos o motor e vamos esvaziando os tanques de água. Enquanto subimos, erguemos a mão acima da cabeça. Pensamos se iremos tocar chapas lisas ou cracas afiadas como facas, que nos cortarão os dedos, ou—horror dos horrores—a roupa de borracha que vestimos, deixando entrar a água do mar.”
“Ah! Eis o fundo do navio. Fazemos o torpedo recuar até que o tripulante n° 2 possa tocar um dos frisos de 30 centímetros de largura que correm ao longo de cada lado do casco dos grandes navios. Sentimos um tapa nas costas. O n° 2 achou o friso e está fixando nele uma pinça. Dois tapas. A pinça está presa. Agora adiante, para o outro friso.”
“O n° 2 está arriando um cabo. Prende a segunda pinça, depois volta ao centro do navio. O n” 2 passa em volta da gente para ir até à ogiva de combate e amarra-a ao cabo. O torpedo corcoveia levemente ao ser desligado da cabeça. O relógio que determinará dentro de duas horas e meia a explosão bate os segundos inexoravelmente. O n° 2 volta ao seu lugar. Três tapas. A tarefa foi concluída. Acionamos o motor, saímos de baixo do navio, subimos lentamente. Agora podemos pensar em fugir.”
LICIO VISINTINI, o mais ousado do grupo e um dos cérebros da ofensiva de torpedos-humanos, levou seu torpedo, nessa noite de setembro de 1941, até ao interior do porto de Gibraltar. Tinha um instrumento para cortar a rede de aço que defendia a entrada do porto, mas não precisou utilizá-lo. Quando a rede foi baixada para ciar passagem a um contratorpe-se atrás dele. Deixou a sua ogiva de combate no fundo de um navio-tanque, forçou caminho por sob a rede e escapou.
As outras duas tripulações deixaram suas cabeças de combate pendentes debaixo de navios fundeados na baía, meteram a pique suas estranhas embarcações e nadaram para a costa espanhola. A sua espera na praia encontrava-se o comandante Pierleoni, oficial da Marinha Italiana, enviado diretamente à Espanha para dirigir as atividades de sabotagem, sob a capa de um cargo consular, em Barcelona. Quando conduzia os homens para longe do local, foram detidos por uma patrulha espanhola. Pierleoni resolveu explorar a simpatia do oficial espanhol pelo Eixo.
—Estes homens acabam de atacar os ingleses, disse.
O golpe foi bem sucedido. Os homens receberam roupas enxutas, café, conhaque e cigarros. Enquanto narravam sua história, um estrondo e uma nuvem de fumo indicaram que havia explodido a popa do navio-tanque Denbydale. Logo depois houve explosões semelhantes sob o cargueiro Durham e o navio-tanque Fiona Shell.
Mais tarde esse torpedeadores foram enviados de avião para a Itália, a fim de receberem os aplausos do público italiano.
PIERLEONI passou o inverno de 1941-42 organizando um grupo de sabotagem na Espanha. Em julho estava preparado para a sua primeira operação de terra contra navios aliados ancorados em Gibraltar—um ataque em massa por 12 membros do «Gamma», contingente de nadadores de assalto. Os nadadores reuniram-se numa casa perto de La Linea, território espanhol imediatamente acima da zona inglesa de Gibraltar. Na cozinha, vestiram compridos macacões de lã, sob outros, inteiriços, de borracha, em que se enfiavam desde os pés até ao pescoço, e muniram-se de aparelhamento respiratório e capacetes especiais de proteção contra as redes de aço. Eram 11 horas da noite de 13 de julho quando se dirigiram para a praia.
Nas costas e no peito cada homem carregava «bombas-despertadores»— pequenos engenhos engastados em anéis infláveis de borracha, capazes de se fixarem por pressão aos Cascos das embarcações, até que o relógio detonador esgotasse o seu tempo. Eram minúsculas aquelas cargas de dois quilos em comparação com as ogivas de combate dos torpedos-humanos, mas davam para perfurar chapas de aço. Na baía viam-se os vultos escuros de 30 navios aliados. A cada homem foi dito que escolhesse o seu objetivo.
Entre os nadadores figurava Vago Giari, um rijo camponês de ombros largos, com a destreza aquática de uma foca. Na escuridão, sob um navio que visava, Giari chocou-se com outro nadador. Discutiram por causa do objetivo. Cada um dizia que era seu.
—Estava doido, completamente doido, contou Giari depois, referindo-se ao companheiro.
Quando subiu à tona, cumprida sua missão, o outro, tendo tirado o bocal, começou a gritar com ele.
—Nunca pude compreender como a tripulação do navio não o ouviu, disse Giari.
Dessa vez ele não discutiu. Afundou a cabeça do homem na água e manteve-a assim até que ele perdeu todo o fôlego para gritar.
Seis nadadores regressaram sãos e salvos, os outros seis caíram nas mãos de uma patrulha espanhola e foram (internados) num hotel de Sevilha.
O ataque constituiu apenas um sucesso relativo. Alguns dos nadadores não atingiram seus objetivos, umas quantas bombas foram arrancadas pela força da água dos cascos onde haviam sido fixadas e explodiram na superfície. Mas quatro navios ficaram avariados. Uns dois meses depois Giari e um companheiro avariaram seriamente outro navio.
DENTRO do porto de Algeciras, à vista de Gibraltar, achava-se fundeado o navio-tanque italiano Olterra. Propositadamente arrombado em água rasa por seu comandante, na ocasião em que a Itália declarara guerra, encontrava-se em 1942 sob uma guarda de (neutralidade). Os jovens soldados espanhóis, entretanto, mostravam-se mais interessados em surrupiar cigarros do que em relatar incidentes suspeitos.
Os incidentes eram realmente suspeitos, pois eram organizados por Licio Visintini. Visintini começou a construir uma base secreta dentro do Olterra. Primeiro os italianos cortaram uma seção de 7 metros e meio de comprimento no anteparo de aço que separava o compartimento da proa de um pequeno porão, e equiparam-na com dobradiças. Dizendo aos espanhóis que tinham necessidade de limpar os tanques de flutuação, esvaziaram os tanques da proa até que esta se ergueu bem alto fora d’água.

Texto extraído da revista Seleções de Reader’s Digest de fevereiro de 1951

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Dia D – Relatos de Omaha – Parte II

Barnes e sua equipe de assalto tiveram uma sorte extraordinária. Cerca de 60 por cento dos homens da Companhia A vieram de uma mesma cidade, Bedford, Virgínia; para Bedford, os primeiros minutos em Omaha foram um completo desastre. As Companhias G e F deveriam entrar à esquerda da Companhia A, mas derivaram um quilometro mais a leste antes de desembarcar, por isso, todos os alemães em torno do barranco solidamente fortificado de Vierville concentraram seu fogo na Companhia A. Quando as rampas do barcos Higgins foram arriadas, os alemães logo concentraram sobre eles o fogo de metralhadoras, artilharia e morteiros, apenas duas dezenas sobreviveram, e praticamente todos eles feridos.

O Sargento Thomas Valance conseguiu sobreviver. “Quando descemos a rampa, estávamos com água mais menos à altura do joelho e começamos a fazer o que tínhamos treinados para fazer: mover-nos para frente e em seguida agachar-nos e atirar. O problema era que não sabíamos absolutamente em que atirar. Vi algumas balas traçantes vindas de um embasamento de concreto, que, para mim, parecia colossal. Nunca pensei que embasamentos de canhões pudessem ser tão grandes. Atirei nele mas não havia jeito algum de derrubar um gigante com uma .30”

“Ficou logo evidente que não íamos realizar muita coisa. Eu me lembro de patinhar na água com minha mão erguida no ar, tentando conseguir equilíbrio, quando fui baleado na palma da mão, em seguida através das juntas.”

“O praça Henry Witt estava voltando na minha direção. Lembro-me dele dizer: ‘Sargento, eles estão nos deixando aqui para morrer como ratos’.”

Valence foi atingido novamente, na coxa esquerda por uma bala que quebrou seu fêmur. Ele levou dois outros no corpo. Teve a mochila atingida duas vezes, e a jugular de seu capacete cortada por outro tiro. Ele se arrastou pela praia “e cambaleei de encontra à muralha marítima, e de algum modo caí ali prostrado, e o fato é que passei o dia inteiro na mesma posição. Os corpos dos meus camaradas estavam sendo arrastados pelas águas e eu era o único sobrevivente no meio de tantos de meus amigos, todos eles mortos, em muitos casos cruelmente feitos em pedaços”. 1

Do seu barco, o Tenente Edward Tidrick foi o primeiro a sair. Ao saltar da rampa na água levou um tiro que lhe atingiu a pescoço. Ele cambaleou para a areia, deixou-se pesadamente perto do praça Leo Nash e ergueu-se para dizer em voz entrecortada: “Avance com os cortadores de arame!” Naquele instante, balas de metralhadoras dilaceraram Tidrick da cabeça à cintura.

Por volta das 6:40 apenas um oficial da Companhia A estava vivo, o tenente E. Ray Nance, e ele fora atingido no calcanhar e na barriga. Todos os sargentos ou estavam mortos ou feridos. Em um barco, quando a rampa foi arriada, todos os trinta homens foram mortos entes que pudessem sair.2

  1. Depoimento Oral do Thomas Valance – Eisenhower Center
  2. S. L. A. Marshall, “First Wave at Omaha Beach”, novembro de 1960, p. 68

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Os Motivos da Segunda Guerra Mundial

Há muito, temos uma onda de pensamentos e pesquisas sobre as causas e origens da Segunda Guerra Mundial, evidentemente é mais do que compreensível o interesse pelo assunto, haja vista suas conseqüências em todas as áreas de conhecimento da humanidade, até os nossos dias. Mas perguntas básicas sobre esse evento catastrófico ainda geram controvérsias que dividem opinião de historiadores, pesquisados e aficionados pelo assunto; perguntas como: quais as principais causas que levaram o novo confronto entre nações que estavam em guerra a menos de trinta anos? O nazismo foi um fenômeno político que gerou conseqüências sociais, e sua ascensão foi o principal motivo das agressões alemãs? Adolf Hitler foi um principal agente dos acontecimentos? Essas e muitas outras perguntas deixam repostas ainda encobertas por dúvidas e divisões. É Evidente que este artigo não tem a intenção de esclarecer qualquer questionamento, contudo queremos refletir sobre um prisma diferente das que são comumente usadas para avaliar os eventos que conhecemos como Segunda Guerra Mundial.

Estudar os acontecimentos relacionados à Segunda Guerra Mundial, em termos gerais, é consolidar informações que vão dos resultados econômicos do Tratado de Versalhes, que deu origem a opressão econômica das nações Aliadas contra a Alemanha, e consequentemente seus reflexos sociais com o surgimento do Partido Nacional Socialista dos Trabalhadores, da Alemanha, que ficou conhecido como Nazismo, e uma reflexão das posições internacionais e a concorrência armamentista de países europeus e asiáticos. Bem, sob os aspectos históricos não há nenhum problema, contudo é importante se estudar a sociedade da época de forma mais profunda, incluindo os valores defendidos pela sociedade da época e suas crenças políticas, sociais e filosóficas, e não se deixar levar por temas superficiais que são meros resultados dos desdobramentos referenciados no período.

Primeiro é necessário se pensar qual era o pensamento social comum, chamado pelos sociólogos de senso comum, sobre assuntos que foram explorados de alguma forma pelo pelos Nazistas e Aliados durante seu estado de beligerância. Vamos analisar os seguintes tópicos:

Racismo

Racismos nos termos acadêmicos é a tendência do pensamento, ou do modo de pensar em que se dá grande importância à noção da existência de raças humanas distintas e superiores umas às outra. Embora essa palavra tenha evoluído e sua utilização moderna tem se desdobrado imensamente, em termos gerais, o significado era exatamente esse no final do século XIX e início do século XX.

Todavia, para surpresa de muitos, essa palavra não era um pensamento ou atitude reprovável pela sociedade e isso perdurou por décadas até as mudanças de conceitos que foram sendo implementadas a partir dos anos 50, mas nesse período todas as nações, das mais democráticas as grandes ditaduras, possuíam formas de racismo aceitas como comum pela sociedade. Alguns exemplos claros disso: soldados americanos negros, índios e nipônicos lutaram por seus países, mas não podiam frequentar, morar ou andar em determinados lugares, bairros e ruas nos Estados Unidos que se auto denominavam defensores da justiça e liberdade, e isso ainda hoje fica evidente em determinadas regiões desse país; os próprios judeus eram considerados raça inferior, povo indigno de ter uma nação, pela maioria dos países onde habitavam, e esse pensamento era secular; negros, mesmo com a libertação da escravidão desde o século XIX, não eram reconhecidos como “homens”; O francês Joseph Arthur de Gobineau, o Conde Gobineau, Essai sur l’inégalité des races humaines (Ensaio sobre a desigualdade das raças humanas). Nessa obra o autor sustenta que a raça ariana nasceu a aristocracia que dominou a civilização européia e cujos descendentes eram os senhores naturais das outras raças inferiores.

Todo o processo de idéia comum de raças superiores e discriminação étnica foi permissivo nas posições hitleristas, já que outros povos toleravam ou compactuavam com esse tipo de pensamento. Isso nos fornece indícios de que entre a tolerância e a permissividade do racismo exercido por vários povos, que vai do início das agressões nazista até sua capitulação, passando por indignação, muitas vezes hipócritas dos Aliados, que descobriram os campos de concentração nazistas e se indignavam, como é o caso da União Soviética, que praticava a execução seletiva havia anos, ou os americanos que possuíam campos de refugiados que simplesmente retiravam do convívio social os descendentes nipônicos, ou outros países que adotava leis sionistas estabelecidas. Evidente, guardando as devidas proporções com as disparates nazista e a industrialização da execução, mas temos que levar em consideração que a Alemanha só adotou um plano de execução em larga escala, quando os rumos da guerra já não os favoreciam, contudo no mundo de uma forma geral, o sistema social era completamente permissivo e conivente com a descriminação racial e religiosa, aceita ou praticada pela sociedade mundial de forma generalizada.

O sistema de governo

Importante elemento na composição da pesquisa histórica de qualquer período pelo fato de não existir, ainda que no século XX, qualquer exemplo de sistema de governo que conseguisse acabar com os males econômicos e sociais de um país (como ainda o é atualmente). A partir da década de 20, observamos tentativas de se implementar sistemas de governos baseado no socialialismo marxista dos filósofos Karl Marx e Friedrich Engels. Primeiramente com a queda do czarismo russo em 1917 e que aos poucos, foi colecionando seguidores ao redor do mundo, entre eles a própria Alemanha, que possui um partido comunista atuante. Mas de uma forma geral, o socialismo exercido pela URSS foi transformada em uma república stalinista, onde o próprio Joseph Stálin era o centro do poder. Um exemplo de república socialista mais próxima do marxismo foi a Finlândia, que por motivos territoriais acaba entrando em guerra com a URSS.

Não existia um sistema governamental referência de sucesso, a monarquia já não servia de parâmetro, pois o rei ou imperador, na maioria dos países que adotavam a monarquia, já se tornara objeto meramente cerimonial; a república capitalista, aos moldes americanos, ainda apresentavam sérios problemas, principalmente depois da queda da bolsa de valores de 1929. E logo depois, na década de 30, uma série de países passou a experimentar um totalitarismo moldados pelo argumento nacionalista como respaldo, por isso, como exemplo desse fenômeno para solução dos problemas econômicos e sociais, o Nacional Socialismo angaria apoio popular e vai ao poder legitimamente na Alemanha; na Itália, Benedito Mussolini cria o fascismo; no Brasil Vargas implanta o Estado Novo.  Enfim, ocorre um fenômeno de militarização de várias nações.

Demais Problemas

É necessário também entender que a máquina de propaganda nazista foi a primeira experiência de manipulação de massa da humanidade, o arquiteto Paul Joseph Goebbels, como ministro da propagada seduzia o povo alemão e massificava a idéia da superioridade ariana e a necessidade da nação ter um líder, um homem que pudesse ser o catalisador dos anseios da povo, nasce o lema: um só povo, um só líder uma só nação.

Os resultados

Associe os fatores citados anteriormente aos problemas econômicos mundiais da época, também as relações agressivas das nações européias e os problemas históricos envolvendo nações asiáticas.

Conclusão

Não podemos elencar apenas um fator preponderante na eclosão da guerra em 39, podemos apontar cenários e prognósticos que determinaram o início das agressões. Quando a Alemanha bombardeou a Polônia em 01 setembro de 1939, Hitler declara: “A guerra é como um quarto escuro, você não sabe o que irá encontrar…”. Ele tinha razão.

O importante é não focar em uma única visão para definir as causas do conflito e suas consequências, o que  não é apropriado, tendo em vista que há questões mais profundas do que meramente o estudo Eixo X Aliados.

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